20 Álbuns Marcantes Que Completam Uma Década

O ano de 2004 foi marcante para a indústria fonográfica e  também o responsável por contribuir para a formação musical de muita gente por aí. Pode parecer que foi ontem, mas a verdade é que lá se vão 10 anos!

Definitivamente, 2004 foi um ano de clássicos dos mais variados gêneros, com o nascimento de grandes hits, discos e artistas que transformaram o cenário musical de então. Para comemorar esses 10 anos, selecionei com a ajuda de alguns amigos, os 20 álbuns mais honrosos que completam uma década de existência em 2014. De clássicos pop e artistas dos mais diversos estilos, confira os títulos que estiveram em alta em 2004 e mudaram a cara da música no início dos anos 2000. E claro: aproveite para fazer uma sessão “nostalgia” particular, afinal o tempo passa e certamente algum desses discos foram inesquecíveis para todos nós.

01. HOT FUSS – The Killers
Estréia da banda The Killers, Hot Fuss tem sua essência no lado sombrio da década de 70 (com claras influências de artistas como The Smiths e New Order), mas ainda assim soa muito atual. Com 11 ótimas faixas, os destaques inevitáveis ficam com as canções Somebody Told Me e a ótima Mr. Brightside.

02. O RIO, A CIDADE E A ÁRVORE – Fresno
O ano de 2004 foi marcado por uma onda de grupos com propensões ao emocore – ou pelo menos, muitas bandas ficaram marcadas como tal. Uma delas foi a brasileira Fresno, liderada por Lucas Silveira, que lançava seu segundo registro contendo verdadeiros hinos do quarteto, como OrgulhoVerdades Que Tanto GuardeiDuas Lágrimas.

01

03. THE COLLEGE DROPOUT – Kanye West
Após quatro anos de produção, o rapper Kanye West (que até então só produzia hits de sucesso para outros artistas do Hip-Hop) entregava seu registro de estréia, que percorria por vários gêneros, como a música gospel, o soul, o rap e o R&B.

02

04. LOVE, ANGEL, MUSIC, BABY – Gwen Stefani
A ex-vocalista do No Doubt se aventurou em carreira solo e produziu um dos melhores álbuns pop do ano. O que aparentemente era um projeto alternativo da cantora, Love, Angel, Music, Baby teve seis singles – entre eles, a canção Hollaback Girl, que se tornou a música mais popular deste trabalho e também o primeiro download digital a superar mais de um milhão de cópias vendidas nos EUA.

05. HOW TO DISMANTLE AN ATOMIC BOMB – U2
Trazendo de volta um rock mais tradicional, How To Dismantle an Atomic Bomb foi amplamente aclamado pela crítica e um sucesso comercial. A faixa Vertigo foi o primeiro hit do álbum, gerando a bem sucedida turnê Vertigo Tour.

03

06. FUNERAL – Arcare Fire
Debut dos canadenses do Arcade Fire, Funeral foi considerado pelo site Rate Your Music como o melhor disco de 2004. Apesar do título mórbido, Funeral aposta em uma abordagem otimista para falar sobre morte, com influências que vão do clássico indie rock à música orquestral.

04

07. COLLISION COURSE – Jay-Z & Linkin Park
Collision Course foi um projeto paralelo do rapper Jay-Z (AKA marido da Beyoncé) com a banda Linkin Park. O EP ficou em primeiro lugar na Billboard 200 e apresenta músicas de ambos os artistas com novas roupagens e mixagens.

08. THE LIBERTINES – The Libertines
O segundo disco dos ingleses do The Libertines também marca o fim da carreira do grupo. Contando a história do intenso e problemático relacionamento entre Pete Doherty (recém saído da prisão) e Carl Barât, o registro homônimo foi sucesso absoluto e a faixa Can’t Stand me Now se tornou hit obrigatório em todas as rádios mundiais.

05

09. A FOREIGN SOUND – Caetano Veloso
A música brasileira merece destaque também – e nada melhor do que incluir um dos nossos mais importantes artistas: Caetano Veloso. O baiano sempre mostrou sua admiração pela música estrangeira e fez de A Foreign Sound um de seus registros mais pessoais, revisitando sucessos de grandes nomes internacionais, como Nirvana, Stevie Wonder e Elvis Presley.

06

10. FRANZ FERDINAND – Franz Ferdinand
Pode não parecer, mas lá se vão 10 anos desde que a banda de rock britânico lançou seu primeiro (e homônimo) disco de estúdio, com toda sua energia frenética do início ao fim. Do pós-punk dos anos 80 ao britpop da década de 90, os rapazes do Franz Ferdinand entregaram hits de pistas como Take Me OutThis FireTell Her Tonight.

11. UNDER MY SKIN – Avril Lavigne
Ela foi considerada a “princesinha do rock” e, pegando carona no sucesso de Let Go, de 2002, Avril Lavigne lançou Under My Skin com a premissa de que este seria um trabalho mais “sombrio, maduro e profundo”. Bom, não entrando nestes méritos, Under My Skin foi um sucesso e criou hits como Don’t Tell Me e Nobody’s Home.

07

12. TAMO AÍ NA ATIVIDADE – Charlie Brown Jr.
Pois é, as mortes prematuras dos integrantes Chorão e Champignon pegou muita gente de surpresa e ainda causa comoção – mas vale a pena lembrar de uma das melhores fases da banda da cidade de Santos/SP – o disco Tamo Aí na Atividade, que entre outros, faturou o Grammy Latino de Melhor Álbum de Rock Brasileiro, em 2005.

08

13. HOPES AND FEARS – Keane
A banda inglesa de rock alternativo Keane despontou para o mundo com as canções melódicas de seu Hopes and Fears, seu primeiro registro de estúdio. Tom Chaplin e seus amigos são hoje um dos artistas mais queridos do novo rock britânico – e a faixa Somewhere Only We Know se tornou uma das canções mais conhecidas do quarteto.

14. MEDÚLLA – Björk
Björk abandona (quase) totalmente os instrumentos e quaisquer outros recursos musicais para construir Medúlla, um disco montado em excelentes arranjos vocais. O projeto é marcado pela montagem e colagem de vozes, alem da utilização de samplesbeatbox que o tornam um dos melhores trabalhos da cantora.

09

15. ENCORE – Eminem
Nomeado no Grammy Awards na categoria de melhor álbum de rapEncore é o quinto trabalho de estúdio do rapper Eminem, que vendeu cerca de 11 milhões de cópias até o momento e estreou em primeiro lugar na Billboard 200. Just Lose It, primeiro single, foi o carro-chefe de Encore, que ainda contava com faixas como MockingbirdMosh.

10

16. THREE CHEERS FOR SWEET REVENGE – My Chemical Romance
Totalmente conceitual, Three Cheers For Sweet Revenge finaliza a história contada no primeiro disco da banda, o ótimo I Brought You My Bullets, You Brought me Your Love, onde um casal é morto em um tiroteio, em meio à uma cidade atacada por vampiros. Aqui, o rapaz vai parar no purgatório e a única maneira de reencontrar sua amada é voltar à Terra e matar mil homens maus. Hits como HelenaThe Ghost of YouI’m Not Okay (I Promise) se tornaram hinos do grupo liderado por Gerard Way.

17. BREAKAWAY – Kelly Clarkson
Breakaway é um trabalho muito mais maduro na carreira da vencedora da primeira edição do American Idol. Com ótimas faixas pop, como Since U Been GoneWalk Away, o destaque inevitavelmente ficou com a canção Because of You – uma música água com açúcar que fez muito marmanjo chorar por aí…

11

18. THE CHRONICLES OF LIFE AND DEATH – Good Charlotte
Lançado em duas edições diferentes (“Life” e “Death”), o terceiro disco dos norte-americanos do Good Charlotte estreou em terceiro lugar na Billboard 200 e gerou hits como I Just Wanna Live, Predictable e a música que dá título ao registro.

19. STILL NOT GETTING ANY… – Simple Plan
Há quem torça o nariz para os canadenses do Simple Plan, mas a verdade é que, em 2004, eles eram evidência e as músicas de seu segundo álbum Still Not Getting Any… estouraram nas rádios mundiais – principalmente as canções Shut Up!Crazy e as baladinhas emo Welcome To My Life e Untitled.

12

20. AMERICAN IDIOT – Green Day
Se há um disco de rock que tenha realmente transformado a década, sem dúvida, é American Idiot, a obra-prima do trio Green Day. Um tapa na cara do governo norte-americano da época, American Idiot é um ópera rock sem precedentes, faturando inclusive o Grammy Award de melhor álbum de rock do ano, estreando em primeiro lugar em vários países mundo afora.

“Ghost Stories”: Coldplay Longe das Origens e Perto do Coração

A banda de rock britânica Coldplay pegou muita gente de surpresa quando anunciou, em março, o lançamento de seu sexto registro de estúdio, Ghost Stories, sucessor do questionável Mylo Xyloto, de 2011. Questionável porque Mylo Xyloto era um disco conceitual e experimental que, apesar das críticas mistas, não agradou totalmente aos fãs dos rapazes – que clamavam por uma volta do Coldplay às antigas e melancólicas composições de sucesso que consagraram o grupo  e não ao estilo “colorido” e animado (quase infantil) de MXGhost Stories chega as lojas ainda este mês, mas já foi disponibilizado no iTunes Radio – e, já à primeira audição, escancara as diferenças com o álbum que o antecedeu.

01

Contando com a participação de vários produtores (como do DJ Avicii, Paul Epworth e Timbaland – este último que já trabalhou com Justin Timberlake, Madonna, Rihanna e 50 Cent, entre outros vários artistas de sucesso), Ghost Stories é um disco que, ao longo de suas nove faixas, mostra que o grupo liderado por Chris Martin parece não se arriscar muito. No entanto, a busca por novas sonoridades (principalmente eletrônicas) está presente no álbum, revelando um trabalho que, ainda que esteja distante daquilo que a banda fazia nos primeiros anos é capaz de agradar.

Ghost Stories abre com Always in My Head – com sua introdução sublime e seu refrão cativante, onde Chris declara que “você está sempre em minha cabeça”, ao som de uma guitarra deliciosa. De longe, uma das melhores músicas do disco. Em seguida, Magic (primeiro single já lançado anteriormente) sugere que não há nada mais mágico do que estar ao lado de quem se ama. A baladinha simplista não é nada próximo aos grandes sucessos de outrora, mas é totalmente amigável – e, ao vivo, com Chris ao piano, certamente ficará ainda melhor. Ink é outra baladinha experimental, que talvez executada por uma banda menor não teria a mesma felicidade e eficiência. Sem muita grandeza, é uma daquelas canções que cairiam bem em qualquer trilha sonora.

True Love vem carregada de elementos eletrônicos, que a deixa com um ar meio acústico, apesar dos belos arranjos de cordas e da guitarra que segura a música ao longo de sua execução. Midnight tem uma falsa pretensão melancólica e, apesar de não ser uma obra-prima, é a faixa cuja letra mais se aproxima das composições antigas do grupo. Nada alem disso. A canção tem uma pegada eletrônica bem minimalista, acentuada pelo uso explícito do autotune na voz de Chris – tornando-a quase experimental. Another’s Arms segue a mesma linha eletrônica-experimental de Midnight – mas menos minimalista (talvez pelos belos arranjos vocais femininos). Oceans é a música mais acústica do álbum, apesar de crescer ao longo de seus mais de cinco minutos – exceto por seu final sintetizado e, particularmente, desnecessário. Em seguida, A Sky Full of Stars, a aguardada composição produzida por Avicii, se traduz no momento mais dançante do trabalho até aqui, mesclando a agitação “disco” com o acústico de um violão que dá todo o ritmo – faltou apenas a Nicki Minaj fazendo um feat. para completar a situação (só que nunca). Fechando Ghost Stories, temos a bela introdução ao piano de O (sim, apenas “o”) – talvez a faixa que mais lembre a melancolia do Coldplay de Parachutes – um belo momento que encerra bem o disco.

02Ghost Stories é um grande ponto de interrogação na cabeça dos fãs da banda. Não é o disco que se esperava, porém é um trabalho bom que, ainda que um pouco engessado, absorve bem as novas experiências que o quarteto adquiriu ao longo de quase 20 anos de estrada. O que se percebe é que aos poucos o grupo britânico vem apresentando um novo conteúdo, distanciando-se de suas origens, mas sem perder por completo a essência que os fãs tanto amam. O maior distanciamento, à primeira audição, fica nas letras, pois Chris nunca esteve tão amante como aqui – o álbum é carregado de letras com frases clichês e talvez piegas, como “eu não quero ninguém mais alem de você”, “eu penso em você” ou (o ápice do amor romântico) “diga que me ama ou minta” – frases que em composições pop seriam amplamente satirizadas. Talvez seja reflexo do fim (surpresa!) do casamento entre Chris Martin e a atriz Gwyneth Paltrow – como dizem, até mesmo um pé na bunda serve para alguma coisa. Talvez seja o interesse repentino de Chris na boyband britânica One Direction e, especialmente, em seu frontman Harry Styles (amplamente elogiado pelo cantor de clássicos como YellowClocksTroubleFix YouThe Scientist e uma porrada de músicas boas). Fato é que Ghost Stories não traz uma inovação total ao som da banda, mas mostra que o Coldplay está em boa forma – suficiente para criar um projeto pensado, conceitual e focado na experimentação, capaz ainda de atingir o coração da crítica e do público.

Keane: Dez (?) Anos em Coletânea “Colorida”

Há algumas bandas que, por mais que se queira, é impossível não gostar. Por mais que se tente achar algum defeito, alguma brecha, algum “porém”, você acaba desistindo e se entregando ao talento indubitável do artista; aquele tipo de banda que ainda que não seja sua preferida, você reconhece que é boa e faz coisas de qualidade. Este é o sentimento que eu nutro pelos garotos do grupo inglês Keane, que está prestes a lançar (em 11 de novembro de 2013, conforme anunciado em seu site) um álbum compilatório para celebrar os dez anos de carreira do quarteto (ou melhor, de seu primeiro single comercial, Everybody’s Changing, de 2003 – já que a banda existe desde 1995).

keaneAgora, here we go: liderada pelo vocalista Tom Chaplin, o Keane se destacou no cenário musical a partir de 2003, pouco antes do seu bem sucedido álbum de estréia, Hopes And Fears. Desde então, o grupo (que mescla um estilo entre o rock alternativo britânico, indie e algumas pinceladas de new wave – veja vocês…) tem estado em evidência e conquistado uma legião de fãs ao redor do mundo, com suas explícitas influências em artistas como U2, A-ha, R.E.M., The Smiths e outros, em maior ou menor proporção, mas que contribuíram para formar a identidade musical do conjunto.

Com quatro álbuns nas costas (o último, Strangeland, foi lançado em 2012), eis que a banda tem uma ideia: lançar uma coletânia com os maiores hits de sua carreira. O resultado disso será a compilação The Best Of Keane, já na pré-venda no site oficial dos rapazes e com diversas edições (simples, edição de luxo com DVD, livro e o caralho a quatro outros atrativos – o que se traduz em uma ótima fonte de receita extraída dos fãs alucinados).

bestA playlist será recheada com canções como Perfect SymmetrySovereign Light Café e ai! morri Somewhere Only We Know, entre outros grandes sucessos – além de algumas faixas inéditas preparadas para o álbum, como Won’t Be Broken e a já liberada Higher Than The Sun – que ganhou um ótimo clipe na última semana. No vídeo, é retratado a trajetória da banda em uma espécie de animação, que acompanha as fases vividas pelos garotos e os álbuns de sua carreira. Dirigido por Chris Boyle, o vídeo caiu bem para a canção que, musicalmente, é reflexo de tudo o que a banda fez durante esses anos na estrada.


Olha, seria um pouco de hipocrisia falar que eu não estou aguardando ansiosamente pela coletânea – afinal, o som do grupo é delicioso de se ouvir, além dos hits que são muito bons e, unidos todos os melhores então…! Era tudo o que os fãs (e os nem tão fãs, mas admiradores) esperavam. E, é claro, a banda também né? Afinal, faturar um extra sem fazer coisa muito nova é sempre um bom negócio… #maldade