“No Olho do Furacão”: Um Filme Sobre Desastres Que é Um Verdadeiro Desastre

Em meio à chegada de um furacão de proporções gigantescas, um grupo planeja um roubo milionário a uma unidade do Tesouro dos Estados Unidos. Para concretizar o plano, eles precisam do código de acesso ao sistema guardado por Casey (Maggie Grace), uma das agentes federais.  Ao lado dos irmãos Breeze (Ryan Kwanten) e Will (Toby Kebbell), cujo pai faleceu no passado em uma tragédia similar, a funcionária precisa não apenas impedir o assalto, mas também sobreviver à maior tempestade que está por vir.

Há filmes que são propositalmente ruins e há outros que são simplesmente ruins. No Olho do Furacão  se enquadra na segunda categoria anteriormente citada, já que o longa dirigido por Rob Cohen (de Velozes e Furiosos  e Triplo X ) parece realmente se levar a sério, não se dando conta do quão fraco é em sua totalidade. O roteiro confuso e sem nexo algum consegue piorar muito o absurdo da história e está cheio de passagens sem o menor sentido (a começar da ideia de realizar um roubo em meio à catástrofe natural que se anuncia).

As soluções fáceis do argumento também prejudicam a fita. O tal furacão, a título de exemplo, é capaz de jogar pelos ares quaisquer objetos, inclusive os bandidos – mas os mocinhos nunca são sugados por ele. Leis da física? Zero. Além disso, os personagens são extremamente mal construídos, desconhecendo suas próprias motivações e agindo de forma incoerente aos seus objetivos – haja vista os vilões que não perdem a oportunidade de metralhar Casey (mesmo precisando dela para conseguir a grana) ou os próprios protagonistas, que parecem desprovidos de qualquer senso de sobrevivência.

Em sua reta final, Rob abraça de vez aquilo que sabe fazer bem: perseguição em alta velocidade. Pena que esta cena não é capaz de salvar o restante da película, que ainda peca no exagero dos efeitos especiais (e, para muitos, na qualidade deles). Diferentes de outros filmes do gênero, que narram catástrofes naturais fazendo alusão a resposta da natureza à ação da humanidade, No Olho do Furacão  não promove reflexão alguma sobre qualquer tema. Não há mensagem, nem coesão; apenas caos. Bem, não vou ser tão chato assim: se você curte produções como as da franquia Velozes e Furiosos e não se importa em sair do cinema com a mente completamente vazia, certamente não vai ficar tão decepcionado com No Olho do Furacão.

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“Jogada de Mestre”: Encenação Sem Carisma

O cenário de Jogada de Mestre, novo filme de Daniel Alfredson (das versões suecas da trilogia Millenium) é Amsterdã e o contexto social é a crise econômica européia no início da década de 80, que levou muita gente à falência naquela ocasião. Entre esses azarados está um grupo de amigos que, após ter um empréstimo negado pelo banco, decide sequestrar um magnata local para receber em troca um resgate milionário – que se tornaria, na época, no maior valor pago da história.

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A trama é baseada no caso real que envolveu o bilionário Freddy Heineken, herdeiro de uma das maiores cervejarias do mundo. Isso não torna o filme teoricamente limitado – um fato comum em produções inspiradas em episódios reais é que há pouco espaço para se desenvolver a narrativa, uma vez que a ideia é, geralmente, retratar aquele momento como, de fato, aconteceu. O grande problema de Jogada de Mestre é a direção de Alfredson, que deixa o filme pouco atraente, apesar de ser um entretenimento suficiente se você não estiver esperando nada alem de uma encenação sem muito requinte.

Confuso em inúmeras ocasiões, o cineasta escorrega no desenvolvimento dos personagens principais – e, como resultado, o público é incapaz de torcer por qualquer um deles (tanto vítimas quanto bandidos). Outro detalhe que prejudicou muito é o enquadramento e a edição atropelada, com takes rápidos que deixam a sensação de amadorismo, como se um pedaço da fita tivesse ficado de fora (há um erro de edição grotesco quando um dos meliantes aparece vestindo uma jaqueta e segundos depois está com uma camiseta, sem a menor marcação de tempo ou justificativa). A fotografia escura também chega a incomodar em certos momentos, assim como as mudanças bruscas de planos, especialmente nas sequências de ação, ocasionando cenas pouco excitantes – para não dizer “ruins”.

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Com um elenco formado por astros em ascensão (Sam Worthington, Jim Sturgess, Ryan Kwanten, entre outros) que encaram bem a empreitada e um Anthony Hopkins em visível estado de inércia, Jogada de Mestre é um bom programa para se assistir no cinema sem muito compromisso (ainda mais em uma temporada que está bem fraca, diga-se de passagem) e apenas isso. Talvez com uma direção mais experiente, o longa fosse mais interessante. Infelizmente, não passa de uma dramatização simples, sem carisma, profundidade ou algo mais que a torne memorável.