“Homem-Aranha: De Volta ao Lar” é o Filme do Spider Que a Gente Queria

Sejamos diretos: desde seu anúncio oficial e a participação do herói aracnídeo em Guerra Civil, Homem-Aranha: De Volta ao Lar gerava inúmeras expectativas. E os fãs da Marvel não saíram decepcionados: este é o melhor filme sobre o Homem-Aranha até então.

Ok, isso não é lá muita proeza. Afinal nenhuma das duas franquias cinematográficas feitas sobre o Aranha até aqui foram excepcionais – nem a liderada por Sam Raimi, muito menos a última estrelada por Andrew Garfield. Em ambas, faltava algo que foi preenchido aqui: humanidade. Provavelmente, De Volta ao Lar é o longa mais “humano” dentro do universo Marvel. Mais que isso: ele funciona muito bem em duas vertentes.

A primeira, em sua essência, são as produções de heróis – e De Volta ao Lar é um bom filme do gênero. Para além do fato de o Homem-Aranha ser um personagem querido, há uma narrativa cativante, que acompanha o herói mascarado combatendo o crime nas ruas do Queens (de um jeito meio desengonçado, é verdade) enquanto tenta capturar o chefe de um grupo de contrabandistas de armas. Apesar de as sequências de ação não serem memoráveis ou tampouco o vilão ser muito bem desenvolvido (ainda que Michael Keaton esteja emblemático na construção de seu Abutre), o argumento é bastante equilibrado: são mais de duas horas que passam ser perceber. Há inúmeras referências ao MCU – inclusive a participação de Toni Stark, praticamente um segundo protagonista (uma tentativa explícita do roteiro em alavancar a película com a presença do astro Robert Downey Jr.) Felizmente, o velho Homem de Ferro não ofusca nosso Spider – pelo contrário, ele traz o contraste necessário entre sua experiência e a juventude do novato Peter.

Mas a grande verdade é que De Volta ao Lar funciona também como um ótimo filme adolescente. A pegada teen é forte, não apenas por seu protagonista (um jovem e promissor Tom Holland, em excelente performance), mas por toda suas referências às produções oitentistas, especialmente as de John Hughes. Escancaradamente. Sem o uniforme, Peter Parker é apenas Peter Parker – e ele sabe disso! – , um garoto comum de 15 anos, um nerd (fã de Star Wars) que tem dificuldades para se enturmar ou “chegar” na garota pela qual é apaixonado, sofre bullying – enfim, Peter Parker é alguém com quem o público se identifica. Além disso, é inegável o carisma de Holland, neste ponto superior aos seus antecessores Tobey Maguire e, principalmente, Andrew Garfield – este último muito mais interessante fora das telas.

Homem-Aranha: De Volta ao Lar cumpre bem o que promete: entretenimento. Há alívios cômicos oportunos, diversos easter eggs e um plot twist sensacional, daqueles que nos pegam de jeito (isso sem mencionar as duas cenas pós-créditos – uma delas impagável). Mas há ainda o principal: De Volta ao Lar é a inserção final do Homem-Aranha ao universo Marvel. Tudo agora está intimamente conectado e De Volta ao Lar abre as portas para um protagonista em processo de evolução, o que nos dá a esperança de que coisa muito melhor ainda está por vir.

 

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“Silêncio”: Um Filme Que Causa Barulho

Falar sobre religião não é fácil. No cinema, este tema, por mais bem tratado que seja, sempre levanta infindáveis debates e discussões – e isso não seria diferente ao falarmos de Silêncio, novo filme de Martin Scorsese, um cineasta cuja maior parte de sua filmografia foi inspirada em seu catolicismo (ainda que não fosse o objeto primário de seus principais títulos). Imersiva em sua plenitude, esta nova obra do diretor de Taxi Driver e Touro Indomável é um dos projetos mais pessoais de Scorsese, que aqui deixa de lado o crime e a máfia (presente em seus melhores longas) para falar sobre a fé e seu questionamento.

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Silêncio é a adaptação do livro homônimo escrito por Shūsaku Endō em1966, apontado como um dos melhores romances históricos do século XX (apesar de pouco conhecido no Brasil) e abertamente uma das obras literárias mais relidas por Scorsese. A história acompanha a viagem de dois padres portugueses ao Japão, durante o século XVII, para reencontrar seu mestre que, segundo informações, teria renunciado sua fé cristã e estaria vivendo conforme os costumes locais (em uma região onde a prática do cristianismo era severamente repreendida pelas autoridades japonesas).

Amparado pela bela fotografia de Rodrigo Prieto que, em conjunto com o competente design de produção de Dante Ferretti, emprega um tom clássico à toda narrativa (onde cada plano aberto pode ser visto como uma pintura antiga), Silêncio é visual e tecnicamente impecável. As cores dos quadros são ofuscadas por um profundo aspecto de neblina, um recurso que reafirma toda a morbidez da trama. Sonoramente, Scorsese abandona praticamente o uso de qualquer trilha musical, abusando dos sons (revelando um ótimo trabalho de edição e mixagem) e, como sugere o título, do silêncio – como se parar estender a tensão do momento e permitir que o espectador possa refletir sobre aquilo que vê na tela. É importante ainda ressaltar que a direção de Scorsese vai além, se mostrando principalmente na performance espetacular de todo o elenco, em especial do protagonista vivido por Andrew Garfield. É interessante analisar o quanto Garfield se doa a esta personagem, nos entregando uma de suas mais surpreendentes atuações até então. Inegavelmente, o intérprete está em sua melhor fase.

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Mas é no desenvolvimento de seu drama que Silêncio se torna o que é: um grande filme. A história caminha sem pressa, dando tempo necessário ao longo de quase três horas de duração para que tudo transcorra de forma abrangente. Apesar do possível tom xenófobo que alguns possam alegar (quando a cultura japonesa é um tanto “vilanizada”, enquanto o catolicismo é glorificado), Silêncio é um filme que incomoda e faz o público sair de sua zona de conforto para refletir. Em uma época de discursos religiosos inflamados de ódio, Silêncio convida o espectador a questionar sua fé, independente de religiosidade. A fé não está apenas nas atitudes; ela está presente dentre de nós – e aí somos incitados a buscar entender a fé e questiona-la. Isso fica claro através do personagem Kichijiro, um tipo que não mede esforços para sobreviver, ainda que creia. Essa espécie de “Judas” (esta é uma clara relação estabelecida entre o padre Rodrigues e Jesus) não demonstra lealdade a nada, mas ainda assim não deixa de acreditar. Fica a questão: quais são os limites da fé? Mais do que isso: até onde ela pode chegar sem desrespeitar o outro?

Em produção por mais de 20 anos, Silêncio é um filme que nos oferece uma experiência cinematográfica única de contemplação e reflexão. É verdade que não é uma obra para todo o público, mas é certo que é o projeto da vida seu idealizador, ainda que não seja completamente entendido. Esnobado pela Academia, talvez hoje seja difícil enxergar a dimensão de Silêncio dentro da filmografia de Scorsese, mas certamente ele se perpetuará em um futuro não muito distante como um dos momentos mais importantes da carreira de um dos maiores artistas de cinema em todos os tempos.

Estou Aqui

Uma das coisas que mais gosto de fazer é descobrir novos artistas. Quando vejo o trabalho de um novo ator ou diretor e esse trabalho me impressiona, lá vou eu correr para pesquisar sua filmografia e confirmar o talento daquele meu novo ídolo. Assim foi com Andrew Garfield, que conheci em O Mundo Imaginário do Doutor Parnassus, de 2010, e por quem caí de amores em Não Me Abandone Jamais, no mesmo ano. Rosto novo na tela, Garfield foi ganhando espaço aos poucos (virou o novo Peter Parker e está em um dos próximos projetos de Martin Scorsese) e conquistando novos fãs. No entanto, um de seus melhores trabalhos (e não é necessariamente por mérito do ator, mas pelo projeto em si, assumo) é o curta Estou Aqui, do qual iremos falar adiante.

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Patrocinado pela marca de marca de vodca Absolut, Estou Aqui é um curta de pouco menos de trinta minutos dirigido por Spike Jonze (de Quero Ser John Malkovich, Onde Vivem os Monstros e o mais recente e elogiado Ela). A história se passa em uma Los Angeles habitada por humanos e robôs e narra a trajetória de Sheldon, um tímido robô bibliotecário, que vive sua existência pacata e praticamente despercebida, cuja rotina metódica inclui apenas o caminho de casa para o trabalho. Em um determinado momento, Sheldon conhece Francesca, um robô com aparência feminina cujo espírito de liberdade acaba fascinando o bibliotecário. Aos poucos, a amizade entre os dois se transforma em amor – amor capaz dos maiores sacrifícios para fazer o outro feliz.

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Uma das características dos trabalhos de Spike é contar algo de nosso próprio universo dentro de um universo surreal que ele imagina. Para o cineasta, nossa sociedade é vazia – e é isso que ele recria em sua Los Angeles surreal. O próprio apartamento do protagonista reflete esse vazio: é opaco, sem decoração, quase sem cores ou nada que estimule maior interesse. Assim também é o convívio entre robôs e humanos, este último grupo que pouco aparece na história e, apesar das críticas que fazem aos seres robóticos, aparentemente convive pacificamente com Sheldon e os demais de sua espécie. Estou Aqui recria, com uma história simplória e até mesmo “boba”, uma metáfora sobre a solidão do homem dentro de uma sociedade cada vez mais individual – onde não há mais espaços para sentimentos, ofuscados pela correria cotidiana e avanços tecnológicos, por exemplo.

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Estou Aqui, apesar de não exclusivamente uma obra cinematográfica, é cinema puro, em sua melhor essência. Tecnicamente, é louvável o bela fotografia do curta, que oscila entre a claridade do sol nos momentos mais alegres e românticos de Sheldon e seu par e uma paleta mais acinzentada nas cenas mais solitárias – o que acentua o vazio da personagem principal. A delicada trilha sonora ajuda a tornar o filme ainda mais melancólico, assim como as atuações de Garfield – que mesmo caracterizado como um robô, consegue transmitir todo sentimento da personagem em seu retraído (mas exato) tom de voz.

Muito bem recebido por onde passou, Estou Aqui é um projeto que funcionou devido sua estética cinematográfica latente e o primor com o qual foi concebido. Com Estou Aqui, Spike consegue recriar uma fábula sobre o amor – e, principalmente, o mais puro significado de “se doar por inteiro”.

O Que Esperar do Cinema em 2014

Ano novo, vida nova! 2014 está chegando com muitas promessas!

O ano de 2013 foi muito bom. O blog está crescendo – e com ele, eu vou crescendo junto. Hoje, alem de escrever aqui para vocês, eu também escrevo para mais dois sites – que me recepcionaram de forma acolhedora e tornam minha tarefa de escrever muito mais prazerosa. Agradeço muito a essas equipes, assim como a todos vocês que acompanham meus textos e me incentivam a continuar produzindo um conteúdo legal. E em 2014 não vai ser diferente. Mas vamos ao que interessa? Vamos falar de cinema!

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Primeira postagem do ano não poderia ser outra: vamos falar hoje sobre os filmes que vão estrear por aqui em 2014. Quais são os grandes nomes, as grandes promessas, as maiores apostas deste ano que se inicia? Selecionei abaixo algumas produções que já estão deixando a nós, cinéfilos, ansiosos e, de alguma forma, também esperançosos quanto a 2014, que certamente será um ano promissor para o cinema.

Ninfomaníaca (previsão: 10/01/2014)
Um dos trabalhos mais polêmicos do diretor Lars Von Trier (se é que isso é possível) chega agora no começo do ano aos cinemas nacionais. Trata-se de um drama erótico que gira em torno de Joe, uma mulher de 50 anos que relata sua história pessoal recheada de episódios picantes. Na internet, a divulgação não-oficial do filme tem dado (uiii) o que falar…

Ela (previsão: 17/01/2014)
Com um elenco que traz Joaquim Phoenix e Scarlett Johansson, Ela apresenta a história de um escritor solitário que desenvolve uma estranha relação com um novo sistema operacional, desenvolvido especialmente para atender suas necessidades.

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O Lobo de Wall Street (previsão: 24/01/2014)
Nova parceria entre Martin Scorsese e Leonardo DiCaprio, O Lobo de Wall Street vem sendo bem elogiado nos EUA, apesar de não estar muito bem nas bilheterias. O filme é adaptado do livro de Jordan Belfort, um corretor de títulos da bolsa norte-americana que entrou em decadência na década de 90.

Robocop (previsão: 31/01/2014)
Com um elenco estelar (Michael Keaton, Gary Oldman, Samuel L. Jackson, entre outros) e dirigido pelo brasileiro José Padilha, o filme se passa em 2028 – ano em que a tecnologia robótica está em sólido avanço e uma das empresas que dominam o mercado decide usar essa tecnologia para conter a onda de crimes.

Uma Aventura Lego (previsão: 07/02/2014)
Olha, se você passou sua infância brincando com as parafernalhas de Lego, você entende a ansiedade da galera por este filme – que, ao que tudo indica, parecer ser um tipo inovador de animação, já que tudo ali parece ser feito do próprio brinquedo. Sobre a história, basta dizer que vai seguir o personagem Emmet, que é recrutado para uma jornada épica para derrotar um tirano – coisa que Emmet não aparenta estar preparado.

Kill Your Darlings (previsão: 14/02/2014)
Talvez por conta da provável temática gay do longa, Kill Your Darlings é um dos filmes mais aguardados no meio indie. A trama mostra como um assassinato no ano de 1944 une três grandes nomes da geração beat, Allen Ginsberg, Jack Kerouac e William Burroughts.

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Walt nos Bastidores de Mary Poppins (previsão: 14/02/2014)
Eu confesso que espero há muito tempo  uma biografia de Walt Disney – e até me empolguei um pouco com Saving Mr. Banks (título original e muito melhor, para variar…) do longa que conta a história dos bastidores de um dos maiores sucessos Disney de todos os tempos.

300: A Ascensão de um Império (previsão: 07/03/2014)
Na continuação do elogiado 300, Rodrigo Santoro retorna como Xerxes, da força persa, em uma batalha contra um grupo de guerreiros gregos liderados por Themistocles (Sullivan Stapleton). Ao lado de Xerxes, temos Artemesia – Eva Green (motivo maior para assistir ao filme, cá entre nós…).

Noé (previsão: 28/03/2014)
Depois do ótimo Cisne Negro, Darren Aronofsky traz sua visão sobre a clássica história bíblica de Noé. Com um belo visual e um elenco de peso (Russel Crowe, Anthony Hopkins, Emma Watson, Logan Lerman entre outros), o filme é uma releitura da passagem bíblica sobre a destruição do mundo com água.

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Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (previsão: 28/03/2014)
Baseado no elogiadíssimo curta Eu Não Quero Voltar Sozinho, de Daniel Ribeiro (que retorna na direção), Hoje Eu Quero Voltar Sozinho conta como Leonardo, um adolescente deficiente visual, busca sua independência, enquanto descobre mais acerca de sua sexualidade ao se apaixonar por um colega do colégio.

Transcendence (previsão: 18/04/2013)
O diretor de fotografia e braço direito de Christopher Nolan em seus filmes estréia na direção desta ficção científica que traz Johnny Depp de volta às telas de cinema (em um personagem aparentemente normal, graças a Deus!). Na trama, dois cientistas de computação trabalham para atingir a singularidade tecnológica, enquanto uma organização anti-tecnologia tenta os impedir de criar um mundo onde as máquinas podem transcender as capacidades cerebrais humanas.

O Espetacular Homem-Aranha 2 – A Ameaça de Electro (previsão: 01/05/2014)
Se estrear junto da sequencia de Os Vingadores, a disputa promete (apesar de estar fadado ao fracasso, já que estamos falando de “Os Vingadores mimimi”). Andrew Garfield retorna na pele de Peter Parker, que tenta manter a promessa feita ao pai de Gwen Stacey no final do filme anterior.

Godzilla (previsão: 16/05/2014)
Aaron Taylor-Johnson parece ter caído nas graças de Hollywood, pois alem de estar na segunda parte de Os Vingadores, ele também estréia a refilmagem do clássico Godzilla, que será dirigido por Gareth Edward. Apostando alto em efeitos especiais para criar um visual aterrorizante, o diretor já deu uma amostra que vem por aí no excelente clipe liberado há algumas semanas.

Malévola (previsão: 02/07/2014)
A divulgação tem sido grande e muito se espera desta releitura do clássico A Bela Adormecida – só que aqui, a história é contada sob a perspectiva de Malévola, a vilã da trama. Ah, caso você seja um alienado e não saiba, a vilã, no caso, é Angelina Jolie. Dê uma conferida no visual e me conta depois…

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Sin City: A Dama Fatal (previsão: 22/08/2014)
Há exatamente 1 ano atrás, Sin City: A Dama Fatal entrava na minha lista de filmes mais esperados de 2013. O projeto foi adiado e, ao que tudo indica, sai ainda este ano (pelo amor de Deus, Robert Rodriguez, se vira!). A dama fatal, do título, é Eva Green (já me matou, sério…) e a sequencia é baseada nos quadrinhos de Frank Miller.

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Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1 (previsão: 21/11/2014)
Em uma clara tentativa de faturar muita grana, Jogos Vorazes: A Esperança será dividido (aparentemente de forma desnecessária) em duas partes. A primeira estréia por aqui apenas em dezembro – e após o sucesso de Jogos Vorazes: Em Chamas, os fãs da franquia estão animados com o desfecho da história de Katniss e os demais moradores de Panem. Ah, Julianne Moore está confirmada no longa.

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O Hobbit: Lá e de Volta Outra Vez (previsão: 17/12/2014)
O segundo filme da franquia O Hobbit terminou deixando o coração de muita gente saindo pela boca nas salas de cinema. Bom, isso deixa claro a ansiedade dos fãs da saga pelo desfecho (provavelmente épico) da história de J.R.R. Tolkien, prevista para dezembro.

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Into The Woods (previsão: 25/12/2014)
Que seja antecipado! Afinal, reunir Meryl Streep e Johnny Depp em um musical escrito pelo mesmo autor de Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet e dirigido por Rob Marshall (de Chicago) é querer matar meio mundo do coração! Vários personagens clássicos dos contos infantis estão presentes nessa fábula musical com previsão apenas para o fim do ano…

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Bates Motel: 5 Motivos Para Você Assistir

Quem me conhece sabe que eu, definitivamente, não tenho paciência para sequências. É por essa razão que eu costumo torcer o nariz para seriados, sagas (vide O Senhor dos AnéisPiratas do CaribeStar Wars e derivados), séries, novelas, enfim, tudo aquilo que se precise acompanhar por muito tempo para se ter o entendimento completo do produto. No entanto, quando a produção é boa e eu gosto, eu não poupo elogios e recomendo a todos. E Bates Motel, do canal pago A&E, foi o último programa que conseguiu prender a atenção deste ser agitado que vos escreve.

01Levar uma das obras-primas do cinema mundial para as telinhas de um canal de TV pago não é algo, digamos, fácil. Tem que ter peito para encarar tal empreitada. Bates Motel conseguiu essa façanha. Super elogiada pela crítica e público, a primeira temporada (com 10 episódios) já tem data de estréia no Brasil para 04 de julho, pela canal Universal. Mas muita gente já assistiu a série e, se você ainda não sabe muito a respeito, vou te dar cinco bons motivos para você não perder a chance de acompanhar essa produção por nada…

1. Bates Motel é prelúdio de Psicose
A não ser que você seja um completo alienado, você já deve saber que Bates Motel serve como prelúdio do filme Psicose, obra-prima do gênero suspense do diretor Alfred Hitchcock. A trama vai acompanhar a juventude de Norman Bates e sua doentia relação com a mãe, com o intuito de mostrar a formação daquele que é um dos mais célebres assassinos do cinema. Diferente do que acontece no longa hitchcockiano, que se passa na década de 1960, Bates Motel traz Norman situado em um tempo presente e mostra todas as agruras de um típico adolescente do século 21: seus anseios, seus amores, a conturbada relação com a mãe e o irmão. Tudo isso vai ajudar a moldar a mente do assassino esquizofrênico, como, provavelmente, se verá nas próximas temporadas.

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2. Produtores da série com um bom currículo…
Bates Motel é produzida por Carlton Cuse e Kerry Ehrin que produziram, respectivamente, LostParenthood. Ou seja, já dá pra perceber que não vai ser por falta de talento que o projeto não vai decolar. Se você curtiu essas séries, provavelmente tem chances de cair de amores por Bates Motel.

3. O elenco é primoroso…
Lembra-se do garotinho chorão e rabugento de Em Busca da Terra do Nunca? E do garotinho pobre que conseguiu o bilhete dourado e herdou todo o império de Willy Wonca em A Fantástica Fábrica de Chocolate? Pois é, ele cresceu, engrossou a voz e se tornou Norman Bates. Freddie Highmore conseguiu, com muita proeza, recriar um dos personagens mais famosos da história do cinema. Não sei quem foi o seu preparador, mas Freddie encarnou Norman Bates na voz, nos gestos, no jeito psicótico de olhar e tudo mais, mostrando competência e se tornando um dos mais bem elogiados atores de sua geração.

02Além dele, Vera Farmiga consegue também atrair a atenção a cada aparição. Ela está incrivelmente neurótica no papel de Norma Bates, a mãe do vilão. Vera, que ficou conhecida por seus papéis no cinema, já está em seu quartao seriado – e tem sido uma das grandes atrações da temporada. Há quem já aposte nela para o próximo Emmy, inclusive. Integram o elenco ainda Mike Vogel, Max Thieriot, Richard Harmon, Nestor Carbonell, entre uma porrada de gente talentosa.

4. O roteiro é excelente…
Toda série costuma ter episódios filler – sabe aquele episódio onde nada de relevante à trama acontece, é pura enrolação? Pois bem, Bates Motel ainda não chegou neste nível. Todos os episódios possuem um roteiro muito bem traçado, o que faz com que Bates Motel tenha sempre um conteúdo interessante e situações inusitadas que não te fazem desgrudar os olhos da tela. O projeto permanece envolvente durante todos os seus dez episódios, abusando de suspense e sem cair na monotonia. Não à toa, Bates Motel não passou pela produção de episódio piloto para sua avaliação – os dez episódios da primeira temporada já foram encomendados logo de cara.

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5. A trama é recheada de suspense…
Após a morte (?) de seu segundo marido – e pai de seu filho Norman – , Norma decide se mudar com seu filho para uma pequena cidade dos EUA. Lá, ela assume a gerência de um hotel de beira de estrada com a esperança de recomeçar uma nova vida ao lado de Norman. O que a mãe do garoto não sabe é que a construção de uma nova estrada deixaria seu hotel fora da rota principal da cidade, dificultando a localização e acesso dos clientes. Além disso, com o passar dos primeiros dias, Norma descobre que os moradores da pacata cidade possuem segredos que vão afetar todos seus planos.

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A segunda temporada já foi anunciada – mas teremos que esperar até 2014, pois as gravações só devem ocorrer no final deste ano e não há previsão de estréia no Brasil. Enquanto isso, vamos acompanhar os dez episódios iniciais para já entrar no clima da série e tentar descobrir um pouco mais do lado psicótico e sombrio de Norman Bates. Hitchcock não acha ofensivo.

ENQUANTO ISSO…
Freddie Highmore está excepcional no papel do jovem Norman Bates. Até mesmo fisicamente, diga-se de passagem. Mas se tem um ator hollywoodiano que realmente é a cara de Anthony Perkins, o intérprete de Norman no filme de Hitchcock, esse nome é Andrew Garfield. Confira aí:

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E aí, será que Garfield faria melhor?

Estréias do Semestre: O Que Não Postamos Por Aqui…

Para os cinéfilos de plantão, o primeiro semestre de 2012 foi bem generoso. Além das várias estréias que postamos aqui ao longo desses últimos meses, muitos outros lançamentos também movimentaram a indústria cinematográfica e os fãs afoitos por novas produções. E ao que tudo indica, esse segundo semestre não vai ser muito diferente. Alguns longas estão chegando e prometem faturar alto nas bilheterias.

Quem curte um cinema no final de semana, teve que sair de casa com muita paciência…

Entre eles, temos o último episódio da aclamada trilogia de Christopher Nolan, Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge, que estréia essa semana nos cinemas nacionais (e que já deu o que falar nos EUA). Em agosto, ao que tudo indica, temos também Rock of Ages – O Filme e Abraham Lincoln – Caçador de Vampiros, aparentemente os mais aguardados pelos fãs. Já nos últimos meses do ano, temos Frankenweenie, a animação de Tim Burton para seu curta homônimo lançado na década de 1980 (e que tem a missão de redimir o diretor por seu deslize em Sombras da Noite), o desfecho da saga “Crepúsculo” com Amanhecer – Parte 2 e, para os nerds que nos lêem, O Hobbit (que já tem várias imagens por aí).

Bom, enquanto estes filmes não chegam, vamos fazer um apanhado geral sobre as produções que estrearam nestes últimos meses e não comentamos por aqui. Se correr, ainda dá tempo de garantir o ingresso de algumas delas…


1. O Espetacular Homem-Aranha
Pois é, o filme dirigido por Marc Webb até que foi razoavelmente bem nas bilheterias mundiais, mas… dividiu os fãs. Não que seja ruim, mas certamente está bem abaixo do que os fãs esperavam. A química entre o casal Andrew Garfield e Emma Stone até que funcionou, mas faltou mais ação e um vilão mais digno do super-herói. Além disso, se Peter Parker era mais jovem do que o que já conhecíamos, tudo bem… O filme podia ser sobre um adolescente – mas não precisava ser um filme de adolescente. O longa até que rende uns bons minutos de entretenimento, mas como obra cinematográfica está bem razoável.

“O Espetacular Homem-Aranha”: espetacular só no nome mesmo…


2. A Invenção de Hugo Cabret
O último trabalho de Martin Scorcese foi indicado a 11 estatuetas do Oscar e faturou 5 delas (praticamente técnicos). De fato, o longa (rodado em 3D) é uma verdadeira aula de som e imagem e uma belíssima homenagem do diretor à sétima arte. Muito elogiado pela crítica, A Invenção de Hugo Cabret, no entanto, dividiu a opinião do público que, com toda razão, achou meio confusa a história do órfão que vive em uma estação de trem em Paris. O filme aborda os primeiros anos do cinema e cita nomes importante para esta arte, como Lumière e Mélièr.

“A Invenção de Hugo Cabret”: homenagem de Scorcese ao cinema.


3. Prometheus
Ficção científica do mestre Ridley Scott, Prometheus marca a volta do diretor ao universo “Alien”, que o consagrou. Na trama, um grupo de exploradores vai ao espaço futurista com a missão de desvendar a origem da humanidade. O roteiro, com alguns atalhos, não é nenhuma obra-prima, mas algumas cenas por si compensam o filme – como a sequencia do parto, genialmente arquitetada. No final, com sua impecável técnica, Prometheus surpreende, mas como obra cinematográfica deixa a desejar.

“Prometheus”: não vou fazer a piada clássica com o nome do filme, ok?


4. American Pie – O Reencontro
O quarto filme da série (ao menos com o elenco original, excluindo as diversas versões lançadas diretamente para DVD) traz o grupo de amigos liderados por Jim se reencontrando após 10 anos do colégio. O longa segue a linha dos primeiros filmes da franquia (que trouxe à tona o termo MILF – Mon I’d like to fuck), entretanto, algo se perdeu ao longo dos anos (ou seria os personagens que cresceram e perderam a graça?). Você até vai rir em alguns momentos, mas nada memorável como a antológica cena do personagem Jim “comendo a torta”. A sequência mais “divertida”, dessa forma, aparece já nos créditos finais com o pai do protagonista namorando no cinema…

“American Pie: O Reencontro”: personagens evoluíram; história não.


5. Anjos da Lei
Mais uma comédia nos moldes norte-americanos para fazer rir. Ou não. Anjos da Lei foi a adaptação cinematográfia da série que tornou Johnny Depp um astro teen nos seus primeiros anos de carreira. Nada muito excepcional: no longa, dois jovens amigos policiais são infiltrados em um colégio entre os adolescentes para tentar desvendar uma ação criminosa. Entretanto, os dois tem suas identidades trocadas – o bonitão tem que bancar de nerd e o gordinho de atleta – e a maior parte das poucas cenas engraçadas saem dessa inversão.

“Anjos da Lei”: participação de Johnny Depp pra aumentar audiência.


6. Para Roma, Com Amor
O que você pode esperar de Woody Allen, especialmente agora em sua fase “fora de casa”, filmando pela Europa? No mínimo, uma obra agradável. E é justamente essa a definição da crítica para Para Roma, Com Amor. Diferente do que acontece em seu último filme, o elogiado Meia Noite em Paris, neste longa Woody não segue uma única história – com começo, meio e fim – , mas apresenta 4 tramas distintas e isoladas, mas não muito coerentes. É como viajar rapidamente para vários locais apenas pra dizer “eu já estive lá” e não para conhecer profundamente o lugar e criar boas recordações – como na noite parisiense encantadora de Meia Noite em Paris.

“Para Roma, Com Amor”: todo nosso amor ao Woody Allen, porque né…?


7. Tão Forte Tão Perto
Indicado ao Oscar de melhor filme, o último longa de Stephen Daldry (de As Horas e O Leitor) conta a história de um garoto que perde o pai no atentado terrorista de 11 de setembro e tenta descobrir a última mensagem deixada por ele através de uma chave. O filme abusa nas emoções em excesso, especialmente nas belas atuações de um elenco inspirado (Max Von Sydon, Sandra Bullock, Viola Davis), mas peca ao manter o clima melancólico durante suas duas horas de duração, o que cansa qualquer espectador.

“Tão Forte Tão Perto”: melancolia excessiva pra te derrubar.


8. Deus da Carnificina
A volta de Roman Polanski, nesse período em que ele vem atravessando problemas com a justiça, culminou em um filme que a crítica recebeu de braços abertos. Longe de ter o mesmo apreço de suas obras-primas, como Chinatown, O Bebê de Rosemary ou O Pianista (pelo qual ganhou o Oscar de melhor diretor), Deus da Carnificina narra a história de dois casais (um casal que demonstra mais poder, do tipo onde esposo não tem tempo pra esposa e vice-versa; o segundo, um casal mais humilde e representando claramente a velha esquerda liberal) que se reúnem para conversar sobre a briga entre seus filhos. No entanto, conforme os minutos passam, os ânimos vão se exaltando e um novo campo de batalha é levantado.

“Deus da Carnificina”: a vida imita a arte, sr. Polanski?


9. MIB – Homens de Preto 3
Dizem as más línguas que MIB – Homens de Preto volta no tempo para tentar corrigir os erros do passado. De fato, o filme parece ter sido mais bem recebido pela crítica do que seus antecessores que, segundo os cinéfilos, eram apenas boas desculpas para fazer efeitos visuais fantásticos. Não que não haja efeitos no terceiro longa da franquia, mas o roteiro mais trabalhado ajudou a redimir os personagens com a crítica e o público. Bom, ao menos a bilheteria até agora tem nos levado a acreditar isso…

“MIB – Homens de Preto 3”: os anos passam, mas Will Smitt não muda…


10. Os Vingadores
E pra fechar a lista, seria impossível não mencionar aqui o sucesso estrondoso de Os Vingadores. Fora todos os elogios que o filme recebeu do público, a crítica também se rendeu e caiu de amores pelo longa, considerado por muitos como “a melhor adaptações de histórias de heróis de todos os tempos”. Nas bilheterias, Os Vingadores desbancou tudo o que tinha pela frente e já estourou vários recordes. Obviamente, já era de se imaginar que uma continuação da história do grupo de super-heróis fosse anunciada. Resta saber se a bilheteria recordista se repetirá…

“Os Vingadores”: nada se compara à saga destes heróis…

Ah, confira abaixo as nossas postagens sobre algumas outras estréias:

J. Edgar
A Mulher de Preto
Jogos Vorazes
Titanic 3D
Diário de um Jornalista Bêbado
Espelho, Espelho Meu
Branca de Neve e o Caçador
Sombras da Noite

Oscar 2012: Resumão

A 84ª edição do Oscar foi celebrada neste domingo (26) no Hollywood & Highland Center, em Los Angeles e, como nas edições anteriores, a noite foi marcada por muito glamour, requinte e sofisticação. E, obviamente, muitos comentários a respeito dos vencedores da premiação. Enquanto algumas pessoas torciam o nariz para os premiados, outras aplaudiam as escolhas da Academia e criavam justificativas para os prêmios de seus indicados favoritos. E – como também foi feito no ano passado – vamos dar uma repassada nos melhores momentos da festa mais importante do cinema.

Na foto, o Kodak Theatre, que serviu de palco para a maior premiação do cinema mundial.

Quem abriu a noite foi Morgan Freeman, seguido por Billy Crystal – o veterano apresentador do Oscar – que, pra variar, fez sua famosa paródia dos principais filmes. Aliás, foi revigorante ver Billy de volta à apresentação do Oscar depois do fiasco de 2011, onde Anne Hathaway e James Franco protagonizaram uma das piores performances de todos os tempos da Academia.

Tom Hanks subiu ao palco para apresentar o primeiro premio da noite e entregou o Oscar de melhor fotografia para A Invenção de Hugo Cabret, que também faturou o Oscar de melhor direção de arte. Já as musas Cameron Diaz e Jennifer Lopez apresentaram o prêmio de melhor figurino e melhor maquiagem, que ficaram, respectivamente, com o mudo O Artista e A Dama de Ferro.

Lindas, Jennifer Lopez e Cameron Diaz não pouparam caras e bocas para apresentar os prêmios de melhor figurino e melhor maquiagem.

Sandra Bullock entregou o prêmio de melhor filme em língua estrangeira ao iraniano A Separação. Cristian Bale, que no ano anterior ganhou o prêmio de melhor ator coadjuvante em O Vencedor, entregou a Octavia Spencer o prêmio de melhor atriz coadjuvante por sua atuação em Histórias Cruzadas. Aplaudida de pé, Octavia claramente mostrava sua emoção ao receber a estatueta.

Visivelmente emocionada, Octavia faturou o Oscar de melhor atriz coadjuvante.

Millenium – Os Homens Que Não Amavam as Mulheres levou seu único prêmio da noite, com o Oscar de melhor montagem, o que não deixou de ser uma surpresa para o público. Os prêmios técnicos de som (melhor edição e mixagem) ficaram com A Invenção de Hugo Cabret – o que foi merecido, devido à qualidade técnica da obra de Scorsese.

Uma das apresentações da noite ficou por conta do Cirque Du Soleil, que trouxe ao palco um pouco da magia de ir ao cinema e de apreciar essa arte. Gore Verbinski, que dirigiu os três primeiros filmes da saga Piratas do Caribe, conseguiu uma estatueta com o prêmio de melhor animação para Rango (obviamente, não deixou de agradecer seu Johnny Depp impecável na dublagem do personagem título).

“Rango” faturou a estatueta de melhor animação. Nada de Tintin.

Ben Stiller e Emma Stone (a atual namorada de Andrew Garfield, estonteante em seu lindo vestido vermelho – e muito mais alta do que de costume) entregaram o Oscar de efeitos visuais para A Invenção de Hugo Cabret. Já o prêmio de melhor ator coadjuvante ficou para Christopher Plummer – aos 82 anos de idade, se tornando, assim, o ator mais velho a ganhar um Oscar. Se muita gente adorou a vitória de Plummer, houve quem preferisse Max Von Sidow por sua atuação em Tão Forte e Tão Perto.

“O Andrew é um cara de sorte…” – único pensamento ao ver a Emma Stone, certo?

Ludovic Bource ganhou o Oscar de melhor trilha sonora original por O Artista (trilha sonora que, em se tratando de cinema mudo, é essencial), enquanto o prêmio de melhor canção original ficou com Mano or Muppet, de Os Muppets – contrariando os fãs brasileiros que torciam por Carlinhos Brown e Sergio Mendes com sua Real In Rio, da animação Rio.

A linda Angelina Jolie (cujas pernas à mostra se tornaram um dos principais assuntos nas redes sociais) entregou o prêmio de melhor roteiro adaptado para os roteiristas de Os Descendentes, o mais provável da noite. A esposa de Brad Pitt também entregou a estatueta de melhor roteiro original para o ausente Woody Allen, por sua maior bilheteria, Meia Noite em Paris. Woody, um dos queridinhos da Academia, no entanto, perdeu o prêmio de melhor diretor para o francês Michel Hazanavicius, que recebeu das mãos de Michael Douglas a estatueta por seu trabalho em O Artista.

Repare na fenda do vestido – se você conseguir. Sem mais comentários.

Ao som de What a Wonderful World, uma homenagem foi feita a alguns nomes famosos do cinema como Elizabeth Taylor, Whitney Houston e Steve Jobs, que nos deixaram recentemente. A bela Natalie Portman, vencedora do Oscar de melhor atriz em 2011 por sua atuação em Cisne Negro, entregou o prêmio de melhor ator para Jean Dujardin, por seu personagem em O Artista. O vencedor do Oscar de melhor ator em 2011, Colin Firth, não poupou palavras para elogiar as indicadas à melhor atriz, mas quem levou a melhor foi Meryl Streep, que conquistou seu terceiro prêmio – ao longo de dezessete indicações durante sua carreira, um recorde na Academia – com sua personagem em A Dama de Ferro.

Meryl Streep e Jean Dujardin, as melhores atuações do ano.

Já prêmio mais importante da noite, melhor filme, ficou para o mais provável O Artista, desbancando Scorsese com sua declaração de amor pessoal ao cinema e Terrence Malick com sua obra-prima A Árvore da Vida – único filme que foi ovacionado durante as indicações. O Artista, que parece ter agradado também o público brasileiro, é o primeira produção em língua não-inglesa a ganhar este prêmio e o primeiro filme mudo a ganhar o Oscar em 83 anos de premiação.

“O Artista” empata com “A Invenção de Hugo Cabret”, levando 5 estatuetas e desbanca as obras de Martin Scorsese, Woody Allen e Terrence Malick.


INJUSTIÇADOS?
Se teve gente que ficou feliz com as premiações, houve quem as contestasse – assim como o foram com as indicações. A Invenção de Hugo Cabret e O Artista ganharam 5 Oscars cada um. Enquanto o primeiro faturou em prêmios técnicos, o segundo faturou as principais categorias (como melhor ator, melhor diretor e melhor filme). Houve também quem questionasse a não premiação de A Árvore da Vida para melhor filme, George Clooney por sua atuação em Os Descendentes ou mesmo Gleen Close ou Viola Davis para melhor atriz. Já o Brasil – contra um único concorrente em melhor canção original, com Real in Rio, do filme Rio – mais uma vez deixa o Oscar escapar de suas mãos.

George Clooney, em “Os Descendentes”; Gleen Close (irreconhecíve) em “Albert Nobbs”; e Brad Pitt em “A Árvore da Vida”: afinal, mereciam ou não?

Também questionou-se muito algumas indicações que não foram feitas. Leonardo DiCaprio, por exemplo, era um dos favoritos para melhor ator por seu John Edgar no filme de Clint Eastwood (que também ficou de fora das indicações para melhor direção). Já Sandra Bullock e Charlize Theron poderiam concorrer ao prêmio de melhor atriz, por seus belos personagens em Tão Perto e Tão Longe e Jovens Adultos. O polêmico Roman Polanski ficou de fora com seu filme Carnage, assim como Jodie Foster, que teve para muitos uma das melhores atuações de sua carreira. Já o filme de Steven Spielberg, As Aventuras de Tintim: O Segredo do Licorne e o badaladíssimo Rio foram ignorados para as indicações de melhor animação.

Leonardo DiCaprio, em “J. Edgar”; Sandra Bullock em “Tão Forte e Tão Perto”; e “As Aventuras de Tintin”: teve coisa boa que ficou de fora…

PREMIADOS DA NOITE

MELHOR FOTOGRAFIA: A Invenção de Hugo Cabret
MELHOR DIREÇÃO DE ARTE: A Invenção de Hugo Cabret
MELHOR FIGURINO: O Artista
MELHOR MAQUIAGEM: A Dama de Ferro
MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA: A Separação
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Octavia Spencer (Histórias Cruzadas)
MELHOR MONTAGEM: Millenium – Os Homens Que Não Amavam as Mulheres
MELHOR EDIÇÃO DE SOM: A Invenção de Hugo Cabret
MELHOR MIXAGEM DE SOM: A Invenção de Hugo Cabret
MELHOR DOCUMENTÁRIO: Undefeated
MELHOR ANIMAÇÃO: Rango
EFEITOS VISUAIS: A Invenção de Hugo Cabret
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Christopher Plummer (Toda Forma de Amor)
MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL: O Artista
MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: Man or Muppet (Os Muppets)
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: Os Descendentes
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: Meia Noite em Paris
MELHOR CURTA-METRAGEM: The Shore
MELHOR DOCUMENTÁRIO DE CURTA-METRAGEM: Saving Face
MELHOR CURTA ANIMADO: The Fantastic Flying Books of Mister Morris Lessmore
MELHOR DIREÇÃO: Michel Hazanavicius (O Artista)
MELHOR ATOR: Jean Dujardin (O Artista)
MELHOR ATRIZ: Meryl Streep (A Dama de Ferro)
MELHOR FILME: O Artista