“Um Fim de Semana em Paris”: Muito Menos Interessante Que a Cidade Luz

Nick e Meg formam um casal de professores universitários de meia-idade que estão naquela difícil fase da vida: vivem juntos há muito tempo e, consequentemente, a relação entre os dois já não tem a mesma intensidade. Para tentar resgatar um pouco do romance desvanecido ao longo dos anos, os dois decidem passar um final de semana na capital francesa, Paris – mas desde a chegada nada parece dar muito certo e, aos poucos, eles vão se dando conta de que as coisas entre eles estão piores do que imaginavam. No meia da história surge Morgan, um galante ex-pupilo de Nick, que com seu tipo charmoso encanta a esposa em crise.

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Um Fim de Semana em Paris, dirigido por Roger Michell (de Um Lugar Chamado Notting Hill e Um Final de Semana em Hyde Park), é uma comédia romântica simples, sem apelações e com um toque sutil de nostalgia (o que, fatalmente, poderá agradar um público mais maduro – especialmente aqueles que passam pela crítica fase do relacionamento em que o desgaste é natural). O filme acerta em cheio ao trazer à luz uma relação longeva, com todos os seus percalços, tristezas, angústias, desejos – até mesmo o sexo na terceira idade é pincelado brevemente na película. Entretanto, o longa escorrega no roteiro bastante vago, em alguns momentos até mesmo perdido – sem ser totalmente engraçado para considera-lo uma comédia e muito menos profundo no quesito “drama”. Dessa forma, Um Fim de Semana em Paris começa bem, com alguns trechos interessantes e levemente cômicos, mas se perde em uma falsa profundidade que acaba entediando o espectador.

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Apesar do ótimo trabalho da dupla de atores (Jim Broadbent e Lindsay Duncan demonstram boa química em cena) e de ser visualmente agradável (fotografia atraente – mas também estamos falando de Paris, né? O que podemos esperar?), Um Fim de Semana em Paris não consegue ser tão empolgante quanto a Cidade Luz. O espectador até enxerga umas referências a Godard ou sente um certo charme tal qual Woody Allen em suas tramas (a trilha sonora, por exemplo, funciona muito bem por sua delicadeza), mas é inegável que Um Fim de Semana em Paris não é tão intenso, apesar de ter potencial. Coincidentemente ou não, o filme é como seu título sugere: um final de semana em Paris – passa rápido para tudo o que se tem a fazer e na pressa você acaba fazendo de tudo sem aproveitar nada. Em outras palavras, apenas “um fim de semana em Paris” (o filme ou não) é bom pra conhecer mas impossível de se fazer apaixonar.

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O Casamento do Meu Melhor Amigo

01É curioso o fato de que após 1990, com Uma Linda Mulher (seu primeiro grande sucesso e filme pelo qual levou sua primeira indicação ao Oscar), Julia Roberts tenha se dedicado a produções menos significativas. Claro que seus trabalhos durante os sete anos seguintes aproveitavam o nome da então “queridinha hollywoodiana” e até alcançaram certa notoriedade (como Tudo Por Amor, Dormindo com o Inimigo ou O Dossiê Pelicano). Mas foi apenas com O Casamento do Meu Melhor Amigo (1997) que Julia voltou aos holofotes hollywoodianos, protagonizando uma história que é quase uma unanimidade para os fãs do gênero que a consagrou.

Roberts interpreta Julliane, uma crítica gastronômica independente e com uma extensa lista de relacionamentos mal sucedidos – entre eles, uma paixão ardente com Michael (Dermot Mulroney), com quem esteve junto por cerca de um mês e, por medo ou sei lá o quê, terminou repentinamente, deixando o rapaz inconsolável. Apesar disso, Julliane e Michael continuaram a amizade e cumplicidade – na verdade, enquanto Michael colocava a amiga em um pedestal quase inalcançável, Julliane seguia sua vida normalmente, pulando de um relacionamento fracassado a outro. Até o dia em que Julliane recebe uma ligação inesperada: Michael vai se casar… com outra. E, claro, não apenas outra: é Cameron Diaz – linda, inteligente, rica e, sobretudo, apaixonada pelo noivo. É nesse momento que Julliane descobre que ainda ama o rapaz e, mesmo sendo convidada para ser a madrinha do casório, a bela não vai poupar esforços para separar o casal e recuperar seu grande amor.

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O Casamento do Meu Melhor Amigo começa com um número musical açucarado e que pode até nos dar uma falsa pista do que está por vir. Afinal, apesar de ser uma comédia romântica, O Casamento de Meu Melhor Amigo flerta muito mais com a “comédia” do que com o romance. Não que não haja boas sequencias para fazer os casais suspirarem, mas o timming do diretor australiano P. J. Hogan para o humor é muito claro. Hogan não se intimida a apostar, inclusive, nos clichês mais prováveis da comédia pastelão (como nos inúmeros tombos que Julliane sofre ao longo da trama ou no excesso de caricatura da personagem de Diaz, por exemplo). As piadas estão bem inseridas no decorrer da história – o que é um ponto favorável do roteiro de Ronald Bass (o mesmo de Lado a Lado, Quando um Homem Ama Uma Mulher e Rain Man), que dosa bem o humor e o romance da narrativa. A inesquecível cena em que o amigo gay de Julliane canta I Say a Little Prayer no restaurante lotado (contagiando a todos no local) é tão deliciosa quanto Mulroney sussurrando The Way You Look Tonight ao pé do ouvido de Roberts – o que deixa claro que apesar do evidente apelo cômico da história, o romance também ganha espaço no filme.

Com uma atuação excelente, Julia faz o tipo atrapalhado e quase psicótico daquela que sofre uma clara dor de cotovelo. Totalmente natural em cena, a atriz é um charme e oscila bem as inúmeras transformações de sua personagem, surpreendendo aqueles que costumam desprezar sua atuação. Dermot Mulroney é suficientemente sóbrio no papel do “mocinho” que nunca esqueceu a “mocinha”. Fica-se o destaque no elenco para Cameron Diaz (que até então só havia mostrado suas curvas em O Máskara, três anos antes), divertidíssima como a noiva insegura de Michael e Rupert Everett, que faz George, o amigo homossexual que protagoniza boas cenas na trama (aliás, o mesmo Rupert que é assumidamente homossexual e confessou que perdeu inúmeros papéis no cinema em decorrência disso – uma lástima).

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O final de O Casamento do Meu Melhor Amigo nos deixa com uma ponta de tristeza, afinal ele foge completamente do happy ending que esperamos de um filme do gênero. A despedida entre os dois amigos, apenas com uma troca de olhares e um abraço, dá aquele nó na garganta – porque, apesar de recorrer a métodos pouco louváveis, Julliane ama realmente o rapaz. Mas amar é também abrir mão de certas coisas para que a outra pessoa possa ser feliz, certo? Com um roteiro primoroso, uma direção competente, uma trilha sonora empolgante e atuações certas, O Casamento do Meu Melhor Amigo se firma como um dos melhores trabalhos de Julia em anos e também uma comédia romântica memorável. Tecnicamente bem feito, é o tipo de filme que não importa quantas vezes você já assistiu: se você gostou, vai sempre parar para assistir novamente. Até porque já não se fazem mais filmes como este…