Cry-Baby

John Waters é mais conhecido, provavelmente, por seu Pink Flamingos, de 1972, notoriamente uma das mais queridas obras do cinema trash do mercado norte-americano e clássico desse gênero – lançado no mesmo ano em que O Poderoso Chefão, de Coppola. No entanto, ­Cry-Baby é um bom exemplar da obra do diretor – ainda que o filme nunca tenha sido um sucesso de público e crítica.

A história é uma espécie de versão anos 50 de Romeu e Julieta – mas muito mais exagerada. Na trama (que se passa na cidade natal do diretor, Baltimore), Allison é uma jovem rica criada pela avó após a morte dos pais. Crescendo em um ambiente comportado e tradicional, ela se apaixona por Wade Cry-baby, o líder de uma gangue de delinquentes juvenis da cidade. Para ficar com Wade, ela tem que enfrentar os preconceitos da família e os ciúmes de seu namorado almofadinha que, junto com outros membros da cidade, trava uma verdadeira guerra contra o grupo de Wade para garantir a moral e os bons costumes de Baltimore – e, claro, salvar sua namorada.

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Apesar da sinopse “séria” da história, não se deixe enganar: Cry-Baby é puro pastelão. O musical de Waters serve muito mais como uma homenagem aos filmes B sobre delinquência juvenil – subgênero que era bem popular nos EUA em décadas passadas. Trata-se ainda de uma sátira interessante aos musicais juvenis que fizeram muito sucesso e consagraram vários astros do cinema hollywoodiano (vide Grease – Nos Tempos da Brilhantina).

Cry-baby foi o primeiro longa de Waters para um grande estúdio – e talvez por isso, um dos méritos da película foi retirar Johnny Depp daquele status de galã que a série Anjos da Lei lhe proporcionou logo no início de carreira. Depp, no papel de Wade, é charmoso, bonito e exagerado, como o personagem exige. Aliás, não apenas Wade, mas todos os personagens do filme – em sua grande maioria, estereotipados o suficiente para renderem boas risadas das situações cômicas e improváveis pelas quais passam. Todos do elenco fazem um trabalho competente – mas sem grandes destaques, que ficam por conta do figurino e da trilha sonora.

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Cry-Baby é razoavelmente inteligente e divertido, porém deveras mais leve do que se podia esperar de uma obra de John Waters (diretor que já fez o close de um ânus e filmou um travesti obeso degustando fezes de cachorro em seus filmes, entre outras bizarrices) – o que, provavelmente, desapontou os fãs mais ardilosos da obra do cineasta. Aliás, não apenas aos fãs, mas a produção também não agradou muito aos cinéfilos em geral – na época, cegos por seus pudores em relação ao diretor, alem da resistência natural ao gênero musical. Talvez por seu tom satírico, o filme parece ter sido feito às pressas – o que tornou o roteiro e suas personagens um tanto quanto artificiais, deixando alguns rasgos que poderiam ser melhor trabalhados. No entanto, Cry-baby não deve ser descartado como lixo cinematográfico – apesar de ter sido feito por um diretor que é especialista nesse assunto. Para nossa alegria, claro…

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