“Mulheres Divinas” Fala Sobre Luta Feminista na Suíça dos Anos 70

A trama de Mulheres Divinas é ambientada em um pequeno vilarejo suíço no início dos anos 70. Neste lugar, aparentemente esquecido e distante de todo o restante do mundo, vive Nora e sua família. Sua rotina se restringe aos cuidados com a casa, à educação dos filhos e à subordinação ao esposo (e também ao sogro implicante, com quem tem lá suas diferenças). Mas o país está em alvoroço: o direito de voto das mulheres está sendo discutido e será decidido em breve. Revoltada com o marido por tê-la proibido de trabalhar e indignada com as injustiças envolvendo outras mulheres próximas a ela, a pacata e tímida dona de casa passa a se interessar cada vez mais pela causa feminista e decide defender a igualdade de gêneros, se tornando uma das ativistas mais influentes daquela comunidade.

Com um tema atualíssimo, o roteiro de Mulheres Divinas é competente ao partir do micro para alcançar o macro: ele não contempla as grandes paralizações, discursos ou maiores nomes de um movimento; mas foca em acontecimentos que envolvem pessoas simples e comuns, no perímetro que envolve aquela singela vila em seu cotidiano – e isto ajuda a aproximar o espectador, como se o fizesse acreditar que grandes mudanças podem partir de pequenas ações. A obra de Petra Biondina Volpe carrega sua representatividade sem pesar na mão, sendo bastante agradável ao construir sua protagonista (a eficiente Marie Leuenberger) aos poucos, de forma progressista – ela deixa de ser apenas “mais uma” para se tornar uma líder generosa; ela passa a ter voz não apenas diante dos outros, mas principalmente para si – uma transformação essencial para seu autoconhecimento.

Representante suíço ao Oscar de melhor filme em língua estrangeira, Mulheres Divinas é um longa com evidente caráter social, produzido, entretanto, em um formato “industrial”, pré-moldado, como se já direcionado não apenas ao entretenimento do público mas também sua conscientização. Não que isso seja um defeito; pelo contrário, envolve o espectador não apenas por sua história (mais contemporânea do que nunca) mas também por ser bem executado tecnicamente. É antes de tudo o retrato de uma luta que perdura até hoje – afinal de contas, os tempos mudaram, mas ainda temos muito a evoluir.

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