Oscar 2018: Resumão

Domingo, 04 de março de 2018. É no Dolby Theatre, em Los Angeles (EUA) que acontece a 90ª cerimônia do Oscar, o maior prêmio da indústria do cinema mundial. Pelo segundo ano consecutivo, a premiação foi comandada pelo comediante Jimmy Kimmel, que já iniciou a noite soltando piadas com relação às gafes cometidas na edição anterior e também com outros temas polêmicos, como as acusações de assédio contra o produtor Harvey Weinstein, questões políticas envolvendo o atual presidente norte-americano, Donald Trump, e a campanha #MeToo – que viralizou em 2017 (houve ainda, mais adiante, um momento dedicado ao Time’s Up – movimento formado por mulheres que cria um fundo legal para defesa de sobreviventes de assédio).

Em um vestido rosa e um visual pra lá de ousado, Viola Davis anuncia o prêmio de ator coadjuvante, que fica com Sam Rockwell, por Três Anúncios Para um Crime. Já o casal “maravilha” Gal Gadot e Armie Hammer (porque né?) concederam a estatueta de maquiagem e cabelo a O Destino de Uma Nação, que disputava com Extraordinário e Victoria e Abdul: O Confidente da Rainha. Também tivemos, aos 93 anos, a atriz Eva Marie Saint conferindo o Oscar de melhor figurino a Trama Fantasma. A dupla Laura Dern e Greta Gerwig, por sua vez, premiam Ícaro como documentário do ano (desbancando o favorito Visages, Villages, de Agnès Varda), enquanto Mary J. Blige foi a responsável pelo primeiro número musical da noite, ao performar Mighty River, de Mudbound – Lágrimas Sobre o Mississipi, que concorria a melhor canção.

A belíssima Lupita Nyong’o e Kumail Nanjiani apresentam a categoria de direção de arte, que ficou com A Forma da Água – seu primeiro prêmio da noite. Logo em seguida, Gael Garcia Bernal divide o palco com Miguel e Natalia Lafourcade, cantando Remember Me, de Viva – A Vida é Uma Festa – que inclusive foi consagrada como melhor animação e canção. A porto-riquenha Rita Moreno, premiada como atriz em 1962 por Amor, Sublime Amor, entregou o prêmio de filme estrangeiro a Uma Mulher Fantástica, triunfando sobre The Square – A Arte da Discórdia (vencedor em Cannes de 2017). Já Mahershala Ali anunciou a favorita Allison Janney como atriz coadjuvante, por sua brilhante atuação em Eu, Tonya.

Alguns momentos especiais merecem destaque. Tivemos Daniela Vega (atriz de Uma Mulher Fantástica) como primeira trans a apresentar o Oscar, convidando Sufjan Stevens a interpretar a belíssima (e injustiçada) Mystery of Love, de Me Chame Pelo Seu Nome. Quebrando a tradição, Casey Affleck (que ganhou no ano passado como ator) foi substituído por Jennifer Lawrence e Jodie Foster, que entregaram o prêmio de atriz a Frances McDormand, em sua segunda estatueta e com um discurso incrível (lembrando que Frances concorria com Meryl Streep, em sua 21ª indicação – quebrando seu próprio recorde). Já Faye Dunaway e Warren Beatty retornam este ano para apresentar o grande prêmio da noite, que acabou indo para A Forma da Água, maior vencedor desta edição com um total de 4 estatuetas, seguido por Dunkirk (edição de som, mixagem de som e montagem).

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Abaixo, segue a lista completa com os vencedores (por ordem de anúncio):

ATOR COADJUVANTE: Sam Rockwell (Três Anúncios Para um Crime)
MAQUIAGEM E CABELO: O Destino de Uma Nação
FIGURINO: Trama Fantasma
DOCUMENTÁRIO: Ícaro
EDIÇÃO DE SOM: Dunkirk
MIXAGEM DE SOM: Dunkirk
DIREÇÃO DE ARTE: A Forma da Água
FILME ESTRANGEIRO: Uma Mulher Fantástica
ATRIZ COADJUVANTE: Allison Janney (Eu, Tonya)
CURTA METRAGEM DE ANIMAÇÃO: Dear Basketball
ANIMAÇÃO: Viva – A Vida é Uma Festa
EFEITOS VISUAIS: Blade Runner 2049
EDIÇÃO: Dunkirk
DOCUMENTÁRIO EM CURTA METRAGEM: Heaven is a Traffic Jam on The 405
CURTA METRAGEM: The Silent Child
ROTEIRO ADAPTADO: Me Chame Pelo Seu Nome
ROTEIRO ORIGINAL: Corra!
FOTOGRAFIA: Blade Runner 2049
TRILHA SONORA: A Forma da Água
CANÇÃO ORIGINAL: Remember Me (Viva – A Vida é Uma Festa)
DIRETOR: Guillermo del Toro (A Forma da Água)
ATOR: Gary Oldman (O Destino de Uma Nação)
ATRIZ: Frances McDormand (Três Anúncios Para um Crime)
FILME: A Forma da Água

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“Caminhos da Floresta”: Musical Disney Com Visual Charmoso Mas Que Perde o Interesse

O império de Walt Disney foi construído ao longo dos anos a partir de suas histórias baseadas em diversos contos de fadas. Os maiores clássicos do estúdio provêm deste tipo de narrativa – e, queira você ou não, estes filmes mudaram a forma de se fazer “animação” no cinema. Mas, é claro: o público mudou. Hoje, Branca de Neve e os Sete Anões não teria o mesmo impacto que em 1937; tampouco Pinóquio seria o herói ideal dos meninos como o foi em 1940. Muito esperta, a Disney sacou isso há alguns anos – e começou-se um processo de desconstrução dessas grandes tramas, através de refilmagens, adaptações e outras firulas com a intenção explicita de trazer o espectador ao cinema. Caminhos da Floresta é mais uma produção dessa leva.

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Caminhos da Floresta (Into The Woods) é o aguardado musical Disney, baseado na homônima peça da Broadway que faz sucesso desde a década de 80. A proposta aqui é bem simples: reunir os mais diversos personagens de contos de fadas em uma mesma trama. Dirigido por Rob Marshall (do oscarizado Chicago e também do último filme da franquia Piratas do Caribe), o fio central de Caminhos da Floresta é o drama do casal formado por um padeiro e sua esposa que, por conta de uma antiga maldição, não pode ter filhos. Desesperados, eles aceitam a ajuda de uma bruxa e partem floresta adentro em busca dos ingredientes para a poção capaz de quebrar o feitiço. A partir daí, personagens de diferentes fábulas são inseridos na trama, como Cinderela, Rapunzel, Chapeuzinho Vermelho e o tal João (aquele do pé de feijão).

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É desnecessário falar que, assim como todas as produções Disney, Caminhos da Floresta é um espetáculo que no que se refere aos aspectos técnicos – desde o figurino (assinado por Colleen Atwood) até sua ótima fotografia, abusando de cores frias para criar uma atmosfera sombria. Outro ponto fortíssimo aqui são suas músicas e a forma como são conduzidas (que me lembrou à primeira audição trechos do gênero Sweeney Todd ou mesmo sucessos da Disney, como A Bela e a Fera), que valorizam o trabalho de um elenco que está afiado e em boa sintonia. Meryl Streep, que há muito tempo já não precisa provar mais nada, está absurdamente bem caracterizada como a bruxa má – e, olha, no início achei que não mas sua indicação ao Oscar de melhor coadjuvante é válida. James Corden e Emily Blunt também demonstram boa química – o primeiro surpreendendo na cantoria. Outro que aparece rapidamente mas o suficiente para apresentar um número divertido é Johnny Depp, caracterizado como o Lobo; além de Chris Pine e Billy Magnussen, os dois príncipes que performam uma das cenas mais hilárias do filme.

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Caminhos da Floresta poderia ter sido um grande momento na carreira de Rob Marshall e seus atores. Apesar de ser um filme tecnicamente atraente, o maior pecado (talvez o único) da produção é a quebra brusca no roteiro, que praticamente divide o musical em dois atos distintos e estende em demasia a película. Assim, Caminhos da Floresta perde sua consistência e acaba sendo um tanto cansativo, fazendo com que o espectador perca o interesse pela história. Caminhos da Floresta poderia ter sido uma ótima experiência, mas é incapaz de seduzir totalmente seu público e acaba se tornando apenas um ótimo entretenimento visual.

Oscar 2012: Resumão

A 84ª edição do Oscar foi celebrada neste domingo (26) no Hollywood & Highland Center, em Los Angeles e, como nas edições anteriores, a noite foi marcada por muito glamour, requinte e sofisticação. E, obviamente, muitos comentários a respeito dos vencedores da premiação. Enquanto algumas pessoas torciam o nariz para os premiados, outras aplaudiam as escolhas da Academia e criavam justificativas para os prêmios de seus indicados favoritos. E – como também foi feito no ano passado – vamos dar uma repassada nos melhores momentos da festa mais importante do cinema.

Na foto, o Kodak Theatre, que serviu de palco para a maior premiação do cinema mundial.

Quem abriu a noite foi Morgan Freeman, seguido por Billy Crystal – o veterano apresentador do Oscar – que, pra variar, fez sua famosa paródia dos principais filmes. Aliás, foi revigorante ver Billy de volta à apresentação do Oscar depois do fiasco de 2011, onde Anne Hathaway e James Franco protagonizaram uma das piores performances de todos os tempos da Academia.

Tom Hanks subiu ao palco para apresentar o primeiro premio da noite e entregou o Oscar de melhor fotografia para A Invenção de Hugo Cabret, que também faturou o Oscar de melhor direção de arte. Já as musas Cameron Diaz e Jennifer Lopez apresentaram o prêmio de melhor figurino e melhor maquiagem, que ficaram, respectivamente, com o mudo O Artista e A Dama de Ferro.

Lindas, Jennifer Lopez e Cameron Diaz não pouparam caras e bocas para apresentar os prêmios de melhor figurino e melhor maquiagem.

Sandra Bullock entregou o prêmio de melhor filme em língua estrangeira ao iraniano A Separação. Cristian Bale, que no ano anterior ganhou o prêmio de melhor ator coadjuvante em O Vencedor, entregou a Octavia Spencer o prêmio de melhor atriz coadjuvante por sua atuação em Histórias Cruzadas. Aplaudida de pé, Octavia claramente mostrava sua emoção ao receber a estatueta.

Visivelmente emocionada, Octavia faturou o Oscar de melhor atriz coadjuvante.

Millenium – Os Homens Que Não Amavam as Mulheres levou seu único prêmio da noite, com o Oscar de melhor montagem, o que não deixou de ser uma surpresa para o público. Os prêmios técnicos de som (melhor edição e mixagem) ficaram com A Invenção de Hugo Cabret – o que foi merecido, devido à qualidade técnica da obra de Scorsese.

Uma das apresentações da noite ficou por conta do Cirque Du Soleil, que trouxe ao palco um pouco da magia de ir ao cinema e de apreciar essa arte. Gore Verbinski, que dirigiu os três primeiros filmes da saga Piratas do Caribe, conseguiu uma estatueta com o prêmio de melhor animação para Rango (obviamente, não deixou de agradecer seu Johnny Depp impecável na dublagem do personagem título).

“Rango” faturou a estatueta de melhor animação. Nada de Tintin.

Ben Stiller e Emma Stone (a atual namorada de Andrew Garfield, estonteante em seu lindo vestido vermelho – e muito mais alta do que de costume) entregaram o Oscar de efeitos visuais para A Invenção de Hugo Cabret. Já o prêmio de melhor ator coadjuvante ficou para Christopher Plummer – aos 82 anos de idade, se tornando, assim, o ator mais velho a ganhar um Oscar. Se muita gente adorou a vitória de Plummer, houve quem preferisse Max Von Sidow por sua atuação em Tão Forte e Tão Perto.

“O Andrew é um cara de sorte…” – único pensamento ao ver a Emma Stone, certo?

Ludovic Bource ganhou o Oscar de melhor trilha sonora original por O Artista (trilha sonora que, em se tratando de cinema mudo, é essencial), enquanto o prêmio de melhor canção original ficou com Mano or Muppet, de Os Muppets – contrariando os fãs brasileiros que torciam por Carlinhos Brown e Sergio Mendes com sua Real In Rio, da animação Rio.

A linda Angelina Jolie (cujas pernas à mostra se tornaram um dos principais assuntos nas redes sociais) entregou o prêmio de melhor roteiro adaptado para os roteiristas de Os Descendentes, o mais provável da noite. A esposa de Brad Pitt também entregou a estatueta de melhor roteiro original para o ausente Woody Allen, por sua maior bilheteria, Meia Noite em Paris. Woody, um dos queridinhos da Academia, no entanto, perdeu o prêmio de melhor diretor para o francês Michel Hazanavicius, que recebeu das mãos de Michael Douglas a estatueta por seu trabalho em O Artista.

Repare na fenda do vestido – se você conseguir. Sem mais comentários.

Ao som de What a Wonderful World, uma homenagem foi feita a alguns nomes famosos do cinema como Elizabeth Taylor, Whitney Houston e Steve Jobs, que nos deixaram recentemente. A bela Natalie Portman, vencedora do Oscar de melhor atriz em 2011 por sua atuação em Cisne Negro, entregou o prêmio de melhor ator para Jean Dujardin, por seu personagem em O Artista. O vencedor do Oscar de melhor ator em 2011, Colin Firth, não poupou palavras para elogiar as indicadas à melhor atriz, mas quem levou a melhor foi Meryl Streep, que conquistou seu terceiro prêmio – ao longo de dezessete indicações durante sua carreira, um recorde na Academia – com sua personagem em A Dama de Ferro.

Meryl Streep e Jean Dujardin, as melhores atuações do ano.

Já prêmio mais importante da noite, melhor filme, ficou para o mais provável O Artista, desbancando Scorsese com sua declaração de amor pessoal ao cinema e Terrence Malick com sua obra-prima A Árvore da Vida – único filme que foi ovacionado durante as indicações. O Artista, que parece ter agradado também o público brasileiro, é o primeira produção em língua não-inglesa a ganhar este prêmio e o primeiro filme mudo a ganhar o Oscar em 83 anos de premiação.

“O Artista” empata com “A Invenção de Hugo Cabret”, levando 5 estatuetas e desbanca as obras de Martin Scorsese, Woody Allen e Terrence Malick.


INJUSTIÇADOS?
Se teve gente que ficou feliz com as premiações, houve quem as contestasse – assim como o foram com as indicações. A Invenção de Hugo Cabret e O Artista ganharam 5 Oscars cada um. Enquanto o primeiro faturou em prêmios técnicos, o segundo faturou as principais categorias (como melhor ator, melhor diretor e melhor filme). Houve também quem questionasse a não premiação de A Árvore da Vida para melhor filme, George Clooney por sua atuação em Os Descendentes ou mesmo Gleen Close ou Viola Davis para melhor atriz. Já o Brasil – contra um único concorrente em melhor canção original, com Real in Rio, do filme Rio – mais uma vez deixa o Oscar escapar de suas mãos.

George Clooney, em “Os Descendentes”; Gleen Close (irreconhecíve) em “Albert Nobbs”; e Brad Pitt em “A Árvore da Vida”: afinal, mereciam ou não?

Também questionou-se muito algumas indicações que não foram feitas. Leonardo DiCaprio, por exemplo, era um dos favoritos para melhor ator por seu John Edgar no filme de Clint Eastwood (que também ficou de fora das indicações para melhor direção). Já Sandra Bullock e Charlize Theron poderiam concorrer ao prêmio de melhor atriz, por seus belos personagens em Tão Perto e Tão Longe e Jovens Adultos. O polêmico Roman Polanski ficou de fora com seu filme Carnage, assim como Jodie Foster, que teve para muitos uma das melhores atuações de sua carreira. Já o filme de Steven Spielberg, As Aventuras de Tintim: O Segredo do Licorne e o badaladíssimo Rio foram ignorados para as indicações de melhor animação.

Leonardo DiCaprio, em “J. Edgar”; Sandra Bullock em “Tão Forte e Tão Perto”; e “As Aventuras de Tintin”: teve coisa boa que ficou de fora…

PREMIADOS DA NOITE

MELHOR FOTOGRAFIA: A Invenção de Hugo Cabret
MELHOR DIREÇÃO DE ARTE: A Invenção de Hugo Cabret
MELHOR FIGURINO: O Artista
MELHOR MAQUIAGEM: A Dama de Ferro
MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA: A Separação
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Octavia Spencer (Histórias Cruzadas)
MELHOR MONTAGEM: Millenium – Os Homens Que Não Amavam as Mulheres
MELHOR EDIÇÃO DE SOM: A Invenção de Hugo Cabret
MELHOR MIXAGEM DE SOM: A Invenção de Hugo Cabret
MELHOR DOCUMENTÁRIO: Undefeated
MELHOR ANIMAÇÃO: Rango
EFEITOS VISUAIS: A Invenção de Hugo Cabret
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Christopher Plummer (Toda Forma de Amor)
MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL: O Artista
MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: Man or Muppet (Os Muppets)
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: Os Descendentes
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: Meia Noite em Paris
MELHOR CURTA-METRAGEM: The Shore
MELHOR DOCUMENTÁRIO DE CURTA-METRAGEM: Saving Face
MELHOR CURTA ANIMADO: The Fantastic Flying Books of Mister Morris Lessmore
MELHOR DIREÇÃO: Michel Hazanavicius (O Artista)
MELHOR ATOR: Jean Dujardin (O Artista)
MELHOR ATRIZ: Meryl Streep (A Dama de Ferro)
MELHOR FILME: O Artista