Prazer Versus Moralismo em “Um Reencontro”

Você já passou pela frustrante situação de conhecer a pessoa certa na hora errada? É o caso de Elza e Pierre: ela, uma escritora bem sucedida, recém-divorciada e mãe de dois adolescentes; ele, um advogado criminalista e pai de família exemplar. Quando trocam olhares em uma festa, a atração é mútua e imediata, porém suas realidades distintas os impedem de levar adiante qualquer tipo de relacionamento.

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Dirigido por Lisa Azuelos, Um Reencontro é uma história de amor “maduro” nos tempos atuais. Devido às convenções (o que demonstra certo tom moralista e conservador da trama), o casal decide não se buscar – sequer trocam número de telefone ou outra informação. Pierre parece sempre colocar a família em primeiro lugar – e, por conta disso, fica dividido entre o medo de reencontrar Elza ou não mais vê-la. Já a mulher, apesar de intensamente atraída, descarta inicialmente a possibilidade de uma relação pelo fato de Pierre ser casado. Entretanto, o círculo de amigos em comum faz com que eles se esbarrem a todo instante – e a cada reencontro é nítido que algo muito maior pode acontecer entre eles. Eles não necessitam um do outro: são independentes, bem estruturados e vivem suas vidas sem grandes dificuldades. No entanto, eles se desejam e não há nenhuma razão aparente para isso. É a paixão, a atração, o sexo quem está falando alto.

02Os atores François Cluzet (de Intocáveis) e Sophie Marceau são competentes em suas atuações, demonstrando bastante cumplicidade em cena – o que ajuda a criar uma tensão amorosa entre suas personagens. Com uma trilha sonora bastante eficiente, Um Reencontro peca, talvez, na constante utilização de um mesmo recurso em sua narrativa (e que não vou falar aqui para não dar spoiler) – que, apesar de produzir um desfecho satisfatório, acaba desmotivando o espectador com relação à trama. Funciona na primeira vez, mas depois o público já está cansado e perde um pouco o interesse pelo filme. Mais: Um Reencontro até tenta questionar nossas escolhas e suas conseqüências – pena que seu conservadorismo, ainda que implícito, não permite que o filme alcance um resultado melhor.

Faltou Tudo em “Sexo, Amor e Terapia”

Dirigido por Tonie Marshall, Sexo, Amor e Terapia é uma comédia que narra o curioso encontro entre Judith e Lambert: ela, uma mulher à frente de seu tempo, que vive sua sexualidade sem medo e mantém casos com os homens que desejar; ele, um viciado em sexo que está passando por um período de abstinência. No entanto, quando os dois passam a trabalhar no mesmo consultório como terapeutas de casais, a situação vai se tornar cada vez mais difícil para eles. 01 Poderíamos dizer que Sexo, Amor e Terapia é a história de duas pessoas que simplesmente se conheceram na hora errada: uma ninfomaníaca e um abstêmio sexual. E talvez é justamente isso que temos para falar sobre este filme porque, de fato, nada alem disso acontece na trama ao longo de sua projeção. Durante quase uma hora e meia, a narrativa se sustenta totalmente na tensão sexual entre os dois personagens principais (com flerte, joguinhos e outras firulas, de soluções fáceis e previsíveis) e também nos enfadonhos diálogos terapêuticos, que nada agregam à fita. Resumindo: não há um clímax ou um grande momento e com isso os poucos minutos de fita se tornam intermináveis. O filme não sai do lugar e quase termina da mesma forma como começou: sem despertar o menor interesse do público. 02 Para completar, parece que a química entre os protagonistas não funciona. Patrick Bruel tem cara de “homem maduro”, um tanto quanto incompatível para o papel (o tom cômico pode ter atrapalhado sua caracterização), enquanto Sophie Marceau faz caras e bocas – qualquer homem fugiria de uma mulher que agisse como ela, cá entre nós. O humor dá certo em alguns raros trechos, com piadas de caráter sexual que, sinceramente, não arrancam muitas risadas. Como comédia, é fato que Sexo, Amor e Terapia tem uma ótima proposta; é uma pena que na execução esses três ingredientes e todos os outros necessários para se fazer um bom filme faltaram.