Com Disco Homônimo, Harry Styles é o One Direction Que Você Deve Ouvir Já

O que Beyoncé, Justin Timberlake, Michael Jackson, Sting, Gwen Stefani e Ozzy Osbourne tem em comum? Bom, além de serem astros da música, todos compartilham um mesmo fato: abandonaram as bandas pelas quais ficaram conhecidos e partiram rumo à carreira solo. O mais novo artista a compor este seleto time é Harry Styles, que com seu álbum homônimo lançado há poucos dias, comprova que, definitivamente, é um dos poucos remanescentes da One Direction que merece ser levado a sério.

Mas, sejamos francos, não era preciso que Harry seguisse um projeto solo para termos a certeza de que ele sempre foi o integrante mais expressivo do grupo. Com uma voz que se destacava entre o quinteto britânico, Harry também era dono de um carisma incomparável – não à toa, sua fanbase crescia cada vez mais, até o dia em que a banda anunciou seu hiato “indefinido”, lá em meados de 2015. Desde então, muito se especulava sobre o futuro dos membros do conjunto: cada um tomou seu rumo e as apostas eram altas – principalmente em Harry, é claro. E ele realmente não decepcionou.

Harry Styles é um disco de um artista em processo de amadurecimento, especialmente quando comparado ao pop teen da 1D. Com muito menos compromisso comercial do que na época de sua boyband, Harry abandona quaisquer vestígios de seu passado recente e abraça o retrô sem desprezar o novo ou soar cafona. Ao longo de dez faixas, o intérprete abusa de referências e variedades de gêneros (em especial à musicalidade da década de 70, seja no pop, folk ou até mesmo rock), executando todos eles com competência admirável para um garoto de apenas 23 anos.

Assim, o álbum nos brinda com ótimos momentos que vão, com muito equilíbrio, do intimismo à explosão. Meet me in the Hallway, que abre o trabalho, tem uma incrível influência no folk dos anos 60, podendo facilmente passar-se por uma canção de rádio de algum cantor da época. Com quase seis minutos de duração, Sign of the Times rendeu até mesmo comparações com David Bowie. Começando timidamente, a música ganha arranjos que lhe concedem um final espetacular – de longe, é um dos pontos altos deste registro, precedida por Carolina, uma faixa com escancarada referência aos Beatles. Two Ghosts e Sweet Creature são as duas grandes baladas do disco. Enquanto a primeira é o mais próximo que Harry consegue chegar de 1D aqui, a segunda pouco se utiliza de elementos sonoros e conta com uma performance de Harry que nos faz querer cantar junto com ele.

Only Angel e Kiwi conduzem a empreitada a um novo patamar, principalmente esta última, que aposta no vocal rasgado de Styles e em uma guitarra que nos remete quase aos trabalhos mais recentes de Jack White. Ever Since New York é um pop mais comum, sem muitas camadas e que pouco surpreende, mas se encaixa muito bem dentro da proposta do CD. Indo nas raízes dos anos 70, Woman tem uma melodia muito particular, sincopada, cheia de charme e atitude. Com simplicidade e arranjos de cordas, From the Dining Table fecha o álbum harmoniosamente, com um Harry bastante sóbrio que alterna sua performance entre falsetes e vocais graves.

Com um bom repertório musical, Styles entrega um registro honesto, porém não isento de falhas. Para além das letras sem muita profundidade (cujo principal “tema” são relações conturbadas), Harry Styles se mostra “indeciso”, com uma visível ânsia em desvincular-se da imagem de ex-membro de boyband, o que faz com que ele perca seu foco. Assim, é impossível descobrirmos qual é, de fato, sua personalidade musical. Claro, faz parte de seu amadurecimento artístico, é verdade – e também, no atual cenário fonográfico, isso pouco importa, contanto que um  artista tenha hits de sucesso ou bons números na parada. Harry tem talento: o cara realmente é bom e tem potencial para se tornar um astro como aqueles inicialmente citados. Basta apenas “se encontrar”. Mas a gente também não vai ligar enquanto isso não acontecer: mesmo quando está perdido, Harry Styles prova que é a melhor coisa que o One Direction produziu durante todos estes anos…

One Direction Acerta com “Made in The A.M.”

Cá entre nós: os britânicos da One Direction nunca lançaram obras tão memoráveis assim. Na verdade, seu maior mérito foi estar à frente de canções adolescentes com refrões pegajosos – além de protagonizar estripulias no palco que deixavam seu público alvoroçado. Mas sabe como é: eles cresceram (não muito, claro) e seus fãs puderam acompanhar diante de seus próprios olhos as mudanças que acompanharam os garotos. Made in The A.M., quinto CD do grupo, parece refletir um grau acima da transformação artística do agora quarteto, ainda que alguns elementos que contribuíram para fazer com que a banda atingisse seu atual patamar estejam presentes.

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Ok, Made in The A.M. está muito longe de se consagrar como um marco pop; mas é provavelmente o melhor registro da 1D até hoje e, é claro, não vai desapontar aos fãs. Ao longo de treze músicas (além de bônus da versão luxo), Made in The A.M. é menos “infantilizado” que os discos anteriores dos rapazes. Também é menos “eletrônico” – o ouvinte é capaz até de identificar cada instrumento utilizado, algo que incomodava muita gente lá atrás. Mesmo vocalmente, os integrantes parecem ter melhorado bastante – e fica até mais difícil definir qual deles se sobressai, pois há uma boa harmonia entre suas vozes.

Made in The A.M. abre com a interessante Hey Angel. Desprezada por muitos por conta da letra “fácil”, esteticamente ela tem sua importância dentro do álbum. É seguida por Drag me Down e Perfect, músicas radiofônicas e pop que foram excelentes escolhas como singles iniciais. Há espaço para algumas boas baladas, como If I Could Fly e Long Way Down, além de Love You Goodbye, com sua ótima melodia, e I Want to Write You a Song, com o minimalismo de um violão e vocais modestos mas eficientes. Destaca-se também End of The Day, cuja mudança de ritmo a faz soar estranha à primeira audição, mas depois é capaz de agradar aos ouvidos; e What a Feeling, com sua batida meio retrô e diferente de tudo o que os caras faziam até o momento. Menos empolgantes, entretanto, são Infinity (apesar de ter cara de música de trabalho, provavelmente), a surpreendente Olivia e History, que encerra o disco, mas de forma apenas “morna”, com uma frase pra lá de clichê (“nós podemos fazer mais, nós podemos viver para sempre”).

Sob um panorama geral, Made in The A.M. ganha certa relevância na carreira da One Direction por ser seu disco mais “redondo”, com canções mais equilibradas e que somam ao todo. Não à toa, a ausência de Zayn Malik (que deixou os amigos no início deste ano) nem é percebida, pois os demais conseguem suprir sua falta com tranqüilidade. Além disso, a maioria das faixas foi escrita pelos próprios integrantes, diferente do que acontecia anteriormente – e isso é essencial para tornar este registro mais “pessoal”, único. Made in The A.M. supera até mesmo Four, último álbum que já demonstrava certo amadurecimento. Resta saber se eles conseguirão amadurecer totalmente e fazer música pop com um nível de qualidade acima. A banda já anunciou um hiato para os próximos anos – torçamos, então, para que eles possam voltar melhores e crescidos.

“Ghost Stories”: Coldplay Longe das Origens e Perto do Coração

A banda de rock britânica Coldplay pegou muita gente de surpresa quando anunciou, em março, o lançamento de seu sexto registro de estúdio, Ghost Stories, sucessor do questionável Mylo Xyloto, de 2011. Questionável porque Mylo Xyloto era um disco conceitual e experimental que, apesar das críticas mistas, não agradou totalmente aos fãs dos rapazes – que clamavam por uma volta do Coldplay às antigas e melancólicas composições de sucesso que consagraram o grupo  e não ao estilo “colorido” e animado (quase infantil) de MXGhost Stories chega as lojas ainda este mês, mas já foi disponibilizado no iTunes Radio – e, já à primeira audição, escancara as diferenças com o álbum que o antecedeu.

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Contando com a participação de vários produtores (como do DJ Avicii, Paul Epworth e Timbaland – este último que já trabalhou com Justin Timberlake, Madonna, Rihanna e 50 Cent, entre outros vários artistas de sucesso), Ghost Stories é um disco que, ao longo de suas nove faixas, mostra que o grupo liderado por Chris Martin parece não se arriscar muito. No entanto, a busca por novas sonoridades (principalmente eletrônicas) está presente no álbum, revelando um trabalho que, ainda que esteja distante daquilo que a banda fazia nos primeiros anos é capaz de agradar.

Ghost Stories abre com Always in My Head – com sua introdução sublime e seu refrão cativante, onde Chris declara que “você está sempre em minha cabeça”, ao som de uma guitarra deliciosa. De longe, uma das melhores músicas do disco. Em seguida, Magic (primeiro single já lançado anteriormente) sugere que não há nada mais mágico do que estar ao lado de quem se ama. A baladinha simplista não é nada próximo aos grandes sucessos de outrora, mas é totalmente amigável – e, ao vivo, com Chris ao piano, certamente ficará ainda melhor. Ink é outra baladinha experimental, que talvez executada por uma banda menor não teria a mesma felicidade e eficiência. Sem muita grandeza, é uma daquelas canções que cairiam bem em qualquer trilha sonora.

True Love vem carregada de elementos eletrônicos, que a deixa com um ar meio acústico, apesar dos belos arranjos de cordas e da guitarra que segura a música ao longo de sua execução. Midnight tem uma falsa pretensão melancólica e, apesar de não ser uma obra-prima, é a faixa cuja letra mais se aproxima das composições antigas do grupo. Nada alem disso. A canção tem uma pegada eletrônica bem minimalista, acentuada pelo uso explícito do autotune na voz de Chris – tornando-a quase experimental. Another’s Arms segue a mesma linha eletrônica-experimental de Midnight – mas menos minimalista (talvez pelos belos arranjos vocais femininos). Oceans é a música mais acústica do álbum, apesar de crescer ao longo de seus mais de cinco minutos – exceto por seu final sintetizado e, particularmente, desnecessário. Em seguida, A Sky Full of Stars, a aguardada composição produzida por Avicii, se traduz no momento mais dançante do trabalho até aqui, mesclando a agitação “disco” com o acústico de um violão que dá todo o ritmo – faltou apenas a Nicki Minaj fazendo um feat. para completar a situação (só que nunca). Fechando Ghost Stories, temos a bela introdução ao piano de O (sim, apenas “o”) – talvez a faixa que mais lembre a melancolia do Coldplay de Parachutes – um belo momento que encerra bem o disco.

02Ghost Stories é um grande ponto de interrogação na cabeça dos fãs da banda. Não é o disco que se esperava, porém é um trabalho bom que, ainda que um pouco engessado, absorve bem as novas experiências que o quarteto adquiriu ao longo de quase 20 anos de estrada. O que se percebe é que aos poucos o grupo britânico vem apresentando um novo conteúdo, distanciando-se de suas origens, mas sem perder por completo a essência que os fãs tanto amam. O maior distanciamento, à primeira audição, fica nas letras, pois Chris nunca esteve tão amante como aqui – o álbum é carregado de letras com frases clichês e talvez piegas, como “eu não quero ninguém mais alem de você”, “eu penso em você” ou (o ápice do amor romântico) “diga que me ama ou minta” – frases que em composições pop seriam amplamente satirizadas. Talvez seja reflexo do fim (surpresa!) do casamento entre Chris Martin e a atriz Gwyneth Paltrow – como dizem, até mesmo um pé na bunda serve para alguma coisa. Talvez seja o interesse repentino de Chris na boyband britânica One Direction e, especialmente, em seu frontman Harry Styles (amplamente elogiado pelo cantor de clássicos como YellowClocksTroubleFix YouThe Scientist e uma porrada de músicas boas). Fato é que Ghost Stories não traz uma inovação total ao som da banda, mas mostra que o Coldplay está em boa forma – suficiente para criar um projeto pensado, conceitual e focado na experimentação, capaz ainda de atingir o coração da crítica e do público.

Retrospectiva 2013 – Parte 4: As Revelações, Os Singles e as Decepções da Música em 2013

Continuando a retrospectiva da indústria fonográfica em 2013, chegou a hora de listar quais foram os singles que não saíram da boca da galera, os artistas que chegaram marcando território e, para variar, aqueles que enfiaram o pé na jaca e decepcionaram a crítica e o público por seus trabalhos não tão memoráveis (ou ruins, mesmo).

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LORDE
Lorde deu um up considerável em sua carreira no ano de 2013, saindo do status alternativo e chegando ao mainstream com a ajuda de companheiros de profissão e, obviamente, divulgação na internet. Aproveitando isso, sua gravadora apressou a gravação de seu álbum de estréia, Pure Heroine, colocando-a nas paradas mundiais do dia para a noite.

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ARIANA GRANDE
As comparações entre Ariana Grande e a diva R&B Mariah Carey não são injustas. Ariana, assim como Mariah, é uma das poucas cantoras capazes de reproduzir o whistle (o maior registro agudo alcançado pela voz humana). Muitas das músicas da ex-atriz da Nickelodeon (cujo primeiro registro foi lançado em 2013) parecem ter sido retiradas de algum disco perdido de Mariah Carey lá pela década de 90…

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IMAGINE DRAGONS
Com a canção Radioactive, a banda Imagine Dragons ficou mais de 50 semanas na lista da Billboard – e foi até considerado o hit do ano pela revista Rolling Stones. Com pouco mais de cinco anos de carreira, a banda participou da trilha sonora do segundo filme da saga Jogos Vorazes e recebeu duas indicações para o Grammy Awards, em 2014.

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ICONA POP
Formado em 2009, o dueto sueco de electrop pop já havia chamado atenção há alguns anos quando, em 2011, a Rolling Stones o consideraram a estréia mais promissora do ano. Mas a banda cresceu e 2013 foi um ótimo ano para a dupla, que era presença constante no top 10 de vários países mundo afora.

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MACKLEMORE & RYAN LEWIS
A dupla já tem alguns anos de estrada separadamente. A proposta do rapper Macklemore e do produtor Ryan Lewis é misturar hip-hop e pop, de forma até mesmo divertida. A fama global veio em 2013 com o vídeo viral de Thrift Shop, que colocou os caras no topo da parada de oito países, incluindo EUA, Reino Unido e Austrália.

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singles

DO WHAT U WANT – Lady Gaga
Em 2013, Lady Gaga lançou seu injustiçado ARTPOP, cuja primeira música de trabalho é Applause. No entanto, quem merece aplausos mesmo é Do What U Want, parceria de Gaga com R. Kelly, que utiliza sintetizadores (tão comuns a artistas indie) em dose equilibrada, alem de uma temática sexual – que fez a música chamar a atenção e, para muitos, ser considerada a melhor faixa de Lady Gaga desde Bad Romance, do seu primeiro disco.

BLKKK SKKKN HEAD – Kanye West
Carro chefe do ótimo álbum YeezusBlack Skinhead prova que Kanye West sabe fazer música – e sabe fazer bem. Nenhuma novidade, já que falamos de um artista cujos trabalhos são frequentemente bem recebidos pela crítica.

ROYALS – Lorde
Para provar o que falamos acima sobre a neozelandesa, Royals entra na lista. Royals ajudou Lorde em sua turnê pelos EUA, alem de gerar um contrato milionário para a garota – que, ao que tudo indica, é alta aposta para 2014.

GET LUCKY –  Daft Punk feat. Pharrell
Demonstrando o poder da internet, Get Lucky é uma música que caiu nas graças do público com o mínimo de divulgação (nem clipe oficial a música teve). Antes mesmo de ser lançada, a música já estava bombando pela rede, gerando inúmeros coversremixes.

WRECKING BALL – Miley Cyrus
Definitivamente, em se tratando de single, difícil deixar Miley Cyrus de fora. Seu Wrecking Ball foi uma das músicas mais comentadas do ano. Ótima balada, o clipe da canção é bom e polêmico, gerador de diversos memes na internet e marcando a nova fase tresloucada da ex-Hannah Montana.

MENÇÃO NACIONAL HONROSA (ou não)

SHOW DAS PODEROSAS – Anitta
Amigão, cá entre nós, que brasileiro não cantou o refrão “PRE-PA-RA” ao menos uma única vez ao longo de 2013? Críticas a parte em relação à funkeira, a música pegou geral e se tornou um dos maiores hits nacionais (se não, o maior) do ano, tornando Anitta uma celebridade instantânea e figurinha carimbada nos programas televisivos de domingo – além, óbvio, das inúmeras paródias e versões criadas na internet.

DECEP

01BRITNEY SPEARS
O que era para ser um disco pessoal e intimista, acabou se saindo uma farofa… Britney errou a receita e seu Britney Jean não decolou e se tornou um dos piores álbuns do ano. Com singles como Work BitchPerfume, o trabalho é totalmente descartável na carreira da princesinha do pop (que também já não é mais tão princesinha assim, hein, cá entre nós…).

02BACKSTREET BOYS
Talvez desejando alcançar o mesmo sucesso que a boy band britânica One Direction, os rapazes do Backstreet Boys (que já foram considerados a maior boy band de todos os tempos) lançaram o álbum In a World Like This – esquecido pela crítica e desprezado pelos fãs.

03ARCTIC MONKEYS
O quinto álbum de estúdios da banda Arctic Monkeys, AM, estreou em primeiro lugar nas paradas do Reino Unido, vendendo mais de 150 mil cópias apenas na primeira semana. Porém, alguns críticos torceram o nariz para o registro, alegando as diferenças em relação aos trabalhos anteriores da banda britânica.


04ONE DIRECTION

Já elogiei a boy band em outras ocasiões (afinal, como música pop, as canções da banda funcionam bem). O problema é que eles parecem estar engessados à uma receita que os consagraram há alguns anos atrás – e seu Midnight Memories parece uma compilação dos trabalhos anteriores dos rapazes, não promovendo nenhuma evolução significativa na carreira da banda.

0530 SECONDS TO MARS
Love Lust Faith + Dreams, quarto álbum de estúdio da banda de rock alternativo 30 Seconds to Mars, não foi muito bem recebido pela crítica e pelos fãs da banda – e rendeu, no máximo, o ótimo clipe para a faixa Up In The Air. E só. Infelizmente, nem só de clipes com pretensões cinematográfica e megalomaníacas a indústria fonográfica sobrevive…

Retrospectiva 2013 – Parte 1: O Que Passou de Pior Por Aqui

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O ano de 2013 está chegando ao fim – e é quase unanimidade entre os cinéfilos que o ano não teve uma boa safra de grandes produções.

Exatamente por esta razão, decidi listar os filmes que estrearam nesse período e, que de alguma forma, chamaram a atenção do público e da crítica por suas qualidades “questionáveis”. De rostos desconhecidos a grandes nomes, é um fato que muita coisa ruim deixou a sensação de que 2013 poderia ter sido bem melhor. De remakes a faroestes, confira a lista e veja as produções que, literalmente, deram bola fora…

JOBS (Jobs, Joshua Michael Stern)
A biografia de Steve Jobs foi levada às telas pelo insosso Joshua Michael Stern (um nome até então não muito conhecido pelo público). Além de ser protagonizado por Ashton Kutcher, a cinebiografia não obteve uma boa avaliação da crítica – e seu diretor, que tinha um ótimo material nas mãos e o desperdiçou em um filme mediano, continua praticamente no anonimato.

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O GRANDE GATSBY (The Great Gatsby, Baz Luhrmann)
Baz foi mundialmente aclamado com sua visão arrebatadora de Moulin Rouge, de 2001. O Grande Gatsby era uma grande promessa – teve gente que, inclusive, chegou a cogitar a hipótese de Leonardo DiCaprio, o protagonista, ganhar uma indicação ao Oscar de melhor ator. Bom, se vai ou não, ainda temos que aguardar. O fato é que O Grande Gatsby tem muita música, muito brilho, muito glamour mas… e aí?

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O CAVALEIRO SOLITÁRIO (The Lone Ranger, Gore Verbinski)
Gore Verbinski é a mente por trás da cultuada saga Piratas do Caribe. Quando os estúdios Disney anunciaram a produção O Cavaleiro Solitário, os fãs de Depp e da saga pirata ficaram enlouquecidos. Não que o filme seja ruim, mas O Cavaleiro Solitário não é nada além do que Jack Sparrow em versão western – e apesar do filme até ser bom, o mau desempenho nas bilheterias foi inevitável.

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ONE DIRECTION: THIS IS US (One Direction: This is us, Morgan Spurlock)
Em 2012, o fenômeno pop era Katy Perry que, no embalo de sua turnê adocicada para o álbum Teenage Dream, lançou um documentário sobre sua curta carreira. Em 2013, foi a vez dos “garotos” da banda britânica One Direction – que lançaram um documentário que o público até curtiu e serviu de propulsor para o terceiro disco da banda.

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PERCY JACKSON E O MAR DE MONSTROS (Percy Jackson: Sea of Monsters, Thor Freudenthal)
O primeiro parte da franquia já não foi lá essas coisas, mas para não ficar chato para os estúdios, Percy Jackson e o Mar de Monstros chegou aos cinemas em 2013 – e provou que o problema não era no filme em si, mas sim na saga. Fiasco, nem o rostinho angelical de Logan Lerman foi o suficiente para evitar que a produção morresse na praia…

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MEU NAMORADO É UM ZUMBI (Warm Bodies, Jonathan Levine)
Um longa que começou errado desde o princípio, com a péssima tradução do título, Meu Namorado é um Zumbi é um filme morno que ora flerta com o terror barato, ora com a comédia insípida – e no final, se torna um produto para adolescente ver no cinema quando sai do colégio. Do mesmo diretor do elogiado 50%Warm Bodies (excelente título original) vagueia muito mais nas sombras do que suas personagens…

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KICK-ASS 2 (Kick-Ass 2, Jeff Wadlow)
Não que seja horrível, mas se comparado com a primeira parte da franquia, Kick-Ass 2 deixa a desejar. Além das inúmeras inverossimilhanças com os quadrinhos que o originou, o filme abre mais espaço para a personagem Hit-Girl – que agora, é uma adolescente em crise no colégio que se apaixona pelo nosso herói.

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AMOR PLENO (To The Wonder, Terrence Malick)
Depois do deleite visual de A Árvore da Vida, Terrence Malick nos deu Amor Pleno – um longa-metragem morno, com bela fotografia mas roteiro que não envolve. Tedioso em inúmeros momentos, o não convencional filme de Malick foi uma das maiores esperanças do ano – se revelando também uma das maiores decepções de 2013…

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JOÃO E MARIA: CAÇADORES DE BRUXAS (Hansel and Gretel: Witch Hunters)
Transformar dois personagens clássicos da literatura infantil em caçadores de seres macabros é uma escolha arriscada. João e Maria: Caçadores de Bruxas é um ótimo blockbuster, mas ruim de doer na alma… História com ritmo fraco e um roteiro bem questionável, é um filme que pode até agradar o povão – mas cinéfilo nenhum jamais o assistiria duas vezes…

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CARRIE – A ESTRANHA (Carrie, Kimberly Peirce)
Uma das maiores decepções do ano, o remake do clássico da década de 70 não decolou – e foi um fiasco. Nem mesmo os recursos visuais (que, aparentemente, deveriam ajudar a melhorar a refilmagem) contribuíram para evitar que o filme ficasse muito ruim.

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“Take Me Home”: O Repeteco Musical de One Direction

Você olha para a banda One Direction e é impossível não associa-la diretamente às boy-bands da década de 90. Fruto de uma grande jogada das gravadoras para descaradamente vender discos e fazer garotas (e meninos que gostariam de ser garotas) gritarem histericamente, essas boy-bands fizeram sucesso em todo o mundo e criaram uma legião de fãs de música pop. Os garotos do One Direction, talvez hoje o grupo de maior sucesso comercial da música, apresentam seu segundo álbum, o questionável Take Me Home que, aproveitando o sucesso de Up All Night, primeiro registro da banda, tem tido ótimas vendagens – mas nada mais é do que uma seleção de tudo aquilo que já vimos anteriormente.

Capa de "Take Me Home", segundo álbum de estúdio da banda One Direction.

Capa de “Take Me Home”, segundo álbum de estúdio da banda One Direction.

Okay, ninguém aqui poderia esperar um clássico álbum pop para entrar na galeria de grandes discos mundiais. Mas o álbum tem, sim, um grande mérito: mostrar a todos que o One Direction (e todos aqueles por trás da banda, que a fazem caminhar) é esperto o suficiente para permanecer na mesma pegada, o que praticamente garante que os meninos continuem a fazer sucesso durante muito tempo. Resta dúvida? Pois bem, só na primeira semana, Take Me Home teve 540 mil cópias vendidas, estreando no topo da Billboard 200.

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Mas apesar das boas vendas, a unanimidade é certa: o álbum não é nada diferente daquilo que já ouvimos em Up All Night – que já não era um grande disco, diga-se aqui de passagem. Tinha lá sua pegada jovem, com refrões grudentos, letras românticas e batidas contagiantes para promover a festa entre os adolescentes. Take Me Home permanece nisso. Qualquer música de Take Me Home poderia estar em Up All Night e vice-versa. A sensação que sem tem é que se trata de um único material, como se Take Me Home ficasse com tudo aquilo que não coube no primeiro trabalho dos garotos – sensação esta que aumenta quando descobrimos que Take Me Home foi lançado há pouco mais de um ano do disco de estréia dos rapazes. Sacou?

Aí vai ter os chatos que vão criticar e dizer que Take Me Home é ruim. Não é, assim como Up All Night não é. Para sua finalidade, ambos os álbuns são bons e representam bem o pop para o qual foram criados. O que acontece é que Take Me Home não é ousado: é um álbum para os mesmos fãs de One Direction de sempre, não houve aqui uma tentativa sequer de se conquistar um novo público – o que, definitivamente, é uma lástima, já que a banda (dentro daquilo que se propõe) faz um trabalho, no mínimo, decente.

Para começar, temos a dançante Live While You’re Young, primeiro single e carro-chefe do CD – que tem a mesma pegada jovem, para cima, de What Makes You Beautiful, do registro anterior. Depois, temos a baladinha fofa e romântica Little Things, típica música para as meninas caírem aos prantos nos shows da banda – mas que fica nos mesmos acordes durante toda sua duração. Kiss You C’mon, C’mon seguem mantendo o mesmo ritmo entusiasta da música de abertura – e continuam lembrando os singles do primeiro álbum. Daí vem Last First Kiss, mais uma baladinha para fazer a galera se derreter pelos garotos. Heart Attack Rock Me surgem mais agitadas – e com direito a introdução de We Will Rock You nesta última. Daí em diante, poucas músicas merecem destaque, como Over Again, de longe a melhor melodia e a letra aparentemente mais bem trabalhada (definitivamente uma boa música para se ouvir), e They Don’t Know About Us, que lembra bem o som que os Backstreet Boys faziam há alguns anos atrás.

Eles cantam, eles pulam, eles usam roupas coloridas... e as minas piram. Complicado, né?

Eles cantam, eles pulam, eles usam roupas coloridas… e as minas piram. Complicado, né?

Obviamente, já era de esperar que os garotos lançassem algo praticamente fiel a tudo o que já tinham feito no seu álbum de estréia. Há o fato aqui de que tudo que o One Direction faz hoje (de grifes de roupas à biografias) vende e faz rios de dinheiro. Para que mexer em uma fórmula que já é garantida? Faria sentido? Parece que não. E, queira você ou não, este é o tipo de música que faz com que eles continuem tornando em dinheiro tudo aquilo que tocam. Take Me Home não é bom para aumentar a popularidade da banda entre aqueles que desprezam o quinteto, mas é bom o suficiente para deixar o grupo em evidência por mais alguns anos.

Harry Styles, principal nome da banda, é também aquele com maior potencial para uma carreira solo de sucesso. Será que vem aí um novo Justin Timberlake?

Harry Styles, principal nome da banda, é também aquele com maior potencial para uma carreira solo de sucesso. Será que vem aí um novo Justin Timberlake?

Ao menos, Take Me Home serve para confirmar apenas uma coisa: os garotos sabem como fazer bem o que fazem. Se é com a imagem que música pop sobrevive, imagem é o que o quinteto britânico mais utiliza para se manter no topo. Talvez essa necessidade do mercado fonográfico fez com que o álbum fosse praticamente feito às pressas, para aproveitar este momento em que o conjunto ainda é assunto. Mas isso, no entanto, não tira o fato de que os garotos conseguem desempenhar bem seu papel, dentro do propósito da banda. É evidente que alguns ali, quando o grupo acabar tem potencial para seguir carreira solo – leia-se aqui quase que unicamente o vocalista principal Harry Styles, a melhor voz entre eles – o contraste da voz de Harry em comparação às demais na faixa Little Things é gritante. Harry tem tudo para fazer, num futuro próximo, o mesmo que Justin Timberlake fez ao sair de sua boy-band (Harry que foi revelado no programa X-Factor, assim como os outros participantes do conjunto).

No final, Take Me Home é apenas um repeteco de Up All Night. Poderia muito bem levar o título Up All Night – The Lost Songs, pois é justamente isso: uma união de tudo aquilo que consagrou a banda e aparentemente estava por aí jogado. Pois é, acho bom começarmos a acostumar nossos ouvidos com o som do quinteto, pois a julgar pelo sucesso que tem feito, a One Direction ainda tem muito para oferecer aos fãs. Ao menos, muito mais do mesmo…

Realitys Musicais: Eles Ajudam em Alguma Coisa?

Dizem por aí – e eu digo “dizem” porque eu vejo pipocar notícias na rede, mas raramente escuto uma pessoa de bom senso comentar algo a respeito – que o The Voice Brasil está sendo um sucesso. Baseado no reality show norte-americano que estreou no ano passado, o The Voice é uma competição de canto, onde os participantes disputam entre si por um prêmio específico (desde contrato com gravadoras a valores em espécie). Este não é o primeiro formato a ser apresentado no país e fora dele. Há alguns anos, esse tipo de competição vem despertando a atenção do público – que se empolga, torce, vota pelo seu candidato preferido. Mas, cá entre nós, adianta alguma coisa participar destes programas?

"The Voice Brasil": será que desse mato sai coelho?

“The Voice Brasil”: será que desse mato sai coelho?

Entre 2002 e 2005, a Rede Globo apresentou o Fama que, com um formato bastante próximo, também funcionava como uma espécie de competição, onde os candidatos eram confinados em uma academia musical e lá recebiam aulas de música. Na época, talvez por se tratar até então de uma novidade, o programa conseguiu alavancar a audiência da emissora e revelar alguns nomes – apesar que maioria hoje vive no ostracismo. Desse programa, saíram Hugo e Tiago (amigos que formaram uma dupla sertaneja logo após o fim da atração), Marina Elali (que emplacou inúmeras canções em novelas globais), David Fantazzini (que já era vocalista de uma banda gospel e após sua participação seguiu carreira solo), Roberta Sá (uma das maiores cantoras nacionais em ascensão) e Thiaguinho (sim, o ex-Exaltasamba – se é que isso é importante para você). Mas e quanto a todos os outros?

Muitos outros programas do gênero chegaram ao país a partir daí. Quem não se lembra (infelizmente) do concurso Popstar, do SBT, que revelou o grupo feminino Rouge e, mais tarde, os “garotos” da banda Br’Oz? Quem ainda não lembra da primeira edição do Ídolos, ainda no SBT, que apresentou o cantor Leandro Lopes ao Brasil? Sim, ele mesmo que hoje é vocalista de uma banda de axé? Você não se recorda? Reveja seus conceitos. #NOT

A carreira de Thiaguinho vai bem. Elogiado pela crítica e público, ele até já declarou que "mudou a história do samba". Okay, menos, garoto, bem menos...

A carreira de Thiaguinho vai bem. Elogiado pela crítica e público, ele até já declarou que “mudou a história do samba”. Okay, menos, garoto, bem menos…

Brincadeiras e comentários maldosos à parte, o que realmente é preciso para se fazer sucesso? Afinal de contas, quando se está tão perto de alcançar o auge, o que faz com que o artista tenha sua carreira tão inferiorizada? Há quem diga que, de início, o público brasileiro não é muito inteligente. Em partes, concordo. Se formou uma mentalidade (estúpida, vamos combinar) de que quem assiste reality show é burro. Admito que, particularmente, eu viro a cara para qualquer tipo de reality. Me cansa e não acho paciência para ficar aturando gente que quer mostrar talento onde não tem, acho forçado demais. Também concordo que muitos realitys são profundamente desnecessários (leia-se aqui BBBA FazendaCasa dos Artistas e uma porção de outros do gênero que pegam uma dúzia de pseudo celebridades para disputar algum prêmio) e abusam da inteligência do espectador. Mas um programa musical, na minha modesta opinião, é mais um objeto de entretenimento. Se dali vai sair um grande artista, não garanto – mas que ao menos algumas horas de distração sadia (afinal, não deixa de ser música, certo?) pode sair dali é bem provável.

Veja o caso de inúmeros realitys desse tipo em países de primeiro mundo. Bons artistas saíram dali e alcançaram (ao menos por algum momento) uma exposição muito expressiva, até mesmo a níveis mundiais. Kelly Clarkson, por exemplo, foi a vencedora da primeira edição do American Idol – e certamente, uma das maiores responsáveis pelo sucesso e popularidade do programa. De lá, também saíram Carrie Underwood, por exemplo, vencedora da quarta edição e hoje é uma das maiores intérpretes de música country dos EUA, e Jennifer Hudson, cantora e atriz que já faturou inclusive estatueta do Oscar.

Resta dúvidas sobre o talento de Kelly?

Resta dúvidas sobre o talento de Kelly?

E o que dizer de Susan Boyle? Desprezada pelo júri e público do Britain’s Got Talent, a cantora não ganhou a competição, mas foi a maior revelação do programa, deixando o mundo inteiro de queixo caído com sua voz. No X-Factor, outra atração do gênero, ainda foram apresentados os garotos (ah tá…) do One Direction, conhece? O quinteto inglês se tornou um dos maiores grupos de todos os tempos, com milhões de visualizações no Youtube, inúmeras biografias (pergunta-se: pra quê?) e trazendo de volta a moda das boybands britânicas. Okay, você pode até ser indiferente aos talentos dos guris, mas confessa que você já se pegou cantando o refrão de What Makes You Beautiful, ou pelo menos já a ouviu uma porção de vezes.

One Direction: uma legião de fãs alucinadas e mais uma porrada de visualizações na Internet. Quem não queria?

One Direction: uma legião de fãs alucinadas e mais uma porrada de visualizações na Internet. Quem não queria?

No Brasil, o sucesso dos artistas que participam deste tempo de realitys são, geralmente, bastante passageiro. Alguns poucos conseguem algum destaque. A maioria é dividida em dois grupos: os que caem no ostracismo direto ou aqueles que ainda permanecem um tempo, fazendo participações esporádicas em programas do SBT, Record ou da Luciana Gimenez. Muitos deles alegam que, ao deixar as atrações, não encontram muitas opções, afinal tudo é tão igual, certo? Muitos não conseguem sequer gravar um único álbum – e quando conseguem, só vendem os álbuns para a família (geralmente a mãe, que compra, no mínimo, umas 50 cópias). As emissoras até ajudam em um momento, mas depois deixam os cantores por aí, sem  muitas opções.

Os 15 minutos de fama de muita gente duram, realmente, apenas quinze minutos. Quem ainda tem alguma sorte, consegue durar um pouco mais. Infelizmente, em um mundo onde qualquer um consegue fazer sucesso na Internet, a indústria fonográfica já não consegue mais se sustentar. Você faz sucesso de alguma forma? Okay, tem lugar pra você. Não chama mais atenção? O mercado te cospe como a um chiclete sem gosto. Fica a pergunta: vale a pena se expor por tão pouco? Bom, ao menos, alguns chicletes, mesmo que jogados fora, ainda dão algum certo sabor (pule para 1:48):

Certo?