Realização de um Sonho em “Apenas Uma Chance”

Histórias de superação costumam comover. Trata-se de um recurso até mesmo batido na ficção, mas que pode render algumas boas surpresas – como é o caso de Apenas Uma Chance, novo filme dirigido por David Frankel (de O Diabo Veste Prada e Marley e Eu), que conta a incrível jornada de Paul Potts rumo à realização de seu sonho e seu consequente estrelato em 2007, quando se tornou o primeiro vencedor do programa Britain’s Got Talent.

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Paul teve um único desejo durante toda sua vida: ser um cantor de ópera. Quando pequeno, o galês cantava no coral da igreja local e se destacava facilmente dos outros garotos – mas sofria também com alguns problemas de saúde que o impediam de investir mais na profissão. Acabou se tornando um vendedor de celulares na loja de um amigo de infância, mas sempre mantendo a chama de seu sonho acesa. Ainda adulto, era constantemente agredido física e verbalmente por antigos “parceiros” do colégio – o que lhe rendeu um dente quebrado, deixando sua fisionomia ainda mais “prejudicada” e, consequentemente, sua autoestima. Alem disso, Paul não recebia o devido incentivo do pai – fazendo com que o jovem se sentisse um peixe fora d’água. Após uma temporada estudando ópera na Itália (período no qual se apresentou diretamente para o tenor Luciano Pavarotti), entre altos e (muitos) baixos, Paul tem a possibilidade de realizar seu sonho, ao emocionar milhares de pessoas com sua apresentação da ária “Nessun Dorma”, de Puccini, na primeira edição de um programa que se tornaria uma febre mundial.

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Ainda que o diretor recorra a alguns inevitáveis clichês para contar essa história real, Apenas Uma Chance é um filme redondo, onde tudo funciona bem e em seu devido lugar. O roteiro tem de tudo um pouco: humor, drama, romance, música – mas todos estes elementos são utilizados na dose certa. Alem disso, há se mencionar a boa fotografia do longa (especialmente nas cenas rodadas em Veneza – apesar de ser a sequência menos inspiradora da trama) e, obviamente, a belíssima trilha sonora – melódica em alguns momentos, mas que mescla também trechos de várias árias e alguns hits de décadas anteriores. Aliás, se falamos de trilha musical, vale ainda destacar o trabalho de edição e mixagem de som – o que, em uma produção deste tipo, é fundamental para o sucesso da obra.

Vivendo o protagonista, James Corden tem uma excelente atuação – talvez só inferior à sua caracterização (afinal, Corden é muito mais bonito do que o Paul Potts original, convenhamos). O ator (que está confirmado no elenco do aguardado musical Into The Woods) oscila bem as cargas dramáticas e cômicas de sua personagem e forma uma dupla “fofa” com Alexandra Roach, na pele de Julz – paquera de internet que mais tarde se tornaria o grande amor da vida de Paul. Outras boas atuações ficam por conta de Julie Waters e Colm Meaney, os pais do artista – ela, a mãe que sempre esteve ao lado do filho; ele, o pai que nunca apoiou e achava que o garoto deveria ter uma profissão “séria”.

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Apenas Uma Chance (ironicamente ou não, produzido por Simon Cowell – jurado da atração que consagrou Paul) é uma cinebiografia cujo maior êxito está em transcrever tanto as conquistas quanto os fracassos de seu protagonista de forma equilibrada – o que, de certa maneira, ajuda o telespectador a se sensibilizar com a história e se aproximar dos dramas de seus personagens. Na cena em que Paul tem um péssimo êxito ao se apresentar para Pavarotti, por exemplo, o público sente aquele aperto no peito ao observar o cantor derrotado em cima do palco – mas também brota um sorriso no rosto de cada um ao ver Paul se desvencilhando das dificuldades que tanto o rodeiam, como o desprezo de alguns, os problemas de saúde, o bullying, a desmotivação do pai e, principalmente, sua própria insegurança e baixa estima (alcançando a maior de todas as superações). Ao final, é difícil segurar o choro ao ver o artista tendo seu momento de glória. Apesar de soar em alguns momentos como um dramalhão de estilo “auto ajuda”, Apenas Uma Chance é um filme que consegue emocionar sem forçar a barra, nos dando a certeza de que todo e qualquer sonho pode se tornar realidade, ainda que tardiamente.

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