“12 Horas Para Sobreviver – O Ano Da Eleição”: Série Traz Mais Ação e Menos Sustos

01Os dois primeiros filmes da franquia Uma Noite de Crime custaram juntos pouco mais de US$ 12 milhões – uma ninharia se comparado aos mais de US$ 200 milhões que arrecadaram pelo mundo desde sua estreia, em 2013. De fato, a premissa é intrigante: o “expurgo”, um evento anual do estado norte-americano onde todo e qualquer tipo de crime pode ser cometido sem intervenção do sistema judiciário. No Brasil, no entanto, a série parece não ter ido lá muito bem – e isso explica o título nacional que, à primeira vista, procura distanciar totalmente esta nova produção das anteriores: 12 Horas Para Sobreviver – O Ano da Eleição.

Verdade seja dita: não há nada original neste terceiro capítulo da saga e o roteiro segue a mesma fórmula de seus primeiros filmes: a noite do “expurgo” e como sobreviver a ela. Desta vez, acompanhamos Leo Barnes, chefe de segurança da equipe da senadora Charlie Roan, uma das mais fortes candidatas à presidência dos EUA. A campanha de Charlie, que já foi vítima do expurgo no passado, visa extinguir do calendário este evento que dizima continuamente milhares de pessoas a cada edição – em especial, as menos favorecidas. Com isso, ela compra briga com poderosos e se torna alvo óbvio da noite mais aguardada do ano.

Talvez o que mais tenha faltado a 12 Horas Para Sobreviver – O Ano da Eleição é ousadia. A proposta é interessante (principalmente se considerarmos que este é o ano de eleição presidencial nos EUA – e por lá a disputa está bastante polêmica e acirrada), mas o argumento pouco se utiliza dela, apostando na mesma receita batida das produções anteriores. O tema abre diversas possibilidades e muitas ideias poderiam ser exploradas, desde a própria questão política até mesmo o “turismo criminoso” (que até chegou a ser citado, mas sem a menor profundidade) ou a segregação de classes. Além disso, 12 Horas Para Sobreviver apresenta uma leve alteração em sua natureza: se antes era o suspense que predominava em boa parte da fita, é visível que esta sequência tem muito mais cara de filme de ação. O próprio personagem de Frank Grillo é o típico protagonista do gênero: bom lutador, possui excelente mira, desconfia de tudo e todos – enfim, o mito do herói americano. Isso não chega a ser um problema (até porque a direção de James DeMonaco dá conta do recado), mas torna este filme menos “sombrio” do que seus antecessores.

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Com um design de produção pra lá de eficiente, 12 Horas Para Sobreviver peca ainda no seu desfecho apressado. A história termina e o espectador fica com aquele gostinho de “tá, mas e aí?”. O longa poderia ter expandido muito além os seus conceitos, trazendo para debate uma crítica social necessária: até quando os interesses dos mais ricos vão afetar a vida da classe mais pobre? No entanto, 12 Horas Para Sobreviver se limita exclusivamente a um filme de ação clichê e fácil – desperdiçando seu potencial em algo que está longe de marcar o público de forma memorável.

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