Erotismo à Flor da Pele de Vênus

Gosto muito de filmes com diálogos rápidos, inteligentes e longas sequências, pois acredito que é justamente ali que um cineasta pode demonstrar ao público uma das habilidades que mais admiro no ofício da direção: dirigir pessoas. Redundante? Talvez, mas dirigir atores não é uma tarefa fácil. O consagrado Roman Polanski já havia mostrado que sabe bem como fazer isso em Deus da Carnificina, de 2011, quando colocou dois casais dentro de um apartamento e os fizeram trocar acusações até os ânimos se alterarem. Com A Pele de Vênus, seu último longa, Polanski demonstra que, ainda que esteja um pouco longe dos holofotes, é merecidamente um dos diretores mais celebrados do cinema mundial.

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Assim como Deus da Carnificina, A Pele de Vênus também é a adaptação de uma peça teatral homônima, apresentando a história de Thomas (Mathieu Amalric), um jovem dramaturgo que está à beira dos nervos por não conseguir encontrar uma atriz principal para sua nova peça – uma adaptação do livro La Venus à La Fourrure, de 1870 (um clássico da literatura mundial). Prestes a sair do teatro após uma série de audições fracassadas, Thomas recebe Vanda (Emmanuelle Seigner), uma bela atriz com quem o dramaturgo se envolve em um relacionamento de submissão, dominação e perversão.

Polanski repete aqui o esquema “teatro filmado”, conseguindo arrancar ótimas atuações de seu pequeno elenco. Mathieu (substituindo Louis Garrel, ator fetiche francês que abandonou o projeto devido sua agenda) e Emmanuelle dão um show à parte. A dupla, que já havia se encontrado no elogiado O Escafandro e a Borboleta, tem uma química incrível ao longo de mais de noventa minutos de película, apesar do longa ser praticamente uma ode ao trabalho do cineasta e sua musa, Emmanuelle, esposa do diretor que, aos 46 anos, consegue ser incrivelmente atraente e deslumbrante em cena. A sexualidade que Emmanuelle exprime é o que faz com que ela roube o filme para si, tornando sua personagem quase uma extensão (com um nível de maturidade acima) de seu papel em Lua de Fel, de 1992.

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Apesar de ter sua atuação bastante questionada na época, Emmanuelle protagonizou ali uma das cenas mais eróticas do cinema de Polanski. Hoje, mais de vinte anos depois, Emmanuelle é uma atriz muito mais madura e se nunca teve a oportunidade de receber um personagem mais marcante, sua Vanda é a chance. Sob a direção do marido, Seigner tem nas mãos o papel de sua vida – ainda que o filme não tenha tido um apelo popular tão grande. Vanda é misteriosa e dosa bem o papel de vítima e algoz, invertendo o papel com um tragicômico Thomas. E Polanski, que não é bobo e sabe como provocar, usa bem o talento da esposa. Com sua câmera excepcional (que coloca o espectador sob o ponto de vista praticamente de um voyeur), Polanski usa e abusa de tudo o que Seigner pode oferecer, quase jogando em nossas caras “Esta é minha mulher, toda minha, veja o quanto ela é divina…”. Prova disto é a sequência final onde Emmanuelle provoca os mais altos índices de nossas libidos.

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Com um roteiro primoroso, recheado de referências à cultura clássica, a fita é verborrágica – e por tal razão pode parecer um pouco cansativa em diversos momentos. No entanto, os diálogos rápidos e inteligentes velam uma crítica ainda implícita ao papel da mulher na sociedade, à sua verdadeira atribuição como “fêmea”, em um mundo ainda machista. É a inversão de papeis entre Thomas e Vanda que vai dando mais paixão ao filme, à medida que o dramaturgo se vê cada vez mais ligado à sua musa inspiradora – uma atriz aparentemente sem cultura e conhecimento, mas que aos poucos se mostra uma verdadeira femme fatale. A variação entre realidade e fantasia, que se misturam ao longo da projeção, dá o tom cômico e nos fazem questionar se Thomas está atuando ou realmente se tornou um escravo de Vanda.

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Há quem possa se incomodar com o estilo “teatral” com que Polanski filmou A Pele de Vênus. Não que essa seja a primeira incursão do diretor no gênero (aliás, Roman tem no currículo, além de Deus da Carnificina, o despercebido A Morte e a Donzela, de 1994, quando Polanski já flertava com o gênero), mas este não é um tipo fácil de filme. É necessária um pouco de cultura para entender os diálogos e seus significados nas entrelinhas – e claro, uma pequena dose de paciência. Mas não se deve esquecer que, antes de tudo, é cinema e, como tal, o trabalho de Polanski como cineasta é louvável. Da belíssima locação, iluminação e figurino à inspirada e delicada trilha do francês Alexandre Desplat, tudo se encaixa perfeitamente para criar uma obra irresistivelmente atraente, com um “quê” de erotismo que cai perfeitamente à proposta do longa. A Pele de Vênus é Polanski retornando às suas origens – tem todos os elementos que Polanski já utilizava em sua filmografia (erotismo, submissão, homoerotismo – aliás, em uma das cenas finais, temos Mathieu travestido com salto alto e batom, nos remetendo instantaneamente a Polanski vestido de mulher em O Inquilino, de 1976). A Pele de Vênus é muito mais requintado, culto e crítico do que Deus da Carnificina, que já era excelente – o que, certamente, representa um nível acima no trabalho do cineasta.

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Roman Polanski: O Cineasta da Polêmica

Há exatamente oitenta anos, o cinema ganhava um de seus maiores artistas: o cineasta Roman Polanski. Um dos mais prestigiados diretores de todos os tempos, Polanski tem uma bem sucedida carreira marcada por produções de sucessos de público e crítica – e também por suas polêmicas na vida pessoal.

Polanki iniciou sua carreira na Polônia e logo com seu primeiro trabalho, Faca na Água (1962), recebeu sua primeira indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Desde então, se tornou um dos diretores mais elogiados de sua geração, alternando produções independentes e filmes com maior apelo de público em Hollywood, abordando temas polêmicos e caindo nas graças da crítica especializada.

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Na vida pessoal, Polanski passou por alguns momentos difíceis, como a morte de sua mãe em um campo de concentração nazista durante a Segunda Guerra Mundial – período em que vivia em constante fuga. No final da década de 60, sua então esposa, a modelo e atriz Sharon Tate (que estava no final da gestação do primeiro filho do casal), foi assassinada pela gangue liderada por Charles Manson (naquele que se tornou um dos mais conhecidos crimes da história norte-americana). Mais tarde, em 1977, o ator assumiu ter estuprado uma adolescente de treze anos – crime pelo qual foi preso em setembro de 2009, no aeroporto de Zurique, quando tentava entrar na Suiça para receber um prêmio por sua obra.

Polêmicas pessoais à parte, o fato inegável é seu talento. E para comemorar seus oitenta anos, decidi separar aqui os 5 melhores trabalhos do diretor (tarefa muito difícil para mim, que sou um inveterado fã do artista). Confira a lista e relembre ou descubra os filmes que são essenciais para entender a obra de Roman Polanski.

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1. Repulsa ao Sexo (Repulsion, 1965)
Polanski criou, no começo de sua carreira, aquela que ficou conhecida como “Trilogia do Apartamento”, marcada por um terror claustrofóbico e clima obscuro em ambientes fechados e sufocantes, que acabam por oprimir seus moradores. O primeiro filme desta trilogia (e também o primeiro longa do diretor em língua inglesa) é Repulsion – pessimamente traduzida para Repulsa ao Sexo – , que foca sua narrativa na personagem Carol (a belíssima Catherine Deneuve), uma manicure que vive com sua irmã mais velha e é reprimida em vários aspectos de sua vida. Quando a irmã viaja em férias e Carol fica sozinha no apartamento, a jovem cai em uma profunda depressão, causando-lhe alucinações aterrorizantes.

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2. Chinatown (Chinatown, 1974)
Este é, talvez, o maior marco da carreira de Roman Polanski – além de ser um dos maiores filmes noir de todos os tempos. Chinatown narra a trajetória de um detetive particular que, ao ser contratado por uma mulher da alta sociedade para investigar um caso extraconjugal do esposo, se envolve em uma conspiração muito além do que previa. Estrelado por Jack Nicholson e Faye Dunaway, é frequentemente considerado como um dos melhores roteiros do cinema, exemplo de construção e desenvolvimento de história e personagens. Além disso, o longa recebeu 11 indicações ao Oscar (incluindo melhor filme e melhor direção).

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3. O Inquilino (Le Locataire, 1976)
Último filme da trilogia citada (que ainda conta com o clássico O Bebê de Rosemary, de 1968), O Inquilino é, talvez, o melhor trabalho da série. No longa, estrelado pelo próprio Polanski, acompanhamos a história de um jovem que, após alugar um apartamento cuja antiga dona se suicidara, passa a sofrer alucinações, acreditando que os demais moradores do prédio estão tentando fazê-lo também se suicidar. Já ouviu falar em terror psicológico? Pois é, O Inquilino é uma aula completa do gênero – vale muito a pena conferir.

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4. Lua de Fel (Bitter Moon, 1992)
Desta lista que selecionei, este será, provavelmente, o mais questionável. Mas como a ideia aqui é também diversificar os gêneros e as épocas de Polanski, nada melhor do que citar Lua de Fel, primeiro filme do cineasta na década de 90 – e uma aula de erotismo e sedução. No longa, acompanhamos o casal inglês Nigel e Fiona que, ao fazerem um cruzeiro, conhecem o casal Mimi e Oscar (ela, uma belíssima, sensual e misteriosa francesa; ele, um norte-americano preso a uma cadeira de rodas). Durante a viagem, ao perceber o interesse de Nigel por Mimi, Oscar conta ao novo amigo como conhecera sua esposa e a paixão doentia do casal – que mais tarde, se tornara um ritual de humilhação e descaso. Sensualidade, sadismo, relacionamentos conturbados – céu e inferno, neste que é um dos maiores filmes eróticos do cinema.

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5. O Pianista (The Pianist, 2002)
Talvez por contar uma trama de sobrevivência quase que autobiográfica, O Pianista tenha se tornado a mais aclamada produção de Roman Polanski nos últimos anos. Filme que consagrou Polanski, a narrativa de O Pianista gira em torno de Wladyslaw Szpilman (excepcionalmente vivido por Adrien Brody – que faturou o Oscar de melhor ator por esta personagem), um musicista judeu que tenta sobreviver à Segunda Guerra Mundial, escondendo-se dos nazistas e sobrevivendo com a ajuda de amigos. A história é real – mas é impossível não associar essa dramática trama de sobrevivência à biografia do próprio Polanski – que vivenciou o Holocausto quando criança. O Pianista rendeu o Oscar de Melhor Diretor a Polanski – que não compareceu à cerimônia devido à sua situação criminal no país. Repare o cineasta sendo aplaudido de pé:


Achou que a lista acaba aqui? Pois é, selecionar apenas cinco longas (dentro de uma filmografia tão vasta e boa) de um artista como Polanski é uma tarefa difícil – pois sempre vai faltar aquela produção que você tanto admira e gosta de indicar aos amigos. Por isso, acrescentei abaixo (bem sucintamente) mais alguns filmes que eu acredito serem indispensáveis para qualquer fã do cineasta.

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Em “Deus da Carnificina” (2011), baseado em uma peça teatral, acompanhamos dois casais bem diferentes que se reúnem para chegar a um “acordo” sobre a briga de seus filhos pré-adolescentes. Aos poucos, os nervos vão aumentando e as gentilezas dão lugar aos insultos e indelicadezas, nesta deliciosa comédia de costumes.

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Pertencente à trilogia do apartamento, “O Bebê de Rosemary” (1968) é um dos filmes mais conhecidos de Polanski. Trata-se do drama de uma mulher que desconfia que a sua gravidez é alvo de um ritual macabro feito por seu esposo e novos vizinhos. Ta aí um bom exemplo de terror.

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Particularmente, é um dos meus preferidos do cineasta. Uma mistura de comédia com terror, “A Dança dos Vampiros” (1967) é a história de um velho e atrapalhado caçador de vampiros e seu medroso assistente que ficam presos em um castelo junto com criaturas sanguinolentas. Um dos mais cultuados filmes da história – e um dos precursores do gênero.

Deus da Carnificina

Hipocrisia. Assuma: você é hipócrita. A verdade incontestável é que todos somos. Todos somos capazes de ter pensamentos politicamente corretos mas que podem ser facilmente esquecidos quando se trata de defender nossos próprios interesses. Deus da Carnificina, de Roman Polanski, segue essa temática e consegue, ao longo de menos de uma hora e meia, levar o espectador a uma série de reflexões sobre o comportamento humano diante da sociedade que o oprime.

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Lançado em dezembro de 2011 e filmado durante o período de prisão domiciliar de Polanski na Suíça (acusado do abuso de um menor nos EUA), o filme levantou debates infindáveis na época de sua estréia. Houve quem o considerasse a pior obra do cineasta e se quer poderia ser considerada “cinema de verdade” – afinal, o longa é baseado na peça Carnage (também título original do longa), de Yasmina Reza, e levou todo o seu evidente ar teatral às telas de cinema. Por outro lado, os amantes de Polanski sairam em defesa do diretor, alegando que este seria “o filme mais cinematográfico de Roman” – justamente pelo desafio da direção dentro de um único ambiente.

De fato, Deus da Carnificina tem um caráter teatral evidenciado a todo instante. Mas é aí que Polanski (o veterano Polanski, de O Bebê de RosemaryRepulsa ao Sexo ou Lua de Fel) consegue exercitar todo seu talento, conservando a estrutura “teatral” da história mas fazendo o possível para controlar a visão do público. Isso se torna claro com os enquadramentos ao longo do filme, onde a câmera é utilizada para mostrar diversos pontos de vista que dão ao espectador a sensação de observar tudo o que ocorre com os personagens como um bom voyeur. O cineasta usa sua câmera como uma espécie de “olho mágico” – distanciando o filme da armadilha do teatro filmado e imprimindo uma marca cinematográfica à sua altura.

1Na trama, temos o encontro a contragosto entre dois casais com o intuito de buscar uma solução amigável para a briga entre seus filhos pré-adolescentes. O casal mais conservador e humilde (mas não muito menos orgulhoso, como se notará) é formado por uma professora preocupada com as desgraças no continente africano e um simplório vendedor de artigos domésticos. O segundo casal, mais liberal e culto (do tipo que se casa mais de uma vez, por exemplo), é formado por um poderoso advogado e uma madame que trabalha como corretora de investimentos. Conforme o tempo passa, os nervos aumentam e o que era para ser uma tentativa de paz torna-se um palco de discussões, onde todos os personagens abandonam a civilidade e deixam cair suas máscaras, revelando a hipocrisia moral dos envolvidos.

3Esta aí um dos méritos de Deus da Carnificina: proporcionar ao espectador a oportunidade de observar a caminhada do ser humano rumo ao caos. A narrativa mantem um ritmo frenético em seu roteiro e montagem que permite que os personagens se provoquem, aticem um ao outro, peçam desculpas, se desrespeitem. O espectador, ali na frente da tela, tem um prazer quase sadomasoquista ao acompanhar a involução da compostura dos dois casais diante da proteção de seus interesses. Com isso, o filme se torna quase uma espécie de cinema “catarse” – mas sem uma finalidade específica, ou seja, os meios são trabalhados.

Obviamente, nada disso tornaria o filme o que é se não fosse o trabalho do elenco. Kate Winslet e Christoph Waltz já não precisam mais provar nada para ninguém há muito tempo – mas ainda assim conseguem ser irresistíveis, respectivamente como a dondoca que se acha superior a todos e um cínico advogado criminalista. No entanto, é gratificante ver Jodie Foster tão a vontade em cena como há muito tempo não a víamos – e John C. Reilly interpretando um tipo mais inteligente e pró-ativo. Ah, tem até uma ponta de Polanski como o vizinheiro curioso do prédio.

5Longe de ser uma comédia escrachada, Deus da Carnificina fornece bem mais do que alguns risos. Em um filme onde a polidez dá lugar à progressiva degradação dos relacionamentos humanos, é interessante ver os dois casais aparentemente civilizados trocando farpas, se rebaixando e dizendo aos quatro ventos tudo aquilo que pensam mas não teriam coragem de falar em outras situações. Em um dos momentos mais cômicos, é possível ver Winslet dizendo “Ainda bem que meu filho bateu no seu, pois isso prova que ele não é um viadinho!” ou “Eu estou cagando para os seus direitos humanos!” de forma tão espontânea que você até se sente inspirado a falar umas verdades para aquela sua ex FDP, sua vizinha bisbilhoteira ou aquele seu chefe rabugento. Deus da Carnificina critica as hipocrisias sociais com um leve cutucão e revela também o excelente domínio de tela de Polanski e seu incontestável talento como diretor de atores e não de efeitos especiais – se tornando uma comédia que além de rir também faz pensar.

Estréias do Semestre: O Que Não Postamos Por Aqui…

Para os cinéfilos de plantão, o primeiro semestre de 2012 foi bem generoso. Além das várias estréias que postamos aqui ao longo desses últimos meses, muitos outros lançamentos também movimentaram a indústria cinematográfica e os fãs afoitos por novas produções. E ao que tudo indica, esse segundo semestre não vai ser muito diferente. Alguns longas estão chegando e prometem faturar alto nas bilheterias.

Quem curte um cinema no final de semana, teve que sair de casa com muita paciência…

Entre eles, temos o último episódio da aclamada trilogia de Christopher Nolan, Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge, que estréia essa semana nos cinemas nacionais (e que já deu o que falar nos EUA). Em agosto, ao que tudo indica, temos também Rock of Ages – O Filme e Abraham Lincoln – Caçador de Vampiros, aparentemente os mais aguardados pelos fãs. Já nos últimos meses do ano, temos Frankenweenie, a animação de Tim Burton para seu curta homônimo lançado na década de 1980 (e que tem a missão de redimir o diretor por seu deslize em Sombras da Noite), o desfecho da saga “Crepúsculo” com Amanhecer – Parte 2 e, para os nerds que nos lêem, O Hobbit (que já tem várias imagens por aí).

Bom, enquanto estes filmes não chegam, vamos fazer um apanhado geral sobre as produções que estrearam nestes últimos meses e não comentamos por aqui. Se correr, ainda dá tempo de garantir o ingresso de algumas delas…


1. O Espetacular Homem-Aranha
Pois é, o filme dirigido por Marc Webb até que foi razoavelmente bem nas bilheterias mundiais, mas… dividiu os fãs. Não que seja ruim, mas certamente está bem abaixo do que os fãs esperavam. A química entre o casal Andrew Garfield e Emma Stone até que funcionou, mas faltou mais ação e um vilão mais digno do super-herói. Além disso, se Peter Parker era mais jovem do que o que já conhecíamos, tudo bem… O filme podia ser sobre um adolescente – mas não precisava ser um filme de adolescente. O longa até que rende uns bons minutos de entretenimento, mas como obra cinematográfica está bem razoável.

“O Espetacular Homem-Aranha”: espetacular só no nome mesmo…


2. A Invenção de Hugo Cabret
O último trabalho de Martin Scorcese foi indicado a 11 estatuetas do Oscar e faturou 5 delas (praticamente técnicos). De fato, o longa (rodado em 3D) é uma verdadeira aula de som e imagem e uma belíssima homenagem do diretor à sétima arte. Muito elogiado pela crítica, A Invenção de Hugo Cabret, no entanto, dividiu a opinião do público que, com toda razão, achou meio confusa a história do órfão que vive em uma estação de trem em Paris. O filme aborda os primeiros anos do cinema e cita nomes importante para esta arte, como Lumière e Mélièr.

“A Invenção de Hugo Cabret”: homenagem de Scorcese ao cinema.


3. Prometheus
Ficção científica do mestre Ridley Scott, Prometheus marca a volta do diretor ao universo “Alien”, que o consagrou. Na trama, um grupo de exploradores vai ao espaço futurista com a missão de desvendar a origem da humanidade. O roteiro, com alguns atalhos, não é nenhuma obra-prima, mas algumas cenas por si compensam o filme – como a sequencia do parto, genialmente arquitetada. No final, com sua impecável técnica, Prometheus surpreende, mas como obra cinematográfica deixa a desejar.

“Prometheus”: não vou fazer a piada clássica com o nome do filme, ok?


4. American Pie – O Reencontro
O quarto filme da série (ao menos com o elenco original, excluindo as diversas versões lançadas diretamente para DVD) traz o grupo de amigos liderados por Jim se reencontrando após 10 anos do colégio. O longa segue a linha dos primeiros filmes da franquia (que trouxe à tona o termo MILF – Mon I’d like to fuck), entretanto, algo se perdeu ao longo dos anos (ou seria os personagens que cresceram e perderam a graça?). Você até vai rir em alguns momentos, mas nada memorável como a antológica cena do personagem Jim “comendo a torta”. A sequência mais “divertida”, dessa forma, aparece já nos créditos finais com o pai do protagonista namorando no cinema…

“American Pie: O Reencontro”: personagens evoluíram; história não.


5. Anjos da Lei
Mais uma comédia nos moldes norte-americanos para fazer rir. Ou não. Anjos da Lei foi a adaptação cinematográfia da série que tornou Johnny Depp um astro teen nos seus primeiros anos de carreira. Nada muito excepcional: no longa, dois jovens amigos policiais são infiltrados em um colégio entre os adolescentes para tentar desvendar uma ação criminosa. Entretanto, os dois tem suas identidades trocadas – o bonitão tem que bancar de nerd e o gordinho de atleta – e a maior parte das poucas cenas engraçadas saem dessa inversão.

“Anjos da Lei”: participação de Johnny Depp pra aumentar audiência.


6. Para Roma, Com Amor
O que você pode esperar de Woody Allen, especialmente agora em sua fase “fora de casa”, filmando pela Europa? No mínimo, uma obra agradável. E é justamente essa a definição da crítica para Para Roma, Com Amor. Diferente do que acontece em seu último filme, o elogiado Meia Noite em Paris, neste longa Woody não segue uma única história – com começo, meio e fim – , mas apresenta 4 tramas distintas e isoladas, mas não muito coerentes. É como viajar rapidamente para vários locais apenas pra dizer “eu já estive lá” e não para conhecer profundamente o lugar e criar boas recordações – como na noite parisiense encantadora de Meia Noite em Paris.

“Para Roma, Com Amor”: todo nosso amor ao Woody Allen, porque né…?


7. Tão Forte Tão Perto
Indicado ao Oscar de melhor filme, o último longa de Stephen Daldry (de As Horas e O Leitor) conta a história de um garoto que perde o pai no atentado terrorista de 11 de setembro e tenta descobrir a última mensagem deixada por ele através de uma chave. O filme abusa nas emoções em excesso, especialmente nas belas atuações de um elenco inspirado (Max Von Sydon, Sandra Bullock, Viola Davis), mas peca ao manter o clima melancólico durante suas duas horas de duração, o que cansa qualquer espectador.

“Tão Forte Tão Perto”: melancolia excessiva pra te derrubar.


8. Deus da Carnificina
A volta de Roman Polanski, nesse período em que ele vem atravessando problemas com a justiça, culminou em um filme que a crítica recebeu de braços abertos. Longe de ter o mesmo apreço de suas obras-primas, como Chinatown, O Bebê de Rosemary ou O Pianista (pelo qual ganhou o Oscar de melhor diretor), Deus da Carnificina narra a história de dois casais (um casal que demonstra mais poder, do tipo onde esposo não tem tempo pra esposa e vice-versa; o segundo, um casal mais humilde e representando claramente a velha esquerda liberal) que se reúnem para conversar sobre a briga entre seus filhos. No entanto, conforme os minutos passam, os ânimos vão se exaltando e um novo campo de batalha é levantado.

“Deus da Carnificina”: a vida imita a arte, sr. Polanski?


9. MIB – Homens de Preto 3
Dizem as más línguas que MIB – Homens de Preto volta no tempo para tentar corrigir os erros do passado. De fato, o filme parece ter sido mais bem recebido pela crítica do que seus antecessores que, segundo os cinéfilos, eram apenas boas desculpas para fazer efeitos visuais fantásticos. Não que não haja efeitos no terceiro longa da franquia, mas o roteiro mais trabalhado ajudou a redimir os personagens com a crítica e o público. Bom, ao menos a bilheteria até agora tem nos levado a acreditar isso…

“MIB – Homens de Preto 3”: os anos passam, mas Will Smitt não muda…


10. Os Vingadores
E pra fechar a lista, seria impossível não mencionar aqui o sucesso estrondoso de Os Vingadores. Fora todos os elogios que o filme recebeu do público, a crítica também se rendeu e caiu de amores pelo longa, considerado por muitos como “a melhor adaptações de histórias de heróis de todos os tempos”. Nas bilheterias, Os Vingadores desbancou tudo o que tinha pela frente e já estourou vários recordes. Obviamente, já era de se imaginar que uma continuação da história do grupo de super-heróis fosse anunciada. Resta saber se a bilheteria recordista se repetirá…

“Os Vingadores”: nada se compara à saga destes heróis…

Ah, confira abaixo as nossas postagens sobre algumas outras estréias:

J. Edgar
A Mulher de Preto
Jogos Vorazes
Titanic 3D
Diário de um Jornalista Bêbado
Espelho, Espelho Meu
Branca de Neve e o Caçador
Sombras da Noite