“O Funcionário do Mês” é a Maior Bilheteria da Itália

Em época de crise, quem é que não almeja a estabilidade (e regalias) de um emprego público? Para Checco, que desde cedo sonhava em ser funcionário do governo assim como seu pai, o cargo no Departamento de Caça e Pesca é tudo o que ele pediu a Deus. Com um bom salário, solteiro, sem filhos e ainda morando na casa dos pais, ele tem seu posto ameaçado quando uma mudança política faz com que o governo tenha que cortar alguns gastos. Agora, resta ao egoísta Checco escolher entre uma demissão voluntária ou ser transferido para um lugar distante.

O Funcionário do Mês chega timidamente aos cinemas brasileiros, apesar das boas críticas ao redor do mundo e, principalmente, do título de maior bilheteria italiana de todos os tempos. Sob a direção de Gennaro Nunziante, esta comédia do absurdo explora os abusos do funcionalismo público na Itália. Além disso, o roteiro também critica de forma bem-humorada a arrogância do poder público, especialmente na construção da personagem Sironi, a advogada responsável por fazer Checco finalmente pedir as contas. Entre armadilhas e viagens para os locais mais improváveis, ela faz de tudo para que Checco ceda aos seus caprichos – a doutora só não imaginava que tudo o que Checco menos deseja é perder esta “mamata”.

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Em meios a risos provocados por piadas dos mais diversos gêneros, O Funcionário do Mês conta com boas atuações por grande parte do seu elenco. Inegavelmente, é o humorista Checco Zalone quem mais se destaca: seu tipo é divertidíssimo e o ator consegue ir de uma emoção à outra com muita fluidez e naturalidade. Ele faz com que, por mais que desaprovemos algumas de suas ações, realmente nos identifiquemos e torçamos pelo protagonista da história. O alívio da trama fica por conta de Eleonora Giovanardi, na pele de Valeria – é essa personagem quem trará à tona o lado mais “racional” de Checco, fazendo com que sua decisão se torne cada vez mais difícil.

Talvez devido à imigração europeia a partir do século XIX, Brasil e Itália são países que possuem muitas semelhanças entre si – e o cinema reflete um pouco dessas características, é verdade. O Funcionário do Mês até se parece com as nossas comédias nacionais, seja no tom pastelão, no desenvolvimento de seu protagonista ou mesmo nas situações absurdas que o argumento propõe. No entanto, mesmo com seus exageros e aos trancos e barrancos, O Funcionário do Mês diverte e muito o espectador que se propuser a conferir esta obra – que além de fazer rir faz com que o público se enxergue nela e ria de si mesmo. E é isso que esperamos de um humor inteligente.

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