O Equilíbrio Dramático de “O Amor é Estranho”

John Lithgow e Alfred Molina são os protagonistas de O Amor é Estranho, novo filme de Ira Sachs (do ótimo Deixe a Luz Acesa, de 2012, início de uma trilogia), cuja trama gira em torno de um casal homossexual que, juntos há quatro décadas, decide oficializar a união. Isso faz com que um deles seja demitido da escola católica onde leciona música – apesar da relação não ser novidade para ninguém e, aparentemente, tampouco incomodar os alunos e suas famílias. Com problemas financeiros e dificuldades em manter o apartamento, eles são forçados a viver na casa de amigos e parentes enquanto acertam suas vidas.

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O Amor é Estranho se apoia totalmente nas ótimas atuações de seu elenco central, que de maneira muito leve e sutil consegue transmitir todo companheirismo e amor entre suas personagens. Equilibrado, O Amor é Estranho não possui cenas memoráveis, sendo um filme até anti-climático – o que pode causar certo desconforto em alguns momentos. No entanto, o cineasta acerta ao tratar as situações incômodas que são geradas no momento em que os dois amantes se separam. Em certo ponto, um dos personagens confessa: “Ao morar com as pessoas, você as conhece talvez mais do que gostaria”. Os problemas afetam a todos os envolvidos: enquanto um deles vai passar uma temporada com um casal de amigos mais jovens (cuja vida agitada perturba o sossego do hóspede), o outro vai viver com o sobrinho e sua família, incluindo a esposa escritora e o filho adolescente.

02Mas tudo pára por aí. Apesar de ser bem feito tecnicamente (trilha sonora pontual e uma fotografia e design de produção bastante agradáveis), O Amor é Estranho não consegue passar disso. Já tem algum tempo que Hollywood abre espaço para tramas que envolvam personagens homossexuais, tentando tratar com a maior naturalidade possível uma parcela da população que sempre foi marginalizada ou mal representada no cinema. E é isso que ocorre em O Amor é Estranho: sua naturalidade, simplicidade e generosidade em abordar um problema que pode ser comum a qualquer casal (sem abusar do melodrama) são seus maiores méritos – e na atual situação do cinema, isso merece ser levado em consideração. Seu equilíbrio é o que, talvez, cause certo marasmo – algo que não diminui o filme, mas o limita consideravelmente.

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