“Kung Fury”: Os Anos 80 Para Matar a Saudade

Eu sou um fã incondicional do cinema trash – e, neste caso, quanto mais ruim, melhor! Não à toa, um dos meus artistas preferidos é Robert Rodriguez, cineasta por trás de “bobeiras” como a saga Machete, Planeta Terror ou o aclamado Um Drink no Inferno – mas isso é uma outra história. Só fiz essa pequena introdução para que você, leitor, entenda minha empolgação com o projeto Kung Fury, do sueco David Sandberg, que estreia na direção cinematográfica com uma pérola em formato de curta-metragem que é uma ode de amor à cultura dos anos 80.

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A história central de Kung Fury se passa na Miami da década oitentista e acompanha o detetive Kung Fury – um policial que ganha super poderes após ser atingido por um raio e mordido por uma cobra (oi?). Lá pelas tantas, Adolf Hitler (aqui também sob a alcunha de “Kung Führer”) invade o presente e ataca a delegacia em que o nosso herói atua. Com isso, Kung Fury decide viajar no tempo até a Alemanha, em plena Segunda Guerra Mundial, para liquidar de vez o líder nazista.

A sinopse não poderia ser mais nonsense: não há compromisso com nada. Quer assistir algo despretensioso apenas para passar o tempo e se divertir? Kung Fury é uma ótima pedida. Na verdade, sob o ponto de vista narrativo, cá entre nós, o filme é até “bobinho” – como se o roteiro fosse apenas uma passarela por onde o diretor tenta desfilar o maior conteúdo possível de referências à década de 80. E é nisso que o curta se sobressai: Kung Fury é pura nostalgia! A ideia é justamente essa: homenagear os anos 80 e toda sua cultura através de uma comédia que procura satirizar/parodiar os filmes policiais e de artes marciais desse período.

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São as inúmeras as referências da fita – e é louvável a maneira como David consegue condensar todo este arsenal em pouco mais de 30 minutos de projeção. A estética visual é altamente atraente, seja nos figurinos e na fotografia (com a imagem repleta de defeitos, como os bons filmes “ruins” devem ser), alem da ótima trilha sonora – que ficou por conta do ator, cantor e produtor David Hasselhoff, que nos transporta ao synthpop do início da década de 80, com todos seus sintetizadores predominando em alto e bom som. Os efeitos especiais, por sua vez, são bastante competentes (principalmente se levarmos em conta que se trata de uma produção independente), com cenários feitos totalmente em chroma key – acentuando a atmosfera de amadorismo da película. Kung Fury possui ainda um humor fantástico: é cheio de boas e inteligentes piadas, lançadas nos momentos mais oportunos por personagens adoráveis, como nosso protagonista – o próprio David Sandberg, absolutamente hilário. Alem dele, vale também mencionar o policial Triceracop, as “vikings” gostosonas Katana e Barbarianna, Hackerman (nome óbvio) e até mesmo o icônico Thor (que com seu peitoral “épico”, segundo o próprio Kung Fury, atua melhor que o insosso Chris Hemsworth).

Ainda se fosse um fiasco, Kung Fury seria assunto: o filme foi rodado através de financiamento coletivo, pelo site Kickstarter, conseguindo arrecadar mais de US$ 600 mil – dinheiro muito bem empregado, diga-se de passagem. Kung Fury é divertido e inteligente e prova que não há limites para a criatividade – independente se você é um produtor hollywoodiano de sucesso ou simplesmente um nerd apaixonado por cinema.

“Jurassic Park” em 3D: Nostalgia em Tela Grande

Convenhamos: você que nasceu entre as décadas de 80 e 90, em algum momento de sua vida, já assistiu e caiu de graças por algum filme do mestre Steven Spielberg. Deixe-me explicar: Spielberg é a mente brilhante à frente de clássicos como TubarãoContatos Imediatos do Terceiro GrauE.T. – O ExtraterrestreOs GooniesDe Volta Para o Futuro… Para ou continua? Continua? A saga Indiana JonesA Lista de SchindlerImpério do SolA Cor Púrpura… Melhor parar porque eu não quero me cansar. Mas o fato é que Spielberg é um dos maiores – talvez o maior – diretor norte-americano em atividade (ao menos, um dos mais elogiados de todos os tempos). E nos próximos dias, teremos o relançamento em 3D de um de seus trabalhos mais populares: Jurassic Park.

jurassicparkPara você entender: eu (particularmente eu, Davi Gonçalves) nunca fui um fã de Spielberg – e aqui é uma simples questão pessoal, pois eu tenho uma predileção especial por outros gêneros de cinema. Mas é impossível ser indiferente à significativa contribuição de Spielberg para a sétima arte. Steven é um artista que revolucionou a maneira de se fazer cinema e se tornou o mestre do gênero “pipoca” (aquele filme feito para toda a família, do garotinho de oito anos ao garotão de oitenta). Não à toa, seus longas foram uma sensação nas décadas de 70 e, principalmente, 80, quando produziu boa parte de seus melhores trabalhos.

Jurassic Park é um pouco mais recente – foi lançado originalmente em 1993 – e rapidamente se tornou um sucesso estrondoso. A história se passa em um parque fictício construído por um milionário, cujas maiores atrações são diversas espécies de dinossauros (extintas há milhões de anos), recriadas em laboratórios graças a um inseto fossilizado da época. A experiência se torna perigosa à medida que o experimento sai do controle da segurança do parque, fazendo com que o local se torne uma ameaça às pessoas que ali se encontram.

parqueSim, amigos: é uma história totalmente fantasiosa, facilmente improvável – mas caiu no gosto do público, se tornando uma febre entre o nos anos 90. O filme teve bons números nas bilheterias, criou uma porrada de produtos que eram disputados aos tapas nas lojas (aqui no Brasil, por exemplo, quem não lembra do álbum de figurinhas do chocolate Surpresa? Ohhh ❤ ) e ainda ganhou duas sequências (menos badaladas, diga-se de passagem). O sucesso foi tão grande que é impossível não associa-lo à figura de Spielberg, que comprovava (mais uma vez) seu talento para criar blockbusters capazes de alavancar os lucros dos estúdios.

Claro, nem tudo é tão bom quanto parece: enquanto o público idolatrava Spielberg, a crítica, em boa parte, caiu matando o diretor. Tem muita gente que ainda torce o nariz para este filme, alegando que os milhões de dólares gastos  em tecnologia de última geração não compensaram o péssimo roteiro. De fato, há de se concordar que, com tanta grana, poderíamos ter um pouco mais de “dinossauro” na tela (vamos assumir que o espectador tem de engolir duas horas de filme para assistir pouco mais de 15 – quinze! – minutos de dinossauro). Tem críticos que sugerem ainda que o roteiro é clichê, que a história é piegas, que as atuações beiram à canastrice e bla bla bla – dizendo que Jurassic Park está muito abaixo dos grandes trabalhos de Spielberg, como A Lista de Schindler, lançado logo em seguida e que é, de longe, sua melhor obra.

jurassicparkOkay, não vou deixar minha opinião aqui porque, como já mencionei, não é um estilo que me agrada. Daí você pode se perguntar “então você não vai assistir este filme no cinema?” e eu te respondo “SIM, irei com certeza”. A razão é simples: este é um longa que você DEVE assistir. E ponto. É um blockbuster? SIM. É clichê? SIM. Mas é inovador, é uma obra-prima do cinema, responsável por revitalizar a onda de filmes na década de 90 – tornando-se um clássico instantâneo. E para você, que tanto assistiu Jurassik Park nas tardes de Temperatura Máxima cof cof, é uma excelente oportunidade de ter alguns momentos nostálgicos de pura fantasia e adrenalina – tudo isso em 3D.

Pééééraaaaaa! Eu disse 3D?

Ahhh nem faz diferença. Tem filmes que, por si só, já valem todo o ingresso…

 

PS.: quem acha que Jurassic Park 3D é foi uma tentativa descarada de lucrar ainda mais nas bilheterias apostando no fator “terceira dimensão” (que eleva o preço do ingresso, pelo menos, ao dobro da sessão convencional), assim como fizeram com outros grandes sucessos, como Titanic?

todomundoPois é… E me vem com a desculpa de comemorar 20 anos de lançamento? Ah vá… Agora é só esperar para saber qual será o próximo super clássico que será relançado para que nós, cinéfilos, possamos encher as salas de cinemas pelo mundo afora.