Lady Gaga Aposenta o Visual Pomposo e Solta a Voz Como Nunca em “Joanne”

Desde o subestimado Artpop (um trabalho incompreendido, que pecava pelo excesso de ideias – ainda que algumas geniais) e um passeio pelo jazz ao lado do sempre competente Tony Bennett, os little monsters aguardavam ansiosamente pelo triunfal retorno de Lady Gaga ao pop. Mesmo os que não simpatizavam com ela também tinham lá suas expectativas, afinal algumas de suas maiores “divas” haviam assumido um tom mais conceitual em seus últimos álbuns (vide Rihanna ou Beyoncé, por exemplo). Logo, há tempos faltava um bom disco pop com músicas para fazer a galera ir até o chão nas boates por aí. Para o bem ou para o mal, Joanne, novo registro de Gaga, chega recentemente às lojas dividindo opiniões, mas mostrando seu indiscutível amadurecimento como artista.

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Sim, Gaga ultrapassou o status de “diva pop” para se tornar uma intérprete respeitada, com liberdade artística para fazer exatamente aquilo com a qual se sente confortável – e a verdade é que os figurinos extravagantes de outrora já não são tão interessantes, fazendo com que Stefani Germanotta aposente o vestido de carne e vista as botas e chapéu rosa que são os símbolos desta sua nova fase. Joanne é, provavelmente, o seu disco mais pessoal, onde Gaga solta a voz (e como) para falar de seus “demônios” internos que a apavoram e já fazem parte de sua rotina.

Apoiada em uma base composta por guitarra, baixo e bateria, Diamond Heart abre este registro sem o peso de sintetizadores, mas nem por isso menos pop. De cara, é capaz de agradar aos fãs iniciais da cantora. Faixa mais radiofônica de todo o conjunto, A-Yo segue a linha pop de sua antecessora, um hit pronto para as pistas (mesmo que não tenha o vigor de nenhum de seus clássicos anteriores). Com simplicidade e abandonando praticamente qualquer “acabamento” vocal, Joanne é de uma beleza musical única com sua percussão tímida e seu violão dedilhado. É uma calmaria que contrapõe à sequência de canções que segue: John Wayne, com sua batida diferente de tudo o que se ouviu até aqui; Dancin’ in Circles, com sua levada reggaeton que remete à era The Fame Monster; e Perfect Illusion, primeiro single que, embora não seja explosivo e nem faça tanto sentido quando ouvido individualmente, chega se firmando como um dos momentos mais coesos de Joanne.

Million Reasons é a faixa com os mais fortes elementos que referenciam ao estilo country de Joanne. Balada poderosa, aqui você é obrigado a admitir que, sim, Lady Gaga canta muito. Nos remetendo aos filmes tarantinescos que Gaga aparenta admirar bastante, Sinner’s Prayer é uma mistura experimental entre pop e country e, talvez por isso, soe tão curiosa à primeira audição. Com ótimos arranjos de metais e vocais, Come to Mama tem uma melodia incomum e é deliciosa de se ouvir – até agora não entendo às críticas a ela, para ser bem honesto. Em parceria com Florence Welch, Hey Girl traz suavidade e minimalismo, com uma letra feminista que agrega muito à proposta do álbum. Angel Down fecha a versão comum de Joanne, com uma atmosfera soturna e uma interpretação potente de Gaga, isso sem mencionar a parte instrumental muito peculiar.

Ame ou odeie, até o menos é mais quando falamos de Lady Gaga. Goste ou não, a cada dia que passa ela deixa de lado o rótulo de “esquisita” e se consagra como uma das artistas mais completas de sua era. Ainda que Joanne não seja o alívio pop que esperávamos, encontramos aqui uma Lady Gaga sem medo de retornar às suas raízes. Pelo contrário: ela busca valoriza-las, entregando um disco que, entre altos e baixos, tem seus méritos dentro da carreira da cantora. Talvez nunca mais escutaremos algo tão estrondoso quando um Bad Romance ou Pokerface, é verdade, mas é válido o esforço de Gaga em tirar as máscaras e mostrar sua verdadeira face – e já que isso pode ser inevitável, que tal aproveitarmos?

Britney Spears Mostra Vitalidade Pop em “Glory”

Britney Spears há tempos já não precisa provar nada para ninguém. Esta é uma verdade absoluta. Mas é fato também que seu último registro, Britney Jean, não foi lá essas coisas. Sejamos honestos: na realidade, Britney nunca foi reconhecida por lançar ótimos álbuns, mas sim por suas polêmicas e seus singles extraordinários – não à toa, a loira é considerada a “princesinha do pop” (sendo Madonna a eterna rainha). Durante anos, a intérprete foi criticada por sua voz – ou a ausência dela, como alguns alegam – e após inúmeros problemas em sua vida pessoal, poucos acreditavam que Spears voltaria ao que era no início de sua emblemática carreira. E eis que surge Glory.

01Glory  não é seu melhor trabalho, mas aponta para uma evolução que ainda pode surpreender lá na frente. Definitivamente, Britney melhorou e muito. Glory  é, até aqui, seu álbum mais “coeso”, ainda que a cantora tenha atirado em várias direções. Há evidentemente uma diversidade de tendências aqui, mas é admirável o quanto Britney consegue dar uma “uniformidade” ao todo, entregando um disco que soa interessante do início ao fim. Mesmo que algumas faixas não sejam excepcionais, cada uma delas possui identidade própria e isso enriquece muito sua proposta. Vê-se claramente que o desejo de Spears é experimentar, brincar, se divertir com o que está fazendo.

Com uma melodia etérea, Invitation abre o disco com propriedade, sendo quase um prólogo repleto de sensualidade para o primeiro single dessa nova era, a já conhecida Make Me, em parceria com o rapper G-Easy. Aqui, Brit embarca numa pegada mais upbeat, sem deixar de lado seu pop já conhecido. Private Show  tem um instrumental bem gostoso de ouvir, com uma batida quase hip-hop, porém minimalista. Em seguida, Man on The Moon  traz uma sonoridade teen deliciosa, bem diferente do que ocorre em Just Luv Me, onde a artista abraça novamente o minimalismo em uma música que parece ter sido retirada de Purpose, de Justin Bieber. Tudo isso vai preparando o ouvinte para as duas canções que, de cara, mais chamam a atenção na pista: Clumsy  e Do You Wanna Come Over – esta última com uma atmosfera anos 90 e um violão de base que poderíamos chamar de “pervertido” de tanto que agrega à música.

Com gemidinhos que se tornaram uma de suas marcas registradas, Slumber Party  vem carregada no reggae  e é aqui onde encontramos a letra mais provocante desta obra onde o sexo parece ser um de seus temas principais. Com uma levada de violão e sintetizadores no refrão, Just Like Me  é o mais próximo de uma balada até então. Longe de incorporar uma espécie de Nicki Minaj da vida, Britney apresenta vocais quase falados nos principais trechos de Love Me Down – isso sem mencionar a semelhança com um estilo No Doubt lá na década passada. Hard To Forget Ya  e a ótima What You Need  encerram a versão física de Glory – na “deluxe”, outras cinco canções são adicionadas, com destaque para Change Your Mind (No Seas Cortés), Liar  e a estranha mas sensacional If I’m Dancing.

Contando com o apoio de um extenso time de produtores, Glory  não chega a ser uma obra definitiva do pop ou mesmo de sua idealizadora, mas tem um grande mérito: escancarar ao mundo que Britney 1) sim, está viva; 2) está de volta; e 3) é uma artista incrível. O álbum dificilmente vai torna-la maior do que ela já é (uma hitmaker por excelência, não?) e tampouco representará algo inovador dentro do universo pop ou de sua própria discografia, mas nos entrega aquilo que ela sabe muito bem fazer: música pop comercial e facilmente acessível – e não é exatamente isso o que esperamos dela?

Gwen Stefani Mostra Falta de Identidade Musical em “This Is What The Truth Feels Like”

E lá se vão dez anos desde que Gwen Stefani lançava o segundo disco de sua carreira solo, The Sweet Escape. Desde então, muita coisa se passou na vida da loira: o fim do casamento com Gavin Rossdale, uma ponta como jurada do The Voice EUA (substituindo Christina Aguilera) e até mesmo um retorno inesperado de sua antiga banda, No Doubt. Enquanto tudo isso acontecia em sua vida privada, a indústria fonográfica seguia seus passos. Neste período, a música mudou bastante e artistas surgiam e desapareciam num piscar de olhos. E foi só agora, uma década depois, que a cantora norte-americana decidiu lançar seu terceiro álbum: This is What The Truth Feels Like.

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A verdade é que This is What The Truth Feels Like mantém a mesma fórmula de seus antecessores: a abrangência de sua música pop. É evidente ao ouvir o disco que a artista tenta abraçar de tudo, se aventurando por várias possibilidades. Não que o registro não tenha lá seus méritos. TIWTTFL foi bem recebido pela crítica e concedeu à sua criadora o primeiro número um solo na parada americana da Billboard (antes disso, Gwen só teria chegado ao topo com Tragic Kingdom, em 1996 – lançamento do No Doubt). TIWTTFL tenta incluir em seu repertório tudo aquilo que o pop permite, mostrando a versatilidade de Stefani. Entretanto, ainda que as canções individualmente sejam agradáveis de se ouvir, elas não são coerentes enquanto formato “álbum” – dificultando ainda mais a inútil tarefa de determinar qual é realmente a identidade sonora de Stefani.

This is What The Truth Feels Like é um caldeirão dos mais diversos estilos musicais. Há algumas boas apostas no R&B e hip-hop, como em Red Flag, a excelente Naughty e Asking 4 It (essa última tão genérica que parece uma reciclagem de várias ideias já usadas anteriormente neste cenário). Where Would I Be? já de cara remete aos tempos de No Doubt por conta da batida reggae carregada. As baladas também ganham espaço, como em Truth (que carrega no refrão o título do disco e será uma ótima opção ao vivo com voz e violão), Used to Love You (primeiro single deste registro e que ajudou a alavancar o projeto, após inúmeras tentativas frustradas de retorno com músicas menos inspiradas) e a deliciosa Send Me a Picture, minimalista em seu estilo verão. Sem parecer muito “farofa”, Obsessed é obviamente a canção mais “pista”, repleta de sintetizadores que tornam este um dos melhores instrumentais até aqui. Misery, You’re my Favorite e Me Without You são exemplos do “menos é mais” e apesar de não serem memoráveis são bastante convidativas. Já a chiclete Make me Like You (segundo single que ganhou um clipe improvável) não revoluciona, mas é bem agradável de se ouvir devido ao seu ar despretensioso.

Talvez o maior erro de Gwen como cantora seja este: falta uma identidade musical a ela. Sabe quando você grava várias faixas em seu celular para ouvir aleatoriamente? This is What The Truth Feels Like é justamente isso: várias canções que funcionam bem individualmente, mas juntas não tem qualquer propósito. Não há estética definida em TIWTTFL – o que não é necessariamente ruim, mas apenas impede Stefani de ser uma referência por si só dentro da cultura pop.

One Direction Acerta com “Made in The A.M.”

Cá entre nós: os britânicos da One Direction nunca lançaram obras tão memoráveis assim. Na verdade, seu maior mérito foi estar à frente de canções adolescentes com refrões pegajosos – além de protagonizar estripulias no palco que deixavam seu público alvoroçado. Mas sabe como é: eles cresceram (não muito, claro) e seus fãs puderam acompanhar diante de seus próprios olhos as mudanças que acompanharam os garotos. Made in The A.M., quinto CD do grupo, parece refletir um grau acima da transformação artística do agora quarteto, ainda que alguns elementos que contribuíram para fazer com que a banda atingisse seu atual patamar estejam presentes.

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Ok, Made in The A.M. está muito longe de se consagrar como um marco pop; mas é provavelmente o melhor registro da 1D até hoje e, é claro, não vai desapontar aos fãs. Ao longo de treze músicas (além de bônus da versão luxo), Made in The A.M. é menos “infantilizado” que os discos anteriores dos rapazes. Também é menos “eletrônico” – o ouvinte é capaz até de identificar cada instrumento utilizado, algo que incomodava muita gente lá atrás. Mesmo vocalmente, os integrantes parecem ter melhorado bastante – e fica até mais difícil definir qual deles se sobressai, pois há uma boa harmonia entre suas vozes.

Made in The A.M. abre com a interessante Hey Angel. Desprezada por muitos por conta da letra “fácil”, esteticamente ela tem sua importância dentro do álbum. É seguida por Drag me Down e Perfect, músicas radiofônicas e pop que foram excelentes escolhas como singles iniciais. Há espaço para algumas boas baladas, como If I Could Fly e Long Way Down, além de Love You Goodbye, com sua ótima melodia, e I Want to Write You a Song, com o minimalismo de um violão e vocais modestos mas eficientes. Destaca-se também End of The Day, cuja mudança de ritmo a faz soar estranha à primeira audição, mas depois é capaz de agradar aos ouvidos; e What a Feeling, com sua batida meio retrô e diferente de tudo o que os caras faziam até o momento. Menos empolgantes, entretanto, são Infinity (apesar de ter cara de música de trabalho, provavelmente), a surpreendente Olivia e History, que encerra o disco, mas de forma apenas “morna”, com uma frase pra lá de clichê (“nós podemos fazer mais, nós podemos viver para sempre”).

Sob um panorama geral, Made in The A.M. ganha certa relevância na carreira da One Direction por ser seu disco mais “redondo”, com canções mais equilibradas e que somam ao todo. Não à toa, a ausência de Zayn Malik (que deixou os amigos no início deste ano) nem é percebida, pois os demais conseguem suprir sua falta com tranqüilidade. Além disso, a maioria das faixas foi escrita pelos próprios integrantes, diferente do que acontecia anteriormente – e isso é essencial para tornar este registro mais “pessoal”, único. Made in The A.M. supera até mesmo Four, último álbum que já demonstrava certo amadurecimento. Resta saber se eles conseguirão amadurecer totalmente e fazer música pop com um nível de qualidade acima. A banda já anunciou um hiato para os próximos anos – torçamos, então, para que eles possam voltar melhores e crescidos.

Musical Agridoce em “Mesmo Se Nada Der Certo”

Mesmo Se Nada Der Certo (Begin Again, péssimo título e tradução pior) não é um musical no sentido clássico da palavra. Trata-se de uma variação do estilo, uma vez que a música no filme de John Carney (assim como em seu trabalho anterior, o elogiado Apenas Uma Vez) não é o principal, mas sim um elemento que auxilia no desenvolvimento narrativo – e Carney dosa com inteligência a utilização dos números musicais (algo surpreendente para um diretor com o currículo tão modesto).

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Estamos em Nova Iorque, uma cidade viva, por vezes melancólica, que recebe gente de todos os lugares do mundo em busca de oportunidades. Nesse cenário, conhecemos Gretta (Keira Knightley), uma compositora sem muitas ambições cujo namorado Dave (Adam Levine) tem uma carreira de cantor pop em ascensão. Não demora muito para que o novo estilo do rapaz suba à cabeça e ele abandone Gretta – que alem de namorada é sua parceira constante nas composições de suas músicas (e fonte de inspiração, claro). Desiludida, ela deixa o apartamento do casal e sai a procura de seu velho amigo Steve (James Corden) – um músico de rua que sobrevive com o pouco que ganha nas apresentações que faz em pequenos bares da cidade. Em um desses shows, Gretta sobe ao palco para uma participação especial (muito contrariada) e acaba chamando a atenção de Dan (Mark Ruffalo), um produtor musical que já viveu momentos de glória na carreira, mas hoje está falido, separado e mal amado.

É difícil encaixar Mesmo Se Nada Der Certo dentro de um gênero definido. Não é propriamente um musical, nem mesmo uma comédia ou um romance muito bem estruturado. Talvez fique melhor se encarado como um drama – e nesse quesito, o filme se sai bem, pois ele deixa de lado todos os clichês característicos do estilo (e de todos os outros citados). Suas personagens estão passando, todos eles, sem exceção, por aquela determinada fase da vida em que tudo parece perdido e sem solução – todos, a seu modo, são fracassados. Mas ao mesmo tempo percebe-se uma ponta de esperança, uma nota de otimismo em relação à vida. Eles não querem ganhar dinheiro, fazer sucesso e se tornar celebridades da indústria fonográfica: eles desejam ser felizes fazendo aquilo que amam, mesmo que isso não traga o retorno tão esperado.

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Através de uma série de baladas pop-folk, John Carney acompanha seus personagens enquanto tentam superar seus medos e fracassos – alem de criticar abertamente a posição da indústria fonográfica no mercado atual. A figura de Dave – que deixa de lado tudo aquilo em que acredita para criar canções pop e vender discos – evidencia uma tendência atual, onde artistas se preocupam muito mais em gerar lucros para as gravadoras do que necessariamente criar uma “boa música”, que atinja diretamente o ouvinte, que passe uma mensagem, que se torne especial na vida de alguém. Chega até a ser cômico o fato de este personagem ser representado por Adam Levine – tudo bem, é “O” Adam Levine, produto da mídia, que cria baladinhas pegajosas de gosto duvidoso, mas tem uma aparência invejável (e sabe muito bem como utiliza-la, claro).

Não que ele esteja mal. A bem da verdade, Adam é até charmoso em cena (e olha que eu, particularmente, tenho certa aversão a cantores (as) que atuam) – mas isso pode ser resultado da incrível química existente entre todo o elenco. Todos parecem estar muito a vontade (sugerindo até mesmo alguns momentos de improvisação), com um evidente destaque para Mark Ruffalo – que foge do padrão “mocinho e galã” dos dramas convencionais e consegue transparecer bem a gradativa transformação pela qual ser personagem passa ao longo da trama. Talvez a única atuação questionável é a de Hailee Steinfeld – a jovem de dezessete anos que já foi indicada ao Oscar e hoje parece colecionar os mesmos tipos (Hailee recentemente participou do longa 3 Dias Para Matar e suas duas personagens são praticamente idênticas).

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O desfecho da trama foge também do padrão. O tão esperado happy ending não ocorre – ou pelo menos, não no sentido mais tradicional. Cada um termina da maneira como queria, da forma como esperava – e isto distancia ainda mais Mesmo Se Nada Der Certo de qualquer gênero específico. Com uma única exceção: o romance – mas não entre duas pessoas, mas entre a música e a cidade de Nova Iorque. Ciente de seus poucos recursos e sem um tostão no bolso, Dan e Gretta decidem gravar seu álbum em diferentes pontos da cidade – e graças a isso, somos levados a vários cantos de uma Nova Iorque iluminada e cheia de vida. Mesmo Se Nada Der Certo acerta em cheio ao tratar as reviravoltas pelas quais, inevitavelmente, todos passamos na vida – sem estereótipos e com muita delicadeza, fugindo do final previsível e das músicas pop açucaradas dos musicais convencionais.

Ah, momento tietagem: mesmo se nada desse certo (trocadilho previsível), ainda teríamos Adam Levine com e sem barba, com bigode, com toca, com o cabelo bagunçado… E, olha, vai por mim: compensa!

Retrospectiva 2013 – Parte 3: Os Melhores Álbuns Que Não Postamos Por Aqui

Se 2013 não foi um ano muito favorável para o cinema, o mesmo não se pode dizer da música. O ano foi um prato cheio para quem curte escutar boa sonoridade, conhecer gente nova e sair por aí cantando à toa…

Confira minha lista abaixo com os melhores álbuns de 2013 – todos devidamente escutados e avaliados. Lembrando que a lista não segue necessariamente o fator “qualidade” – tampouco reflete questões pessoais (tem artistas aqui que eu, supostamente, não curto). Cheguei nessa lista baseando-se em discos que, de alguma forma, chamaram a atenção no cenário musical e fez a crítica balançar.

01COMEDOWN MACHINE (The Strokes)
Faixa imperdível: 50/50
Quinto registro de estúdio da maior representante do movimento indie rock na atualidade, Comedown Machine é a aposta dos Strokes em novas sonoridades, refletindo diretamente tudo aquilo que os rapazes da banda (e, principalmente, seu vocalista, Julian Casablancas) curtem ouvir nas  horas vagas – tanto é verdade, que muita gente considerou o álbum muito próximo ao disco de carreira solo do cantor.


LOVE IN THE FUTURE (John Legend)

Faixa imperdível: All Of Me
Um dos melhores intérpretes de R&B da atualidade, Love in The Future é o quinto registro do cantor, compositor e pianista norte-americano. Um pouco esquecido pela crítica, no entanto, o disco é um deleite para os ouvidos e possui uma das músicas mais sensíveis de sua carreira, All Of Me – que Legend interpreta ao som de um piano deliciosamente atraente.

RIGHT THOUGHTS , RIGHT WORDS, RIGHT ACTION (Franz Ferdinand)
Faixa imperdível: Evil Eye
O quarto álbum de estúdio da banda escocesa Franz Ferdinand caiu nas graças da crítica e do público, sendo um dos mais vendidos do ano no Reino Unido. A faixa Evil Eye, minha sugestão, ganhou um clipe EXCELENTE que faz alusão a clássicos filmes B de terror – Sam Raimi, George Romero e Robert Rodriguez gostaram disto!

02BEYONCÉ (Beyoncé Knowles)
Faixa imperdível: XO
Enquanto todos voltavam as atenções aos discos de cantoras pop como Lady Gaga, Britney Spears e Katy Perry, Beyoncé ficou na surdina e de repente… Um tapa na cara de todos ao lançar seu auto-intitulado Beyoncé, um ótimo trabalho que pegou muita gente de surpresa e atesta de vez o talento da cantora.

03THE NEXT DAY (David Bowie)
Faixa imperdível: Where Are You Now?
O veterano Bowie presenteou a todos seus fãs com The Next Day, seu primeiro registro após 10 anos de Reality, seu trabalho anterior. Em apenas uma semana, o álbum se tornou o mais vendido no Reino Unido – o que Bowie não fazia desde Black Tie White Noise, de 1993. The Next Day é a prova de que David ainda está em ótima forma.


04ANTHEM (Hanson)

Faixa imperdível: Get The Girl Back
O trio norte-americano formado pelos irmãos Jordan, Zac e Isaac ficaram famosos lá na década de 90, quando eram 3 garotinhos que cantavam baladinhas românticas com suas vozes açucaradas. Os caras cresceram, constituíram famílias, amadureceram e trouxeram o ótimo álbum pop Anthem, super elogiado pela crítica e pelos fãs.

MODERN VAMPIRES OF THE CITY (Vampire Weekend)
Faixa imperdível: Hannah Hunt
Terceiro trabalho de estúdio da banda norte-americana de indie-rockModern Vampires of the City é considerado por muitos o melhor disco do quarteto – e não apenas isso, mas também é apontado por muitas publicações como o álbum do ano.

05PARADISE VALLEY (John Mayer)
Faixa imperdível: Paper Doll
John Mayer foi bem recebido com seu Paradise Valley que, dentre outros méritos, ainda traz um dueto do cantor com sua atual conquista, Katy Perry (em um parceria, no mínimo, “fofa”). Considerado um dos melhores discos da carreira do cantor, Paradise Valley prova que John Mayer não é apenas bom em colecionar belas mulheres…


THE ELECTRIC LADY (Janelle Monáe)

Faixa imperdível: Q.U.E.E.N.
Amplamente aclamado pela crítica, The Electric Lady não perde seu rumo em momento algum, mesmo com seus mais de 60 minutos. Produzido ao longo de três anos, o álbum possui uma coleção de hits muito maior que o CD anterior da cantora – o que faz com que o disco seja apreciado logo à primeira audição.

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REFLEKTOR (Arcade Fire)
Faixa imperdível: We Exist
Com uma campanha de marketing estratégica para sua divulgação, Reflektor é considerado o melhor álbum da banda indie – que após um tempo pedalando pelo mainstream, provou que ainda tem muito a oferecer a seus fãs mais tradicionais. Dividido em dois discos, somando cerca de 75 minutos de duração, Reflektor foi muito bem recepcionado pela crítica.


7PALE GREEN GHOSTS (John Grant)

Faixa imperdível: GMF
O cantor norte-americano conquistou a crítica com seu segundo disco de estúdio, considerado pela Rough Trade (famosa loja de música londrina, em sua tradicional lista de fim de ano) o melhor álbum de 2013. Está achando pouco? O jornal britânico The Guardian também o colocou na lista dos 10 melhores CDs lançados no ano.

BANGERZ (Miley Cyrus)
Faixa imperdível: Wrecking Ball
Miley Cyrus aposentou de vez a peruca de Hannah Montana e fez de 2013 o ano mais polêmico de sua carreira. Para isso, lançou o “sujo” Bangerz, que fez Miley virar sucesso nas paradas – e também na internet, rendendo vários memes à cantora. Quem nunca viu alguma paródia com a música Wrecking Ball?

MGMT (MGMT)
Faixa imperdível: Your Life is a Lie
A banda de rock psicodélico lançou seu auto-intitulado MGMT, que dividiu a opinião dos fãs (quem esperava um Kids ou Time to Pretend, esqueça!). Apesar de ser uma ruptura em relação aos trabalhos anteriores da banda e questionavelmente regular, o terceiro registro do MGMT é um muito mais maduro e redondo do que os anteriores.

8THE 20/20 EXPERIENCE (Justin Timberlake)
Faixa imperdível: Suit & Tie
Alguns dizem que Justin poderia tirar a coroa de rei do pop de Michael Jackson. Meio cedo para falar isso, mas o fato é que Justin tem se destacado e mostrado que não é apenas um rosto bonito. O cara, definitivamente, tem talento – que ficou mais que provado com seu elogiadíssimo The 20/20 Experience, terceiro álbum da carreira do ex-‘N Sync.


YEEZUS (Kanye West)

Faixa imperdível: BLKKK SKKKN HEAD
Kanye já foi até elogiado por Barack Obama – que antes, teceu críticas ao trabalho do rapper norte-americano. Yeezus é apontado por várias publicações como o melhor disco de 2013 – experimental, cru, obscuro. Nenhuma novidade para West, que já está acostumado a ver seus projetos reconhecidos pelo público e pela crítica especializada.

“Take Me Home”: O Repeteco Musical de One Direction

Você olha para a banda One Direction e é impossível não associa-la diretamente às boy-bands da década de 90. Fruto de uma grande jogada das gravadoras para descaradamente vender discos e fazer garotas (e meninos que gostariam de ser garotas) gritarem histericamente, essas boy-bands fizeram sucesso em todo o mundo e criaram uma legião de fãs de música pop. Os garotos do One Direction, talvez hoje o grupo de maior sucesso comercial da música, apresentam seu segundo álbum, o questionável Take Me Home que, aproveitando o sucesso de Up All Night, primeiro registro da banda, tem tido ótimas vendagens – mas nada mais é do que uma seleção de tudo aquilo que já vimos anteriormente.

Capa de "Take Me Home", segundo álbum de estúdio da banda One Direction.

Capa de “Take Me Home”, segundo álbum de estúdio da banda One Direction.

Okay, ninguém aqui poderia esperar um clássico álbum pop para entrar na galeria de grandes discos mundiais. Mas o álbum tem, sim, um grande mérito: mostrar a todos que o One Direction (e todos aqueles por trás da banda, que a fazem caminhar) é esperto o suficiente para permanecer na mesma pegada, o que praticamente garante que os meninos continuem a fazer sucesso durante muito tempo. Resta dúvida? Pois bem, só na primeira semana, Take Me Home teve 540 mil cópias vendidas, estreando no topo da Billboard 200.

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Mas apesar das boas vendas, a unanimidade é certa: o álbum não é nada diferente daquilo que já ouvimos em Up All Night – que já não era um grande disco, diga-se aqui de passagem. Tinha lá sua pegada jovem, com refrões grudentos, letras românticas e batidas contagiantes para promover a festa entre os adolescentes. Take Me Home permanece nisso. Qualquer música de Take Me Home poderia estar em Up All Night e vice-versa. A sensação que sem tem é que se trata de um único material, como se Take Me Home ficasse com tudo aquilo que não coube no primeiro trabalho dos garotos – sensação esta que aumenta quando descobrimos que Take Me Home foi lançado há pouco mais de um ano do disco de estréia dos rapazes. Sacou?

Aí vai ter os chatos que vão criticar e dizer que Take Me Home é ruim. Não é, assim como Up All Night não é. Para sua finalidade, ambos os álbuns são bons e representam bem o pop para o qual foram criados. O que acontece é que Take Me Home não é ousado: é um álbum para os mesmos fãs de One Direction de sempre, não houve aqui uma tentativa sequer de se conquistar um novo público – o que, definitivamente, é uma lástima, já que a banda (dentro daquilo que se propõe) faz um trabalho, no mínimo, decente.

Para começar, temos a dançante Live While You’re Young, primeiro single e carro-chefe do CD – que tem a mesma pegada jovem, para cima, de What Makes You Beautiful, do registro anterior. Depois, temos a baladinha fofa e romântica Little Things, típica música para as meninas caírem aos prantos nos shows da banda – mas que fica nos mesmos acordes durante toda sua duração. Kiss You C’mon, C’mon seguem mantendo o mesmo ritmo entusiasta da música de abertura – e continuam lembrando os singles do primeiro álbum. Daí vem Last First Kiss, mais uma baladinha para fazer a galera se derreter pelos garotos. Heart Attack Rock Me surgem mais agitadas – e com direito a introdução de We Will Rock You nesta última. Daí em diante, poucas músicas merecem destaque, como Over Again, de longe a melhor melodia e a letra aparentemente mais bem trabalhada (definitivamente uma boa música para se ouvir), e They Don’t Know About Us, que lembra bem o som que os Backstreet Boys faziam há alguns anos atrás.

Eles cantam, eles pulam, eles usam roupas coloridas... e as minas piram. Complicado, né?

Eles cantam, eles pulam, eles usam roupas coloridas… e as minas piram. Complicado, né?

Obviamente, já era de esperar que os garotos lançassem algo praticamente fiel a tudo o que já tinham feito no seu álbum de estréia. Há o fato aqui de que tudo que o One Direction faz hoje (de grifes de roupas à biografias) vende e faz rios de dinheiro. Para que mexer em uma fórmula que já é garantida? Faria sentido? Parece que não. E, queira você ou não, este é o tipo de música que faz com que eles continuem tornando em dinheiro tudo aquilo que tocam. Take Me Home não é bom para aumentar a popularidade da banda entre aqueles que desprezam o quinteto, mas é bom o suficiente para deixar o grupo em evidência por mais alguns anos.

Harry Styles, principal nome da banda, é também aquele com maior potencial para uma carreira solo de sucesso. Será que vem aí um novo Justin Timberlake?

Harry Styles, principal nome da banda, é também aquele com maior potencial para uma carreira solo de sucesso. Será que vem aí um novo Justin Timberlake?

Ao menos, Take Me Home serve para confirmar apenas uma coisa: os garotos sabem como fazer bem o que fazem. Se é com a imagem que música pop sobrevive, imagem é o que o quinteto britânico mais utiliza para se manter no topo. Talvez essa necessidade do mercado fonográfico fez com que o álbum fosse praticamente feito às pressas, para aproveitar este momento em que o conjunto ainda é assunto. Mas isso, no entanto, não tira o fato de que os garotos conseguem desempenhar bem seu papel, dentro do propósito da banda. É evidente que alguns ali, quando o grupo acabar tem potencial para seguir carreira solo – leia-se aqui quase que unicamente o vocalista principal Harry Styles, a melhor voz entre eles – o contraste da voz de Harry em comparação às demais na faixa Little Things é gritante. Harry tem tudo para fazer, num futuro próximo, o mesmo que Justin Timberlake fez ao sair de sua boy-band (Harry que foi revelado no programa X-Factor, assim como os outros participantes do conjunto).

No final, Take Me Home é apenas um repeteco de Up All Night. Poderia muito bem levar o título Up All Night – The Lost Songs, pois é justamente isso: uma união de tudo aquilo que consagrou a banda e aparentemente estava por aí jogado. Pois é, acho bom começarmos a acostumar nossos ouvidos com o som do quinteto, pois a julgar pelo sucesso que tem feito, a One Direction ainda tem muito para oferecer aos fãs. Ao menos, muito mais do mesmo…