“Os Olhos Amarelos dos Crocodilos”: Adaptação do Best-Seller Francês é Boa, Mas Não Empolga

Iris e Joséphine são irmãs, mas vivem em realidades opostas. Iris é a primogênita e preferida da mãe: linda, loira, aparentemente bem casada e financeiramente estável, ela leva uma vida luxuosa e fútil. Estudou cinema quando jovem e hoje está na expectativa de uma grande obra, que parece nunca chegar. Joséphine, por sua vez, sempre foi o “patinho feio” da família: desprezada, ela trabalha como pesquisadora e tradutora, ganha pouco e tem duas filhas – incluindo uma adolescente insuportável. A situação fica ainda mais crítica quando o marido sai de casa, deixando-a com uma grande dívida no banco.

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Baseado no best-seller escrito por Katherine Pancol (que esteve na lista dos mais vendidos na França em 2006, quando foi lançado) e dirigido por Cécile Telerman, Os Olhos Amarelos dos Crocodilos é uma comédia dramática que nos apresenta duas protagonistas que, apesar de próximas, estão cada vez mais distantes entre si. As irmãs são diferentes em todos aspectos: como profissionais, esposas, mães, mulheres. São essas diferenças que pontuam o relacionamento entre elas, porém elas se completam de certa forma – e isso fica claro quando Iris convence Joséphine a escrever um romance e permitir que ela leve os créditos: enquanto a primeira fica com as glórias do livro, a segunda recebe o dinheiro das vendas (que vai tira-la da crise financeira) e assim os vazios de ambas ficam preenchidos.

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O roteiro deixa explícito esses dois mundos. Poderia, no entanto, abolir tramas paralelas que não acrescentam nada ao desenvolvimento das protagonistas – ou, pelo menos, troca-las por histórias mais construtivas, como o relacionamento das irmãs com a mãe ou o casamento de Iris. Outros personagens poderiam ser melhor explorados, como Luca (o misterioso estudante que desperta a atenção de Joséphine) ou Philippe (o marido que tenta salvar o casamento mas se depara com a futilidade da esposa rica). Já as atuações de Emmanuelle Béart e Julie Depardieu não chegam a ser memoráveis – na verdade, em alguns instantes elas até incomodam um pouco (mas isto deve ser reflexo da maneira como os personagens são tratados). Por sua vez, o elenco masculino está em dia com o proposto: Patrick Bruel tem uma performance concisa e madura, enquanto o espanhol Quim Gutiérrez traz muita introspecção e mistério ao seu tipo. A trilha sonora ajuda a fita, assim como a fotografia que, se não é tão excepcional, aposta em tons pastéis e acerta na sobreposição de cores.

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Talvez o desfecho pudesse ser resumido com aquele velho ditado do “aqui se faz, aqui se paga” – e isso torna as ações previsíveis demais. Apesar do bom argumento, Os Olhos Amarelos dos Crocodilos não nos entrega nada alem de um filme mediano, que poderia ser mais profundo nos dramas de seus tipos. Ao invés disso, fica-se uma história rasa, por vezes superficial, que não empolga alem de sua projeção. Com muito potencial, o filme é bom à sua maneira: há seus momentos interessantes, mas não passa disso. O que não deixa de ser uma pena: Os Olhos Amarelos dos Crocodilos é mais um daqueles casos em que a obra literária é infinitamente melhor que o cinema.

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Oliver Twist

Clássico livro escrito por Charles Dickens, Oliver Twist é uma obra muito mais citada do que propriamente lida. É uma literatura que serve de inúmeras referências, ainda que poucos a conheçam profundamente. No cinema, por exemplo, o texto de Dickens já teve várias versões – mas nenhuma delas pode ser considerada tão fiel à obra literária quanto a versão que o cineasta Roman Polanski dirigiu em 2005.

Dirigido como homenagem do cineasta aos seus filhos, Oliver Twist conta a comovente história do garoto órfão que é “vendido” para um coveiro. Sofrendo com a crueldade da família que o “adotara”, Oliver foge para Londres, onde é recolhido das ruas e acolhido por Fagin, um velho marginal que comanda um esquema envolvendo prostitutas e crianças criminosas. Sem muita aptidão para o crime, Oliver conhece um bondoso homem em quem enxerga uma figura paterna. No entanto, Fagin, temendo que Oliver denuncie seu esquema, planeja um assalto à residência do senhor rico que o pequeno deseja como pai.

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Polanski assume a empreitada de dirigir este clássico literário após seu honroso reconhecimento por O Pianista (pelo qual ganhou o Oscar de melhor diretor), em 2002. Grande parte do êxito obtido pelo diretor se deve à sua equipe técnica (praticamente a mesma que trabalhou com o cineasta em seu filme anterior). O trabalho de arte ao recriar a negra e suja Londres vitoriana é uma aula de cinema – em uma época onde cenários são construídos por computador, tornando filmes muito mais artificiais. Baseado em gravuras da época, a cenografia é impecável e contribui para acentuar o sentimento de isolamento de Oliver na precária cidade – sentimento este que nos remete, quase que imediatamente, ao mesmo drama vivido pelo personagem de Adrien Brody em O Pianista. Maquiagem, fotografia e a belíssima trilha sonora de Rachel Portman ainda acentuam essa sensação, dando um ar muito mais intenso ao roteiro de Ronald Harwood (que trabalhou com Polanski em O Pianista).

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Quanto às atuações, seria impossível não mencionar Ben Kingsley, excelente em sua caracterização como o velho Fagin. Em um dos melhores papéis de sua carreira (mas menosprezado pela crítica), ele faz um ótimo trabalho de composição. Seu personagem, ainda que um vilão incontestável, permite que o espectador crie certa compaixão ao se mostrar tão afável e carinhoso com o pequeno Oliver. Aliás, o personagem título não poderia ter sido mais bem escalado. Barney Clark (que mais tarde só faria uma ponta em Pecados Inocentes, infelizmente) estrela brilhantemente este filme de peso (afinal, tem o nome Polanski nos créditos), em uma das melhores atuações mirins dos últimos anos. Suas expressões faciais e seus olhos lacrimejantes deixam qualquer um comovido – o que ajuda a fomentar a opinião da crítica de que dificilmente outro ator fará tão bem este personagem depois de Barney.

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Oliver Twist de Polanski é, provavelmente, a mais bela e fiel adaptação ao romance que o originou – distanciando-se apenas de uma história infantil para criar um drama de sofrimento tão triste quanto o próprio livro. Polanski produz um filme que aborda a crueldade humana e lança uma profunda reflexão sobre a sobrevivência da inocência em um mundo tão corroído pela maldade e egoísmo. Em uma das cenas mais emocionantes, Oliver decide visitar Fagin na prisão – mostrando toda sua inocência e gratidão por um homem que, mesmo com seus defeitos, o acolhera quando em perigo. Oliver Twist nas mãos de Polanski se torna a mais pura e definitiva versão da obra de Dickens, ofuscando todas as produções anteriores do clássico.

“Oz – Mágico e Poderoso”: Entretem, Mas Não Apaixona

Quando foi lançado, em março de 2010, Alice no País das Maravilhas se tornou rapidamente uma das maiores bilheterias da história do cinema. Alguns pontos contribuíram para o sucesso imediato do longa de Tim Burton: inicialmente, a escolha por recriar uma história com personagens já conhecidos do público; o uso de computação gráfica, que auxiliou na construção de uma direção de arte invejável; o uso do 3D (que eleva a receita nas bilheterias devido ao valor do ingresso, geralmente 2 ou 3 vezes mais caro) e, obviamente, o nome de Burton à frente do projeto.

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Mas Alice no País das Maravilhas, muito mais do que se tornar um clássico instantâneo dentro de seu gênero (apesar das inúmeras críticas que recebeu), foi responsável também por desencadear uma corrida frenética em busca das adaptações de grandes clássicos infantis. Desde então, inúmeros contos já foram revisitados. Branca de Neve, por exemplo, ganhou 2 versões em 2012 (Espelho, Espelho MeuBranca de Neve e o Caçador), lançadas quase que simultaneamente. A história dos irmãos João e Maria ganharam também um longa em live action, em 2013, sob o título sugestivo de João e Maria: Caçadores de Bruxas. Outros contos, como João e o Pé de Feijão ou A Bela Adormecida já estão em produção e prometem movimentar os cinemas nos próximos meses.

À esquerda, João e Maria transformados em caçadores de bruxas. À direita, a princesa Branca de Neve no longa "Espelho, Espelho Meu".

À esquerda, João e Maria transformados em caçadores de bruxas. À direita, a princesa Branca de Neve no longa “Espelho, Espelho Meu”.

Essa pequena análise sobre a febre que o filme de Burton criou desde então é importante para entendermos um pouco Oz – Mágico e Poderoso, que estreou nesta sexta-feira no circuito nacional. Trata-se da adaptação do conto infantil de L. Frank Baum, já levada aos cinemas em 1939 – naquela que se tornou um dos maiores clássicos de todos os tempos. Entretanto, Oz – Mágico e Poderoso concentra seu roteiro na história que antecede o primeiro longa, mostrando como o mágico em questão chega à cidade de Oz e sua ascensão no local.

Se você, como muitos, espera uma obra recheada de referências à película original, sinto-lhe informar: decepção à vista. Isso pode ser facilmente explicado: a Disney, que assina a produção, encontrou diversos problemas (apesar do diretor Sam Raimi dizer o contrário) para produzir a história, afinal os direitos de O Mágico de Oz pertencem à Warner. Portanto, o filme de 2013 caminha nos limites da lei para associar ambas as obras sem configurar quebra de direitos autorais. Isso faz com que Oz – Mágico e Poderoso funcione como um prólogo suficiente – mas com algumas limitações que não o tornam uma obra-prima do gênero.

Cena do original "O Mágico de Oz", da Warner.

Cena do original “O Mágico de Oz”, da Warner.

Oscar Diggs é apresentado logo no início da trama (rodado em preto e branco, como no original) como um mágico picareta e mulherengo – e com mais desvios de caráter, diga-se de passagem. Tentando fugir de uma confusão em que se metera, Oscar é transportado para a terra de Oz em um balão de ar quente. Lá, ele tem de derrotar uma bruxa má para provar uma antiga profecia local e ser coroado o rei de Oz. Como qualquer produção da Disney (ao menos as que se prezem), trata-se de uma história de superação e valores morais, onde o personagem central tem que mostrar não apenas de que é capaz de ser o mágico que todos esperam mas também que tem caráter para assumir tal posição.

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Roteiro previsível? Sim. Pouco inspirador? Com certeza. Oz – Mágico e Poderoso nada mais é do que um bom espetáculo visual de encher os olhos, como Alice o foi em 2010 – não obstante, são obras dos mesmos produtores. A terra de Oz é quase, descaradamente, uma cópia visual do filme de Burton. Qualquer alienado que assistiu Alice uma única vez é capaz de fazer esta observação. Os mesmos apelos e efeitos visuais extravagantes estão presentes – até mesmo a trilha sonora, composta por Danny Elfman (velho parceiro de Tim Burton) ajuda a acentuar isso.  Com um único detalhe: quem disse que Sam Raimi tem o mesmo talento de Burton?

Não que o filme seja um fiasco – as bilheterias desmentiriam isso se eu dissesse que Oz é um fracasso. Como obra de entretenimento (que é o propósito da Disney), o longa se sai muito bem. Além das comparações óbvias com o trabalho burtoniano, Oz também faz referências à própria obra da Warner (ainda que limitadamente) e, sob certo ângulo, tem o final que nos remete, vagamente, a A Invenção de Hugo Cabret – o que pode ser interpretado como uma homenagem singela ao cinema e suas origens, assim como o filme de Martin (claro, Oz perde feio para Hugo neste aspecto).

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Sam Raimi (que ganhou popularidade com a trilogia do Homem-Aranha, com Tobey Maguire) não consegue em Oz – Mágico e Poderoso mostrar sua capacidade. Isso reflete nas atuações de um elenco que 1) não tinha química; 2) não estava a vontade com suas personagens e 3) não estava bom, pronto. James Franco soa irremediavelmente prepotente com sua personagem principal. Rachel Weisz como a bruxa má da história é apática e certamente perderia mais espaço na trama caso houvesse algum personagem mais interessante (poucas expressões faciais – só tem um bom desempenho com suas mãos, reparem). Michelle Williams cansa como Glinda, enquanto Mila Kunis ainda não consegue provar que seu negócio é cinema. É neste palco que as poucas cenas que se desenvolvem abrem espaço para personagens “virtuais”, como um macaco falante e uma linda bonequinha de porcelana – melhor uso da computação gráfica no filme, de longe.

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Um dos medos da Disney, talvez, era que Oz – Mágico e Poderoso repetisse, para a crítica, o fiasco de Alice no País das Maravilhas. Como particularmente não acho o filme de Burton esse caos que alegam, também me sinto à vontade para dizer que o longa de Raimi está na mesma média: visualmente parecidos, digitalmente bem trabalhados e com roteiros e atuações questionáveis. Mas para a Disney não importa, contanto que as bilheterias provem o contrário. Antes mesmo de estrear, a Disney já anunciou uma provável sequência de Oz. Entretenimento fácil, Oz – Mágico e Poderoso fica bem abaixo do original da Warner, mas é uma boa diversão para quem não espera muito.

 

PS.: e se você tem dúvidas quanto às comparações inevitáveis entre Alice no País das MaravilhasOz – Mágico e Poderoso, dê uma olhada nas imagens abaixo e descubra a qual filme cada uma pertence:

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Sedução: O Que Mais Falta em “Bel Ami”

Nem sempre um rosto bonito, um nome de sucesso e uma boa história geram um bom filme. Isso é um fato já comprovado diversas vezes no cinema. Muitas produções, para chamar público e a atenção da crítica, gastam tanto tempo promovendo esses itens que esquecem de desenvolver bem sua trama – e o fiasco é irreversível. Pois bem, é mais ou menos dessa forma que os críticos receberam Bel Ami – O Sedutor, longa que estreou nos cinemas brasileiros nesta semana.

Aparentemente, Bel Ami teria tudo para ser um bom filme – quer dizer, ao menos os itens mencionados anteriormente estão presentes ali. Temos um rosto bonito (Robert Pattinson – ao menos para as adolescentes virgens fãs do ator), nomes de sucesso (ou, neste caso, pelo menos dois, Uma Thurman e Christina Ricci) e uma boa história (o romance do escritor Guy de Maupassant, com um enredo que utiliza episódios amorosos para criticar a moral religiosa, a política e as mazelas da alta sociedade). Mas fica-se a questão: por que o filme não decola?

É difícil listar os motivos que tornam uma produção boa ou ruim. No caso de Bel Ami – O Sedutor, temos um problema grave: o filme não te seduz. Não há aquela identificação com o público e nem mesmo o menor feeling com a platéia. Okay, daí quem leva a culpa? Direção, elenco, roteiro, fotografia, trilha sonora? Bom, no caso de Bel Ami, a culpa é um pouco de todo mundo.

O trio feminino da trama: Kristin Scott Thomas (a esposa devotada), Uma Thurman (a misteriosa manipuladora do fantoche George Duroy) e Christina Ricci (a esposa solitária). PS.: sim, meninas, Pattinson pegou todas…

Vamos começar pelo roteiro. Tem gente que acha que adaptar uma obra literária é apenas criar diálogos e colocar um bando de atores contracenando entre si para contar a história. Mas se esquecem do principal: desenvolver esta história. Desenvolver é essencial e não apenas ilustrar os fatos. Isso cria um roteiro atropelado, onde as ações centrais são exibidas, mas o caminho entre elas não são mostrados ou sequer desenvolvidos. Mais ou menos assim: o cara tosse numa cena e em seguida morre de uma doença fatal; o jovem olha uma mulher numa cena e na próxima já a leva pra cama; a mulher está na cama com o jovem e em seguida já está perdidamente apaixonada por ele; um homem ajuda um jovem necessitado e duas cenas depois já o odeia.

Provavelmente, é esse erro fatídico no roteiro que tornou as atuações do filme tão gritantes. Talvez pelo fato do livro ser uma espécie de romance novelesco, optou-se por fazer uma interpretação mais pomposa. Não funcionou e o resultado foram performances que, cá entre nós, são dignas de produções baratas. O elenco tem uma dramaticidade exagerada e quase teatral, que não acompanha o fraco ritmo do roteiro. Pattinson é razoavelmente suficiente, com as mesmas caras e feições de qualquer um de seus trabalhos anteriores – mas percebe-se o esforço e a vontade do ator em fazer um bom personagem, e por isso nem vou critica-lo. Apesar de atuar sem muita confiança, o rapaz até pode ser promissor. Agora, ver Uma Thurman (de Kill Bill, meu amigo, pensa só…) fazendo uma atuação tão pobre quanto sua Madeleine Forestier é triste. Nem Christina Ricci se contorcendo e tentando ser sexy ajudou a salvar um elenco nada inspirado – e inspirador.

A trama central já foi vista e revista várias vezes no cinema. Um jovem humilde quer subir na vida e utiliza seu poder de sedução como ferramenta de manipulação. O que acontece é que George Duroy (o verdadeiro nome de Bel Ami) não tem nenhum sex appeal e não manipula, mas é manipulado. Ele até se dá bem no final, mas o bonzão, o garanhão é apenas uma peça no jogo. Se durante todo a narrativa ele pensa que está arrasando, que tem tudo calculado e a seu favor, na verdade seu único mérito é tirar proveito de toda e qualquer situação. Mas nada além disso.

Bel Ami – O Sedutor se sustenta apenas na presença de Robert Pattinson, que não vai levar somente suas fãs aos cinemas, mas também aqueles que querem ver sua atuação fora da saga Crepúsculo (meu caso, que além de ficar curioso quanto à performance de Pattinson, também queria ver Uma Thurman nas telonas novamente, mas nem isso valeu a pena). Talvez a direção dupla de Declan Donnellan e Nick Ormerod acabou confundindo também os atores, roteirista, diretores de arte, musicistas e compositores (sério, que trilha sonora previsível!) e a produção como um todo. Bel Ami é um filme até que bonito, mas que não passa nada: não diverte, não seduz, não entretem, não passa uma mensagem – como aquelas mulheres para as quais você olha, admira e cobiça, mas quando abrem a boca, tudo o que você mais quer é que acabe logo.

Branca de Neve? Recuse Imitações

Branca de Neve e os Sete Anões foi o primeiro longa-metragem animado dos estúdios Disney e, provavelmente, o melhor e mais influente filme dessa empresa. Tudo aquilo que Disney produziu desde então esteve presente nesse filme: as narrativas de conto de fadas, os animais fofinhos, as músicas que ficam na cabeça e são cantadas de geração em geração, os vilões maléficos e as mocinhas puras, enfim, foi o filme que consolidou a Disney como um das maiores empresas cinematográficas de todos os tempos. Afinal, na época, parecia loucura de Walt Disney fazer com que o público aguentasse 90 minutos de desenho animado (em uma época em que o cinema era uma atividade excessivamente “adulta”).

“Branca de Neve e os Sete Anões” foi o primeiro longa-metragem animado da Disney – na época, considerado a grande loucura do estúdio.

Um fato que preocupa os cinéfilos é que, nos últimos anos, Hollywood não tem criado bons roteiros originais. Na maior parte das vezes, o expectador é obrigado a engolir adaptações e releituras de textos já conhecidos e que, muitas vezes, são repetitivos e não apresentam criatividade. E os contos de fada estão aí para servir de inspiração. Depois do sucesso comercial de Alice no País das Maravilhas de Burton, recebemos uma enxurrada de adaptações de contos: A Garota da Capa Vermelha é uma versão moderna da clássica história de Chapeuzinho Vermelho. Recentemente, a história de A Bela e a Fera também ganhou sua visão mais “dark”. Já foi anunciado também que está sendo preparada uma nova versão para Cinderela e rola-se boatos de que Tim Burton estaria estudando um roteiro para Pinóquio. E Branca de Neve, é claro, não ficaria de fora: só em 2012, foram 2 versões lançadas praticamente ao mesmo tempo. Mas não se engane: Branca de Neve só mesmo a original.

À esquerda, cena de “A Garota da Capa Vermelha”; à direita, o espetáculo visual para a versão burtoniana de “Alice no País das Maravilhas”.

A primeira adaptação deste ano foi a comédia Espelho, Espelho Meu, que apresenta o clássico conto dos Grimm como um grande pastelão. Na história, temos um reino falido e uma rainha má (Julia Roberts) à procura de um partido que salve seu império e resolva seus problemas. O príncipe Alcott é o homem ideal para a missão, mas acaba se encantando pela protagonista. A angelical Lily Collins dá vida à Branca de Neve – papel que lhe cai perfeitamente, diante o encanto visual que é Lily. Obviamente, em Espelho, Espelho Meu o destaque vai para Julia Roberts. Mas não por mérito próprio e, sim, por falta de opção. Apesar de até ir razoavelmente bem nas bilheterias, o filme não convence.

O tom pastelão e os elementos bizarros ajudaram a acentuar a classificação indicativa do filme – e deixar todo mundo traumatizado.

O principal problema é que o filme foi vendido como uma comédia – e realmente é. No entanto, o filme até que tem graça, mas não é engraçado. Entende? Não há química entre os elementos do filme. Os personagens são cansativos (o que dizer do príncipe bobão de Armie Hammer?), o cenário é extravagante (talvez pelo próprio apelo infantil do filme, tudo bem, é até justificável), o figurino é criativo mas piegas, as piadas são prontas e idiotas (“Você é a azeitona da minha empadinha!”) e o filme não tem ritmo. Mesmo a Rainha de Roberts, que deveria ser uma personagem má e ao mesmo tempo engraçada, é chata e não consegue se fazer envolver. É um filme bobo, dirigido exclusivamente a crianças e não um entretenimento em família. É um daqueles filmes que você comprará em DVD para colocar a seu filho quando quiser que ele fique quieto. Claro, se ele conseguir assistir…

Mas também é fácil se destacar em uma trama recheada de bizarrice, né, Julia?

Branca de Neve e o Caçador apresenta uma visão mais adulta do conto tradicional. Na realidade, uma observação aqui se faz importante: Walt Disney foi um grande visionário, mas o cara também foi o grande responsável por essa infantilização dos contos de fadas. A maioria dessas histórias são obscuras, recheadas de elementos de terror e fatos macabros. Daí Walt foi lá, colocou uns animais fofinhos, umas músicas alegres, personagens engraçados e… acabou com as histórias originais – apesar de faze-las mais conhecidas. Branca de Neve e o Caçador busca o lado mais sombrio da história dos irmãos Grimm, mas ainda não acerta na dose.

“Branca de Neve e o Caçador” estreou em primeiro lugar em vários países – mas ainda não acertou…

De longe, não se pode dizer que Branca de Neve e o Caçador seja um filme ruim. Ele tem todos os elementos para agradar o público e ir bem nas bilheterias. Pegou um rosto famoso de uma série teen (Kristen Stewart) para o papel principal. Escolheu uma atriz veterana para encarnar o difícil papel da Madrasta (Charlize Theron, que foi muito melhor que Roberts, fato). Abusou de efeitos especiais mirabolantes (um dos produtores foi o mesmo de Alice no País das Maravilhas) e recheou a trama de cenas de luta épica (afinal, está na moda né? Game of Thrones está aí para comprovar). O estreante Rupert Sanders conseguiu, dessa forma, dirigir um filme que é visualmente encantador (como Alice), mas com um roteiro que ainda não conseguiu emplacar. Até porque não se tem muito o que fazer com uma história tão famosa…

Muitos efeitos especiais e arte para compensar uma história já conhecida: assim é “Branca de Neve e o Caçador”.

Há cenas no filme que são incrivelmente desnecessárias. Visualmente, elas são um espetáculo. Mesmo. Vale o ingresso – especialmente se você puder assistir em 3D. E ainda tem a boa trilha do veterano James Newton Howard. Mas ainda há muitos pontos a melhorar em Branca de Neve e o Caçador. Primeiro, os personagens são fracos. O caçador interpretado por Chris Hemsworth (sim, o Thor) parece ter uma batata quente na boca, enquanto o príncipe de Sam Claflin não tem o menor carisma, apesar da beleza do ator (que ficou conhecido por seu papel no último filme da saga Piratas do Caribe). Talvez por essa razão Branca de Neve aparentemente teria ficado com o coração dividido entre os dois (o beijo que acorda Branca da morte não vem do príncipe mas do caçador, um viúvo que sofre com a perda da esposa).

Como caçador, ele ele é um excelente Thor…

Kristen Stewart, surpreendentemente, até que consegue alguns créditos com sua personagem. Não está totalmente ruim. O problema é que seria difícil para ela, por mais esforço que fizesse, se destacar em um filme onde há Charlize Theron. Apesar de exagerada, elá traz uma força para a Rainha que destaca esse como um de seus melhores papéis no cinema. Sorte de Kristen que só ficou frente à frente com Charlize em uma única cena, coitada. A diferença entre talento ficou evidente, assim como, cá entre nós, a supremacia da beleza de Charlize – o que confunde o espectador, né?

Na boa, Kristen, não tem como competir com a Charlize – seja em talento, seja em beleza. O espelho que disse que você é mais bonita que ela deve ter algum defeito…

O que irrita, no entanto, é que o produto é vendido como uma novela gótica e medieval, cheia de elementos sombrios e lutas épicas. Não, Branca de Neve e o Caçador não chega nesse nível. Se apostasse mais nesses pontos, certamente o filme se tornaria um clássico, pois ele tem potencial. O problema é que o roteiro atropelado não deixa espaço para isso. O novato Rupert se sai bem para o primeiro filme, uma grande surpresa de um cara que saiu da escola da publicidade e pode ser um dos novos nomes do cinena nos próximos anos. Como entretenimento, Branca de Neve e o Caçador é perfeitamente assistível – mas nada que nos faça cair de amores pelo longa.

Em ambos os filmes, são as madrastas que se destacam mesmo. Charlize Theron (brilhante) em “Branca de Neve e o Caçador” e Julia Roberts (sem opção) em “Espelho, Espelho Meu”.

Seja como for, ambas as produções tem um público definido e, nesse ponto, cumprem seu propósito. Espelho, Espelho Meu é ideal para entreter criancinhas até 7 anos de idade, que irão rolar de rir com as piadas inocentes e repetidas do filme (eu assisti no cinema em uma sala lotada de crianças que gargalhavam, enfim…). Já Branca de Neve e o Caçador é um estudo sobre direção de arte e fotografia e um entretenimento para toda a família – mas não deve criar uma legião de fãs, mesmo apostando em um ícone teen já conhecido. Na dúvida, fique com o original da Walt Disney que, apesar de distorcer um pouco a história tradicional dos irmãos Grimm, ainda é a que prevalece na mente de todas as gerações. Merecidamente.

Jogos Vorazes: Quando o Filme Independe do Livro

Franquias no cinema geralmente rendem bons lucros. Adaptações também. Quando se unem esses dois elementos, o mais comum é que se tenha um grande sucesso de bilheteria – mas que nem sempre é garantia de um bom filme, cinematograficamente falando. Eis que há algumas semanas chega aos cinemas a produção Jogos Vorazes, primeira parte da adaptação de uma série de três livros da autora Suzanne Collins e, como não podia ser diferente, o filme tem tido bons (na verdade, excelentes) resultados até então. Merecidamente? Então vamos lá…

A principio, vamos à história propriamente dita: em um futuro indeterminado, surge a nação Panem, dividida em 12 distritos e uma Capital, que controla toda o país. Há décadas atrás, estes distritos se rebelaram contra o governo, mas sem sucesso. Para punir os distritos e ressaltarem seu poder e domínio, são criados os Jogos Vorazes, uma espécie de reality show transmitido para toda a nação, onde uma menina e um menino de cada um dos distritos são escolhidos e obrigados  a lutar entre si até a morte. A protagonista Katniss, moradora do distrito 12 (o mais pobre e menos favorecido) se oferece para lutar no lugar de sua irmã caçula e ali a garota tem a chance de mudar sua trajetória e a de sua família.

A heroína do filme, interpretada por Jennifer Lawrence.

Antes de tudo, vou deixar claro que não li à obra de Suzanne e, portanto, minha crítica aqui será exposta em relação à obra cinematográfica e não à produção literária. O filme tem sido vendido como potencial sucessor das franquias teens Harry Potter e Crepúsculo. Até certo ponto, isso fez bem ao filme, pois aguçou a expectativa dos fãs da obra de Suzanne e despertou a curiosidade daqueles que ainda não a conhecem (meu caso, por exemplo, que já saí do cinema querendo levar os livros da série para descobrir o que acontece com os protagonistas). Mas o grande mérito aqui é que Jogos Vorazes FILME consegue ser completamente independente de Jogos Vorazes LIVRO – o que, se tratando de adaptações, é um fato muito difícil de se conseguir.

A narrativa de Jogos Vorazes é didática e permite que qualquer alienado que tenha ido ao cinema e entrado na sala por curiosidade se interesse pela história e mantenha uma espécie de compaixão pela trama – tanto que ao longo de quase duas horas e meia de filme, o tempo passa tão rapidamete que, ao final, você sente vontade de continuar ali, sentado, esperando qualquer coisa que possa te trazer algum indício do que pode acontecer.

Teve romance? Até teve um início. Mas ao menos o Josh não precisou tirar a blusa para isso...

Tecnicamente, o filme também se destaca. O figurino (especialmente nas cenas da Capital, que contrasta visivelmente com os demais distritos) já é aposta para os indicados ao Oscar 2013. O visual da Capital também é algo impressionante, c0m ambientes luxuosos e extravagantes, mas nunca piegas. Além disso, a direção bem acabada de Gary Ross traz uma dosagem certeira nas cenas mais violentas do filme (elas estão lá, presentes, mas a maneira como Gary percorre com suas câmeras faz com que isso seja atenuado – o que, em tese, ajuda a adequar a classificação indicativa ao público alvo do filme).

Há alguns pontos que poderiam ser melhorados. A princípio, creio que o maior deles seja quanto à duração e divisão do filme. Eu, particulamente, não sou fã de filmes longos. Se for pra ser longo, o filme tem que ser envolvente na medida certa. E, ultimamente, Hollywood não tem feito boas escolhas de roteiristas. Mas o fato é que Jogos Vorazes mantem um ritmo que permite que o filme pudesse ser esticado alguns minutos e mais bem dividido. Praticamente, podemos dizer que o filme é dividido em duas partes: a primeira, quando os jovens são escolhidos e apresentados às regras do jogo e a segunda, que trata dos duelos em si. Enquanto a primeira parte é apresentada de forma didática e bastante compreensível, a segunda peca por ser deveras “rápida” demais. Minha visão é a de que se podia dar um pouco mais de ênfase nas batalhas, nos pequenos conflitos, nas formas de sobrevivência dos jogadores.

"Jogos Vorazes" impressiona visualmente - mas não apenas isto.

Outro ponto que poderia ser melhorado é a visão “romântica” (não no sentido amoroso) da heroína da história. Ela é tão boazinha (já no início do filme se oferecendo como tributo aos Jogos) e bom caráter (apesar de vencer o duelo, ela mata pouca gente) que por vezes chega a enjoar. No final, o filme mostra que a força bruta apenas não é necessária, mas também a inteligência. Tudo bem, concordo, mas essa visão tão “amigão, gente fina” da protagonista não me impressionou. Quanto às atuações, cabe dizer que todos ali cumpriram razoavelmente suas funções – mas sem nenhum grande destaque.

Outro grande mérito de Jogos Vorazes, no entanto, é conhecido pelos espectadores mais atentos ao contexto do que à história propriamente dita. Há uma crítica explícita aos reality shows que, mais do que entreter uma populaçao, controlam, manipulam seus participantes (como o sistema faz conosco?). O próprio apresentador do programa (uma espécie de Galvão Bueno, mas muito menos chato), um diretor que interfere e os estratégias de jogo dos participantes para sobreviver refletem bem a realidade dos programas atuais de televisão, levantando bandeira à esta causa (tema já abordado anteriormente no cinema, como no excelente O Show de Truman – O Show da Vida).

Não adianta fugir: romance adolescente à vista...

Jogos Vorazes FILME é infinitamente melhor do muitos outros sucessos teens. A qualidade e o cuidado com que o filme foi produzido (talvez por conta da participação direta da autora dos livros) demonstram que o filme tem potencial para agradar não apenas adolescentes virgens e pré-adolecentes chatos. Talvez o filme tenha sido vendido como tal apenas para chamar público (talvez, não – quase certeza, né? Propaganda é a alma do negócio). E conseguiu. O filme tem ido muito bem e a expectativa é que continue assim. Vendo pelo lado positivo, não há vampiros que brilham, lobisomens sem camisa, bruxinhos adolescentes… Bom, pelo menos até aqui. Vai que…

As Adaptações que Todos Amam

Criatividade não é para todos. Criar um bom texto, uma história envolvente ou um enredo atraente é uma tarefa difícil nos dias atuais, tamanha a quantidade de obras que nos são apresentadas diariamente.

Por essa razão, muitos diretores buscam adaptar livros de sucesso para as telas do cinema. E essa idéia está em alta nos últimos anos, pois vemos que muitos blockbusters tem sido concebidos a partir de roteiros adaptados (que, inclusive, é categoria do Oscar desde sua primeira edição, em 1929).

No caso do Oscar, especificamente, o prêmio é entregue para o autor de um roteiro adaptado de outra fonte, que pode ser um romance, conto, peça de teatro, musical ou outros. É um dos prêmios principais da cerimônia, junto com melhor filme, diretor e roteiro original.

A aposta em adaptações é simples: é muito mais fácil dar um toque particular a uma obra já consagrada do que criar algo novo que seja realmente bom. Além disso, a história, geralmente, já é bem conhecida do público, o que facilita na hora da promoção do filme.

Listei, a seguir, alguns livros que foram adaptados para o cinema. Algumas histórias são clássicas; outras são mais recentes – fato que não tira o mérito dos diretores de produzir películas de qualidade (ou não, como você poderá comprovar).

1. Crepúsculo

A saga “Crepúsculo” virou febre. Adaptada da série de romance de Stephenie Meyer, que vendeu milhões de exemplares ao redor do mundo, a sequência conta a história de amor entre a mortal Isabella Swan (interpretada pela insossa Kristen Stewart) e Edward Cullen (o mais insosso ainda Robert Pattinson), que vive uma espécie de vampiro “moderno” – bem diferente do estereótipo de vampiro com o qual estamos acostumados. Sucesso entre os adolescentes, a série estoura nas bilheterias a cada lançamento. Graças a Deus, a saga está para acabar…

Robert e Kristen, o casal #FAIL da saga Crepúsculo.

 

2. O Código Da Vinci

Baseado no polêmico romance de Dan Brown, “O Código Da Vinci” foi um dos filmes mais aguardados de 2006 – e também um dos campeões de bilheteria do ano. Entretanto, nem mesmo a presença do veterano Tom Hanks foi suficiente pra fazer o filme engrenar: o roteiro é cansativo e o filme recebeu inúmeras críticas, sendo até vaiado no Festival de Cannes. Pois é, expectativa demais dá nisso…

Nem Tom Hanks segurou as vaias em Cannes - pois é...

 

3. Alice no País das Maravilhas

A história de Lewis Carroll é clássica. Muitas adaptações foram feitas, tanto no cinema quanto na TV, mas as versões mais bem recebidas pelo público foram a animação de 1951 e, recentemente, a continuação feita pelo mestre Tim Burton, em película tradicional e outras tecnologias – ambas produzidas pela Disney.

Acima, Johnny Depp como Chapeleiro Maluco, na versão de Burton; abaixo, o clássico Disney.

 

4. Harry Potter

O bruxinho criado por J.K. Rowling fez sucesso nas livrarias – e também nas telonas. O jovem Daniel Radcliffe deu vida ao personagem e se tornou um dos ídolos teen mais amados nos últimos anos. Os filmes, muito bem recebidos pelos adolescentes, foram sucessos de bilheterias e fizeram a franquia Harry Potter ser uma das maiores campeãs de faturamento da história.

Harry Potter foi uma das séries de maior sucesso entre os adolescentes nos últimos anos.

 

5. A Rede Social

Vencedor de três premiações no Oscar 2011, “A Rede Social” foi considerado um “clássico moderno” pela Rolling Stones. Mas, na prática, o filme não cumpre tudo o que promete: tem um roteiro fraco e cansativo, atuações não muito convincentes e uma história que ficaria melhor apenas no romance. Definitivamente, não se tem a menor vontade de ler o livro quando se assiste ao filme.

Talvez o livro seja melhor...

 

6. Comer, Rezar, Amar

Julia Roberts, que andava meio sumida dos holofotes de Hollywood, voltou com força total em “Comer, Rezar, Amar”, baseado no livro homônimo de Elizabeth Gilbert. Muitos acreditavam que Julia, com sua atuação, levaria sua segunda estatueta em 2011; frustrando essas expectativas, a atriz não foi sequer indicada. Ao menos, o filme teve uma boa adaptação, condizente com o texto original.

Julia Roberts, em uma de suas melhores atuações com "Comer, Rezar, Amar".

 

7. Romeu e Julieta

Ah, Shakespeare… O dramaturgo inglês escreveu seu clássico mais famoso entre 1591 e 1596. Séculos depois, o cinema produziu diversas adaptações para a história. Entre as mais conhecidas, destacamos a versão de 1996, com Claire Danes e Leonardo DiCaprio protagonizando o jovem casal de amantes, impedidos de assumir um romance por conta da rivalidade entre suas famílias.

DiCaprio e Clare, na versão moderna (e nada convencional) de "Romeu e Julieta" (aqui, Romeu + Julieta).

 

8. Dona Flor e Seus Dois Maridos

Para representar o cinema nacional, vale a pena mencionar “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, inspirado no romance (deliciosamente envolvente) de Jorge Amado. Filmado originalmente em 1976 e dirigido por Bruno Barreto, o filme narra a história de Flor e o vínculo com seu falecido marido Vadinho, que mesmo depois de morto, atormenta Flor em seu novo casamento. Detalhe: “Dona Flor e Seus Dois Maridos” foi, durante muito tempo, o recordista nacional de bilheteria.

José Wilker, Sônia Braga e Mauro Mendonça protagonizaram o trio do romance de Jorge Amado.

 

9. O Fantasma da Ópera

Inspirado no romance francês escrito em 1910 por Gaston Leroux, “O Fantasma da Ópera” foi adaptado diversas vezes para cinema e teatro. A primeira versão cinematográfica data de 1925, com roteiro do próprio Gaston; o sucesso absoluto, entretanto, apareceu com a adaptação da história para o musical da Broadway, por Andrew Lloyd Webber. Em 2004, Gerard Butler interpretou o personagem título na versão para cinema do diretor Joel Schumacher.

Excelente musical, a última versão de "O Fantasma da Ópera" recebeu 3 indicações ao Oscar.

 

10. O Crime do Padre Amaro

Gael Garcia Bernal deu vida, em 2002, ao protagonista deste filme, inspirado livremente na obra de Eça de Queiroz. O filme quase deixou de ser finalizado, devido às reclamações do grupo católico mexicano que pedia o fim do projeto. Se em pleno século XXI a história causou polêmica, você consegue imaginar o bombardeio de críticas e protestos que Eça recebeu no lançamento do livro, em 1875, em Portugal, país que serve de cenário para o romance de Amaro e Amélia?

O filme, inspirado na obra de Eça de Queiroz, foi alvo de muitos protestos no México.