A Direção Fantasma de “A Mulher de Preto”

Sempre fui meio pé atrás com histórias de suspense e terror e a razão é bem simples: enredos irreais, personagens caricatos e roteiros clichês. São poucas as produções que realmente se destacam por apresentar tramas originais – e estes costumam virar clássicos. Cite-se aqui A Hora do Pesadelo, Museu de Cera, Drácula de Bram Stoker, O Massacre da Serra Elétrica e muitos outros, que dentro de suas épocas tornaram-se referência para as obras posteriores. A Mulher de Preto, lançado recentemente no país, poderia se igualar a qualquer um destes títulos citados. Entretanto, o filme tropeça em tantos pontos que fica difícil colocar o longa nesta lista de grandes clássicos.

A Mulher de Preto conta a história de Arthur Kipps, um jovem advogado e pai viúvo, desestabilizado emocionalmente desde a morte de sua esposa, que viaja para uma cidade do interior da Inglaterra para cuidar dos papéis de um cliente falecido recentemente, dono de uma mansão. Lá, ele descobre que há o espírito de uma mulher que toda vez que é visto causa a morte trágica de uma criança da cidade. Mais tarde, Arthur descobre que o espírito apenas deseja vingança por conta da morte de seu filho, cujo corpo nunca fora encontrado.

O filme tem todos os elementos próprios deste tipo de película. Vamos lá: homem da cidade que não acredita nas crendices de pessoas simples do campo, confere; atmosfera sinistra, confere; história envolvendo o sobrenatural, confere; cenário do interior de uma Inglaterra no início do século XX, confere. Entretanto, nem mesmo estes elementos são capazes de impedir que A Mulher de Preto deslize e se torne uma quase furada.

A princípio, já somos apresentados claramente a uma falha na escolha do ator principal. Apesar do roteiro destacar a juventude de Kepps, Daniel Radcliffe é absolutamente muito jovem para o papel – além do fato de Radcliffe ainda estar muito vivo na memória dos fãs como o bruxinho Harry Potter, personagem principal de uma das maiores franquias do cinema. Radcliffe faz um tremendo esforço para o papel que, definitivamente, não foi feito para ele. Afinal, Daniel em nada se parece com um viúvo que tem um filho de cinco anos. A sensação é a de que estamos em uma montagem de teatro escolar, onde crianças e adolescentes fazem personagens muito mais velhos.

Depois, o filme tropeça – e muito – no roteiro. A história em si tem um grande potencial, pois é um legítimo conto de fantasmas. O que acontece é que ela não decola: as sequências são longas e cansativas, com pouquíssimos sustos. sustos. Alem disso, a lógica com que Kepps descobre o “grande” mistério do fantasma é, sob certo aspecto, duvidosa (confesso que ri com a facilidade com que o advogado encontra o corpo da criança filha do fantasma), o que faz com que o filme caminhe para um final bem diferente daquilo que se espera – e que não deixa de ser decepcionante para o espectador.

Mas tudo isso pode ser, talvez, creditado à falta de uma boa direção. Seja no cenário prejudicado por uma iluminação errada, nas sequencias que não empolgam ou no rosto assustado de Radcliffe (única expressão que o jovem ator conseguiu fazer durante toda a projeção), percebe-se que o diretor James Watkins não teve pulso forte para conduzir bem sua obra e não aproveitou o potencial da trama. Parece que não é apenas uma história sobre fantasmas. A direção, ao que tudo indica, também é difícil de enxergar. Definitivamente, não é o tipo de cinema que deve fazer você, leitor, sair de casa e gastar dinheiro com ingresso. É um filme para ser assistido de forma despretensiosa. Afinal, tendo um tremendo material nas mãos mas desperdiçando-o com uma direção “frouxa”, Watkins torna seu trabalho inteiramente descartável.

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