Presos na Floresta: Fuja Se For Capaz (Quicksand)

A tensão entre Sofia e Josh já é estabelecida nos minutos iniciais de Presos na Floresta: Fuja Se For Capaz : como muitos casais à beira do término de uma relação, o clima entre eles não poderia estar pior, apesar dos visíveis esforços do rapaz para tentar salvar o casamento. A moça, por sua vez, parece estar irredutível: nada a agrada e tudo a incomoda – principalmente quando é forçada a dividir com o futuro ex-companheiro o quarto de hotel em uma viagem de negócios à Colômbia. E que melhor maneira de passar o tempo livre um casal como esse encontraria? É claro: se embrenhar por uma floresta tropical, sozinhos, sem avisar ninguém, sem mais nem porquê. Resultado dessa presepada: os dois acabam presos em um poço de areia movediça – e agora não tem jeito: é deixar as mágoas de lado e lutar juntos pela sobrevivência.


Presos na Floresta possui alguns problemas, mas dois deles se sobressaem. A princípio, temos um roteiro que se esforça para extrair ao máximo as motivações de seus protagonistas, de forma excessivamente didática ou repetitiva. Decerto na tentativa de amenizar a dificuldade que é manter uma história inteira rodada praticamente em único ambiente, o que vemos é uma sucessão de pequenos episódios de “DR”, porém sem qualquer profundidade (tudo bem, não creio que este seja o foco da trama). Alguns personagens secundários poderiam ser explorados, mas tudo o que temos é um suposto vilão sem qualquer propósito e um segundo coadjuvante pífio. Ainda, alguns trechos poderiam ser eliminados, já que não acrescentam nada à construção do enredo – a sequência inicial, por exemplo, é absolutamente descartável. No entanto, provavelmente o maior erro do filme esteja na direção inexperiente de Andres Beltran, um cineasta até aqui com pouca expressão: suas escolhas simplesmente não funcionam. O diretor recorre a efeitos de câmera que dão um tom de amadorismo à obra, quando uma boa edição facilmente resolveria a situação. Falta ainda certa malícia na condução de seu elenco, cuja (in)expressividade é gritante. E, é claro, falta coordenação: Presos na Floresta: Fuja Se For Capaz é uma produção onde o todo parece não se conversar; falta harmonia, coesão e, principalmente, identidade.

Nosso Fiel Traidor (Our Kind of Traitor)

Durante uma viagem com a esposa ao Marrocos, o professor universitário Perry conhece o carismático Dima, membro do alto escalão da máfia russa e responsável por comandar um poderoso esquema internacional de lavagem de dinheiro. Buscando proteger sua integridade e a de sua família, Dima pede ajuda a Perry para entregar informações confidenciais ao MI6 (Serviço Secreto Britânico), em troca de asilo político na Inglaterra – envolvendo o docente e sua companheira em um perigoso jogo de espionagem internacional.

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O prólogo de Nosso Fiel Traidor desperta certa curiosidade, sim – pena que o restante do filme não acompanha a boa introdução. Adaptado do best-seller homônimo escrito por John le Carré, Nosso Fiel Traidor sofre por sua falta de originalidade: tudo o que se vê ao longo de quase duas horas de fita é mais do mesmo, uma reciclagem batida de elementos já usados a exaustão no cinema. O thriller flerta com o cinema hitchcockiano (é inevitável a comparação com o clássico O Homem Que Sabia Demais) e também com o gênero noir de outrora – mas as escolhas equivocadas da diretora Susanna White fazem com que a atenção do público logo se esvaeça. A história tenta, a todo custo, forçar um clima de mistério e suspense (principalmente através da eficiente trilha de Marcelo Zarvos) e até o consegue em determinados instantes. O roteiro, entretanto, se revela confuso e Nosso Fiel Traidor definitivamente não avança, se tornando um produto para lá de enfadonho.

Mas Nosso Fiel Traidor não é, de tudo, um desperdício. Amparado por uma fotografia caprichada e um elenco competente (Ewan McGregor é o protagonista, enquanto Stellan Skarsgard dá vida a um Dima extravagante), sua trama não deixa de ter seus atrativos para aqueles que se propuserem a acompanha-la – e tiverem paciência, é claro. Filme fácil, Nosso Fiel Traidor parece ter sido encomendado como um grande presente: envolto a uma embalagem de primeira, seu conteúdo, no entanto, não chega a surpreender.