“No Olho do Furacão”: Um Filme Sobre Desastres Que é Um Verdadeiro Desastre

Em meio à chegada de um furacão de proporções gigantescas, um grupo planeja um roubo milionário a uma unidade do Tesouro dos Estados Unidos. Para concretizar o plano, eles precisam do código de acesso ao sistema guardado por Casey (Maggie Grace), uma das agentes federais.  Ao lado dos irmãos Breeze (Ryan Kwanten) e Will (Toby Kebbell), cujo pai faleceu no passado em uma tragédia similar, a funcionária precisa não apenas impedir o assalto, mas também sobreviver à maior tempestade que está por vir.

Há filmes que são propositalmente ruins e há outros que são simplesmente ruins. No Olho do Furacão  se enquadra na segunda categoria anteriormente citada, já que o longa dirigido por Rob Cohen (de Velozes e Furiosos  e Triplo X ) parece realmente se levar a sério, não se dando conta do quão fraco é em sua totalidade. O roteiro confuso e sem nexo algum consegue piorar muito o absurdo da história e está cheio de passagens sem o menor sentido (a começar da ideia de realizar um roubo em meio à catástrofe natural que se anuncia).

As soluções fáceis do argumento também prejudicam a fita. O tal furacão, a título de exemplo, é capaz de jogar pelos ares quaisquer objetos, inclusive os bandidos – mas os mocinhos nunca são sugados por ele. Leis da física? Zero. Além disso, os personagens são extremamente mal construídos, desconhecendo suas próprias motivações e agindo de forma incoerente aos seus objetivos – haja vista os vilões que não perdem a oportunidade de metralhar Casey (mesmo precisando dela para conseguir a grana) ou os próprios protagonistas, que parecem desprovidos de qualquer senso de sobrevivência.

Em sua reta final, Rob abraça de vez aquilo que sabe fazer bem: perseguição em alta velocidade. Pena que esta cena não é capaz de salvar o restante da película, que ainda peca no exagero dos efeitos especiais (e, para muitos, na qualidade deles). Diferentes de outros filmes do gênero, que narram catástrofes naturais fazendo alusão a resposta da natureza à ação da humanidade, No Olho do Furacão  não promove reflexão alguma sobre qualquer tema. Não há mensagem, nem coesão; apenas caos. Bem, não vou ser tão chato assim: se você curte produções como as da franquia Velozes e Furiosos e não se importa em sair do cinema com a mente completamente vazia, certamente não vai ficar tão decepcionado com No Olho do Furacão.

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Entretenimento Exagerado em “Velozes e Furiosos 7”

03Hoje percebi que as coisas mudaram mesmo: levei minha sobrinha de 11 anos ao cinema. Enquanto eu queria assistir a versão live-action de Cinderela, a guria preferiu o sétimo filme da franquia Velozes e Furiosos. Banquei de bom tio, fiz um esforço e, para minha surpresa, me deparei com uma produção que, apesar de não ser um primor cinematográfico, foi um ótimo entretenimento – o que é, na verdade, a sua verdadeira proposta.

Fato: Velozes e Furiosos 7 é o melhor filme de uma série que, cá entre nós, nunca foi lá essas coisas. Não desmereço produções com esta “pegada”, não mesmo – porque, como mencionei acima, a proposta aqui é o entretenimento. Porém há de se admitir que Velozes e Furiosos há muito tempo deixou de ser uma história sobre carros e rachas nas ruas e se tornou uma franquia de ação, com direito a tudo o que é próprio do gênero: tiro, porrada e bomba. E aqui não é muito diferente: Velozes e Furiosos 7 é justamente isso, mas com um agravante: a insensatez do roteiro de Chris Morgan e Gary Scott Thompson.

Okay, não vamos esperar que um longa como este tenha algum compromisso com a realidade. Sabemos que os mocinhos vão apanhar e nunca sentir dor, que eles vão desviar de todos os tiroteios, que eles cairão do penhasco, sofrerão acidentes de carros e tudo mais e sairão ilesos, sim, é verdade. Mas Velozes e Furiosos 7 é, disparado, o filme mais exagerado, absurdo e insano de todos. Nós sabemos que é justamente isso que fez a fama deste projeto – mas não há o menor senso de realismo aqui. Gravidade? Leis da física? Esqueça, meu amigo! Nada do que você aprendeu no colégio serve para alguma coisa.

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Há cenas de diversos tipos, como se o diretor quisesse extrair tudo de todos os lugares: tem sequências na floresta, no deserto, no ar, nas ruas, internas – tudo com seus excessos e anabolizantes. Todas elas, claro, com muita pancadaria, perseguição e alguma dose de humor. Mas há também os momentos “ternura” da trama, com espaço para romance, amostras grátis de fidelidade e amor aos amigos e, claro, à família – lema do personagem de Vin Diesel desde sempre. Aliás, em Velozes e Furiosos 7, a equipe de Dom é ameaçada por um novo vilão, Shaw (o ótimo Jason Statham, estreando na série), que chega na história para vingar a morte do irmão, vilão do filme anterior. Daí, obviamente, Dom convoca a turma toda (juntamente com Kurt Russell, mais uma boa adição ao elenco) e parte pra vingança. Ou seja, tudo o que o povo gosta!

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Velozes e Furiosos 7 foi bem recebido pelos fãs e pela crítica – e seu sucesso é justo. Dentro deste universo “testosterona” (carros “tunados”, mulheres seminuas, brigas de rua e etc.), Velozes e Furiosos 7 se encontra em uma confortável posição, pois é repleto de ação de tirar o fôlego e cenas com pura adrenalina, que escondem até mesmo seus pequenos defeitos (como a fotografia escura e a edição meio atropelada, mas está valendo). De quebra, ainda tem uma bela (e brega, convenhamos) homenagem a Paul Walker, ator que morreu durante as filmagens da fita (ironicamente, em um acidente de carro). Velozes e Furiosos 7 é entretenimento na medida certa para o público e emoção garantida para os fãs da saga.