Cinema Arte Versus Cinema Entretenimento: A Análise de um Filme

Algumas pessoas já me questionaram quais são os critérios que eu levo em consideração quando avalio um filme. Confesso que essa tarefa de “analisar um filme”, para mim, é um pouco constrangedora até. Cinema é uma arte tão rica e complexa que me sinto deveras intimidado ao ter que atribuir uma nota a uma determinada produção ou classificar o trabalho de um cineasta. Mas eu acredito firmemente nisso: toda crítica está embasada em dois referenciais.

Tenho uma teoria (se é que é uma teoria, ou se é que alguém já não falou sobre isso antes) segundo a qual há duas formas básicas de se analisar um longa-metragem. Podemos analisar um filme como obra de arte e como obra de entretenimento. São duas diretrizes que podem parecer semelhantes, mas são bem distintas e cruciais (ao menos para mim) para se dizer se um filme é bom ou não. Por esta razão, esses dois aspectos devem ser manipulados separadamente quando estamos analisando uma produção – ainda que seja uma missão difícil, já que em muitas ocasiões somos levados mais por um aspecto do que pelo outro.

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Quando digo que é possível analisar um filme como “obra de arte”, me refiro aqui, sobretudo, aos elementos técnicos (e teóricos, por que não dizer?) da própria arte do cinema. Quando assisto a um filme como “arte”, eu estou avaliando aqui as qualidades técnicas que tornam o filme BOM ou RUIM, do ponto de vista de cinema. Aqui, são analisados aspectos como roteiro, figurino, fotografia, edição, trilha sonora e outros pontos que são essenciais na produção. Por este motivo, é comum (ou pelo menos saudável) que aja um consenso único sobre o longa. Em outras palavras, a técnica é boa ou não. Aqui, ao menos para quem entende de cinema, o veredito é quase uma unanimidade.

Por outro lado, analisar um filme como produto de “entretenimento” é uma tarefa muito mais subjetiva e pessoal. Aqui, eu simplesmente aponto uma pergunta essencial que deve ser respondida: esse filme me agrada? Ponto, simples assim. Aqui, é onde existe (provavelmente) a interação imediata com o público: o quanto esse trabalho me agrada, o quanto essa história mexe comigo e me transforma. Logo, é comum que as opiniões sejam divergentes – e não há certo ou errado. Há argumentos, visões e sentimentos que se manifestam de acordo com o momento de cada espectador.

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Pode parecer um pouco confuso a princípio, mas repare como é comum nas premiações de cinema o público sempre questionar os grandes vencedores. Isso geralmente acontece porque as organizações de cinema geralmente costumam avaliar suas produções pelo aspecto técnico – e pouco sobre a base do entretenimento. Eu não encontro um trabalho recente mais perfeito para exemplificar esta teoria do que The King’s Speech (O Discurso do Rei, 2010). O filme de Tom Hooper é, tecnicamente, perfeito. Tudo se encaixa com uma maestria. Da trilha sonora bem executada às atuações de um elenco inspirado, tudo contribui para fazer um produção excelente – que faturou o prêmio Oscar de melhor filme naquele ano. No entanto, The King’s Speech é um filme que pouco provoca o espectador, que pouco o envolve e pouco se faz envolver. Ganhou a estatueta desbancando, entre outros, Black Swan – uma obra muito mais envolvente e popular. Black Swan é um clássico moderno, enquanto o longa de Tom Hooper é apático e pouca gente reconhece – apesar do excelente apelo técnico.

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Essa teoria fica muito clara ainda quando analisamos produções mais populares. Geralmente, as grandes premiações costumam esnobar filmes com maior apelo popular. O Oscar de melhor ator passou longe das mãos de Johnny Depp quando, em 2004, o ator recebeu uma indicação ao prêmio de melhor ator por seu icônico Jack Sparrow. Não vou questionar se merecia ou não tirar o prêmio de Sean Penn (por sua atuação em Mystic River), mas o ator fez um trabalho notável. Você, leitor, se lembra do personagem de Penn?

Quando falamos ainda de cinema como entretenimento, mais uma pergunta se faz necessária: qual é o propósito do filme? Afinal, analisar uma comédia é totalmente diferente do que analisar um drama, por exemplo. Cada película tem um propósito: fazer rir, fazer chorar, contar uma história, assustar, enfim… Se uma comédia me faz rir, eu digo sem problemas que é uma boa comédia e cumpriu seu propósito. Ponto. Não vou aqui analisar se a fotografia estava boa ou se a edição foi perfeita – não é o propósito do filme. Cumpriu seu papel? Beleza, é isso que importa. A técnica funcionou? Aí é outra história. Exemplo recente é o longa de Robert Rodriguez Machete. O filme é tão ruim que chega a doer nos olhos. Mas é exatamente por isso (por ser tão ruim em praticamente todos os aspectos técnicos – obviamente isso é proposital) que a história é uma delícia de se assistir, porque não há nenhum compromisso com a arte – simplesmente vamos chegar na tela e botar pra f****.

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Como mencionei, essas duas análises não são as mesmas e costumam gerar resultados diferentes de crítico para crítico. Este dia me peguei discutindo com um amigo do site sobre um filme de Gus Van Sant que eu particularmente acho chatíssimo – enquanto meu colega tecia elogios a uma história que sai do nada e chega a lugar nenhum. Normal. Com pontos de vista distintos, nada mais natural que as opiniões sejam distintas também. Porém, acho que o trabalho de uma boa crítica é propiciar ao espectador a oportunidade de se observar os pontos fracos e fortes dos aspectos técnicos de uma produção e proporcionar, ainda, um momento de reflexão sobre o quanto aquele produto mexeu com ele. Tarefa difícil? Sempre, afinal inconsciente acabamos nos deixando envolver por um ou outro aspecto que favoreça nossas opiniões. O importante é deixar que o espectador seja livre para criar suas próprias impressões sobre aquele trabalho, sem levantar debates infundados quanto à qualidade de uma obra e, principalmente, sobre a opinião de quem assiste.

Por Que Eu Não Gosto de Cinema em 3D

Nesta semana, finalmente assisti Gravidade – em 3D, numa sessão de quinta-feira, não muito vazia e em um shopping bem movimentado da capital paulista. Confesso que resisti um pouco no começo – mas como as críticas eram favoráveis (tanto ao filme quanto à atuação da Bullock, por quem eu não morro de paixões…), decidi ceder e conferir a produção de Alfonso Cuarón. Surpresa: gostei por completo. Mas mesmo assim, tenho que confessar: assistir Gravidade só me fez ter mais certeza de que eu realmente não curto cinema em 3D.

Bom, vou refazer minha frase: eu não sou fã de filme em 3D ou qualquer outro tipo que use muita tecnologia para recriar uma história. Confesso que isso é uma questão pessoal. Eu sou uma pessoa chata, não costumo gostar das coisas que a maioria das pessoas gosta e tenho certa predileção por tudo aquilo que é estranho. Fujo dos blockbusters norte-americanos e caio de amores pelos dramalhões europeus. Logo, não seria muita surpresa se eu saísse do cinema soltando os cachorros. Já saí de sessões no meio de produções de sucesso por não suportar as imagens e todo o resto. Mas se você está pensando que eu sou um intelectual metido a besta, vou dar aqui minhas razões.

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Cinema é uma arte visual? Sim, mas não apenas isso. É um conjunto, é uniforme. Aí reside o problema em longas com muitos efeitos especiais: a atenção fica voltada – muitas vezes – simplesmente a esses aspectos técnicos e elementos essenciais de um bom filme (roteiro, desenvolvimento de personagens, diálogos) acabam sendo deixados de lado. Ou seja, se gasta muito tempo – e dinheiro – em efeitos especiais mirabolantes e o filme em si, cadê? Uso sempre o exemplo de Jurassic Park. Na época, Spielberg gastou milhões de dólares em computação gráfica – para criar pouco mais de quinze minutos de dinossauro na tela. Solte o cronômetro e confira. Quinze minutos! E para ver apenas quinze minutos de répteis, o espectador é obrigado a engolir quase 2 horas de um produto bem mediano.

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Efeitos e computação gráfica não compensam boas histórias e tramas. Talvez seja clichê falar isso, mas é realidade. O filme pode ter técnica apurada – mas não é apenas isso que faz uma grande produção. Não é só de imagem que o cinema sobrevive, mas sim de seu conteúdo. Gravidade mesmo: enche os olhos dos espectadores com belas imagens, mas eu saí do cinema com aquela sensação de “okay, entendi, mas… e aí?”. E quando a película é rodada em 3D eu fico ainda mais irritado. A grande massa não sabe diferenciar conceitos. Pegue o sucesso Os Vingadores. Milhões arrecadados ao redor do mundo – “a melhor adaptação de heróis no cinema”, alguns diziam. Mas os milhões arrecadados se devem, não podemos esquecer, às milhares de sessões em 3D – cujo ingresso custa, em média, duas vezes mais do que as sessões convencionais. Os Vingadores é ruim? Não, mas são duas horas de lutas e mais lutas, vilões, mocinhos, explosões… tudo o que agrada aos olhos, mas e o coração? Alice no País das Maravilhas, de Tim Burton, é outro exemplo: uma das maiores bilheterias mundiais e ao mesmo tempo um dos filmes com menor avaliação da carreira do cineasta.

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“Você é um chato mesmo!”, vão dizer alguns. “Imagem é tudo e é a base da arte do cinema.”, vão dizer outros. Eu concordo. Mas o conjunto é importante. O roteiro tem que estar amarrado, o elenco em sintonia, o som condizente com a imagem, tudo tem que estar alinhadinho – e não apenas computação gráfica. As duas coisas precisam caminhar ali, lado a lado. É possível? Sim. Ficaria aqui dando vários exemplos de produções bem sucedidas nesse aspecto. A trilogia Batman de Nolan é um caso bem atual. A saga O Senhor dos Anéis é outra que consegue unir bem esses dois conceitos. E o nosso velho Cameron com Titanic e Avatar? Tem como não amar?

Sou a favor do uso de tecnologia no cinema. Só penso que ela não pode se sobrepor a aquilo que realmente é a essência dessa arte. Se usada de forma correta, ela contribui muito dentro da obra. Do contrário, pode até atrapalhar. Compare os efeitos especiais da primeira trilogia Star Wars com a segunda. Quero ver quem é macho suficiente para dizer que prefere os primeiros episódios ao invés dos clássicos de George Lucas. Em Episodio II – O Ataque dos Clones, o uso de CG é tão pífio que dói nos olhos. Em uma determinada cena, Anakin e Amidala estão tendo momentos românticos em um campo aberto, em uma cena totalmente externa – que destoa de todo o restante da fita. Juro que quando assisti pela primeira vez, eu interrompi a projeção e fui beber água porque não aguentei ver aquilo. Era uma única cena “bonita”, “natural”, dentro de um filme recheado de computação gráfica.

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Até as atuações costumam ser ofuscadas. Eu admiro os atores que fazem esse tipo de filme porque deve ser uma agonia. Eu sou incapaz de demonstrar sentimentos em minhas relações, daí fico imaginando como deve ser atuar diante de uma tela verde. E tem gente que até consegue se sair bem. Olha aí a Sandra Bullock – provavelmente vai receber indicação ao Oscar no ano que vem. Lembra da Helena Bonham Carter como a Rainha Vermelha no país das maravilhas de Burton? Como não rir com seus gritos e suas caras tresloucadas (apesar que estamos falando da Helena, que é um caso a parte…)? E os rostos inocentes das crianças que Scorsese escolheu para protagonizar A Invenção de Hugo Cabret (que aliás, ganhou 5 Oscars – praticamente em todos as categorias técnicas)?

Apenas quero dizer com este texto que cinema é arte para os olhos, ouvidos e coração. Usar tecnologia é essencial – e ela está aí para ser usada mesmo. E o bacana é saber que a cada dia a coisa vai ficando mais sofisticada e as técnicas vão melhorando, contribuindo ainda mais para que os artistas mais geniais possam reconstruir o universo que tem em mente e só o cinema é capaz de reproduzir. O que não pode acontecer – e isso é triste, pois percebemos que Hollywood cada vez mais investe nisso – é deixar que a tecnologia seja mais importante no filme do que os próprios conceitos que fazem do cinema essa arte tão apreciada. É bacana ver uma explosão em 3D? É legal ver heróis combatendo as forças do mal com seus poderes fenomenais? É excitante ver uma perseguição de carros em uma avenida repleta de pedestres? Sim, tudo isso é legal. Mas tem que ter conteúdo. Imagem por imagem, desculpe, eu fico com a vida real. É muito mais empolgante.

Johnny Depp: Mil Faces em 50 anos

Ele é bonito, charmoso, rico e tem presença. Toca guitarra e já pegou Winona Ryder e Kate Moss. Já foi eleito o homem mais sexy do mundo diversas vezes. Dizem as más línguas que ele já presenteou uma de suas namoradas com uma ilha.  Ele tem tatuagens fodas. É amigo de Al Pacino, Leonardo DiCaprio e Marlon Brando. Já até rejeitou o papel principal em Titanic. Nem a Desciclopédia foi capaz de zoar o cara. Além de tudo isso, tem um currículo que impressiona por sua versatilidade e irreverência. Ah, e claro: é um grande ator. E nem continue este texto se você pensar o contrário, está bem?

johnnyEstamos falando dele: Johnny Depp, que hoje, 9 de junho, completa 50 anos. Pois é, a vida passa, os anos voam e o um dos artistas mais queridos da atualidade se torna um dos cinquentões mais famosos do cinema. Conhecido por  interpretar personagens excêntricos – se transformando em um camaleão ambulante -, Depp decidiu ainda cedo que queria ser guitarrista. Por sorte, conheceu no início da década de 80 o ator Nicolas Cage, que conseguiu um teste para aquele que seria seu primeiro longa-metragem, A Hora do Pesadelo. No final da década, Depp já era ídolo do público juvenil e símbolo sexual norte-americano graças a seu personagem na série 21 Jump Street (que chegou ao país com o péssimo título de Anjos da Lei). Desde então, foi um sucesso atrás do outro – e hoje, reconhecidamente, Johnny Depp é hoje um dos maiores atores de sua geração.

Nosso Número 01!

Nosso Número 01!

E é pra comemorar esta data que é pra lá de especial (afinal, eu já assumi em diversas ocasiões que Sir Depp é meu ator favorito), vamos fazer uma lista com alguns personagens mais memoráveis de Johnny:

Edward (Edward Mãos de Tesoura, 1990)
Primeira parceria com Tim Burton, Edward Mãos de Tesoura é o trabalho que apresentou Depp ao mundo. Aqui, ele interpreta um ser criado por um inventor que falece antes de terminar sua obra, deixando a pobre criatura sozinha e com tesouras no lugar das mãos. Uma das tramas mais sensíveis e poéticas de Burton, o filme se tornou um clássico instantâneo.

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Edward Davis Wood Junior (Ed Wood, 1994)
Quatro anos após Edward Mãos de Tesoura, Johnny Depp retorna à sua parceria com Tim Burton no longa Ed Wood, que retrata a vida do artista homônimo considerado “o pior diretor de todos os tempos”. Rodado em preto e branco e baseado na obra de Rudolph Grey, o filme traz Johnny Depp contracenando com Martin Landau, que no papel do famoso Bela Lugosi, faturou o Oscar de melhor coadjuvante. Ah, Johnny se traveste! Confira:

wood
John Wilmot (O Libertino, 2004)
Neste longa de Laurence Dunmore, Johnny Depp é John Wilmot, o segundo Conde de Rochester, famoso na corte de Charles II, na Inglaterra, durante o século XVII. Na história, John é um poeta libertino e inveterado  boêmio, que desafiou a corte de seu rei e se tornou uma lenda no seu tempo. Apesar do filme não ter decolado, certamente traz uma das melhores atuações de Depp em toda sua carreira. Só o prólogo já vale por todo o restante.


Willy Wonca(A Fantástica Fábrica de Chocolate, 2005)

Parece que Burton adora ver Depp em tipos caricatos. Não à toa, Depp caiu como uma luva no papel do maluco Willy Wonca (personagem que já havia sido vivido por Gene Wilder na primeira versão da adaptação do livro de Roald Dahl), dono da fábrica de chocolates mais amada do cinema. Inspirando-se abertamente no ícone pop Michael Jackson (nas vestes, gestos e excentricidade), Depp recebeu uma indicação ao Globo de Ouro na categoria de melhor ator de comédia/musical.

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Jack Sparrow (Saga Piratas do Caribe, 2003-2011)
Mesmo que você fosse um alienígena, você não conseguiria viver nesta galáxia sem conhecer Jack Sparrow, personagem icônico da saga Piratas do Caribe – aliás, Jack é a própria saga, diga-se de passagem. Com Jack Sparrow, Depp conseguiu sua primeira indicação ao Oscar, em 2003. Também conseguiu voltar aos holofotes hollywoodianos, se tornando um dos atores mais bem pagos da história.

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TAMBÉM MERECE SER VISTO…

Com a quantidade de filmes e personagens que Depp já fez, é difícil chegar a um consenso sobre os melhores. Por isso, segue abaixo alguns dos outros filmes do cinquentão que devem ser assistidos:

>>> Cry-Baby (John Waters, 1990)

Johnny faz o papel de um adolescente rebelde na cidade de Baltimore, neste delicioso musical do polêmico John Waters.

Johnny faz o papel de um adolescente rebelde na cidade de Baltimore, neste delicioso musical do polêmico John Waters.

>>> Benny e Joon – Corações em Conflito (Jeremiah S. Chechik, 1993)

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Depp interpreta Sam, um jovem que passa o tempo inteiro imitando Buster Keaton e Charles Chaplin.

>>> O Bravo (Johnny Depp, 1997)

Primeira incursão de Depp na direção,

Primeira incursão de Depp na direção, “O Bravo” conta a história de um índio cherokee que sacrifica a própria vida dar melhores condições à sua família. Com o amigo Marlon Brando no elenco, o filme foi indicado ao Palma de Ouro no Festival de Cannes, em 1997.

>>> A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça (Tim Burton, 1999)

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Mais uma parceria com Tim Burton, nesse longa Johnny vive um policial que viaja para uma cidade do interior para solucionar os crimes cometidos por um indivíduo de outro mundo.

>>> Em Busca da Terra do Nunca (Marc Forster, 2004)

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Filme que rendeu a segunda indicação ao Oscar de melhor ator para Depp. No longa, ele interpreta o criador do personagem Peter Pan e o processo que desenvolveu um dos personagens infantis mais famosos.

>>> Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet (Tim Burton, 2007)

Terceira indicação de Depp ao Oscar de melhor ator e mais uma parceria com Burton. Na trama, ele vive um barbeiro que retorna à Londres para se vingar daqueles que o fizeram ficar aprisionado durante 15 anos.

Terceira indicação de Depp ao Oscar de melhor ator e mais uma parceria com Burton. Na trama, ele vive um barbeiro que retorna à Londres para se vingar daqueles que o fizeram ficar aprisionado durante 15 anos.

Oscar 2012: Resumão

A 84ª edição do Oscar foi celebrada neste domingo (26) no Hollywood & Highland Center, em Los Angeles e, como nas edições anteriores, a noite foi marcada por muito glamour, requinte e sofisticação. E, obviamente, muitos comentários a respeito dos vencedores da premiação. Enquanto algumas pessoas torciam o nariz para os premiados, outras aplaudiam as escolhas da Academia e criavam justificativas para os prêmios de seus indicados favoritos. E – como também foi feito no ano passado – vamos dar uma repassada nos melhores momentos da festa mais importante do cinema.

Na foto, o Kodak Theatre, que serviu de palco para a maior premiação do cinema mundial.

Quem abriu a noite foi Morgan Freeman, seguido por Billy Crystal – o veterano apresentador do Oscar – que, pra variar, fez sua famosa paródia dos principais filmes. Aliás, foi revigorante ver Billy de volta à apresentação do Oscar depois do fiasco de 2011, onde Anne Hathaway e James Franco protagonizaram uma das piores performances de todos os tempos da Academia.

Tom Hanks subiu ao palco para apresentar o primeiro premio da noite e entregou o Oscar de melhor fotografia para A Invenção de Hugo Cabret, que também faturou o Oscar de melhor direção de arte. Já as musas Cameron Diaz e Jennifer Lopez apresentaram o prêmio de melhor figurino e melhor maquiagem, que ficaram, respectivamente, com o mudo O Artista e A Dama de Ferro.

Lindas, Jennifer Lopez e Cameron Diaz não pouparam caras e bocas para apresentar os prêmios de melhor figurino e melhor maquiagem.

Sandra Bullock entregou o prêmio de melhor filme em língua estrangeira ao iraniano A Separação. Cristian Bale, que no ano anterior ganhou o prêmio de melhor ator coadjuvante em O Vencedor, entregou a Octavia Spencer o prêmio de melhor atriz coadjuvante por sua atuação em Histórias Cruzadas. Aplaudida de pé, Octavia claramente mostrava sua emoção ao receber a estatueta.

Visivelmente emocionada, Octavia faturou o Oscar de melhor atriz coadjuvante.

Millenium – Os Homens Que Não Amavam as Mulheres levou seu único prêmio da noite, com o Oscar de melhor montagem, o que não deixou de ser uma surpresa para o público. Os prêmios técnicos de som (melhor edição e mixagem) ficaram com A Invenção de Hugo Cabret – o que foi merecido, devido à qualidade técnica da obra de Scorsese.

Uma das apresentações da noite ficou por conta do Cirque Du Soleil, que trouxe ao palco um pouco da magia de ir ao cinema e de apreciar essa arte. Gore Verbinski, que dirigiu os três primeiros filmes da saga Piratas do Caribe, conseguiu uma estatueta com o prêmio de melhor animação para Rango (obviamente, não deixou de agradecer seu Johnny Depp impecável na dublagem do personagem título).

“Rango” faturou a estatueta de melhor animação. Nada de Tintin.

Ben Stiller e Emma Stone (a atual namorada de Andrew Garfield, estonteante em seu lindo vestido vermelho – e muito mais alta do que de costume) entregaram o Oscar de efeitos visuais para A Invenção de Hugo Cabret. Já o prêmio de melhor ator coadjuvante ficou para Christopher Plummer – aos 82 anos de idade, se tornando, assim, o ator mais velho a ganhar um Oscar. Se muita gente adorou a vitória de Plummer, houve quem preferisse Max Von Sidow por sua atuação em Tão Forte e Tão Perto.

“O Andrew é um cara de sorte…” – único pensamento ao ver a Emma Stone, certo?

Ludovic Bource ganhou o Oscar de melhor trilha sonora original por O Artista (trilha sonora que, em se tratando de cinema mudo, é essencial), enquanto o prêmio de melhor canção original ficou com Mano or Muppet, de Os Muppets – contrariando os fãs brasileiros que torciam por Carlinhos Brown e Sergio Mendes com sua Real In Rio, da animação Rio.

A linda Angelina Jolie (cujas pernas à mostra se tornaram um dos principais assuntos nas redes sociais) entregou o prêmio de melhor roteiro adaptado para os roteiristas de Os Descendentes, o mais provável da noite. A esposa de Brad Pitt também entregou a estatueta de melhor roteiro original para o ausente Woody Allen, por sua maior bilheteria, Meia Noite em Paris. Woody, um dos queridinhos da Academia, no entanto, perdeu o prêmio de melhor diretor para o francês Michel Hazanavicius, que recebeu das mãos de Michael Douglas a estatueta por seu trabalho em O Artista.

Repare na fenda do vestido – se você conseguir. Sem mais comentários.

Ao som de What a Wonderful World, uma homenagem foi feita a alguns nomes famosos do cinema como Elizabeth Taylor, Whitney Houston e Steve Jobs, que nos deixaram recentemente. A bela Natalie Portman, vencedora do Oscar de melhor atriz em 2011 por sua atuação em Cisne Negro, entregou o prêmio de melhor ator para Jean Dujardin, por seu personagem em O Artista. O vencedor do Oscar de melhor ator em 2011, Colin Firth, não poupou palavras para elogiar as indicadas à melhor atriz, mas quem levou a melhor foi Meryl Streep, que conquistou seu terceiro prêmio – ao longo de dezessete indicações durante sua carreira, um recorde na Academia – com sua personagem em A Dama de Ferro.

Meryl Streep e Jean Dujardin, as melhores atuações do ano.

Já prêmio mais importante da noite, melhor filme, ficou para o mais provável O Artista, desbancando Scorsese com sua declaração de amor pessoal ao cinema e Terrence Malick com sua obra-prima A Árvore da Vida – único filme que foi ovacionado durante as indicações. O Artista, que parece ter agradado também o público brasileiro, é o primeira produção em língua não-inglesa a ganhar este prêmio e o primeiro filme mudo a ganhar o Oscar em 83 anos de premiação.

“O Artista” empata com “A Invenção de Hugo Cabret”, levando 5 estatuetas e desbanca as obras de Martin Scorsese, Woody Allen e Terrence Malick.


INJUSTIÇADOS?
Se teve gente que ficou feliz com as premiações, houve quem as contestasse – assim como o foram com as indicações. A Invenção de Hugo Cabret e O Artista ganharam 5 Oscars cada um. Enquanto o primeiro faturou em prêmios técnicos, o segundo faturou as principais categorias (como melhor ator, melhor diretor e melhor filme). Houve também quem questionasse a não premiação de A Árvore da Vida para melhor filme, George Clooney por sua atuação em Os Descendentes ou mesmo Gleen Close ou Viola Davis para melhor atriz. Já o Brasil – contra um único concorrente em melhor canção original, com Real in Rio, do filme Rio – mais uma vez deixa o Oscar escapar de suas mãos.

George Clooney, em “Os Descendentes”; Gleen Close (irreconhecíve) em “Albert Nobbs”; e Brad Pitt em “A Árvore da Vida”: afinal, mereciam ou não?

Também questionou-se muito algumas indicações que não foram feitas. Leonardo DiCaprio, por exemplo, era um dos favoritos para melhor ator por seu John Edgar no filme de Clint Eastwood (que também ficou de fora das indicações para melhor direção). Já Sandra Bullock e Charlize Theron poderiam concorrer ao prêmio de melhor atriz, por seus belos personagens em Tão Perto e Tão Longe e Jovens Adultos. O polêmico Roman Polanski ficou de fora com seu filme Carnage, assim como Jodie Foster, que teve para muitos uma das melhores atuações de sua carreira. Já o filme de Steven Spielberg, As Aventuras de Tintim: O Segredo do Licorne e o badaladíssimo Rio foram ignorados para as indicações de melhor animação.

Leonardo DiCaprio, em “J. Edgar”; Sandra Bullock em “Tão Forte e Tão Perto”; e “As Aventuras de Tintin”: teve coisa boa que ficou de fora…

PREMIADOS DA NOITE

MELHOR FOTOGRAFIA: A Invenção de Hugo Cabret
MELHOR DIREÇÃO DE ARTE: A Invenção de Hugo Cabret
MELHOR FIGURINO: O Artista
MELHOR MAQUIAGEM: A Dama de Ferro
MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA: A Separação
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Octavia Spencer (Histórias Cruzadas)
MELHOR MONTAGEM: Millenium – Os Homens Que Não Amavam as Mulheres
MELHOR EDIÇÃO DE SOM: A Invenção de Hugo Cabret
MELHOR MIXAGEM DE SOM: A Invenção de Hugo Cabret
MELHOR DOCUMENTÁRIO: Undefeated
MELHOR ANIMAÇÃO: Rango
EFEITOS VISUAIS: A Invenção de Hugo Cabret
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Christopher Plummer (Toda Forma de Amor)
MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL: O Artista
MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: Man or Muppet (Os Muppets)
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: Os Descendentes
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: Meia Noite em Paris
MELHOR CURTA-METRAGEM: The Shore
MELHOR DOCUMENTÁRIO DE CURTA-METRAGEM: Saving Face
MELHOR CURTA ANIMADO: The Fantastic Flying Books of Mister Morris Lessmore
MELHOR DIREÇÃO: Michel Hazanavicius (O Artista)
MELHOR ATOR: Jean Dujardin (O Artista)
MELHOR ATRIZ: Meryl Streep (A Dama de Ferro)
MELHOR FILME: O Artista

As Novas Caras do Cinema

O cinema é uma arte em constante mutação. Ao longo de toda sua trajetória, as mudanças sofridas nesse espaço são visíveis aos olhos dos telespectadores mais atentos. A indústria hollywoodiana ainda ostenta todo glamour que sempre lhe foi particular, mas temos que admitir que certas alterações saltam à vista dos cinéfilos de plantão. E isso também se reflete no time de astros e estrelas de cinema que todos nós amamos – e que estão com a bola toda.

Listei, a seguir, alguns atores e atrizes dessa nova geração de artistas do cinema que estão em evidência e tem tudo para se tornar grandes nomes dessa arte. Tudo bem, você dificilmente poderá enxergar um futuro Vincent Price, Martin Landau ou Marlon Brando, ou mesmo uma Julie Andrews ou Elizabeth Taylor. Mas esteja certo: esses nomes tem tudo para ser a aposta dessa nova geração.

1. Kirsten Dunst
Ela era a namorada do Peter Parker nos últimos filmes do Homem-Aranha, mas já havia sido elogiada por sua atuação em Entrevista com o Vampiro. Mais recentemente, é possível conferir a força da atuação de Kirsten em Tudo Acontece em Elizabethtown, onde ela contracena ao lado de Orlando Bloom.

Kirsten Dunst já mostrou seu talento ao lado de Tobey Maguire, Tom Cruise e Orlando Bloom.

2. Zac Efron
Ninguém imaginava que o ex-colegial de High School Musical pudesse ter algum talento. Mas não é que o guri provou o contrário? Zac arrancou boas críticas ao atuar em 17 Outra Vez e A Morte e Vida de Charlie, se tornando uma das maiores surpresas da Disney nos últimos anos. Será que o garoto irá fazer mais um novo musical? Bom, contanto que não seja uma sequencia da série Disney, tudo bem…

Da Disney para o mundo, Zac provou que sabe muito mais do que bater uma bola de basquete e cantar…

3. Heath Ledger
Okay, ele não poderá mais ser um dos maiores nomes do cinema mundial. Mas ele teria tudo pra ser, caso ainda estivesse vivo. Quando faleceu, em 2008, aos 28 anos de idade, Heath havia terminado de gravar Batman – O Cavaleiro das Trevas, onde interpretou o vilão Coringa – e arracou elogios da imprensa. O jovem foi encontrado morto em seu apartamento, quando ainda participava das gravações do filme O Mundo Imaginário do Doutor Parnassus. O roteiro do longa foi modificado, de maneira que a personagem de Heath fosse substituída parcialmente por outros atores.

O falecido Heath Ledger – reconhecimento póstumo e em vida merecidíssimos.

4. Natalie Portman
Tudo bem, ela não é cara tão nova assim nas telonas. Mas vale a pena destacar a linda Natalie, vencedora do Oscar de Melhor Atriz em 2011 por sua atuação no sensacional Cisne Negro. Natalie sempre trabalhou em filmes pouco badalados até que despontou para o mundo em Closer Perto Demais. Resta saber se, após a premiação de 2011, Natalie continuará sendo a talentosa atriz que tem sido até aqui.

A vencedora do Oscar 2011 e futura mamãe Natalie Portman.

5. Jesse Eisenberg
Ele não era conhecido até interpretar o polêmico Mark Zuckerberg, fundador (?) da rede Facebook, no filme A Rede Social (d0 qual eu sou um profundo crítico). Impressiona a maneira como a mídia se refere a ele como uma das maiores promessas do cinema atual. Particularmente, acho que ele precisará de mais algumas produções para poder comprovar seu talento e fincar seu posto em Hollywood. Mas a julgar pela paixão das fãs, Jesse já tem um lugarzinho lá…

Jesse – será que ele poderá provar seu talento quando a onda de “A Rede Social” passar de vez?

6. Orlando Bloom
O mais novo papai da área participou das trilogias O Senhor dos Anéis e Piratas do Caribe, onde interpretou o destemido Will Turner. Tamanho foi o sucesso do ator britânico que ele engrenou outras produções posteriormente, como os épicos Tróia e Cruzada, e o já citado Tudo Acontece em Elizabethtown.

O mais novo papai de Hollywood está meio sumido, mas é considerado um dos talentos masculinos mais promissores de sua geração.

7. Emma Watson
Nascida na França, Emma ficou conhecida ao interpretar a personagem Hermione na saga Harry Potter. Como modelo, fez propaganda da marca Burberry – fazendo com que a grife atingisse um público mais jovem. A jovem atriz cresceu junto com a história que encantou adolescentes no mundo todo – e muitos apostam em sua carreira como uma das mais promissoras.

Emma Watson agradou aos adolescentes ao viver Hermione. O que será da atriz com o final da saga Harry Potter?

8.Anne Hathaway
Anne é uma das minhas prediletas. Quando ela estreou em O Diário de Princesa, ninguém dava nada para a bela atriz; mas ela mostrou que era bem mais do que um rosto (muito) bonito. Mostrou seu talento em trabalhos como O Segredo de Brokeback Mountain, Alice no País das Maravilhas e será a nova Mulher-Gato dos cinemas. PS.: quando apresentou a cerimônia de entrega do Oscar 2011, sir Kirk Douglas não poupou na língua pra elogiar a atriz: “Anne, onde você estava quando eu fazia cinema?”. Nem quero imaginar…

Bela, Anne apresentou a cerimônia do Oscar 2011 ao lado de James Franco.

9. Andrew Garfield
Ah, o Andrew… Confesso que, das figuras masculinas, ele é o meu preferido. O trabalho dele pode ser conferido em O Mundo Imaginário do Doutor Parnassus (onde ele atua ao lado de Johnny Depp e Heath Ledger) e também em A Rede Social, entre outros. Talentoso, simpático e com um futuro promissor em Hollywood, o rapaz foi escolhido para substituir Tobey Maguire no papel do próximo Homem-Aranha. Ótima escolha: um motivo a mais para ir ao cinema e acompanhar a história do herói…

O talento de Andrew já foi explorado pelo famoso cineasta Terry Gilliam. Na imagem abaixo, primeira imagem divulgada do ator como o protagonista de Homem Aranha.

10. Mia Wasikowska
Quando Mia foi anunciada como a Alice do filme de Tim Burton, os fãs do cineasta caíram matando. Quando o filme saiu, os fãs confirmaram o que antes era só especulação: a escolha não foi muito feliz. De fato, a australiana Mia Wasikowska não teve uma excelente atuação no filme. Mas a jovem é carismática e foi, inclusive, considerada uma das 100 pessoas mais influentes do mundo na última lista da revista Time. Pois é, se a carreira de atriz não der certo…

A jovem atriz Mia Wasikowska – fale rapidamente o nome dela!

As Adaptações que Todos Amam

Criatividade não é para todos. Criar um bom texto, uma história envolvente ou um enredo atraente é uma tarefa difícil nos dias atuais, tamanha a quantidade de obras que nos são apresentadas diariamente.

Por essa razão, muitos diretores buscam adaptar livros de sucesso para as telas do cinema. E essa idéia está em alta nos últimos anos, pois vemos que muitos blockbusters tem sido concebidos a partir de roteiros adaptados (que, inclusive, é categoria do Oscar desde sua primeira edição, em 1929).

No caso do Oscar, especificamente, o prêmio é entregue para o autor de um roteiro adaptado de outra fonte, que pode ser um romance, conto, peça de teatro, musical ou outros. É um dos prêmios principais da cerimônia, junto com melhor filme, diretor e roteiro original.

A aposta em adaptações é simples: é muito mais fácil dar um toque particular a uma obra já consagrada do que criar algo novo que seja realmente bom. Além disso, a história, geralmente, já é bem conhecida do público, o que facilita na hora da promoção do filme.

Listei, a seguir, alguns livros que foram adaptados para o cinema. Algumas histórias são clássicas; outras são mais recentes – fato que não tira o mérito dos diretores de produzir películas de qualidade (ou não, como você poderá comprovar).

1. Crepúsculo

A saga “Crepúsculo” virou febre. Adaptada da série de romance de Stephenie Meyer, que vendeu milhões de exemplares ao redor do mundo, a sequência conta a história de amor entre a mortal Isabella Swan (interpretada pela insossa Kristen Stewart) e Edward Cullen (o mais insosso ainda Robert Pattinson), que vive uma espécie de vampiro “moderno” – bem diferente do estereótipo de vampiro com o qual estamos acostumados. Sucesso entre os adolescentes, a série estoura nas bilheterias a cada lançamento. Graças a Deus, a saga está para acabar…

Robert e Kristen, o casal #FAIL da saga Crepúsculo.

 

2. O Código Da Vinci

Baseado no polêmico romance de Dan Brown, “O Código Da Vinci” foi um dos filmes mais aguardados de 2006 – e também um dos campeões de bilheteria do ano. Entretanto, nem mesmo a presença do veterano Tom Hanks foi suficiente pra fazer o filme engrenar: o roteiro é cansativo e o filme recebeu inúmeras críticas, sendo até vaiado no Festival de Cannes. Pois é, expectativa demais dá nisso…

Nem Tom Hanks segurou as vaias em Cannes - pois é...

 

3. Alice no País das Maravilhas

A história de Lewis Carroll é clássica. Muitas adaptações foram feitas, tanto no cinema quanto na TV, mas as versões mais bem recebidas pelo público foram a animação de 1951 e, recentemente, a continuação feita pelo mestre Tim Burton, em película tradicional e outras tecnologias – ambas produzidas pela Disney.

Acima, Johnny Depp como Chapeleiro Maluco, na versão de Burton; abaixo, o clássico Disney.

 

4. Harry Potter

O bruxinho criado por J.K. Rowling fez sucesso nas livrarias – e também nas telonas. O jovem Daniel Radcliffe deu vida ao personagem e se tornou um dos ídolos teen mais amados nos últimos anos. Os filmes, muito bem recebidos pelos adolescentes, foram sucessos de bilheterias e fizeram a franquia Harry Potter ser uma das maiores campeãs de faturamento da história.

Harry Potter foi uma das séries de maior sucesso entre os adolescentes nos últimos anos.

 

5. A Rede Social

Vencedor de três premiações no Oscar 2011, “A Rede Social” foi considerado um “clássico moderno” pela Rolling Stones. Mas, na prática, o filme não cumpre tudo o que promete: tem um roteiro fraco e cansativo, atuações não muito convincentes e uma história que ficaria melhor apenas no romance. Definitivamente, não se tem a menor vontade de ler o livro quando se assiste ao filme.

Talvez o livro seja melhor...

 

6. Comer, Rezar, Amar

Julia Roberts, que andava meio sumida dos holofotes de Hollywood, voltou com força total em “Comer, Rezar, Amar”, baseado no livro homônimo de Elizabeth Gilbert. Muitos acreditavam que Julia, com sua atuação, levaria sua segunda estatueta em 2011; frustrando essas expectativas, a atriz não foi sequer indicada. Ao menos, o filme teve uma boa adaptação, condizente com o texto original.

Julia Roberts, em uma de suas melhores atuações com "Comer, Rezar, Amar".

 

7. Romeu e Julieta

Ah, Shakespeare… O dramaturgo inglês escreveu seu clássico mais famoso entre 1591 e 1596. Séculos depois, o cinema produziu diversas adaptações para a história. Entre as mais conhecidas, destacamos a versão de 1996, com Claire Danes e Leonardo DiCaprio protagonizando o jovem casal de amantes, impedidos de assumir um romance por conta da rivalidade entre suas famílias.

DiCaprio e Clare, na versão moderna (e nada convencional) de "Romeu e Julieta" (aqui, Romeu + Julieta).

 

8. Dona Flor e Seus Dois Maridos

Para representar o cinema nacional, vale a pena mencionar “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, inspirado no romance (deliciosamente envolvente) de Jorge Amado. Filmado originalmente em 1976 e dirigido por Bruno Barreto, o filme narra a história de Flor e o vínculo com seu falecido marido Vadinho, que mesmo depois de morto, atormenta Flor em seu novo casamento. Detalhe: “Dona Flor e Seus Dois Maridos” foi, durante muito tempo, o recordista nacional de bilheteria.

José Wilker, Sônia Braga e Mauro Mendonça protagonizaram o trio do romance de Jorge Amado.

 

9. O Fantasma da Ópera

Inspirado no romance francês escrito em 1910 por Gaston Leroux, “O Fantasma da Ópera” foi adaptado diversas vezes para cinema e teatro. A primeira versão cinematográfica data de 1925, com roteiro do próprio Gaston; o sucesso absoluto, entretanto, apareceu com a adaptação da história para o musical da Broadway, por Andrew Lloyd Webber. Em 2004, Gerard Butler interpretou o personagem título na versão para cinema do diretor Joel Schumacher.

Excelente musical, a última versão de "O Fantasma da Ópera" recebeu 3 indicações ao Oscar.

 

10. O Crime do Padre Amaro

Gael Garcia Bernal deu vida, em 2002, ao protagonista deste filme, inspirado livremente na obra de Eça de Queiroz. O filme quase deixou de ser finalizado, devido às reclamações do grupo católico mexicano que pedia o fim do projeto. Se em pleno século XXI a história causou polêmica, você consegue imaginar o bombardeio de críticas e protestos que Eça recebeu no lançamento do livro, em 1875, em Portugal, país que serve de cenário para o romance de Amaro e Amélia?

O filme, inspirado na obra de Eça de Queiroz, foi alvo de muitos protestos no México.

Oscar 2011 – Resumão

Na noite do último domingo (27), aconteceu, no luxuoso Kodak Theatre, em Hollywood, a 83ª festa de cerimônia de entrega do Oscar, prêmio máximo do cinema mundial e uma das premiações mais importantes do mundo da arte.

A apresentação foi comandada pelos novatos Anne Hathaway e James Franco. Anne, superando qualquer expectativa à sua volta, deu uma aula de simpatia e carisma, inclusive ao apresentar um pequeno número musical durante a cerimônia; já James, bom, ele foi suficiente. Mesmo com toda sua beleza, ele não conseguiu ter o mesmo brilho de sua parceira e muito menos do veterano Billy Crystal, que já esteve sete vezes no palco do Kodak e apareceu por lá ontem para nos relembrar a primeira transmissão do Oscar pela TV. Detalhe: Billy foi aplaudido de pé.

Outro veterano que apareceu por lá foi Kirk Douglas, piadista, que soltou um comentário digno sobre Hathaway (“Onde você estava quando eu fazia cinema?”). Kirk arrancou risos da platéia, mas creio que sua apresentação durou um pouco mais do que o desejado – chega, Sir Kirk.

Apesar de ter sido uma cerimônia sem muita ostentação (mesmo com todo o requinte que lhe é peculiar), o Oscar 2011 teve seus pontos altos. Além do que já foi comentado, vale citar a homenagem póstuma feita por Celine Dion, interpretando a comovente “Smile”. Também vale comentar o vídeo com as canções de cinema mais inesquecíveis de todos os tempos, onde temos um Barack Obama relembrando “As Time Goes By”, e também as participações da influente Oprah e do talentoso Kevin Spacey.

Sobre as premiações em si, algumas considerações. Primeiro, os prêmios foram muito bem distribuídos. Na primeira posição, empate para “O Discurso do Rei” e “A Origem”, com quatro estatuetas cada um, seguidos por “A Rede Social”, com três premiações. Depois disso, tivemos um terceiro lugar ocupado por “O Vencedor”, “Toy Story 3” e – inesperadamente – “Alice no País das Maravilhas”.

Alguns prêmios foram discutidos. O primeiro deles foi o de melhor atriz coadjuvante para Melissa Leo, por sua atuação em “O Vencedor”. Apontada como favorita, ela enfureceu os fãs da excêntrica Helena Bohram Carter, que foi espetacular em sua atuação em “O Discurso do Rei” – isso sem mencionar que Helena fez ponta no filme de Burton, como a louca Rainha Vermelha, o que já valeria qualquer premiação que a atriz venha a conquistar daqui pra frente. Cortem a cabeça de quem não escolheu Helena.

Ao lado de “A Origem”, de Christopher Nolan, “O Discurso do Rei” recebeu o maior número de prêmios na noite.

Outro prêmio comentado foi o de melhor trilha sonora original, levados por Trent Reznor e Atticus Ross pelo trabalho em “A Rede Social”, desbancando o veterano Hans Zimmer com “A Origem”. O Brasil não faturou sua estatueta por “Lixo Extraordinário”, perdendo para o documentário “Inside Job” (Trabalho Interno), narrado pelo astro Matt Damon. Randy Newman levou a estatueta de melhor canção original por “We Belong Together”, de “Toy Story 3” – o que evidenciou a falta de boas canções em 2010.

No final, o favoritismo imperou. Natalie Portman, deslumbrante em “Cisne Negro”, faturou o prêmio de melhor atriz, assim como Colin Firth em “O Discurso do Rei” e “Toy Story 3” como melhor animação. Steven Spielberg entregou o Oscar de melhor filme para a equipe de “O Discurso do Rei” – acabando com a lenda de que quem vence a melhor montagem leva melhor filme, que foi o que não aconteceu com o insosso “A Rede Social”. No final, uma apresentação ao som de “Over The Rainbow”, que fechou com a noite brilhantemente.

Confirmando seu favoritismo, Natalie Portman recebeu emocionada o prêmio de melhor atriz por sua atuação em “Cisne Negro”.

Confira a lista completa dos vencedores da maior premiação do cinema mundial:

  1. Melhor Direção de Arte: Alice no País das Maravilhas
  2. Melhor Fotografia: A Origem
  3. Melhor Atriz Coadjuvante: Melissa Leo (O Vencedor)
  4. Melhor Curta de Animação: The Lost Thing
  5. Melhor Longa de Animação: Toy Story 3
  6. Melhor Roteiro Adaptado: A Rede Social
  7. Melhor Roteiro Original: O Discurso do Rei
  8. Melhor Filme em Língua Estrangeira: Em um Mundo Melhor
  9. Melhor Ator Coadjuvante: Christian Bale (O Vencedor)
  10. Melhor Trilha Sonora Original: Trent Reznor e Atticus Ross (A Rede Social)
  11. Melhor Mixagem de Som: A Origem
  12. Melhor Edição de Som: A Origem
  13. Melhor Maquiagem: O Lobisomem
  14. Melhor Figurino: Alice no País das Maravilhas
  15. Melhor Curta Documentário: Strangers no More
  16. Melhor Curta Metragem: God of Love
  17. Melhor Documentário: Inside Job
  18. Melhor Efeitos Visuais: A Origem
  19. Melhor Montagem (edição): A Rede Social
  20. Melhor Canção Original: We Belong Together (Toy Story 3)
  21. Melhor Diretor: Tom Hooper (O Discurso do Rei)
  22. Melhor Atriz: Natalie Portman (Cisne Negro)
  23. Melhor Ator: Colin Firth (O Discurso do Rei)
  24. Melhor Filme: O Discurso do Rei