“Nasce Uma Estrela”: Um Filme Feito Sob Medida Para Lady Gaga

Em sua estreia como diretor, Bradley Cooper apostou em um projeto que não tinha como dar errado: o remake  do clássico Nasce Uma Estrela  (o quarto, para ser mais exato), um filme descaradamente feito sob medida para Lady Gaga. A trama, que acompanha o relacionamento conturbado entre o astro do rock Jackson Maine e a jovem cantora Ally, caiu como uma luva para ser a Lady Gaga o que Evita  foi para Madonna, praticamente um presente de Cooper com um bilhete dizendo “Toma, Gaga, vem cá, vamos esfregar seu talento na cara dos haters, ok?”.

E, de fato, a cantora (e agora atriz) não decepciona: Gaga chama o filme pra si. Não que a personagem exija muito dela, mas a artista tem um carisma inegável – isto sem mencionar os dotes musicais já conhecidos pelo público. Aliás, a trilha sonora de Nasce uma Estrela  é irretocável: Shallow, por exemplo, carro-chefe do longa, é até aqui uma das favoritas ao Oscar de melhor canção no próximo ano. Gaga até ofusca o protagonista de Cooper que, com sua barba e cabelos desgrenhados, entrega uma atuação no máximo mediana, destacando-se, sobretudo, na parte vocal. Juntos, felizmente, a dupla mantém uma química interessante em cena.

O roteiro, no entanto, carrega uma forte carga melodramática, algo que em décadas anteriores até caía bem – hoje nem tanto. A forma como o argumento desenvolve os personagens enquanto “artistas” é desestimulante, especialmente na segunda metade da fita, com a decadência de Jack (destinada desde o início, o que não permite ao espectador digerir essa transição) e a ascensão de Ally (que, no ato final, nada mais é do que uma paródia da própria Lady Gaga). Assim, as melhores sequencias de Nasce Uma Estrela  são os momentos de diálogos e intimidades entre o casal e um ou outro número musical mais empolgantes. No conjunto da obra, este Nasce Uma Estrela  é um filme sonora e visualmente bem executado, mas que não passaria de uma produção genérica não fosse o apelo da história e, claro, os astros que a estrelam.

Anúncios

Lady Gaga Aposenta o Visual Pomposo e Solta a Voz Como Nunca em “Joanne”

Desde o subestimado Artpop (um trabalho incompreendido, que pecava pelo excesso de ideias – ainda que algumas geniais) e um passeio pelo jazz ao lado do sempre competente Tony Bennett, os little monsters aguardavam ansiosamente pelo triunfal retorno de Lady Gaga ao pop. Mesmo os que não simpatizavam com ela também tinham lá suas expectativas, afinal algumas de suas maiores “divas” haviam assumido um tom mais conceitual em seus últimos álbuns (vide Rihanna ou Beyoncé, por exemplo). Logo, há tempos faltava um bom disco pop com músicas para fazer a galera ir até o chão nas boates por aí. Para o bem ou para o mal, Joanne, novo registro de Gaga, chega recentemente às lojas dividindo opiniões, mas mostrando seu indiscutível amadurecimento como artista.

02

Sim, Gaga ultrapassou o status de “diva pop” para se tornar uma intérprete respeitada, com liberdade artística para fazer exatamente aquilo com a qual se sente confortável – e a verdade é que os figurinos extravagantes de outrora já não são tão interessantes, fazendo com que Stefani Germanotta aposente o vestido de carne e vista as botas e chapéu rosa que são os símbolos desta sua nova fase. Joanne é, provavelmente, o seu disco mais pessoal, onde Gaga solta a voz (e como) para falar de seus “demônios” internos que a apavoram e já fazem parte de sua rotina.

Apoiada em uma base composta por guitarra, baixo e bateria, Diamond Heart abre este registro sem o peso de sintetizadores, mas nem por isso menos pop. De cara, é capaz de agradar aos fãs iniciais da cantora. Faixa mais radiofônica de todo o conjunto, A-Yo segue a linha pop de sua antecessora, um hit pronto para as pistas (mesmo que não tenha o vigor de nenhum de seus clássicos anteriores). Com simplicidade e abandonando praticamente qualquer “acabamento” vocal, Joanne é de uma beleza musical única com sua percussão tímida e seu violão dedilhado. É uma calmaria que contrapõe à sequência de canções que segue: John Wayne, com sua batida diferente de tudo o que se ouviu até aqui; Dancin’ in Circles, com sua levada reggaeton que remete à era The Fame Monster; e Perfect Illusion, primeiro single que, embora não seja explosivo e nem faça tanto sentido quando ouvido individualmente, chega se firmando como um dos momentos mais coesos de Joanne.

Million Reasons é a faixa com os mais fortes elementos que referenciam ao estilo country de Joanne. Balada poderosa, aqui você é obrigado a admitir que, sim, Lady Gaga canta muito. Nos remetendo aos filmes tarantinescos que Gaga aparenta admirar bastante, Sinner’s Prayer é uma mistura experimental entre pop e country e, talvez por isso, soe tão curiosa à primeira audição. Com ótimos arranjos de metais e vocais, Come to Mama tem uma melodia incomum e é deliciosa de se ouvir – até agora não entendo às críticas a ela, para ser bem honesto. Em parceria com Florence Welch, Hey Girl traz suavidade e minimalismo, com uma letra feminista que agrega muito à proposta do álbum. Angel Down fecha a versão comum de Joanne, com uma atmosfera soturna e uma interpretação potente de Gaga, isso sem mencionar a parte instrumental muito peculiar.

Ame ou odeie, até o menos é mais quando falamos de Lady Gaga. Goste ou não, a cada dia que passa ela deixa de lado o rótulo de “esquisita” e se consagra como uma das artistas mais completas de sua era. Ainda que Joanne não seja o alívio pop que esperávamos, encontramos aqui uma Lady Gaga sem medo de retornar às suas raízes. Pelo contrário: ela busca valoriza-las, entregando um disco que, entre altos e baixos, tem seus méritos dentro da carreira da cantora. Talvez nunca mais escutaremos algo tão estrondoso quando um Bad Romance ou Pokerface, é verdade, mas é válido o esforço de Gaga em tirar as máscaras e mostrar sua verdadeira face – e já que isso pode ser inevitável, que tal aproveitarmos?

Oscar 2016: Resumão

Pois é, acabou de acontecer neste domingo (28), no Teatro Dolby, em Los Angeles, a 88ª cerimônia de entrega dos Academy Awards – o Oscar 2016, a maior premiação do cinema mundial.

O anfitrião deste ano foi o comediante Chris Rock, que já havia assumido o posto em 2005 – e o rapaz já iniciou a noite fazendo piadinhas bem mais ou menos sobre algumas polêmicas desta edição (talvez até mesmo como forma de diminuir as provocações que a Academia sofreu). Com um discurso fraco sobre racismo, salvou-se apenas a declaração em alto e bom som “Nós (negros) queremos oportunidades!” – e, cá entre nós, Hollywood precisa repensar nisso urgentemente.

01

Fato: a cerimônia deste ano veio acompanhada de muito falatório. A princípio, a Academia recebeu inúmeras críticas pela diversidade (ou falta dela) entre os indicados: além da visível ausência de indicações do sexo feminino, não houve nenhum negro nas categorias de melhores atores e atrizes coadjuvantes e principais (assim como na edição anterior). Além disso, chamou a atenção também o fato de que não havia grandes “favoritos” nas principais categorias – e isso, sob certo aspecto, ajudou a acirrar a disputa, que ficou ainda mais concorrida nos últimos dias.

Com uma apresentação pouco empolgante, Dave Grohl homenageou os principais nomes da indústria cinematográfica que nos deixaram recentemente, como David Bowie, os atores Christopher Lee, Alan Hickman e Omar Sharif e o musicista James Horner, autor da trilha sonora de Titanic. De musical, vale lembrar que a popstar Lady Gaga também performou sua Till It Happens to You – música que perdeu o prêmio de melhor canção original para Writing on The Wall, do filme 007 Contra Spectre, interpretada por Sam Smith. Quem também emocionou foi Ennio Morricone, o veterano compositor italiano que levou sua merecida estatueta por seu trabalho em Os 8 Odiados – o desprezado último filme de Quentin Tarantino.

À esquerda, Leonardo DiCaprio em "O Regresso"; à direita, "Mad Max: Estrada da Fúria", maior premiado da noite.

À esquerda, Leonardo DiCaprio em “O Regresso”; à direita, “Mad Max: Estrada da Fúria”, maior premiado da noite.

No final, o maior premiado da noite foi Mad Max: Estrada da Fúria, que levou pra casa 6 estatuetas (todos técnicos). O Regresso, que recebeu o maior número de indicações, ficou com 3 prêmios, incluindo o tão sonhado Oscar para Leonardo DiCaprio e de direção para Alejandro G. Iñarritu – que ganhou pelo segundo ano consecutivo como melhor diretor. A grande “zebra” da noite ficou por conta de Spotlight: Segredos Revelados, que ganhou o prêmio máximo, deixando muita gente frustrada.

Confira abaixo os vencedores desta edição:

CATEGORIA VENCEDORES
FILME Spotlight: Segredos Revelados
DIRETOR Alejandro G. Iñarritu (O Regresso)
ATOR Leonardo DiCaprio (O Regresso)
ATRIZ Brie Larson (O Quarto de Jack)
ATOR COADJUVANTE Mark Rylance (Ponte dos Espiões)
ATRIZ COADJUVANTE Alicia Vikander (A Garota Dinamarquesa)
ROTEIRO ADAPTADO A Grande Aposta
ROTEIRO ORIGINAL Spotilight: Segredos Revelados
FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA Filho de Saul (Hungria)
ANIMAÇÃO Divertida Mente
DOCUMENTÁRIO Amy
EDIÇÃO Mad Max: Estrada da Fúria
EFEITOS VISUAIS Ex-Machina: Instinto Artificial
FIGURINO Mad Max: Estrada da Fúria
DIREÇÃO DE ARTE Mad Max: Estrada da Fúria
MAQUIAGEM E CABELO Mad Max: Estrada da Fúria
MIXAGEM DE SOM Mad Max: Estrada da Fúria
EDIÇÃO DE SOM Mad Max: Estrada da Fúria
FOTOGRAFIA O Regresso
TRILHA SONORA Os 8 Odiados
CANÇÃO ORIGINAL Writing on The Wall (007 Contra Spectre)
DOCUMENTÁRIO (CURTA) A Girl in The River: The Price of Forgiveness
ANIMAÇÃO (CURTA) Bear Story
CURTA Stutterer

Mais Uma Noite em “Sin City” – E Só…

E lá se foram quase dez anos desde que Sin City – A Cidade do Pecado chegava às salas de cinema ao redor do mundo. Na época, o longa se tornou uma febre e virou, digamos, uma espécie de clássico instantâneo. Não que seja uma obra imaculada – a bem da verdade, Sin City é um filme como outro qualquer, com algumas peculiaridades, sim (como sua excepcional fotografia em preto e branco e suas inúmeras tramas irresistíveis), mas que não apresentava nada muito grandioso. Enfim, era uma novidade naquele momento – mas nada muito eloquente.

06

Mas se em 2005 Sin City – A Cidade do Pecado causou certo burburinho entre os cinéfilos, o mesmo não se pode dizer sobre Sin City: A Dama Fatal, segundo filme da série baseada nas HQs do artista Frank Miller (que divide os créditos de direção com Robert Rodriguez) e que chega hoje aos cinemas brasileiros. Não que esta continuação não tenha sido aguardada – principalmente depois dos inúmeros adiamentos para o lançamento, que deixaram os fãs dos quadrinhos de Miller apreensivos (afinal, o material é muito bom). Mas talvez esse hiato entre os dois filmes tenha diminuído um pouco o frisson deste universo – e como consequência inevitável, Sin City: A Dama Fatal vem tendo um desempenho satisfatório, mas levemente inferior ao seu predecessor. Em outras palavras, este Sin City mantém o bom visual e apelo técnico, mas perde aquele impacto causado pelo primeiro.

03

O cenário ainda é Basin City e segue, basicamente, a linha de Sin City – A Cidade do Pecado: narrativas independentes que se cruzam e se desenvolvem nas ruas, becos e vielas de uma cidade dominada pela corrupção, violência e impunidade (e qualquer semelhança com nossa realidade é mera coincidência). Aqui, temos o encontro de velhos conhecidos, como a stripper Nancy, o brutamontes Marv, o detetive Hartigan e o anti-herói Dwight, com novos rostos, como o ambicioso jogador de pôquer Johnny, o empresário Joey e a sensualíssima Ava Lord – a tal dama fatal do título. Todos estes personagens se misturam ao longo de três contos, alguns inéditos, e que mantém a mesma premissa do primeiro longa.

A primeira das três histórias centrais é estrelada por Joseph-Gordon Levitt na pele de Johnny, um jovem que desafia o poderoso senador Roark em uma partida de pôquer com o evidente interesse de humilha-lo – o que coloca sua vida em risco. Na segunda (e melhor) parte, temos Eva Green como a sedutora Ava, uma mulher ambiciosa e que faz uso de todo seu charme (e suas belas curvas) para colocar as mãos na fortuna do marido – recorrendo até mesmo a Dwight, seu antigo e ressentido amor. Com menos força, a última trama apresentada é a de Nancy (protagonista de sensuais danças sobre o balcão de um dos bares mais badalados de Sin City), que, totalmente atormentada, busca se vingar da morte de seu amado Hartigan – que se suicidara no filme anterior.

05

Sin City: A Dama Fatal não apresenta nada novo em relação ao primeiro da série. Se em 2005 tudo era muito novidade (inclusive o uso constante de tela verde – algo inédito na época e que se tornou moda nos anos seguintes, sendo utilizado até os dias atuais), hoje é certo dizer que este projeto é apenas mais do mesmo e inova muito pouco – inclusive na criação dos ótimos cenários digitais. Mas isso, por incrível que pareça, já é um mérito: o visual de Sin City: A Dama Fatal é impecável. A fotografia em preto e branco é muito bem desenvolvida e fica ainda melhor quando os diretores apostam em alguns pontos específicos para destacar outras cores (como o “acinturado” casaco azul de Ava, o sangue vermelhíssimo que escorre ou o púrpura vivo de um veículo em movimento). Esse recurso é imprescindível para deixar o filme muito mais apreciável a aproxima-lo a um estilo meio neo-noir, que é acentuado ainda mais pelo tom escuro e as constantes utilizações de sombra e luz. A tórrida cena de sexo entre Ava e Dwight, por exemplo, é de uma plasticidade ímpar – arriscaria dizer uma das mais bem dirigidas sequências de sexo que já assisti.

04

O elenco desta fita também está muito bem escalado. Mickey Rourke, apesar de não ser um personagem “chave” em nenhuma das histórias, é sempre um alívio quando aparece na tela devido, sobretudo, à sua frieza que o tornam, até mesmo, cômico (um perfeito tipo tarantinesco). Joseph empresta todo seu perfil cativante para Johnny – e isso faz com que fiquemos indignados quando Roark o esnoba. Josh Brolin, por sua vez, é infinitamente melhor que Clive Owen no papel de Dwight – um autêntico morador de Sin City. Já Eva Green, claro, é quem brilha verdadeiramente aqui. A escolha de Green foi a mais correta – e chega a ser ultrajante pensar que, em algum momento, a insossa Angelina Jolie foi cotada para o papel de Ava Lord. Eva ofusca qualquer um a cada aparição não apenas pelo belo corpo (aliás, fica a dica: Green está nua em quase 80% do tempo em que aparece), mas principalmente por sua ótima atuação, totalmente segura e natural. A única atuação ligeiramente menor fica por conta de Jessica Alba, que, para sua sorte, tem um belo corpo e faz bom uso dele nas cenas de dança – inutilmente tentando, ao que me parece, chamar a atenção do filme para si. Inutilmente porque, cá entre nós, temos Eva Green e isso basta. Ah é, Lady Gaga faz uma pequena participação – okay, mas e aí?

02

Sin City: A Dama Fatal é equilibrado e, a meu ver, totalmente nivelado ao primeiro filme da franquia – ou seja, tecnicamente bem trabalhado (fotografia, edição, design, figurino, maquiagem) e visualmente arrebatador. O único “porém” é que, como mencionado, hoje nada do que se vê é uma novidade (com exceção do 3D, que foi bem usado mas não é algo esplendoroso). Há, obviamente, de se reconhecer que desde 2005 também pouca coisa realmente do gênero foi feita (ou bem feita, melhor dizendo), mas a verdade é que Sin City: A Dama Fatal é mais daquilo que já tínhamos visto e tanto gostamos de ver – e, por essa razão, se torna um programa indispensável para quem curte cinema e também para os fãs de HQs (afinal, como adaptação, deve-se mencionar que todo o universo dos quadrinhos de Miller foi brilhantemente transportado para as telonas). Em outras palavras, Sin City: A Dama Fatal é apenas mais uma noite escura, fria e solitária nos cantos dessa cidade que tanto amamos: diverte, vale a pena mas, ainda assim, é apenas mais uma noite. Apenas mais uma noite…

Retrospectiva 2013 – Parte 4: As Revelações, Os Singles e as Decepções da Música em 2013

Continuando a retrospectiva da indústria fonográfica em 2013, chegou a hora de listar quais foram os singles que não saíram da boca da galera, os artistas que chegaram marcando território e, para variar, aqueles que enfiaram o pé na jaca e decepcionaram a crítica e o público por seus trabalhos não tão memoráveis (ou ruins, mesmo).

revela

LORDE
Lorde deu um up considerável em sua carreira no ano de 2013, saindo do status alternativo e chegando ao mainstream com a ajuda de companheiros de profissão e, obviamente, divulgação na internet. Aproveitando isso, sua gravadora apressou a gravação de seu álbum de estréia, Pure Heroine, colocando-a nas paradas mundiais do dia para a noite.

01

ARIANA GRANDE
As comparações entre Ariana Grande e a diva R&B Mariah Carey não são injustas. Ariana, assim como Mariah, é uma das poucas cantoras capazes de reproduzir o whistle (o maior registro agudo alcançado pela voz humana). Muitas das músicas da ex-atriz da Nickelodeon (cujo primeiro registro foi lançado em 2013) parecem ter sido retiradas de algum disco perdido de Mariah Carey lá pela década de 90…

02

IMAGINE DRAGONS
Com a canção Radioactive, a banda Imagine Dragons ficou mais de 50 semanas na lista da Billboard – e foi até considerado o hit do ano pela revista Rolling Stones. Com pouco mais de cinco anos de carreira, a banda participou da trilha sonora do segundo filme da saga Jogos Vorazes e recebeu duas indicações para o Grammy Awards, em 2014.

03

ICONA POP
Formado em 2009, o dueto sueco de electrop pop já havia chamado atenção há alguns anos quando, em 2011, a Rolling Stones o consideraram a estréia mais promissora do ano. Mas a banda cresceu e 2013 foi um ótimo ano para a dupla, que era presença constante no top 10 de vários países mundo afora.

04

MACKLEMORE & RYAN LEWIS
A dupla já tem alguns anos de estrada separadamente. A proposta do rapper Macklemore e do produtor Ryan Lewis é misturar hip-hop e pop, de forma até mesmo divertida. A fama global veio em 2013 com o vídeo viral de Thrift Shop, que colocou os caras no topo da parada de oito países, incluindo EUA, Reino Unido e Austrália.

05

singles

DO WHAT U WANT – Lady Gaga
Em 2013, Lady Gaga lançou seu injustiçado ARTPOP, cuja primeira música de trabalho é Applause. No entanto, quem merece aplausos mesmo é Do What U Want, parceria de Gaga com R. Kelly, que utiliza sintetizadores (tão comuns a artistas indie) em dose equilibrada, alem de uma temática sexual – que fez a música chamar a atenção e, para muitos, ser considerada a melhor faixa de Lady Gaga desde Bad Romance, do seu primeiro disco.

BLKKK SKKKN HEAD – Kanye West
Carro chefe do ótimo álbum YeezusBlack Skinhead prova que Kanye West sabe fazer música – e sabe fazer bem. Nenhuma novidade, já que falamos de um artista cujos trabalhos são frequentemente bem recebidos pela crítica.

ROYALS – Lorde
Para provar o que falamos acima sobre a neozelandesa, Royals entra na lista. Royals ajudou Lorde em sua turnê pelos EUA, alem de gerar um contrato milionário para a garota – que, ao que tudo indica, é alta aposta para 2014.

GET LUCKY –  Daft Punk feat. Pharrell
Demonstrando o poder da internet, Get Lucky é uma música que caiu nas graças do público com o mínimo de divulgação (nem clipe oficial a música teve). Antes mesmo de ser lançada, a música já estava bombando pela rede, gerando inúmeros coversremixes.

WRECKING BALL – Miley Cyrus
Definitivamente, em se tratando de single, difícil deixar Miley Cyrus de fora. Seu Wrecking Ball foi uma das músicas mais comentadas do ano. Ótima balada, o clipe da canção é bom e polêmico, gerador de diversos memes na internet e marcando a nova fase tresloucada da ex-Hannah Montana.

MENÇÃO NACIONAL HONROSA (ou não)

SHOW DAS PODEROSAS – Anitta
Amigão, cá entre nós, que brasileiro não cantou o refrão “PRE-PA-RA” ao menos uma única vez ao longo de 2013? Críticas a parte em relação à funkeira, a música pegou geral e se tornou um dos maiores hits nacionais (se não, o maior) do ano, tornando Anitta uma celebridade instantânea e figurinha carimbada nos programas televisivos de domingo – além, óbvio, das inúmeras paródias e versões criadas na internet.

DECEP

01BRITNEY SPEARS
O que era para ser um disco pessoal e intimista, acabou se saindo uma farofa… Britney errou a receita e seu Britney Jean não decolou e se tornou um dos piores álbuns do ano. Com singles como Work BitchPerfume, o trabalho é totalmente descartável na carreira da princesinha do pop (que também já não é mais tão princesinha assim, hein, cá entre nós…).

02BACKSTREET BOYS
Talvez desejando alcançar o mesmo sucesso que a boy band britânica One Direction, os rapazes do Backstreet Boys (que já foram considerados a maior boy band de todos os tempos) lançaram o álbum In a World Like This – esquecido pela crítica e desprezado pelos fãs.

03ARCTIC MONKEYS
O quinto álbum de estúdios da banda Arctic Monkeys, AM, estreou em primeiro lugar nas paradas do Reino Unido, vendendo mais de 150 mil cópias apenas na primeira semana. Porém, alguns críticos torceram o nariz para o registro, alegando as diferenças em relação aos trabalhos anteriores da banda britânica.


04ONE DIRECTION

Já elogiei a boy band em outras ocasiões (afinal, como música pop, as canções da banda funcionam bem). O problema é que eles parecem estar engessados à uma receita que os consagraram há alguns anos atrás – e seu Midnight Memories parece uma compilação dos trabalhos anteriores dos rapazes, não promovendo nenhuma evolução significativa na carreira da banda.

0530 SECONDS TO MARS
Love Lust Faith + Dreams, quarto álbum de estúdio da banda de rock alternativo 30 Seconds to Mars, não foi muito bem recebido pela crítica e pelos fãs da banda – e rendeu, no máximo, o ótimo clipe para a faixa Up In The Air. E só. Infelizmente, nem só de clipes com pretensões cinematográfica e megalomaníacas a indústria fonográfica sobrevive…

Afinal, “Artpop” é Digno de Aplausos?

Você pode até tentar ficar indiferente – mas é inegável que Lady Gaga é uma grande artista. Cá entre nós, em pouco mais de cinco anos, ela conseguiu o que muitas “divas” não alcançaram em décadas: ameaçar o posto de Madonna de “rainha do pop” – e, convenhamos, se Madonna não se cuidar, quem sabe… No sentido mais amplo da expressão, Gaga é uma artista completa – ainda que com várias deficiências – e acaba de entregar ao público o terceiro registro de sua carreira, o aguardado Artpop – que divide as opiniões e colocam em cheque toda a badalação em torno da cantora pop.

01

Por que Artpop divide opiniões? Bom, os little monsters (como Gaga carinhosamente apelida seus fãs) consideram Artpop o álbum do ano – e uma das maiores realizações da cultura pop nos últimos tempos. A crítica, por sua vez, o classifica como um dos maiores fiascos da indústria fonográfica na  história. De fato, Artpop não é um trabalho totalmente inovador – chega a ser até mesmo “medíocre” (entendedores entenderão o que eu quero dizer com esse adjetivo – claramente, ele não vem como crítica). No entanto, mesmo os fãs mais afoitos deverão admitir que, apesar de toda sua propaganda artística, Artpop é um disco que tenta estar muito próximo à arte – mas essa aproximação só aparece no discurso. Na prática…


Para produzir e promover Artpop, Gaga escalou um time de peso. Entre os produtores, estão nomes como David Guetta (olha a farofa aí, gente!), will.i.am (pegada pop, hein?) e Rick Rubin – só para citar alguns. O artista norte-americano Jeff Koons é quem assina a capa do álbum – onde temos Gaga nua como uma nova Vênus, uma referência à tela clássica de Sandro Botticelli. A ideia por trás de tudo isso? Bom, Gaga pretende levar a arte à cultura pop, aproximar estes dois mundos que, apesar de parecerem próximos, são bem distintos. A pretensão de Gaga aqui é fazer com que o acesso à alta cultura seja mais simples – e, obviamente, nada melhor do que a música pop para fazer isso. No entanto, essa integração entre os dois universos ficou um tanto quanto superficial. Faltou alguma coisa – que você perceberá na primeira audição de Artpop.

02

Não que Artpop seja ruim. Dizer isso a essa altura da carreira de um nome como Lady Gaga é, no mínimo, injustiça. Artpop é um álbum bom – se desconsiderarmos seu propósito, obviamente. Na verdade, estamos diante de um claro exemplo de como funciona a cena pop na atualidade: ao longo de 15 faixas, Gaga consegue produzir uma música de qualidade, deixando-a na frente de muitas de suas concorrentes. Aura, que abre o disco, lembra em muito a batida de Daft Punk e tem guitarras simulando o som de cítara – deliciosa. A pegada R&B do conjunto fica por conta das ótimas Sexxx Dreams e Do What U Want – esta última que conta com a participação de R. Kelly, formando um belo dueto.

03

Venus, outra bela canção do álbum, vem recheada com um passado oitentista, explicitado pelo uso de sintetizadores. Dope, por sua vez, é a grande baladinha do disco, com seus acordes de  piano e uma bela interpretação vocal da cantora – música que talvez jamais imaginaríamos em um registro como este. Donatella (inspirada na estilista da Versace) tem uma ótima pegada urbana e também é uma grande surpresa do álbum. Menos inspiradora, no entanto, é a própria faixa título, que não chega a empolgar muito – ao menos, os ouvintes mais atentos e críticos.

Como produto final, Artpop é um álbum que mostra exatamente o que Lady Gaga é: uma artista que sabe ser artista. Vamos admitir: Gaga não é uma excelente cantora, não é ótima dançarina, não toca lá essas coisas nem compõe como uma poetisa. Mas como uma boa artista, ela pega tudo aquilo que sabe fazer satisfatoriamente bem e melhora para alcançar um status de “diva cool” que a galera descolada adora. Como muito de seus contemporâneos na música pop, Gaga sabe que imagem nesse mundo é tudo. Nesse propósito, Artpop é muito bom isoladamente, mas que se perde dentro dos rumos que pretende tomar e serve para mostrar que Gaga é uma grande home não apenas no palco – mas, principalmente, fora dele. Este é o grande mérito da cultura pop.

Lady Gaga X Madonna: Quem Vence Essa Parada?

O Brasil se tornou nos últimos tempos um celeiro que recebe grandes artistas internacionais. Muitos nomes de sucesso no exterior passaram por aqui e levaram os fãs à euforia – afinal, quando se tem a oportunidade de ver ao vivo aquele artista que você tanto ama, não há muito o que se pensar: é correr para bilheteria e garantir seu ingresso. Entretanto, 2012 está se encerrando com duas apresentações que tornam nossos palcos um interminável campo de batalha: Lady Gaga e Madonna se apresentam no país disputando um único prêmio – o posto definitivo de rainha do pop.

Madonna X Lady Gaga: quem leva a melhor?

A princípio, pode parecer um pouco de exagero. Mas não é. As duas artistas, que se apresentam nos palcos brasileiros praticamente no mesmo período (Gaga faz  hoje sua apresentação em São Paulo, enquanto Madonna passa por aqui em dezembro), são exemplos claros daqueles casos onde um artista não precisa fazer mais nada na sua carreira porque qualquer coisa que fizerem já vira sucesso. Ambas conquistaram um público tão fiel que há disputas até mesmo entre eles – os fãs da ainda considerada rainha do pop Madonna e os little monsters – como são chamados os fãs da excêntrica Lady Gaga. Mas nesse duelo, quem é que leva a melhor?

Gaga se apresenta no Brasil agora em novembro. Em passagem pelo Rio de Janeiro, como não poderia ser diferente se tratando de divas do pop, ela deu uma passada nas comunidades carentes e tirou foto com fãs. Isso é cultura pop #NOT

Se formos fazer uma análise de ambas as cantoras, será impossível não achar certas semelhanças entre elas. Inicialmente, é impossível não mencionarmos de cara o fator pop. Ambas são duas divas do universo pop, cada uma à sua maneira, mas semelhantes em certos aspectos. Entretanto, Madonna leva uma certa vantagem sobre Gaga: Madonna surgiu em uma época em que a música estava passando por uma transformação. Se hoje temos a música pop como está, devemos boa parte disso à Madonna. Jamais existiria uma Britney, uma Beyoncé, uma Aguilera ou mesmo uma Lady Gaga se  Madonna, na década de 80, não tivesse surgido e desafiado todos os tabus da época. Hoje, qualquer menininha com seus 20 e poucos anos tem total liberdade para aparecer seminua em videoclipes e fazer coreografias provocantes. O difícil era fazer isso na época em que Madonna surgiu – e isso a destacou.

Cartilha “Como Ser Uma Diva de Sucesso”, de Madonna: sim, essas aí em cima recomendam…

Não que Gaga não tenha seus méritos neste quesito. Ainda hoje, a Mamãe Monstro também se destaca dentre as cantoras do cenário pop atual. Gaga não é apenas uma menina que canta – ela leva sua marca à moda, artes plásticas e, dessa forma, se tornou um ícone dentro da própria cultura pop atual. Suas apresentações e performances são um espetáculo à parte além de sua música – assim como Madonna que, ainda hoje, consegue fazer espetáculos que, apenas visualmente, já valem cada centavo pago no ingresso.

Aliás, ainda falando do aspecto visual, Madonna tem uma ligeira vantagem sobre Gaga. De fato, com mais de 5o anos, Madonna é bonita. Lady Gaga, na casa dos 20, não é. Muitos fãs alucinados podem discordar, podem criticar, mas essa é uma verdade: Madonna é bonita, Lady Gaga não é. Ponto. Não há o que discutir. Madonna sabe como cuidar da imagem, é elegante, não força a barra em suas apresentações fora dos palcos, enquanto Gaga não foi agraciada com o dom da beleza – tem um corpo bonito até e sabe como mostra-lo, mas, definitivamente, não é um estereótipo de beleza. Além disso, a incansável busca de Gaga por ser polêmica e chamar a atenção faz com que ela realmente pareça um monstrinho em suas performances.

Então, melhor não falar nada, né…?

Quanto à música, Gaga tem uma pequena vantagem sobre Madonna: Gaga é dona de uma voz potente e forte, enquanto Madonna é apenas… Madonna. Não que Lady Gaga seja um exemplo de técnica vocal (até porque ao vivo ela comete algumas gafes), nem que Madonna cante como uma menina de 5 anos, mas Gaga tem um vocal muito mais forte que a rainha do pop – ou pelo menos o utiliza mais. Ainda que Madonna tenha uma carreira muito mais sólida, com muito mais álbuns do que Gaga, isso é perceptível até mesmo por aqueles que não curtem o universo pop.

Não que Madonna tenha grandes álbuns. Na verdade, ao longo de sua carreira, ela criou vários singles bons (ou ótimos), mas que não necessariamente estavam inseridos em um bom álbum. Mesmo em suas apresentações mais atuais, Madonna vem fazendo força para chamar atenção (mostra o corpo, faz declarações polêmicas, etc…). Ela sabe o que fazer para “chocar” as pessoas e utiliza isso para chamar os holofotes para si. Gaga ainda consegue ser um pouco pior: ela é reflexo de tudo aquilo que é o mercado fonográfico atual – seguindo a risca os conselhos da cartilha de Madonna “Como Ser Uma Diva Pop”. As comparações são inevitáveis – Gaga já foi até acusada de plágio e teve sorte de Madonna não prosseguir com o feito, pois Born This Way é descaradamente cópia de Express Yourself. Ou seja, se o público se esgotou de Madonna que é a primeira e original, qual será o futuro de Gaga?

A transformação visual de Lady Gaga para “Born This Way”.

É complicado dizer quem é melhor neste duelo de divas. Cada uma, a seu modo, tem qualidades que as definem e distinguem uma da outra. Madonna surgiu em uma época complicada; Gaga apareceu em uma época onde, graças à Internet, qualquer um pode se tornar um grande fenômeno. Madonna influenciou boa parte das artistas pop atuais; Gaga é apenas referência. Ambas são ativistas do movimento GLBT, fazem discos que vendem milhões e são idolatradas no mundo pop. Madonna, sexualmente falando, é erótica; Gaga é adepta do “ser diferente porque nasci assim”, muitas vezes alcançando o bizarro – como ela o é em diversos momentos.

Performance de Madonna para “Like a Virgin” – que se tornou histórica na cultura musical pop.

Se há uma única coisa em comum com elas que as definem é o fato de que são grandes artistas, performáticas, que influenciam milhões de pessoas (e, sinceramente, não sei até que ponto isto é bom). E, por esta razão, é difícil dizer de quem é posto de rainha do pop. Diva ambas são, mas rainha ainda é um posto que é de Madonna, inevitavelmente. Não apenas por sua história ou por sua influência, mas por toda a contribuição à cultura pop como um todo. Deixando claro que não sou fã de nenhuma das duas cantoras, o fato é que Gaga ainda tem um longo caminho para percorrer se quiser tirar o posto de Madonna – como muitos tentaram mas ninguém conseguiu tirar o posto de rei do pop de Michael Jackson.

Quem é rei nunca perde a majestade, certo?

Na dúvida, se tratando de música pop, entre as duas eu prefiro… Gwen Stefani, que é linda, loira, não recorre tanto ao corpo para chamar a atenção, é elegante, tem vocais suficientes e uma barriga impecável (risos). Mas, claro, isto é apenas uma opinião pessoal – até mesmo porque Gwen abandonou sua carreira solo para voltar ao No Doubt, fazendo a maior burrada de sua vida, mas isto é assunto para outro post. No duelo Madonna versus Lady Gaga, deixemos a briga entre elas e entre os fãs, que perdem seu tempo discutindo nas redes sociais quem é a melhor. Ou, se tratando delas, a menos pior…

Não é rainha, mas tem todos os requisitos… Ah Gwen…

ENQUANTO ISSO, NA INTERNET…

… Lady Gaga é piada! Os ingressos das apresentações da cantora empacaram e não tiveram a vendagem esperada. Os organizadores do evento tiveram que buscar outras alternativas para lotar os espetáculos (coisas do tipo “compre 1 leve 3” e derivados). Madonna parece seguir no mesmo caminho: a menos de um mês para seus shows, ainda há ingressos disponíveis para praticamente todos os setores. Os organizadores do evento ainda alimentam a esperança de que as coisas melhores nos dias mais próximos às apresentações. Será?

Ao que tudo indica, o brasileiro acordou e percebeu que nem todo show internacional realmente vale a pena. A quantidade de shows no país é tão grande que o público não consegue acompanhar – ou melhor, pagar pelo ingresso, na verdade. Muitos shows com datas próximas e os altos preços dos ingressos acabam afugentando os fãs, que muitas vezes são obrigados a escolher entre um ou outro. Exemplos recentes são as bandas Linkin Park e Evanescence, que vieram ao país nos últimos dois meses e foram fiascos de público. E ainda se apresentaram na mesma data, veja você…

Dividindo as atenções com Evanescence, o Linkin Park não conseguiu levar uma multidão ao seu show em São Paulo.

Já que o país é uma rota praticamente obrigatória para as turnês mundiais, já está mais do que na hora dos produtores colocarem os pés no chão e cobrar o preço devido pelos ingressos – e não os exorbitantes valores que são cobrados atualmente. Apesar do público amar seus artistas, não é todo mundo que pode pagar 200, 300 reais em um ingresso para ver uma apresentação de, muitas vezes, cerca de 1 hora e pouco – ou até menos. Se isso não acontecer, o brasileiro não terá outra alternativa a não ser esta: boicotar e esperar os preços caírem. É a resposta mais digna.