Perrengue Fashion (Perrengue Fashion, 2025)

Dirigido por Flávia Lacerda (profissional oriunda da TV aberta, onde dirigiu séries e novelas, além de assinar, ao lado de Guel Arraes, a continuação do clássico O auto da compadecida, em 2024), Perrengue Fashion segue a fórmula de muitas comédias nacionais: personagens estereotipados, situações construídas para provocar o riso fácil e uma sucessão de acontecimentos que parecem estar ali apenas por estar, sem nenhum objetivo muito claro. O resultado é um filme que, apesar de alguns raros momentos de leveza, dificilmente consegue escapar da sensação de familiaridade, como se cada piada, conflito e reviravolta fossem itens da cartilha do gênero. Na história, acompanhamos Paula Pratta, uma influenciadora de moda que recebe um convite irrecusável para estrelar uma campanha publicitária ao lado do filho, Cadu. Seus planos, no entanto, são frustrados quando Paula é forçada a embarcar em uma viagem à floresta amazônica para convencer o jovem a ajudá-la neste trabalho.

Perrengue Fashion abraça assumidamente todos os clichês do gênero, revelando a falta de personalidade de sua trama e, principalmente, sua total dependência da fórmula. E, como sempre defendo, não que isso seja algo necessariamente ruim; nem toda obra precisa reinventar a roda para funcionar, desde que saiba utilizar suas convenções a seu favor – o que, definitivamente, não ocorre aqui: as situações cômicas são previsíveis, os personagens pouco ultrapassam suas funções dentro da narrativa e os conflitos parecem existir unicamente como pretexto para as piadas seguintes. Mesmo nas poucas ocasiões em que o filme tem alguma potencialidade cômica, o humor se desenvolve quase sempre em torno das caras e bocas de Ingrid Guimarães, já conhecidas e exaustivamente exploradas em outros trabalhos, mas aqui visivelmente calculadas e, portanto, pouco espontâneas. Há ainda uma tentativa frustrada de equilibrar comédia, romance e uma mensagem edificante, porém tudo é tão superficialmente desenvolvido que nada chega a produzir consequências relevantes para a trama. Ainda assim, Perrengue Fashion não chega a ser um desastre completo, funcionando razoavelmente enquanto um entretenimento acessível – e há de se admirar sua evidente disposição em (tentar) entregar exatamente aquilo que promete, assim como sua falta de interesse em ir além disso.