De Olhos Bem Fechados

Quando lançado, em 1999, De Olhos Bem Fechados, a obra derradeira de Stanley Kubrick, dividiu opiniões. Houve quem considerasse o filme uma obra-prima, tamanho o esmero que Kubrick dispensou à produção; houve quem achasse o filme o grande fiasco da carreira do diretor. De fato, De Olhos Bem Fechados foi um fracasso de bilheteria e levantou debates intermináveis sobre a contribuição deste longa dentro da filmografia do cineasta.

Bem, deixemos claro desde o início: De Olhos Bem Fechados não é um filme ruim. Na verdade, seria um ótimo filme para qualquer cineasta – não para Stanley Kubrick. É praticamente uma unanimidade dizer que o filme é o mais fraco de Kubrick – o que é totalmente aceitável se analisarmos as demais obras do diretor (carinhosamente chamado por alguns de “deus”). Logo, é difícil analisar o filme sem se recordar a todo o momento de seu diretor e toda sua filmografia.

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Concebido ao longo de mais de três anos, De Olhos Bem Fechados está muito longe de se igualar a outros filmes de Kubrick – o que torna praticamente impossível a tarefa de compreendê-lo sem assisti-lo mais de uma vez. A história gira em torno do casal Bill e Alice (respectivamente, o casal da vez na época, Tom Cruise e Nicole Kidman); ele um médico respeitado, ela uma curadora de arte, que vivem uma relação aparentemente fora de qualquer suspeita. Uma noite após voltarem de uma festa, Alice revela ao esposo que já sentiu atraída por outro homem no passado e cogitou a hipótese de abandonar a família por este homem. Atordoado pela confissão da esposa, Bill sai pelas ruas de Nova York e acaba em uma festa dentro de uma mansão misteriosa, onde os participantes promovem orgias entre si.

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O maior problema no filme é o ritmo lento que Kubrick confere à sua narrativa. Ao longo de mais de duas horas e meia, é impossível não se revirar na poltrona de minuto em minuto. O filme simplesmente parece não rodar. Obviamente, esta talvez tenha sido uma estratégia de Kubrick para acentuar as personalidades de suas personagens – mas os personagens são tão pouco palpáveis que o filme se torna massante em diversos momentos. Isso talvez seja reflexo das atuações de seus protagonistas: Kidman (que é muito melhor que seu ex-marido) está muito abaixo das expectativas, chegando a irritar na cena em que está bêbada; Cruise, por quem não se pode esperar muita coisa, dá tom a um personagem cheio de ideias vazias e sem fundamentos.

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O trabalho de arte do filme é louvável – assim, como a trilha sonora, que é atordoante e fica na cabeça do espectador mesmo quando não executada. No entanto, o filme tem um ar “incompleto”, “inacabado”. O filme se perde ainda em diversos momentos: ora tende ao suspense, ora ao psicológico, ora sexual. No entanto, em nenhuma dessas vertentes o filme parece trilhar com os próprios pés. No contexto sexual, por exemplo, não há cenas de sexo que justifiquem a história (há cenas em O Iluminado, por exemplo, que são mais eloquentes do que aqui) – mesmo as orgias promovidas no grande salão, os famosos 65 segundos de sexo simulado que foram digitalmente reformulados para evitar uma classificação maior. Na segunda parte do filme, para completar, o foco principal fica no personagem de Cruise – e envolve mortes, assassinatos e perseguições que deixam o espectador com ar de inquietude.

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De Olhos Bem Fechados, como obra de um diretor do calibre de Kubrick, consegue ser um filme muito aquém dos demais trabalhos do cineasta. É um filme que tenta desvendar (bem superficialmente) os conceitos da monogamia e s diferenças entre “sonhar” e “fazer”. É um filme que nos permite diversas indagações: o simples fato de a esposa um dia pensar em abandona-lo justifica as ações de Bill ou é excessiva demais? Não seria este um tom meio “machista” que Kubrick, que foi casado durante anos com a mesma mulher, resolveu conceder à trama? De todas as formas, De Olhos Bem Fechados é um filme que merece ser conferido pois permite diversos questionamentos – inclusive se o filme é capaz ou não de agradar.

Os Maiores Vilões do Cinema

Não sei quanto a vocês, mas eu particularmente tenho uma quedinha por personagens com desvio de caráter. Nunca fui fã dos tipos água com açúcar bonzinhos, que fazem tudo em nome do amor e dos bons costumes e blá blá blá… Curto mesmo aquela galera que taca o terror e faz as obras muito mais dinâmicas, divertidas e recheadas de ação.

Portanto, como bom cinéfilo, listei com a ajuda de alguns amigos também de caráter duvidoso os dez maiores vilões da história do cinema. Vou ressaltar que a seleção não pretende listar os personagens mais assustadores ou malvados que já passaram nas telonas – mas sim mostrar aqueles que, de certa forma, todos nós admiramos e preferimos ao invés dos mocinhos e mocinhas chatos e enjoados

1. Alexander Delarge (Laranja Mecânica, 1971)
No filme mais influente de Stanley Kubrick, Malcolm McDowell vive Alex, líder de uma trupe (droogs) que sai pelas ruas agredindo, matando, estuprando e tudo mais o que querem fazer por puro prazer, mesmo que isso cause problemas para os outros. A mente brilhante, no entanto, tem bom gosto e é apreciador da música clássica de Beethoven.

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2. Scar (O Rei Leão, 1994)
Mufasa, o rei da selva, tinha um irmão invejoso, Scar, que planeja a morte do rei e de seu herdeiro, o pequeno Simba. Apesar de não ser tão favorecido fisicamente quanto seu irmão, Scar possuía inteligência e astúcia para elaborar os planos mais maquiavélicos e roubar o trono do irmão.

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3. Freedy Krueger (franquia A Hora do Pesadelo)
Conhecido como “senhor dos sonhos” (pelo incrível poder de controlar o sonho das pessoas), Freedy é o personagem fictício da sequência A Hora do Pesadelo. Freedy era um assassino de crianças de uma pequena cidade norte-americana e após ser queimado pelos pais vingativos, começa a atacar os adolescentes da região em seus sonhos, matando-os no mundo real.

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4. Jack Torrance (O Iluminado, 1980)
Mais um vilão de Stanley Kubrick, Jack Torrance (encarnado brilhantemente pelo genial Jack Nicholson) é um escritor sem inspiração que decide se mudar com a família para um hotel na região do Colorado durante o inverno, onde trabalhará como zelador do local. No entanto, o isolamento lhe causa problemas mentais e o torna cada vez mais agressivo. Bom, pelo menos é o que eu acho de um cara que persegue esposa e filho com um machado – em uma das cenas mais aterrorizantes e famosas do cinema.

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5. Hans Landa (Bastardos Inglórios, 2009)
Ele executa uma família judia logo nas primeiras cenas de Bastardos Inglórios. No filme do cultuadíssimo Quentin Tarantino, Christoph Waltz vive Hans Landa (apelidado gentilmente de “Caçador de Judeus”), um coronel nazista com a missão de localizar judeus na França durante a Segunda Guerra Mundial. A atuação magnífica de Waltz (que lhe rendeu o Oscar de melhor ator coadjuvante), interpretando um tipo cínico, sarcástico e astuto, faz com que Hans se torne um dos vilões que, por mais maldoso que seja, é impossível não amar…

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6. Sauron (franquia O Senhor dos Anéis)
Ainda que quase nunca apareça, Sauron é o principal vilão da saga O Senhor dos Anéis. Na franquia, ele literalmente “causou” na Terra Média, gerando guerras, fome, mortes, destruição e tudo o mais apenas para recuperar sua fonte de poder: o anel do título. No entanto, veja vocês, o todo-poderoso aí foi derrotado por um hobbit. Irônico, não?

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7. Lorde Voldemort (franquia Harry Potter)
Só para ter noção: o cara é tão fodão assustador que tem gente que prefere não pronunciar seu nome e se refere ao vilão como “aquele que não deve ser nomeado” #medo. Interpretado por Ralph Fiennes (aí algo que eu demorei para perceber…), Voldemort representa as trevas no mundo da magia e é temido, inclusive, pelo maior feiticeiro do mundo.

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8. Coringa (Batman – O Cavaleiro das Trevas, 2008)
Heath Ledger interpretou tão intensamente essa personagem que tem muita gente que afirma que Batman – O Cavaleiro das Trevas é o próprio Ledger. De fato, trata-se da melhor atuação do jovem ator, que ficou eternizado na pele do inimigo do homem-morcego. É dele a célebre frase “Why so serious?”, sinônimo do caos que o vilão causava por onde passava. Heath levou o Oscar póstumo de melhor ator coadjuvante por este papel, que faz com que você curta muito mais o vilão do que o mocinho (o insosso Christian Bale)…

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9. Norman Bates (Psicose, 1960)
Personagem de Anthony Perkins, foi o protagonista da famosa cena do chuveiro de Psicose, de Alfred Hitchcock. No filme, Norman é um psicopata, atormentado pela figura materna que sempre o oprimiu. Trata-se de um tipo inocente e monstruoso, único em toda a história do cinema e, provavelmente, um dos mais famosos tipos  da obra do mestre do suspense.

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10. Darth Vader (franquia Star Wars)
Provavelmente, é um dos mais queridos vilões da história do cinema, criado pelo mestre George Lucas. O cara era tão bom (em maldades, quero dizer) que botou  medo em toda a galáxia, matando seu tutor, traindo a Ordem Jedi e se aliando ao lado negro da Força. Não à toa, Darth Vader é o símbolo máximo da saga Star Wars, ganhando a preferência de muitos admiradores da franquia.

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