“O Que as Mulheres Querem”: Um Filme Que Você Não Vai Querer Ver

“O que as mulheres querem?” – está aí uma pergunta que você já deve ter ouvido centenas de vezes. A verdade é que esta é uma dúvida que nos aflige desde os primórdios da humanidade e já foi abordada em diversas situações na ficção, tornando-se um tema quase trivial. Pois é exatamente isto que a cineasta Audrey Dana tenta responder em seu filme de estréia – e, levando em consideração que se trata de uma obra dirigida por uma mulher, poderíamos pensar que a forma como a questão foi explorada seria um pouco diferente. Engano o nosso…

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O Que as Mulheres Querem segue 11 mulheres parisienses buscando aquilo que desejam: amar e serem amadas. Os problemas, entretanto, se apresentam logo no início: uma repetição dos mesmos tipos já estereotipados em outras produções do gênero. Mas com um agravante: as mulheres de Audrey Dana não se bastam, necessitando sempre da figura masculina (nem que refletida em uma lésbica, para você ter noção do absurdo) para serem felizes e se realizarem por completo. Essa banalização do feminino se debruça sobre personagens superficialmente desenvolvidos, que por sua vez transitam um roteiro excessivamente caricatural que além de recorrer aos já citados estereótipos (a esposa infeliz que se apaixona por uma babá, a executiva que não tem vida social, a traída que inferniza o esposo e etc.) utiliza inúmeros clichês e fórmulas batidas com o intuito de produzir humor onde não há. Para piorar, este excesso de personagens acaba prejudicando também as narrativas individuais, com tramas que deixam pontas e desfechos indefinidos.

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A diretora (que também atua) errou feio na condução de seu longa, entregando uma das piores produções francesas nos últimos anos. Na ânsia de fazer sucesso, a cineasta não mudou a receita: apostou mais em elementos utilizados à exaustão no cinema, nos mesmos tipos e na velha abordagem que vulgariza a mulher. Com isso, nem o bom elenco (que conta com a participação da premiada Isabelle Adjani e a ex de Johnny Depp, Vanessa Paradis) e a trilha sonora empolgante são capazes de fazer com que O Que as Mulheres Querem realmente valha a pena. Com pouca graça e um final pra lá de nonsense, O Que as Mulheres Querem é uma triste prova de que as mulheres no cinema ainda ficam um pouco perdidas quando o assunto são elas mesmas.

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