Corra Que a Polícia Vem Aí! (The Naked Gun, 2025)

Das franquias de sucesso (como American Pie e Todo Mundo em Pânico) a comédias que se tornaram clássicas (como Apertem os Cintos… O Piloto Sumiu ou As Branquelas), o besteirol é um gênero problemático: ao mesmo tempo em que permite certa liberdade narrativa, corre-se o risco de torná-lo algo sem sentido. Refilmar esse tipo de filme pode se revelar um desafio ainda maior, principalmente quando consideramos um original quase unânime perante o público e um tipo de humor que nem sempre resiste à passagem do tempo. Talvez por isso, a nova versão de Corra Que a Polícia Vem Aí! nos pareça tão deslocada: ao acompanhar Frank Drebin Jr. seguindo os passos do pai – o personagem icônico de Leslie Nielsen – em sua incansável luta contra o crime, o filme de Akiva Schaffer mostra que resgatar algo que funcionou no passado nem sempre é uma boa ideia.

Não por simplesmente revisitar uma fórmula de sucesso, pois há releituras bastante eficientes que dialogam com suas referências, atualizando-as sem perder aquilo que as tornou especiais. Mas este Corra Que a Polícia Vem Aí! não consegue ir muito além de um besteirol genérico, por vezes cansativo, e sem qualquer identidade. Mesmo curta, a história custa a engrenar e a sensação – que logo se confirma – é de que ela não vai a lugar algum. O humor repete elementos usados à exaustão, mas raramente produz bons momentos, e soa quase constrangedor por uma razão óbvia: Liam Neeson.

O astro britânico é um ator competente, disso não há dúvidas – e é visível o esforço de fazer de seu protagonista um herói capaz de reproduzir a simpatia de seu antecessor. Mas Neeson não é Nielsen, um dos comediantes mais carismáticos da história do cinema, aquele que desperta o riso fácil só de olharmos. Deixando as comparações de lado, é muito difícil associar Liam a esse estilo de personagem, porque aquilo que em Leslie parecia naturalmente cômico, aqui beira o vergonhoso. Assim, este Corra Que a Polícia Vem Aí! não passa de uma imitação pouco convincente e, sobretudo, uma versão desnecessária de algo que não precisava ser revisitado.

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