“Homem-Aranha: De Volta ao Lar” é o Filme do Spider Que a Gente Queria

Sejamos diretos: desde seu anúncio oficial e a participação do herói aracnídeo em Guerra Civil, Homem-Aranha: De Volta ao Lar gerava inúmeras expectativas. E os fãs da Marvel não saíram decepcionados: este é o melhor filme sobre o Homem-Aranha até então.

Ok, isso não é lá muita proeza. Afinal nenhuma das duas franquias cinematográficas feitas sobre o Aranha até aqui foram excepcionais – nem a liderada por Sam Raimi, muito menos a última estrelada por Andrew Garfield. Em ambas, faltava algo que foi preenchido aqui: humanidade. Provavelmente, De Volta ao Lar é o longa mais “humano” dentro do universo Marvel. Mais que isso: ele funciona muito bem em duas vertentes.

A primeira, em sua essência, são as produções de heróis – e De Volta ao Lar é um bom filme do gênero. Para além do fato de o Homem-Aranha ser um personagem querido, há uma narrativa cativante, que acompanha o herói mascarado combatendo o crime nas ruas do Queens (de um jeito meio desengonçado, é verdade) enquanto tenta capturar o chefe de um grupo de contrabandistas de armas. Apesar de as sequências de ação não serem memoráveis ou tampouco o vilão ser muito bem desenvolvido (ainda que Michael Keaton esteja emblemático na construção de seu Abutre), o argumento é bastante equilibrado: são mais de duas horas que passam ser perceber. Há inúmeras referências ao MCU – inclusive a participação de Toni Stark, praticamente um segundo protagonista (uma tentativa explícita do roteiro em alavancar a película com a presença do astro Robert Downey Jr.) Felizmente, o velho Homem de Ferro não ofusca nosso Spider – pelo contrário, ele traz o contraste necessário entre sua experiência e a juventude do novato Peter.

Mas a grande verdade é que De Volta ao Lar funciona também como um ótimo filme adolescente. A pegada teen é forte, não apenas por seu protagonista (um jovem e promissor Tom Holland, em excelente performance), mas por toda suas referências às produções oitentistas, especialmente as de John Hughes. Escancaradamente. Sem o uniforme, Peter Parker é apenas Peter Parker – e ele sabe disso! – , um garoto comum de 15 anos, um nerd (fã de Star Wars) que tem dificuldades para se enturmar ou “chegar” na garota pela qual é apaixonado, sofre bullying – enfim, Peter Parker é alguém com quem o público se identifica. Além disso, é inegável o carisma de Holland, neste ponto superior aos seus antecessores Tobey Maguire e, principalmente, Andrew Garfield – este último muito mais interessante fora das telas.

Homem-Aranha: De Volta ao Lar cumpre bem o que promete: entretenimento. Há alívios cômicos oportunos, diversos easter eggs e um plot twist sensacional, daqueles que nos pegam de jeito (isso sem mencionar as duas cenas pós-créditos – uma delas impagável). Mas há ainda o principal: De Volta ao Lar é a inserção final do Homem-Aranha ao universo Marvel. Tudo agora está intimamente conectado e De Volta ao Lar abre as portas para um protagonista em processo de evolução, o que nos dá a esperança de que coisa muito melhor ainda está por vir.

 

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“Birdman” e as Inesperadas Virtudes de Iñárritu

O último álbum de Lady Gaga flopou – mas eis uma verdade que a cantora pop clamou em uma das músicas de trabalho do disco e que resume bem a sociedade midiática em que vivemos: “I live for the applause!”. Mas por que iniciei meu texto sobre Birdman com esta constatação? Então, vamos lá…

Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) é o novo e empolgante projeto do diretor mexicano Alejandro G. Iñárritu (dos elogiados Babel, Biutiful e Amores Brutos) e uma das maiores apostas ao Oscar 2015, concorrendo em 9 categorias. Na trama, que se passa nos bastidores da Broadway, acompanhamos Riggan, um ator famoso na década de 90 por interpretar um herói de sucesso no cinema (o tal “Birdman” do título), mas que caiu no esquecimento do público nos anos seguintes após rejeitar filmar uma sequência da franquia. Em decadência, Riggan decide montar uma peça de teatro para recuperar os tempos de glória e também para ter seu talento (sempre questionado) finalmente reconhecido.

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Ao mesmo tempo em que acompanha o antigo astro de cinema em sua empreitada de retornar aos holofotes, Birdman também nos apresenta subtramas e personagens tão incríveis quanto nosso protagonista – e são justamente esses os problemas que Riggan terá que enfrentar para recuperar o prestígio perdido. E aqui temos alguns dos momentos mais interessantes da fita: a luta com seu alter-ego (na verdade, o próprio herói que um dia interpretou), a reaproximação com a filha, o relacionamento com um produtor que só visa lucros ou mesmo os desentendimentos com um ator surtado e cheio de extravagâncias. Através dessas histórias, o cineasta faz uma crítica implacável e com um humor inteligentemente sarcástico à indústria da fama e a todos os meios aos quais nós nos submetemos para mantermos nossa imagem sempre em evidência.

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Com um elenco estelar, o destaque inevitavelmente fica por conta de Michael Keaton, nosso protagonista – curiosamente com uma história de carreira bastante similar à de sua personagem, mas deixemos isso em off. Ao vê-lo em cena, é engraçado como sua atuação me lembrou instantaneamente a de Cate Blanchett em Blue Jasmine: apesar do restante do elenco estar devidamente competente em seus papeis, ele brilha a cada aparição e chama a atenção para si. Arriscaria dizer que este é seu melhor trabalho em anos. Outro que aparece e quase ofusca Keaton é Edward Norton – uma explosão de variadas emoções e é simplesmente hilário.

05Iñárritu ainda dá um show de técnica, com uma fotografia que fica ainda melhor com os longos planos-sequências – chegando até a enganar o espectador com a ilusão de que as ações da trama se desenrolam sem cortes, o que contribui muito ao roteiro inteligente e rápido escrito pelo cineasta em parceria com alguns amigos. Junta-se ainda a frenética trilha sonora (com muita percussão) assinada por Antonio Sanchez e os diálogos (profundos, mas sem soar “cafona”), que dão ritmo à história e tornam a produção dinâmica – apesar de algumas irregularidades causadas por sequências menos “agitadas” mas nem por isso descartáveis.

Birdman não é um filme fácil – e pode até causar certo estranhamento à primeira vista. Repleto de metáforas (que se cruzam até mesmo à realidade dos personagens), Birdman é um longa onde tudo funciona direito, criando uma obra que durante muito tempo vai ficar na mente do público.

50 Filmes Que Marcaram Sua Infância – Parte II

Nossa seleção com os filmes que mais marcaram nossa infância não pára. Hoje, a lista segue com mais alguns títulos que eu tenho certeza que você assistiu algum dia. Prontos para recordar?

11. Os Fantasmas se Divertem
Bem, comecei a lista com mais um clássico do Burton (uma das minhas resoluções para 2013 é tentar não inclui-lo em todo post que eu faço, mas está difícil). Os Fantasmas se Divertem, do inglês Beetlejuice, traz Michael Keaton em uma de suas mais célebres atuações no cinema. Duvido se você não repetia o nome do bioexorcista três vezes para ver se Keaton não aparecia aí na sua casa…

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12. As Patricinhas de Beverly Hills

Em uma época em que Kinder Ovo custava R$ 1,00 e celular era algo impensável para meros mortais, que garota nunca quis levar a vida de Alicia Silverstone em As Patricinhas de Beverly Hills? O filme é uma das clássicas comédias adolescentes do período, apostando forte nas confusões de Cher, a garota rica vivida por Alicia em um de seus poucos grandes papéis no cinema.

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13. Querida, Encolhi as Crianças

Eu ficava com o sorriso no rosto quando via o reclame anunciando Querida, Encolhi as Crianças na época de ouro do Cinema em Casa. Uma das melhores produções Disney na década de 80, o filme trazia Rick Moranis como o cientista que cria uma máquina de miniaturizar objetos – e também os filhos do inventor.

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14. Free Willy

Duvido você não ter se emocionado com a história de amizade entre o garoto Jesse e a baleia Willy. É um dos maiores clássicos da década de 90 e, provavelmente, um dos filmes com animais mais emocionantes de todos os tempos. Apesar de hoje não ser tão reconhecido quanto na época de lançamento, é inegável o quanto Free Willy marcou a infância de muita gente por aí…

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15. Top Gun – Ases Indomáveis

Produção que tornou Tom Cruise em astro teen mais do que já era, Top Gun entra na lista não apenas pelo belo filme que é, mas também por ter uma das trilhas mais inesquecíveis do cinema em todos os tempos. De fato, Take My Breath Away caiu como uma luva para a história de amor entre o piloto Pete e a bela Charlotte.

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16. Lua de Cristal

Falando em romance (#SóQueNão), quem não se emocionou com o drama de Maria das Graças em Lua de Cristal? E que garota nunca quis ter um príncipe como Sérgio Mallandro (#Fail)? A história da garota que tenta a vida como cantora na cidade grande caiu nas graças do público, até mesmo por conta das palhaçadas vividas por Xuxa e Sérgio Mallandro, o casal mais improvável do cinema nacional. Aposto que você já se pegou cantando a música tema em algum momento da sua vida…

17. Riquinho
Macaulay Culkin, definitivamente, foi uma das crianças mais fantásticas que passaram nas telas de cinema. Riquinho conta a história do garoto rico (meio óbvio) que tem que cuidar dos negócios da família enquanto seus pais estão perdidos no meio do oceano. O garoto ainda tem a difícil tarefa de fazer novos amigos, que o amem por aquilo que é e não apenas pelos milhões de dólares em sua conta bancária.

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18. Ninguém Segura Esse Bebê

Comédia clássica da Sessão da Tarde, Ninguém Segura Esse Bebê segue os passos (literalmente falando) do bebê Bink, filho de um próspero casal e que vive recheado dos melhores mimos. Isso desperta a cobiça de três bandidos desajeitados que sequestram a criança – mas só não esperavam que o bebê fosse dar tanta dor de cabeça a seus sequestradores.

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19. Debi & Lóide – Dois Idiotas em Apuros

A comédia foi o gênero que lançou os holofotes para Jim Carrey no início de sua carreira. Debi & Lóide é um de seus filmes mais célebres, aquela típica comédia onde você não consegue parar de rir em nenhum momento. Com muitas caras e bocas, Jim Carrey e Jeff Daniels vivem dois amigos sem noção que se envolvem em diversas situações para devolver uma mala perdida a uma bela moça que arrebatou os corações dos dois atrapalhados.

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20. Os Batutinhas

Nostalgia á vista. Os Batutinhas conta a história de um grupo de amigos que vê seu “clube do Bolinha” ameaçado quando um de seus membros mais influentes começa a se relacionar com uma menina da vizinhança. Além disso, a chegada de um novo garoto à cidade coloca em risco a amizade dos membros do clube.

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21. Gasparzinho – O Fantasminha Camarada

Gaspar, o fantasma de um garoto falecido há alguns anos, vive solitário em uma mansão assombrada junto com seus tios malucos, também fantasmas. A chegada de um terapeuta de fantasmas e sua bela filha (Christina Ricci) é a esperança do jovem fantasma em ter, finalmente, uma verdadeira amizade no pós-vida.

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22. A Mão Que Balança o Berço

Se você era uma criança meio anormal como eu, certamente assistiu A Mão Que Balança o Berço, clássico suspense protagonizado por Rebecca De Mornay (lembra dela?), uma mulher misteriosa que se candidata ao cargo de babá na casa de uma família, mas aos poucos vai mostrando sua verdadeira identidade, uma pessoa amarga com sede de vingança. Uma boa definição para aquilo que chamamos de “suspense”.

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23. Convenção das Bruxas

O que seria dos contos de fadas sem a participação das velhas bruxas e suas maldades? Angélica Huston vive Miss Eva Ernst, rainha das bruxas, que pretende transformar todas as crianças dos mundos em ratos. Entretanto, as vilãs encontram dificuldades para por seu plano em ação, principalmente quando o garoto Luke decide frustrar o trabalho das bruxas.

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Bom, na semana que vem eu continuo com a lista. Ah não esquece: se você não viu os outros títulos, você pode conferir a primeira parte da seleção aqui e também no site do CaféComWhisky.