Quantos “Eds Sheerans” Cabem em “Divide”?

Já se foram 2 meses desde a estreia de ÷ (pronuncia-se Divide), terceiro álbum de estúdio do britânico Ed Sheeran – e confesso que levei um tempo para trazer este texto, tentando ao máximo digerir bem o novo trabalho do ruivo mais famoso da música pop antes de tecer uma crítica baseada em impressões rápidas e fúteis. Precedido por + (Plus) e x (Multiply) – este último que levou Ed ao status de grande astro – , Divide mostra o claro amadurecimento de um intérprete que opta por entregar um disco que atira com várias possibilidades, mas carece de algo minimamente novo.

À primeira audição, é evidente que a principal característica de Divide é a mistura dos mais variados estilos. Ed não tem medo de circular por gêneros diferentes, desde a levada rap de Eraser (faixa de abertura, que apresenta um Sheeran charmoso, porém desengonçado), a batida R&B de New Man ou até mesmo Galway Girl, onde o cantor abusa de recursos que remetem à sua linhagem irlandesa. Castle on The Hill é uma canção poderosa, aparentemente inspirada nos grandes clássicos de arena de bandas como U2 e Coldplay – com aquele típico refrão capaz de levantar multidões ao encerramento de um show. Já na frenética Shape of You, Sheeran declara “eu estou apaixonado por seu corpo”, em um arranjo que cairia muito bem na voz (e tipo) de Justin Bieber – talvez esta seja uma das mais gratas surpresas do registro.

Em sua zona de conforto, Ed se mostra competente com suas baladas. Com seu estilo soul, Dive é, provavelmente, o melhor momento do cantor no álbum. Muito à vontade, Ed emula algo que ouviríamos de Bruno Mars (sem, obviamente, a potência vocal deste último). Perfect lembra canções dos anos 50 e vem carregada de um sentimentalismo que chega até a ser piegas, mas também traz uma performance eficiente de Ed, assim como Happier e a belíssima How Would You Feel, com sua melodia amparada por um ótimo piano e violão (é, ao que parece, a Thinking Out Loud deste disco). Toda marota, What Do I Know é cheia de positividade, com sua declaração de que “o amor pode mudar o mundo em um momento” e uma base em guitarra sem firulas. Já em Supermarket Flowers, que encerra a versão simples de Divide, o artista usa uma interessante metáfora para expor a dor causada pela morte de sua avó recém-falecida.

Conquistando posições ambiciosas em várias paradas, Divide é o CD mais bem acabado do britânico até aqui. Talvez o título do álbum possa fazer alusão ao quanto o artista teve que se “desdobrar” para entregar um disco diversificado como este, que apesar de conter ótimas canções, peca pela falta de ousadia. No patamar em que está e com o talento que já sabemos que tem, Ed pode entregar muito mais do que um registro requentado de seus trabalhos anteriores. Ao menos, pela diversificação, Divide se destaca por trazer músicas com mais identidade e maior potencial de singles (nenhuma é totalmente igual a outra, diferente do que acontecia em Multiply, onde o público não tinha muita noção onde cada faixa começava ou terminava). Divide funciona como produto pop, mas não é o máximo de Sheeran e de seu talento; pelo contrário, é apenas um passo do intérprete rumo a algo muito maior e que só poderá ser alcançado quando Ed subtrair sua insegurança e mostrar realmente para o que veio.

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Britney Spears Mostra Vitalidade Pop em “Glory”

Britney Spears há tempos já não precisa provar nada para ninguém. Esta é uma verdade absoluta. Mas é fato também que seu último registro, Britney Jean, não foi lá essas coisas. Sejamos honestos: na realidade, Britney nunca foi reconhecida por lançar ótimos álbuns, mas sim por suas polêmicas e seus singles extraordinários – não à toa, a loira é considerada a “princesinha do pop” (sendo Madonna a eterna rainha). Durante anos, a intérprete foi criticada por sua voz – ou a ausência dela, como alguns alegam – e após inúmeros problemas em sua vida pessoal, poucos acreditavam que Spears voltaria ao que era no início de sua emblemática carreira. E eis que surge Glory.

01Glory  não é seu melhor trabalho, mas aponta para uma evolução que ainda pode surpreender lá na frente. Definitivamente, Britney melhorou e muito. Glory  é, até aqui, seu álbum mais “coeso”, ainda que a cantora tenha atirado em várias direções. Há evidentemente uma diversidade de tendências aqui, mas é admirável o quanto Britney consegue dar uma “uniformidade” ao todo, entregando um disco que soa interessante do início ao fim. Mesmo que algumas faixas não sejam excepcionais, cada uma delas possui identidade própria e isso enriquece muito sua proposta. Vê-se claramente que o desejo de Spears é experimentar, brincar, se divertir com o que está fazendo.

Com uma melodia etérea, Invitation abre o disco com propriedade, sendo quase um prólogo repleto de sensualidade para o primeiro single dessa nova era, a já conhecida Make Me, em parceria com o rapper G-Easy. Aqui, Brit embarca numa pegada mais upbeat, sem deixar de lado seu pop já conhecido. Private Show  tem um instrumental bem gostoso de ouvir, com uma batida quase hip-hop, porém minimalista. Em seguida, Man on The Moon  traz uma sonoridade teen deliciosa, bem diferente do que ocorre em Just Luv Me, onde a artista abraça novamente o minimalismo em uma música que parece ter sido retirada de Purpose, de Justin Bieber. Tudo isso vai preparando o ouvinte para as duas canções que, de cara, mais chamam a atenção na pista: Clumsy  e Do You Wanna Come Over – esta última com uma atmosfera anos 90 e um violão de base que poderíamos chamar de “pervertido” de tanto que agrega à música.

Com gemidinhos que se tornaram uma de suas marcas registradas, Slumber Party  vem carregada no reggae  e é aqui onde encontramos a letra mais provocante desta obra onde o sexo parece ser um de seus temas principais. Com uma levada de violão e sintetizadores no refrão, Just Like Me  é o mais próximo de uma balada até então. Longe de incorporar uma espécie de Nicki Minaj da vida, Britney apresenta vocais quase falados nos principais trechos de Love Me Down – isso sem mencionar a semelhança com um estilo No Doubt lá na década passada. Hard To Forget Ya  e a ótima What You Need  encerram a versão física de Glory – na “deluxe”, outras cinco canções são adicionadas, com destaque para Change Your Mind (No Seas Cortés), Liar  e a estranha mas sensacional If I’m Dancing.

Contando com o apoio de um extenso time de produtores, Glory  não chega a ser uma obra definitiva do pop ou mesmo de sua idealizadora, mas tem um grande mérito: escancarar ao mundo que Britney 1) sim, está viva; 2) está de volta; e 3) é uma artista incrível. O álbum dificilmente vai torna-la maior do que ela já é (uma hitmaker por excelência, não?) e tampouco representará algo inovador dentro do universo pop ou de sua própria discografia, mas nos entrega aquilo que ela sabe muito bem fazer: música pop comercial e facilmente acessível – e não é exatamente isso o que esperamos dela?

Retrospectiva 2012 – Parte 2: Os Álbuns Que Não Postamos Por Aqui

Pois bem, nem só de cinema vive este ser que vos fala. Na verdade, uma das minhas grandes paixões na vida (certamente a minha primeira paixão artística e uma das mais fortes e expressivas em mim) é a música. Bom, nem sei o porquê falo isso, já que é difícil encontrar alguém na face da Terra que não curta ouvir uma boa música.

Dessa forma, seria indispensável aqui uma lista com alguns dos álbuns lançados em 2012. Não procurei seguir um critério específico, mas separei aqui os álbuns de artistas que, de certa forma, foram destaque (positivo ou negativo). Portanto, prepare-se e ouça nossas sugestões de discos que merecem ser ouvidos para fechar o ano (seja qual for o motivo). Boa música não vai faltar. Quer dizer…

MDNA – Madonna
A eterna rainha do pop (Lady Gaga, está lendo isso?) lançou, em março de 2012, seu 12º álbum. Madonna nunca foi cantora de grandes álbuns – mas de grandes singles. Portanto, MDNA recebeu críticas, em geral, positivas – mas de longe, não é um grande marco na carreira de Madonna. O primeiro single Give Me All Your Luvin conta com as parcerias de Nicki Minaj e M.I.A.

 

Living Things – Linkin Park
Diz o ditado popular que em time que está ganhando não se mexe. Desde sua estréia no mercado fonográfico, o Linkin Park foi uma das bandas mais cultuadas do cenário do rock. Entretanto, ao longo dos últimos anos, a banda tem apostado em novas sonoridades em seus discos e suas músicas, antes marcadas por batidas agressivas, acabou se tornando muito mais “clean”. Living Things, apesar de ter qualidade sonora  inquestionável, está aí pra provar isso.

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The Truth About Love – P!nk
Com um álbum muito bem elogiado pela crítica, P!nk se consagrou como uma verdadeira diva na música com The Truth About Love. O disco é um dos mais aclamados de sua carreira e trouxe P!nk de volta aos holofotes. O álbum ainda tem a participação do rapper Eminem e da cantora Lilly Allen.

 

Tudo Tanto – Tulipa Ruiz
Não esqueci de dar espaço para a música nacional. E um dos nossos melhores álbuns em 2012 foi Tudo Tanto, da cantora Tulipa Ruiz, que se tornou uma das maiores revelações brasileiras nos últimos tempos. Além de cantora e compositora, Tulipa dedica seu tempo à ilustração.

tudotanto
Southern Air – Yellowcard
Houve quem considerasse Southern Air, o último álbum da banda Yellowcard, como o melhor disco de 2012. Se é o melhor, não cabe a mim julgar. O fato é que realmente o álbum parece ter vindo para mostrar que os garotos tem talento e potencial para continuar na ativa durante muito tempo. É impossível não notar a maturidade da banda em relação à sonoridade e ao conteúdo de suas letras em comparação aos seus trabalhos anteriores.

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Lotus – Christina Aguilera
Após o injustiçado Bionic, Christina Aguilera estava passando por uma fase meio dark em sua carreira. Com Lotus, lançado há poucos meses, Christina provou que ainda tem fôlego (literalmente) para lançar bons álbuns. Encabeçado pelo primeiro single, Your BodyLotus não é o melhor álbum da carreira de Aguilera, mas deixa Christina em evidência entre as divas do cenário musical.

 

Unorthodox Jukebox – Bruno Mars
Unorthodox Jukebox é o segundo álbum da carreira de Bruno Mars, o primeiro após o sucesso Doo-Wops & Holligans, de 2010, que trouxe uma série de singles, como Just The Way You AreThe Lazy SongGrenade. Lançado há poucas semanas, o álbum recebeu boas críticas e, ao que tudo indica, deixa Mars tranquilo com relação à “maldição do segundo disco”…

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Born To Die – Lana Del Rey
Lana é o típico caso de artista que ou você ama ou você odeia. Dividindo críticas, Lana surgiu com força no cenário musical em 2012 e lançou neste ano seu álbum de estréia, o elogiado Born To Die, que obteve um sucesso comercial razoável. O primeiro single, Video Games, alcançou boas posições nas paradas mundiais.

borntodie
Origin of Love – Mika
Há quem caia de amores pelo trabalho de Mika – e há aqueles que adoram mostrar que gostam do cara porque está na moda e é cool. A faixa Elle Me Dit se tornou um dos grandes hits do álbum Origin of Love, chegando em primeiro lugar nas paradas francesas.

mika
Warrior – Ke$ha
Se você pensava (assim como eu) que Ke$ha era apenas mais uma semi-diva que surgiu mostrando o corpo, Warrior está aí para provar que estávamos enganados. O álbum foi muito bem recebido pela crítica, encabeçado pelo primeiro single Die Young, que tem ficado nas paradas de sucesso de vários países.

 

Infinito – Fresno
Uma das minhas bandas preferidas, os rapazes da Fresno lançaram em 2012 o inédito Infinito que, não muito diferente do que os rapazes já faziam, serve apenas para consolidar o talento dos roqueiros gaúchos – que se tornaram referência no cenário musical brasileiro. Primeiro álbum da banda após a saída de Tavares.

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Pink Friday: Roman Reloaded – Nicki Minaj
Todo o orçamento possível e imaginável de Nicki foi usado para promover seu álbum Pink Friday: Roman Reloaded. A divulgação teve direito, inclusive, a lançamento de clipes praticamente a cada semana (não estou brincando). De fato, a rapper chegou a assumir, na época do lançamento do álbum, que pretendia “alcançar o mundo” com seu novo disco. Se conseguiu, aí é outra história…

 

Em Comum – Nx Zero
Mais um artista nacional lançou álbum novo em 2012. Dessa vez, a banda liderada pelo vocalista Diego Ferrero (ou o namorado da Mariana Rios, como você preferir) apresenta o álbum Em Comum, com a música Maré como primeiro single. Quinto álbum de estúdio da banda paulista e o primeiro desde 2009.

 

Vulnerable – The Used
A banda norte-americana liderada por Bert McCracken The Used lançou em março seu quinto álbum de estúdio, Vulnerable. Apostando naquilo que consagrou o grupo, os caras continuam mesclando batidas ora lentas, ora agitadas e pesadas com suas letras agressivas. Com o tema “Make a choice. Shine on!”, o disco foi bem recebido pela crítica e público, diferente do que aconteceu com o anterior, Artwork, que dividiu a opinião dos fãs.

 

Believe – Justin Bieber
Justin Bieber cresceu e está apostando numa abordagem mais “adulta” em sua carreira. Believe mostra que o garoto, contrariando a opinião de muita gente, tem potencial para ser um grande artista pop no futuro – mas precisa ter seu foco bem orientado.

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Some Nights – Fun.
Certamente, você deve ter ouvido por aí a música We Are Young, sucesso absoluto nas paradas internacionais da banda Fun. em parceria com Janelle Monáe – mesmo que não saiba de qual canção estamos falando. De fato, a música se tornou uma espécie de hino juvenil e principal canção do segundo álbum da banda indie.

 

Push And Shove – No Doubt
Ninguém entendeu quando a minha diva pessoal ❤ cantora Gwen Stefani anunciou o fim de sua próspera carreira solo para voltar ao No Doubt após mais de 10 anos separados. Push And Shove foi o primeiro álbum da banda desde 2001, com Rock Steady, e parece ter agradado aos fãs mais tradicionais.

E para quem quiser relembrar, aqui vai outros álbuns que já comentamos por aqui ao longo de 2012:

Take Me Home – One Direction
Beacon – Two Door Cinema Club
Blunderbuss – Jack White
Teenage Dream: The Complete Confection – Katy Perry