Estou Aqui

Uma das coisas que mais gosto de fazer é descobrir novos artistas. Quando vejo o trabalho de um novo ator ou diretor e esse trabalho me impressiona, lá vou eu correr para pesquisar sua filmografia e confirmar o talento daquele meu novo ídolo. Assim foi com Andrew Garfield, que conheci em O Mundo Imaginário do Doutor Parnassus, de 2010, e por quem caí de amores em Não Me Abandone Jamais, no mesmo ano. Rosto novo na tela, Garfield foi ganhando espaço aos poucos (virou o novo Peter Parker e está em um dos próximos projetos de Martin Scorsese) e conquistando novos fãs. No entanto, um de seus melhores trabalhos (e não é necessariamente por mérito do ator, mas pelo projeto em si, assumo) é o curta Estou Aqui, do qual iremos falar adiante.

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Patrocinado pela marca de marca de vodca Absolut, Estou Aqui é um curta de pouco menos de trinta minutos dirigido por Spike Jonze (de Quero Ser John Malkovich, Onde Vivem os Monstros e o mais recente e elogiado Ela). A história se passa em uma Los Angeles habitada por humanos e robôs e narra a trajetória de Sheldon, um tímido robô bibliotecário, que vive sua existência pacata e praticamente despercebida, cuja rotina metódica inclui apenas o caminho de casa para o trabalho. Em um determinado momento, Sheldon conhece Francesca, um robô com aparência feminina cujo espírito de liberdade acaba fascinando o bibliotecário. Aos poucos, a amizade entre os dois se transforma em amor – amor capaz dos maiores sacrifícios para fazer o outro feliz.

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Uma das características dos trabalhos de Spike é contar algo de nosso próprio universo dentro de um universo surreal que ele imagina. Para o cineasta, nossa sociedade é vazia – e é isso que ele recria em sua Los Angeles surreal. O próprio apartamento do protagonista reflete esse vazio: é opaco, sem decoração, quase sem cores ou nada que estimule maior interesse. Assim também é o convívio entre robôs e humanos, este último grupo que pouco aparece na história e, apesar das críticas que fazem aos seres robóticos, aparentemente convive pacificamente com Sheldon e os demais de sua espécie. Estou Aqui recria, com uma história simplória e até mesmo “boba”, uma metáfora sobre a solidão do homem dentro de uma sociedade cada vez mais individual – onde não há mais espaços para sentimentos, ofuscados pela correria cotidiana e avanços tecnológicos, por exemplo.

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Estou Aqui, apesar de não exclusivamente uma obra cinematográfica, é cinema puro, em sua melhor essência. Tecnicamente, é louvável o bela fotografia do curta, que oscila entre a claridade do sol nos momentos mais alegres e românticos de Sheldon e seu par e uma paleta mais acinzentada nas cenas mais solitárias – o que acentua o vazio da personagem principal. A delicada trilha sonora ajuda a tornar o filme ainda mais melancólico, assim como as atuações de Garfield – que mesmo caracterizado como um robô, consegue transmitir todo sentimento da personagem em seu retraído (mas exato) tom de voz.

Muito bem recebido por onde passou, Estou Aqui é um projeto que funcionou devido sua estética cinematográfica latente e o primor com o qual foi concebido. Com Estou Aqui, Spike consegue recriar uma fábula sobre o amor – e, principalmente, o mais puro significado de “se doar por inteiro”.

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