“Que Mal Fiz Eu a Deus?”: Xenofobia em Debate

O casal Claude e Marie Verneuil tem quatro filhas e, como todos os pais, eles sempre desejaram o melhor para elas – inclusive um bom casamento (que para eles está intimamente ligado à união com parceiros franceses e católicos, assim como o restante da família). Mas nem tudo é perfeito e o que mais se teme é geralmente o que acontece: as três primeiras meninas casam-se com homens de diferentes etnias. E como tudo sempre pode piorar um pouco, a caçula (e última esperança) decide se unir a um jovem que também não possui o perfil idealizado pelos pais. Não resta muitas opções a Claude e Marie: alem de suportar os genros, eles se veem obrigados a tentar restabelecer a paz familiar.

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Que Mal Fiz eu a Deus? foi um sucesso na França em 2014. Comédia deliciosa, o humor da fita é quase todo feito a partir da xenofobia do cidadão francês com relação aos estrangeiros, como o filme sugere. No entanto, é interessante analisar que isto não é uma condição restrita exclusivamente à população francesa. Se de fato muitos veem os franceses como pessoas antipáticas, orgulhosas e pouco abertas às amizades, o longa propõe na verdade que todos nós, em menor ou maior ponto, somos da mesma forma. Todos nós mantemos certa aversão ao novo, ao desconhecido – e os conflitos causados por diferenças sociais e culturais comprovam isso.

Philippe de Chauveron, em seu segundo trabalho como diretor, nos entrega um filme redondo. Que Mal Fiz eu a Deus?, apesar de até recorrer a alguns poucos clichês e soluções fáceis, nunca cai no ridículo e o humor é refinado, pautado com muita inteligência, oscilando momentos mais sutis (onde você pode até perder a piada, caso pisque) com sequências mais escrachadas. O roteiro abusa das questões culturais para provocar o cômico: as diferentes formas de pensar, as tradições (a sequência da circuncisão de um menino é, no mínimo, hilária), as religiões, as culinárias e até mesmo os estereótipos – inclusive o possível estereótipo francês, totalmente averso à nova realidade de nossa sociedade multicultural.

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Simplesmente imperdível, Que Mal Fiz eu a Deus? é uma prova de que o gênero comédia pode ser excelente, sim. Com muita inteligência, o longa diverte como poucos, apostando em um narrativa irreverente, atuações convincentes e um argumento que, além de fazer rir, faz também pensar e refletir: até que ponto as diferenças são capazes de gerar conflitos? Que Mal Fiz Eu a Deus? é, sem sombra de dúvidas, um grande filme e uma das melhores comédias francesas nos últimos anos.

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