“Meu Amigo, o Dragão”: Disney Recria Clássico Sem Abandonar a Magia

01A Disney escancarou mesmo a temporada de readaptações de seus clássicos – e agora, chega aos cinemas Meu Amigo, o Dragão, nova versão do filme dirigido por Don Chaffey, em 1977. Ao contrário do original, que se utilizava da mesma técnica do consagrado Mary Poppins (misturar personagens reais com elementos animados), este Meu Amigo, o Dragão é rodado predominantemente em live action – já a tal criatura do título é feita através de computação gráfica, dando uma nova roupagem à uma história já conhecida do público saudosista.

Quer dizer, parcialmente conhecida – já que o argumento deste novo filme é ligeiramente diferente do anterior. A trama se passa nos dias atuais e acompanha uma família, que sofre um acidente de carro durante um passeio em meio a floresta. O único sobrevivente é Pete, o filho do casal que, à deriva naquele ambiente hostil, encontra Elliot – um dragão gigante com a incrível habilidade de ficar invisível. Os anos se passam: Pete está vivendo na floresta ao lado de Elliot e a amizade entre os dois se torna cada vez mais forte – já que agora eles só têm um ao outro. No entanto, o relacionamento entre eles fica ameaçado quando o pequeno Pete é descoberto por uma guarda florestal e levado à cidade. Desolado, Elliot não medirá esforços para resgatar seu companheiro, ainda que para isso ele mesmo tenha que correr alguns riscos.

Meu Amigo, o Dragão é, na verdade, um típico longa-metragem Disney e praticamente recicla todos os itens básicos de suas produções. O visual é rico e a fotografia serve muito bem à proposta. Os tons de verde são exuberantes – inclusive os de Elliot, que aqui chama a atenção pelo excelente trabalho de computação gráfica. Outro ponto favorável de Meu Amigo, o Dragão é sua trilha sonora: apesar de abandonar totalmente o gênero musical do primeiro filme, a música é marcante, inserida em momentos oportunos que ora acentuam a carga dramática da cena ora traduzem o tom leve da narrativa. Os personagens, por sua vez, apesar de não muito bem desenvolvidos, são carismáticos (talvez por conta do bom desempenho do elenco, que conta com nomes como Bryce Dallas Howard, Wes Bentley e Robert Redford). Entretanto, curiosamente nenhum deles consegue ser tão interessante quanto o próprio Elliot. Ele recua no tom “brincalhão” da primeira fita, apresentando uma postura quase humanizada. Sua relação com Pete é invertida: é o garoto quem quase assume o papel de bicho de estimação.

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Cativante do início ao fim e repleto de aventura e fantasia, Meu Amigo, o Dragão trata de vários temas, como a amizade e família. No entanto, também critica a interferência do ser humano na natureza e como as consequências podem ser catastróficas. Mesmo com um roteiro fácil e previsível (escrito pelo próprio diretor David Lowery em parceria com Toby Halbrooks), Meu Amigo, o Dragão consegue reinventar toda a magia Disney que durante anos tem encantado a milhares de pessoas – e prova que a empresa ainda é capaz de conquistar uma nova audiência mesmo ao apresentar personagens que já amamos e já fazem parte de nossas vidas.

“Vingadores – Era de Ultron”: Marvel Consolida Seu Universo, Mas Sem Inovação

03Quando a Disney anunciou que compraria a Marvel, lá no final da década passada, muita gente ficou com uma pulga atrás da orelha com relação ao futuro de ambas as empresas – o que era justificável. E aí, quando menos esperávamos, o estúdio do ratinho Mickey nos surpreendeu de forma insana com Os Vingadores – The Avengers, um sucesso de público e crítica, considerado por muitos na época como “o melhor filme de heróis de todos os tempos”. Não é tão difícil, dessa forma, explicar o frisson causado pela estreia da continuação da série, o aguardado Vingadores – Era de Ultron, que chegou aos cinemas brasileiros nesta semana.

Na gênese de Era de Ultron, encontramos o primeiro filme da saga, lançado em 2012 – e nada alem disso. Se você, quando criança, acompanhava os desenhos de Tom e Jerry, vai entender bem o que quero dizer. A ideia era sempre a mesma: um gato que perseguia um rato incansavelmente – mudava-se apenas os meios, talvez o cenário, adicionava-se um ou outro personagem na trama (um cão valentão, uma passarinho amedrontado, uma gatinha charmosa), eventualmente eles se uniam para derrotar um inimigo em comum… Mas a premissa era a mesma. Assim é Vingadores – Era de Ultron: não uma continuação, mas um capítulo ligeiramente mais sombrio de tudo aquilo já assistimos anteriormente, sem absolutamente nada de inovador.

Não que isso seja ruim – afinal, foi justamente isso que encantou plateias no mundo inteiro e é exatamente o que esperamos ver em um filme de heróis: explosões de tirar o fôlego, a velha luta do bem contra o mal, batalhas épicas, efeitos especiais mirabolantes. E nestes quesitos, Era de Ultron é um prato cheio para os aficionados da série. Nesta aventura, no entanto, o grupo de heróis terá de salvar o planeta das ameaças de Ultron, um programa de inteligência artificial mantenedor da paz mundial (“criado” pelo próprio Tony Stark) que tomou a forma de um robô. Viu só? A mesma e passada história de sempre. Mas os problemas de Era de Ultron podem ser claramente percebidos ao longo de suas quase duas horas e meia de duração.

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Quer dizer, problemas para aqueles não esperam nada alem de um bom entretenimento – e nisso, Era de Ultron cumpre bem sua proposta. Mas é um fato que o filme se estende demais, com cenas que poderiam muito bem ser eliminadas sem prejudicar o produto final. E, estranhamente, as sequências que não fariam muita falta foram aquelas que mais envolviam pancadaria e explosão – como o desfecho da narrativa, que é pura enrolação e computação, sem um clímax à sua altura. Outra situação questionável: o vilão Ultron, apesar de até despertar certa curiosidade no início, não consegue muito bem deixar claro para qual finalidade veio e nem quais são suas reais motivações – isso sem mencionar a ausência de carisma que encontrávamos de sobra em Tom Hiddleston, como Loki. Ultron só tem um grande mérito: é ele quem praticamente faz oscilar o tom do filme, alternando as batalhas catastróficas com momentos em que os dramas pessoais de nossos heróis são devidamente tratados (como o Gavião Arqueiro, que está em crise familiar, ou a Viúva Negra que já não esconde seu interesse pelo doutor Banner).

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Mas Vingadores – Era de Ultron está longe de ser um fiasco – e talvez muito da minha opinião seja influência do fato de que eu não gosto de filmes de heróis. Mas também devemos concordar que, como cinema, Era de Ultron tem suas falhas, sim, que talvez não fiquem tão evidentes porque a produção nos compensa com outros pontos favoravéis, como os ótimos efeitos especiais, a trilha sonora elétrica de Danny Elfman e até as piadinhas bem sacadas – que na verdade é mérito exclusivo de um elenco carismático (com exceção de um ou outro, como Aaron Taylor-Johnson que, na pele de Mercúrio, entrou mudo e saiu calado). Talvez o melhor de Vingadores – Era de Ultron é ver como a Marvel consolidou de vez seu universo, através de um roteiro de ação amarrado que é capaz de agradar mesmo aqueles que não conhecem muito de HQs. Era de Ultron é um filme que se sustenta sozinho, com um desfecho que, apesar de individual, abre pequenas pontas para futuras tramas, alem de introduzir novos personagens e aposentar outros. Perde, todavia, em permanecer na mesma – nos dando a impressão de que nossos heróis já não tem o mesmo pique de antigamente…

“Caminhos da Floresta”: Musical Disney Com Visual Charmoso Mas Que Perde o Interesse

O império de Walt Disney foi construído ao longo dos anos a partir de suas histórias baseadas em diversos contos de fadas. Os maiores clássicos do estúdio provêm deste tipo de narrativa – e, queira você ou não, estes filmes mudaram a forma de se fazer “animação” no cinema. Mas, é claro: o público mudou. Hoje, Branca de Neve e os Sete Anões não teria o mesmo impacto que em 1937; tampouco Pinóquio seria o herói ideal dos meninos como o foi em 1940. Muito esperta, a Disney sacou isso há alguns anos – e começou-se um processo de desconstrução dessas grandes tramas, através de refilmagens, adaptações e outras firulas com a intenção explicita de trazer o espectador ao cinema. Caminhos da Floresta é mais uma produção dessa leva.

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Caminhos da Floresta (Into The Woods) é o aguardado musical Disney, baseado na homônima peça da Broadway que faz sucesso desde a década de 80. A proposta aqui é bem simples: reunir os mais diversos personagens de contos de fadas em uma mesma trama. Dirigido por Rob Marshall (do oscarizado Chicago e também do último filme da franquia Piratas do Caribe), o fio central de Caminhos da Floresta é o drama do casal formado por um padeiro e sua esposa que, por conta de uma antiga maldição, não pode ter filhos. Desesperados, eles aceitam a ajuda de uma bruxa e partem floresta adentro em busca dos ingredientes para a poção capaz de quebrar o feitiço. A partir daí, personagens de diferentes fábulas são inseridos na trama, como Cinderela, Rapunzel, Chapeuzinho Vermelho e o tal João (aquele do pé de feijão).

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É desnecessário falar que, assim como todas as produções Disney, Caminhos da Floresta é um espetáculo que no que se refere aos aspectos técnicos – desde o figurino (assinado por Colleen Atwood) até sua ótima fotografia, abusando de cores frias para criar uma atmosfera sombria. Outro ponto fortíssimo aqui são suas músicas e a forma como são conduzidas (que me lembrou à primeira audição trechos do gênero Sweeney Todd ou mesmo sucessos da Disney, como A Bela e a Fera), que valorizam o trabalho de um elenco que está afiado e em boa sintonia. Meryl Streep, que há muito tempo já não precisa provar mais nada, está absurdamente bem caracterizada como a bruxa má – e, olha, no início achei que não mas sua indicação ao Oscar de melhor coadjuvante é válida. James Corden e Emily Blunt também demonstram boa química – o primeiro surpreendendo na cantoria. Outro que aparece rapidamente mas o suficiente para apresentar um número divertido é Johnny Depp, caracterizado como o Lobo; além de Chris Pine e Billy Magnussen, os dois príncipes que performam uma das cenas mais hilárias do filme.

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Caminhos da Floresta poderia ter sido um grande momento na carreira de Rob Marshall e seus atores. Apesar de ser um filme tecnicamente atraente, o maior pecado (talvez o único) da produção é a quebra brusca no roteiro, que praticamente divide o musical em dois atos distintos e estende em demasia a película. Assim, Caminhos da Floresta perde sua consistência e acaba sendo um tanto cansativo, fazendo com que o espectador perca o interesse pela história. Caminhos da Floresta poderia ter sido uma ótima experiência, mas é incapaz de seduzir totalmente seu público e acaba se tornando apenas um ótimo entretenimento visual.

Wall-e

Começo esta crítica com uma confissão arriscada: para mim, Wall-e é a melhor obra da Pixar em todos os tempos. Digo que é arriscado porque, bem, estamos falando da Pixar – empresa à frente de sucessos como a trilogia Toy Story, Up – Altas Aventuras ou Procurando Nemo. Mas tenho algumas especulações que sustentariam minha tese (ou ao menos minha modesta opinião) de que Wall-e é a obra-prima dos estúdios de John Lasseter; um verdadeiro trunfo da animação e uma das produções mais cativantes que eu já tive o imenso prazer em assistir.

04Pelo princípio: assim como em outras produções da Pixar, Wall-e possui protagonistas improváveis (a não ser que você ache comum brinquedos ou carros que falam, um rato que sonha em ser chefe de cozinha ou um peixe palhaço à procura do filho perdido). Neste caso, falamos do robozinho do título, único “habitante” de um planeta Terra bem diferente daquilo que poderíamos esperar em um filme que se passa no futuro: inóspita e repleta de lixo por todos os lados. Solitário, Wall-e passa seus dias na árdua tarefa de “limpar” a Terra (juntando todo o lixo acumulado durante gerações) enquanto coleciona objetos utilizados pelos humanos que, agora, vivem no espaço. No entanto, a rotina pacata de Wall-e muda com a chegada inesperada de Eva, uma sonda moderna e sofisticada enviada ao planeta com a missão de descobrir sinais de vida vegetal que indiquem um retorno da sustentabilidade da vida humana.

Com uma sinopse razoavelmente simples, muito pouco poderia se esperar de Wall-e. Até mesmo porque Wall-e, apesar de ser uma animação, não é feito diretamente para crianças. Há de se dizer, inclusive, que as crianças podem criar certa resistência ao filme – o que é completamente justificável. Wall-e foi feito para quem gosta de cinema. É a sétima arte em seu mais puro estado, uma experiência visual que remete o espectador aos primórdios da comédia muda (de Charles Chaplin a Buster Keaton, por exemplo), à ficção científica que tomou conta das telonas por volta da década de 70 e ao maior clichê cinematográfico de todos os gêneros: o encontro casual (e o desenrolar da relação) entre homem e mulher.

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O que torna Wall-e uma obra sublime (no mais amplo sentido da palavra) é que a experiência visual proporcionada pelo longa se estende sobre os itens anteriormente citados, mas de forma muito mais requintada. Comédia muda a começar porque Wall-e é um filme que conta sua história sem os artifícios do diálogo narrativo. Diria que, se muito, apenas um terço do filme tem diálogos falados. Toda a narrativa é contada através de suas imagens. Wall-e, por exemplo, exprime todas as suas emoções através praticamente de seus olhos (que transmitem tristeza, timidez, seu jeito desengonçado de ser e até mesmo seu interesse na humanidade). Esse mérito da produção é resultado de uma característica da Pixar com a qual já estamos habituados: a perfeição com que os estúdios trabalham sua técnica. Wall-e é simplesmente impecável do ponto de vista técnico. Isso fica evidenciado a cada momento através das belas imagens criadas pela equipe Pixar, enchendo os olhos do espectador com planos e sequências inspiradoras, formando uma fotografia ímpar. A cena do balé de Eva e Wall-e no espaço é uma daquelas sequencias cinematográficas para entrar na história – comparada às vassouras cheias de vida de Fantasia ou ao beijo inocente de A Dama e o Vagabundo.

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Em se tratando de ficção científica, Wall-e segue na contramão do roteiro que se poderia esperar do gênero. Não é apenas uma abordagem “futurista”, mas uma obra que propaga também questões ambientais (e por que não humanitárias) que vão muito alem do que muitos filmes, documentários ou obras do gênero pregam. A sátira ao consumo desenfreado, por exemplo, está presente claramente na quantidade de lixo acumulada ao longo dos anos e que o robô tenta, inutilmente, organizar. Com uma história simples, o longa passa uma mensagem muito mais direta e comovente do que muitos discursos ecológicos e humanitários por aí, até mesmo por uma razão: Wall-e é um filme otimista, há esperança de um futuro melhor. Isso fica evidenciado na forma como o robô coleciona os objetos humanos que o fascinam, como se a cada objeto, o melhor da raça humana fosse separado. É muita ternura em um único personagem.

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O encontro casual entre homem e mulher, finalmente, é ainda mais terno porque, neste caso, o casal em questão é formado por dois robôs. Isso não impede que a Pixar recrie uma fábula contemporânea (digo, futurista) sobre a solidão. Wall-e, quando encontra Eva, se apaixona de forma pura pelo robô. Na verdade, o que temos aqui é a simples história de um ser solitário que descobre o amor – e como o amor muda seu universo. É o amor em seu estado mais honesto e que produz os mais ricos sentimentos: o cuidado, o ciúme, o respeito, a confiança, o medo da perda. É uma das histórias de amor mais puras que o cinema foi capaz de produzir em anos, evidenciada pela excelência no trabalho de animação que reproduziu com esmero todos os movimentos dos personagens e deram vida a cada um deles.

O menos surpreendente, no entanto, é que, assim como boa parte dos filmes da Pixar, Wall-e é uma animação que agrada adultos, mas principalmente aqueles que amam o cinema (o que torna Wall-e a melhor produção da Pixar). Desde sua cena inicial (com a bela visão do planeta Terra acompanhada de uma belíssima trilha sonora – que é um caso a parte e mereceria um texto especial), Wall-e nasceu para emocionar e consegue isso muito bem através também de uma singela (mas encantadora) homenagem à história do cinema, com referências a grandes obras que até hoje cativam o público. Wall-e, solitário em sua humilde residência, assiste a trechos do musical Alô, Dolly!, enquanto tenta imitar os passos vistos na tela – em uma das cenas mais “fofas” que já presenciei no cinema. Wall-e é um daqueles momentos únicos, uma pérola cinematográfica inigualável e incontestável – revelando-se um dos maiores clássicos do cinema e a obra definitiva da Pixar, empresa conhecida por sua excelência e qualidade, que alcançou em Wall-e sua magnitude.

Disney + Lucasfilm: o que se pode esperar?

Uma notícia movimentou a comunidade cinematográfica (e os nerds de plantão) nesta última semana: a Disney – sim, a empresa do Mickey – comprou a produtora Lucasfilm – sim, da saga Star Wars -, do lendário cineasta George Lucas. O valor da transação saiu pela bagatela de 4 bilhões de dólares – valor bem menor daquilo que foi pago pela aquisição da Pixar, em 2006, que saiu por pouco mais de 7 bilhões de dólares. E, assim como aconteceu com a empresa de John Lasseter, já surgem as mais diversas opiniões sobre esta aquisição, mas todas tentando responder a uma mesma pergunta: qual será o futuro de Star Wars?

A imagem mais vista nas últimas semanas.

Vamos entender, primeiramente, o que tudo isso significa. A Walt Disney Pictures é, hoje, simplesmente o maior conglomerado de mídia e entretenimento da indústria. Fundada em 1923, é dona de uma porrada de marcas e produtos, responsável por angariar fãs das mais diversas idades em todo o mundo, apaixonados por seus personagens e histórias. Foi a empresa que produziu o primeiro longa metragem em animação da história, o clássico Branca de Neve e os Sete Anões, que se tornou um modelo na produção de animações até hoje e apresentou ao mundo aquilo que seria uma “marca” dos filmes Disney: histórias de contos de fadas recheados de magia, músicas pegajosas, animaizinhos antropomorfizados, vilões malvados, princesas meigas, final feliz e etc…

Cena de “Fantasia”, um clássico (entre tantos outros) dos estúdios Disney.

Já a Lucasfilm, fundada em 1971, é a produtora de filmes e efeitos especiais (excelentes, diga-se de passagem) do cineasta George Lucas, conhecida principalmente por produzir os seis filmes da série Star Wars, terceira série  cinematográfica mais lucrativa de todos os tempos (perdendo para o bruxinho Harry Potter e James Bond). Criada pelo próprio George, Star Wars se tornou não apenas uma franquia cinematográfica de sucesso, mas desencadeou uma série de outros produtos (jogos, quadrinhos, séries de TV e outros), transformando Star Wars em um fenômeno mundial da cultura pop.

Assim, com o contrato anunciado nos últimos dias, a Lucasfilm passa a fazer parte do conglomerado Walt Disney, juntando-se a empresas como a Marvel, a Touchstone Pictures, Buena Vista, entre outras. Daí, você pode argumentar o seguinte: duas empresas fantásticas, quando se juntam, só pode resultar em algo fantástico, certo? Então… há discussões. Não é porque duas empresas produzem produtos bons que o produto de sua fusão também será bom. Um exemplo dentro do próprio universo Disney é a aquisição da Pixar. Antes da compra, a Pixar era responsável pela produção dos filmes, enquanto a Disney ficava responsável pela distribuição dos longas. Agora, há enormes críticas envolvendo essa fusão e o que muitos argumentam é que, após ser comprada pela Disney, a Pixar acabou “perdendo a mão” e se rendendo aos encantos da empresa do ratinho Mickey. De fato, os últimos filmes Pixar começam a dar sinais de alerta: ValenteCarros 2 foram desastres de crítica e público, alcançando os piores índices de aprovação dos filmes da empresa. Por outro lado, juntas, Disney e Pixar produziram Toy Story 3Up – Altas AventurasWall-e, considerados excelentes filmes.

Mais um exemplo positivo: em parceria com a Marvel desde 2009, a Disney criou o sucesso Os Vingadores, terceira maior bilheteria de todos os tempos – em boa parte, devido às sessões em 3D que, em geral, custam em média o dobro das sessões convencionais. Mas não é só nas bilheterias que Os Vingadores se destaca: o filme também é sucesso de crítica – alguns consideram a melhor adaptação de heróis já produzidas no cinema. E já foi anunciada a continuação do longa para 2015.

Da mesma forma, há opiniões divididas entre os fãs da saga Star Wars. Criada inicialmente em 1977, a primeira trilogia foi lançada em espaço de 3 anos. Dezesseis anos após o término da primeira sequencia, uma nova trilogia foi  lançada, seguindo o mesmo espaço de três anos. Foi uma série que mudou a cara da indústria cinematográfica, em uma época onde grandes diretores surgiam – como Steven Spielberg, Coppola e Scorcese. Com Star Wars, nascia os chamados blockbusters, conquistando uma legião de fãs e admiradores da franquia. Agora, o sétimo episódio da saga já foi anunciado pela Disney – assim, para causar mesmo! – e os fãs que cresceram com a série já começam a ficar alvoroçados.

George Lucas, um gênio por definição, é cultuado até hoje pelos fãs da série – apesar das escorregadas dos últimos episódios.

A preocupação é uma só: e se a Disney resolver colocar a mãozinha onde não deve? É uma hipótese muito válida. Não que a Disney seja uma produtora ruim – afinal, seria sacanagem falar isso da empresa que criou O Rei Leão, PinóquioA Bela e a Fera e tantos outros filmes e personagens que povoam o imaginário infantil. Mas há uma probabilidade de “infantilizar” Star Wars? Sim, há. Mas também há a possibilidade de se fazer algo extraordinário com isso – e, se tratando da Disney, essa última é a mais provável.

Quando adquiriu a Marvel, a Disney foi criticada duramente, pois ninguém acreditava que a empresa poderia criar bons filmes de super-heróis. Daí a Disney cospe Os Vingadores na cara dos críticos e todo mundo fica calado. Muita gente torce o nariz para os últimos filmes da Pixar, mas e Toy Story 3, como fica? Não dá para saber ao certo o que vai acontecer daqui pra frente. Se pensarmos racionalmente, vamos chegar à conclusão de que a Disney é uma companhia inteligente e que quer alcançar lucros. Dificilmente eles farão algo que não possa arrancar milhões dos bolsos dos telespectadores. Alem disso, tem muita gente que argumenta que após os últimos episódios da série, nada poderá ficar pior em Star Wars.

Fãs de Star Wars, não se desesperem: está aí o máximo que pode acontecer com os personagens da série. #NOT

Nisso tudo, o mais admirável é a posição de George Lucas. Que gênio abriria mão de toda sua obra? Foi uma das atitudes mais admiráveis que já vi na vida: o cara cria um império, um universo que muda toda uma geração e, ao ver que não vai mais poder seguir com ele, decide coloca-lo nas mãos de outro – quando muitos o guardariam para si e morreriam com seu legado. George já havia declarado diversas vezes que não voltaria a fazer Star Wars, lembre-se disso. Colocar seu universo nas mãos do ratinho Mickey foi a solução mais viável para que seu universo não morra – ao menos tão cedo.

O que certamente vai acontecer é a Disney querer faturar com Star Wars – afinal, qual seria o motivo da compra? Apenas preservar a obra de George Lucas? Aham, está bem, vou acreditar nisso. É certo que a Disney vai criar milhares de produtos da franquia para alavancar sua receita – e isso vai desde cadernos até parques temáticos, já imaginou? A maior certeza é que a saga Star Wars ainda tem muito a faturar antes de morrer – se é que isso vai um dia acontecer. Façam suas apostas.

Branca de Neve? Recuse Imitações

Branca de Neve e os Sete Anões foi o primeiro longa-metragem animado dos estúdios Disney e, provavelmente, o melhor e mais influente filme dessa empresa. Tudo aquilo que Disney produziu desde então esteve presente nesse filme: as narrativas de conto de fadas, os animais fofinhos, as músicas que ficam na cabeça e são cantadas de geração em geração, os vilões maléficos e as mocinhas puras, enfim, foi o filme que consolidou a Disney como um das maiores empresas cinematográficas de todos os tempos. Afinal, na época, parecia loucura de Walt Disney fazer com que o público aguentasse 90 minutos de desenho animado (em uma época em que o cinema era uma atividade excessivamente “adulta”).

“Branca de Neve e os Sete Anões” foi o primeiro longa-metragem animado da Disney – na época, considerado a grande loucura do estúdio.

Um fato que preocupa os cinéfilos é que, nos últimos anos, Hollywood não tem criado bons roteiros originais. Na maior parte das vezes, o expectador é obrigado a engolir adaptações e releituras de textos já conhecidos e que, muitas vezes, são repetitivos e não apresentam criatividade. E os contos de fada estão aí para servir de inspiração. Depois do sucesso comercial de Alice no País das Maravilhas de Burton, recebemos uma enxurrada de adaptações de contos: A Garota da Capa Vermelha é uma versão moderna da clássica história de Chapeuzinho Vermelho. Recentemente, a história de A Bela e a Fera também ganhou sua visão mais “dark”. Já foi anunciado também que está sendo preparada uma nova versão para Cinderela e rola-se boatos de que Tim Burton estaria estudando um roteiro para Pinóquio. E Branca de Neve, é claro, não ficaria de fora: só em 2012, foram 2 versões lançadas praticamente ao mesmo tempo. Mas não se engane: Branca de Neve só mesmo a original.

À esquerda, cena de “A Garota da Capa Vermelha”; à direita, o espetáculo visual para a versão burtoniana de “Alice no País das Maravilhas”.

A primeira adaptação deste ano foi a comédia Espelho, Espelho Meu, que apresenta o clássico conto dos Grimm como um grande pastelão. Na história, temos um reino falido e uma rainha má (Julia Roberts) à procura de um partido que salve seu império e resolva seus problemas. O príncipe Alcott é o homem ideal para a missão, mas acaba se encantando pela protagonista. A angelical Lily Collins dá vida à Branca de Neve – papel que lhe cai perfeitamente, diante o encanto visual que é Lily. Obviamente, em Espelho, Espelho Meu o destaque vai para Julia Roberts. Mas não por mérito próprio e, sim, por falta de opção. Apesar de até ir razoavelmente bem nas bilheterias, o filme não convence.

O tom pastelão e os elementos bizarros ajudaram a acentuar a classificação indicativa do filme – e deixar todo mundo traumatizado.

O principal problema é que o filme foi vendido como uma comédia – e realmente é. No entanto, o filme até que tem graça, mas não é engraçado. Entende? Não há química entre os elementos do filme. Os personagens são cansativos (o que dizer do príncipe bobão de Armie Hammer?), o cenário é extravagante (talvez pelo próprio apelo infantil do filme, tudo bem, é até justificável), o figurino é criativo mas piegas, as piadas são prontas e idiotas (“Você é a azeitona da minha empadinha!”) e o filme não tem ritmo. Mesmo a Rainha de Roberts, que deveria ser uma personagem má e ao mesmo tempo engraçada, é chata e não consegue se fazer envolver. É um filme bobo, dirigido exclusivamente a crianças e não um entretenimento em família. É um daqueles filmes que você comprará em DVD para colocar a seu filho quando quiser que ele fique quieto. Claro, se ele conseguir assistir…

Mas também é fácil se destacar em uma trama recheada de bizarrice, né, Julia?

Branca de Neve e o Caçador apresenta uma visão mais adulta do conto tradicional. Na realidade, uma observação aqui se faz importante: Walt Disney foi um grande visionário, mas o cara também foi o grande responsável por essa infantilização dos contos de fadas. A maioria dessas histórias são obscuras, recheadas de elementos de terror e fatos macabros. Daí Walt foi lá, colocou uns animais fofinhos, umas músicas alegres, personagens engraçados e… acabou com as histórias originais – apesar de faze-las mais conhecidas. Branca de Neve e o Caçador busca o lado mais sombrio da história dos irmãos Grimm, mas ainda não acerta na dose.

“Branca de Neve e o Caçador” estreou em primeiro lugar em vários países – mas ainda não acertou…

De longe, não se pode dizer que Branca de Neve e o Caçador seja um filme ruim. Ele tem todos os elementos para agradar o público e ir bem nas bilheterias. Pegou um rosto famoso de uma série teen (Kristen Stewart) para o papel principal. Escolheu uma atriz veterana para encarnar o difícil papel da Madrasta (Charlize Theron, que foi muito melhor que Roberts, fato). Abusou de efeitos especiais mirabolantes (um dos produtores foi o mesmo de Alice no País das Maravilhas) e recheou a trama de cenas de luta épica (afinal, está na moda né? Game of Thrones está aí para comprovar). O estreante Rupert Sanders conseguiu, dessa forma, dirigir um filme que é visualmente encantador (como Alice), mas com um roteiro que ainda não conseguiu emplacar. Até porque não se tem muito o que fazer com uma história tão famosa…

Muitos efeitos especiais e arte para compensar uma história já conhecida: assim é “Branca de Neve e o Caçador”.

Há cenas no filme que são incrivelmente desnecessárias. Visualmente, elas são um espetáculo. Mesmo. Vale o ingresso – especialmente se você puder assistir em 3D. E ainda tem a boa trilha do veterano James Newton Howard. Mas ainda há muitos pontos a melhorar em Branca de Neve e o Caçador. Primeiro, os personagens são fracos. O caçador interpretado por Chris Hemsworth (sim, o Thor) parece ter uma batata quente na boca, enquanto o príncipe de Sam Claflin não tem o menor carisma, apesar da beleza do ator (que ficou conhecido por seu papel no último filme da saga Piratas do Caribe). Talvez por essa razão Branca de Neve aparentemente teria ficado com o coração dividido entre os dois (o beijo que acorda Branca da morte não vem do príncipe mas do caçador, um viúvo que sofre com a perda da esposa).

Como caçador, ele ele é um excelente Thor…

Kristen Stewart, surpreendentemente, até que consegue alguns créditos com sua personagem. Não está totalmente ruim. O problema é que seria difícil para ela, por mais esforço que fizesse, se destacar em um filme onde há Charlize Theron. Apesar de exagerada, elá traz uma força para a Rainha que destaca esse como um de seus melhores papéis no cinema. Sorte de Kristen que só ficou frente à frente com Charlize em uma única cena, coitada. A diferença entre talento ficou evidente, assim como, cá entre nós, a supremacia da beleza de Charlize – o que confunde o espectador, né?

Na boa, Kristen, não tem como competir com a Charlize – seja em talento, seja em beleza. O espelho que disse que você é mais bonita que ela deve ter algum defeito…

O que irrita, no entanto, é que o produto é vendido como uma novela gótica e medieval, cheia de elementos sombrios e lutas épicas. Não, Branca de Neve e o Caçador não chega nesse nível. Se apostasse mais nesses pontos, certamente o filme se tornaria um clássico, pois ele tem potencial. O problema é que o roteiro atropelado não deixa espaço para isso. O novato Rupert se sai bem para o primeiro filme, uma grande surpresa de um cara que saiu da escola da publicidade e pode ser um dos novos nomes do cinena nos próximos anos. Como entretenimento, Branca de Neve e o Caçador é perfeitamente assistível – mas nada que nos faça cair de amores pelo longa.

Em ambos os filmes, são as madrastas que se destacam mesmo. Charlize Theron (brilhante) em “Branca de Neve e o Caçador” e Julia Roberts (sem opção) em “Espelho, Espelho Meu”.

Seja como for, ambas as produções tem um público definido e, nesse ponto, cumprem seu propósito. Espelho, Espelho Meu é ideal para entreter criancinhas até 7 anos de idade, que irão rolar de rir com as piadas inocentes e repetidas do filme (eu assisti no cinema em uma sala lotada de crianças que gargalhavam, enfim…). Já Branca de Neve e o Caçador é um estudo sobre direção de arte e fotografia e um entretenimento para toda a família – mas não deve criar uma legião de fãs, mesmo apostando em um ícone teen já conhecido. Na dúvida, fique com o original da Walt Disney que, apesar de distorcer um pouco a história tradicional dos irmãos Grimm, ainda é a que prevalece na mente de todas as gerações. Merecidamente.

A Soberania e Majestade de “O Rei Leão”

Se tem um filme que foi o ponto máximo da chamada “Era de Ouro” da Disney (durante a década de 1990) e marcou a infância de muitas pessoas, sem dúvida, é O Rei Leão. Clássico indispensável para os amantes da obra Disney, O Rei Leão se tornou, por si só, um dos filmes de maior sucesso de todos os tempos e também referência para muitas animações que vieram posteriormente. Anos depois de seu lançamento, o filme retorna aos cinemas, agora em versão 3D – o que, para muitos, é uma experiência incrível.

Lançado originalmente em 1994, o filme levou aproximadamente três anos para ser finalizado. Mas a demora valeu a pena: o filme foi um sucesso. Muito mais do que uma animação, O Rei Leão é uma história que encanta crianças e adultos devido à forma cativante como a trajetória do pequeno leão Simba é narrada ao longo de quase uma hora e meia de filme.

O jovem Simba é o futuro herdeiro de um grande  império, construído com muito esforço por seu pai Mufasa. Após o assassinato do pai – executado por seu próprio irmão, Scar – Simba, enganado e dominado pelo medo, decide fugir de seu reino e abandonar a todos que ama. Nesse caminho, conhece os personagens – inesquecíveis, diga-se de passagem – Timão e Pumba, que ajudam Simba a experimentar a vida de uma forma menos preocupante. Anos mais tarde, Simba retorna ao seu reino para assumir seu lugar de rei e reencontrar seus antigos companheiros.

“O Rei Leão” se tornou o maior sucesso da Disney na década de 90.


O Rei Leão
se tornou um clássico e até hoje é difícil explicar a fascinação que o filme exerce sobre a maior parte das pessoas. O belo roteiro serve como tapete suave para os personagens memoráveis, assim como a trilha sonora serve de alento para cada uma das cenas. Aliás, que criança (ou adulto) não chorou na – inesquecível – cena da morte do rei Mufasa? Quem nunca se pegou cantando “hoje à noite, aqui na selva, quem dorme é o leão…” ? Que criança (ainda hoje) não conhece a expressão hakuna matata e não se diverte com os personagens Timão e Pumba?

Os méritos de O Rei Leão são muitos. A história, baseada em textos bíblicos e outras obras como Hamlet, de Shakespeare, é bem humorada e divertida, mas também traz momentos de ação, aventura e drama – como na trágica cena da morte de Mufasa. A trilha sonora trouxe canções que renderam 2 Oscars ao filme. Além disso, O Rei Leão é também uma importante lição de vida: em determinado momento, Simba precisa descobrir sua verdadeira identidade – e só assim ele vai reencontrar a figura paterna. É uma luta violenta contra si mesmo – onde ele deverá mostrar pra si mesmo que deve ser coroado como o rei que realmente é.

Além da bela história, a animação trouxe personagens inesquecíveis para a infância de muitas pessoas.


O Rei Leão
inaugurou uma nova era para o cinema, se tornando, talvez, no mais alto ponto na história das animações. A Disney, com este filme, alcançou um nível cinematográfico quase inatingível e desencadeou uma série de personagens inesquecíveis. É impossível falar de Walt Disney e não lembrar de clássicos como O Rei Leão, ou A Bela e a Fera, ou Pinóquio ou Aladdin, ou tantos outros que povoam nossas mentes. Juntos, eles nos mostram a razão pela qual a Disney se tornou uma das melhores indústrias cinematográficas do mundo.