“Cine Holliúdy”: Divertido, Mas Ordinário

O cinema brasileiro tem crescido nos últimos anos. Não apenas em quantidade, mas a qualidade das produções nacionais tem impressionado muita gente que antes torcia o nariz para as produções brasileiras. Cine Holliúdy, do diretor Halder Gomes (de As Mães de Chico Xavier), chegou aos cinemas há alguns dias e, contrariando as expectativas sobre o filme, tem recebido bons elogios do público e da crítica especializada.

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A trama gira em torno da incrível jornada de Francisgleydisson (o que o clássico personagem de Miguel Falabella falaria sobre isso, hein?), que parte rumo ao desconhecido junto com sua família para realizar o sonho de abrir novamente uma sala de cinema em alguma cidade de sua região – em uma época em que o cinema é ameaçado pela chegada da TV nas pequenas cidades do Brasil, nos anos 70. É em uma pequena comunidade do interior cearense, no entanto, que o personagem tem a chance trazer de volta a magia da sétima arte – já que lá, o cinema é uma lenda para o público.

Seria demasiada injustiça atribuir uma nota baixa para Cine Holliúdy. Costumo sempre dizer que há duas formas de se avaliar um filme: como obra de arte e como entretenimento. Avaliar Cine Holliúdy como obra de arte (como produto de “cinema”, digamos) é chover no molhado: o filme é abertamente brega. Não tem grandes elementos “técnicos” que justifiquem uma boa nota. Seja no figurino, nos cenários, na trilha sonora (que contém nomes como Fernando Mendes e Odair José, só para ter noção…) ou mesmo na composição de suas personagens, o longa tem um tom assumidamente brega, caricato – recorrendo totalmente à cultura local para fazer piada com aquele que seria seu público alvo.

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No entanto, se analisarmos Cine Holliúdy como entretenimento, chegaremos à uma conclusão fatídica: o filme funciona – e funciona bem. É uma das poucas comédias onde o espectador tem a possibilidade de não parar de rir em nenhum instante. Cine Holliúdy é um filme divertido e faz com que o espectador deixe a sala de cinema se sentindo bem. Boa parte deste mérito se deve ao protagonista da história, interpretado pelo ator Edmilson Filho – que rouba a cena a cada aparição. Com muito talento, o ator consegue criar um personagem carismático que deixa as cenas muito mais amistosas. Aliás, Francisgleydisson é um dos poucos personagens “bons”, em uma história recheada de tipos estereotipados e atores não muito competentes (Mirian Freeland, por exemplo, carrega na voz um pouco de seu sotaque carioca).

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Com piadas que são claramente derivadas de quadros e esquetes de programas de humor do tipo A Praça é Nossa ou Zorra Total (mas muito mais melhoradas), Cine Holliúdy serve bem como passatempo e promove alguns bons momentos de risadas. Com a pretensão de ser uma homenagem à sétima arte (Dilma Roussef, veja você, disse que o filme seria nosso Cinema Paradiso – o que é um insulto à obra de Giuseppe Tornatore…), a trama se perde em alguns momentos quando sai da linha do humor e tenta dar uma carga um pouco mais “dramática”. No entanto, o longa se destaca por trazer aquele ar inocente e maroto que tanto estava faltando para nossas falidas comédias (afinal, se eu quero ver artistas de stand-ups eu vou a um show de stand-up, certo?). Para fazer rir, Cine Holliúdy cumpre seu papel, ainda que com todas as deficiências que fazem com o que filme divirta, mas não apaixone.

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