“The Black Parade”: Disco Icônico do MCR Completa 10 Anos

01Pois é, meu amigo, tire o delineador e a chapinha da gaveta porque o “emo” que vive dentro de você vai falar mais alto! The Black Parade, álbum que foi o divisor de águas na carreira da banda My Chemical Romance, acaba de ser relançado em uma edição para lá de especial em comemoração aos seus 10 anos de lançamento.

Originalmente lançado em outubro de 2006, The Black Parade, sem sombra de dúvidas, é o disco mais expressivo do quinteto estadunidense – e certamente um dos trabalhos mais importantes do cenário rock. O conceito desta ópera-rock é a maneira como a morte chega a cada um através da lembrança mais forte que esta pessoa tem de sua existência. O protagonista da história é “O Paciente”, um homem em estado terminal devido a um câncer. Prestes a falecer, ele recebe a visita da morte através de recordações de um desfile que o mesmo presenciou quando criança ao lado do pai. Outros personagens compõe o elenco desta trama, como The Mother War, The Fear ou The Regret.

O trabalho chega novamente às lojas com um material inédito: um disco bônus intitulado Living With Ghosts, que contém 11 faixas, entre demos inéditas e gravações da pré-produção do original – além das 14 canções já conhecidas do público, entre elas os hinos Welcome to The Black Parade (primeiro single), Famous Last Words, I Don’t Love You e a incrível Mama – que conta com a participação da cantora Liza Minnelli.

Ah, e tem mais: o registro também ganhou um tributo pela revista Rock Sound, que homenageou o grupo com o Rock Sound Presents: The Black Parade, onde diversos artistas (como Escape The Fate, Crown The Empire e Asking Alexandria) apresentam suas versões para as músicas que compõe o álbum.

Então, agora é correr e garantir o seu – e, claro, ressuscitar o “emo” em você!

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“Hesitant Alien”: Gerard Way e o Pós-MCR

02Há pouco mais de um ano, os integrantes da My Chemical Romance anunciavam o fim da banda. A notícia não foi uma grande surpresa – afinal, os caras vinham com alguns projetos paralelos e já demonstravam sinais de que mais cedo ou mais tarde um dos grupos mais populares do início dos anos 2000 se dissiparia. Daí em diante, muitos fãs ficaram se perguntando qual seria o futuro dos membros do quinteto e, principalmente, do vocalista Gerard Way – que lançou na última semana seu debut solo Hesitant Alien, um álbum que o distancia de seu extinto projeto mas não apresenta nenhuma inovação ao rock, mas sim à sua carreira.

Okay, o talento de Gerard Way como “cantor” pode ser questionado. Eu mesmo, fã inveterado da banda, já duvidei de seus dotes vocais em diversas ocasiões – especialmente em sua performance no disco The Black Parade (na minha opinião, o pior trabalho do grupo – o que contraria boa parte dos fãs). É um fato incontestável que Way nunca foi um grande intérprete – mas possuía presença no palco, fazia estripulias, agitava a galera e isso garantiu seu lugar ao sol. Talvez fosse o estilo do MCR que o impedisse de mostrar sua verdadeira faceta – feito que Way escancara em Hesitant Alien.

Hesitant Alien não provoca nada muito novo, é verdade, mas ainda é um disco muito acima da média – prova disso são as belas críticas que vem recebendo da imprensa (e todas muito bem merecidas). Deixando de lado o velho pop-rock e rock alternativo que marcaram sua carreira na extinta MCR, Gerard faz um retorno às décadas passadas, se lançando no britpop (de Jarvis Cocker ou Damon Albarn) dos anos 90, no pós-punk quebrado de 80 e, principalmente, no glam-rock de 70 (um gostinho de David Bowie). Essa mistura de gêneros contribui para criar uma sonoridade que remete nossos ouvidos a estilos quase alternativos – é possível fechar os olhos e enxergar uma banda dos anos 80 fazendo som na garagem de casa.

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O disco abre de maneira categórica com a excepcional Bureau, engrandecida com uma guitarra generosa que torna a faixa uma ótima pedida. Segue-se com Action CatNo Shows – ambas já liberadas anteriormente (No Shows inclusive já ganhou videoclipe). Enquanto a primeira dividiu os fãs (pois não se via nada novo à primeira audição), a segunda tem o estilo “garagem” muito mais perceptível, seja pelo destaque das guitarras distorcidas como pelos vocais propositalmente mais baixos que o instrumental. BrotherDrugstore Perfume são claramente inspiradas no britpop que mencionamos acima e possuem ótimas melodias – Drugstore Perfume, por exemplo, pode ser comparável à qualquer pérola do Oasis em sua fase áurea. Já Zero Zero (cuja introdução lembra Blur de imediato) e Juarez são as canções mais barulhentas do álbum, sendo que esta última é a que mais pode remeter ao velho som do MCR, mas bem vagamente. How’s It Going To Be, particularmente, é a minha música preferida devido, sobretudo, à sua instrumentação que é deliciosa. Outras faixas como MillionsGet The Gang TogetherMaya The Psychic completam este registro e são tão boas isoladamente quanto inseridas dentro da proposta de Way para seu debut.

De forma geral e se ouvido com certa atenção, Hesitant Alien tem um tema “maior” que é ligado em temas menores através das onze faixas de um registro curto mas que não deixa a desejar. Way não renega seu passado “negro” em nenhum momento de Hesitant Alien, afinal a pegada punk de seu antigo projeto ainda está ali. Mas Gerard dá seu toque especial e particular a um trabalho que traz novos elementos à sua carreira, o que é capaz de cativar novos ouvintes que antes torciam o nariz para suas composições. Conceitualmente, Hesitant Alien possui méritos inquestionáveis, assim como tecnicamente – o disco foi produzido por Doug McKean, antigo companheiro de Rob Cavallo (um velho conhecido dos fãs de MCR). Hesitant Alien ainda tem a grande sorte de ser um álbum que funciona isolado (cada música por si é um “mini-drama” à parte) e em sua totalidade, equilibrado do início ao fim. Se por um lado Gerard Way não faz nada muito excepcional para a música como um todo, por outro lado dá um salto considerável em sua carreira como compositor, intérprete e arranjador. Não se pode dizer que Hesitant Alien é melhor do que qualquer coisa já lançada pelo My Chemical Romance – mas também para que comparar? Hesitant Alien, para um disco de estréia de um ex-vocalista de banda famosa, já tem sua luz própria – e, para seu idealizador, é uma boa oportunidade de se desvencilhar daquilo que o consagrou.

20 Álbuns Marcantes Que Completam Uma Década

O ano de 2004 foi marcante para a indústria fonográfica e  também o responsável por contribuir para a formação musical de muita gente por aí. Pode parecer que foi ontem, mas a verdade é que lá se vão 10 anos!

Definitivamente, 2004 foi um ano de clássicos dos mais variados gêneros, com o nascimento de grandes hits, discos e artistas que transformaram o cenário musical de então. Para comemorar esses 10 anos, selecionei com a ajuda de alguns amigos, os 20 álbuns mais honrosos que completam uma década de existência em 2014. De clássicos pop e artistas dos mais diversos estilos, confira os títulos que estiveram em alta em 2004 e mudaram a cara da música no início dos anos 2000. E claro: aproveite para fazer uma sessão “nostalgia” particular, afinal o tempo passa e certamente algum desses discos foram inesquecíveis para todos nós.

01. HOT FUSS – The Killers
Estréia da banda The Killers, Hot Fuss tem sua essência no lado sombrio da década de 70 (com claras influências de artistas como The Smiths e New Order), mas ainda assim soa muito atual. Com 11 ótimas faixas, os destaques inevitáveis ficam com as canções Somebody Told Me e a ótima Mr. Brightside.

02. O RIO, A CIDADE E A ÁRVORE – Fresno
O ano de 2004 foi marcado por uma onda de grupos com propensões ao emocore – ou pelo menos, muitas bandas ficaram marcadas como tal. Uma delas foi a brasileira Fresno, liderada por Lucas Silveira, que lançava seu segundo registro contendo verdadeiros hinos do quarteto, como OrgulhoVerdades Que Tanto GuardeiDuas Lágrimas.

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03. THE COLLEGE DROPOUT – Kanye West
Após quatro anos de produção, o rapper Kanye West (que até então só produzia hits de sucesso para outros artistas do Hip-Hop) entregava seu registro de estréia, que percorria por vários gêneros, como a música gospel, o soul, o rap e o R&B.

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04. LOVE, ANGEL, MUSIC, BABY – Gwen Stefani
A ex-vocalista do No Doubt se aventurou em carreira solo e produziu um dos melhores álbuns pop do ano. O que aparentemente era um projeto alternativo da cantora, Love, Angel, Music, Baby teve seis singles – entre eles, a canção Hollaback Girl, que se tornou a música mais popular deste trabalho e também o primeiro download digital a superar mais de um milhão de cópias vendidas nos EUA.

05. HOW TO DISMANTLE AN ATOMIC BOMB – U2
Trazendo de volta um rock mais tradicional, How To Dismantle an Atomic Bomb foi amplamente aclamado pela crítica e um sucesso comercial. A faixa Vertigo foi o primeiro hit do álbum, gerando a bem sucedida turnê Vertigo Tour.

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06. FUNERAL – Arcare Fire
Debut dos canadenses do Arcade Fire, Funeral foi considerado pelo site Rate Your Music como o melhor disco de 2004. Apesar do título mórbido, Funeral aposta em uma abordagem otimista para falar sobre morte, com influências que vão do clássico indie rock à música orquestral.

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07. COLLISION COURSE – Jay-Z & Linkin Park
Collision Course foi um projeto paralelo do rapper Jay-Z (AKA marido da Beyoncé) com a banda Linkin Park. O EP ficou em primeiro lugar na Billboard 200 e apresenta músicas de ambos os artistas com novas roupagens e mixagens.

08. THE LIBERTINES – The Libertines
O segundo disco dos ingleses do The Libertines também marca o fim da carreira do grupo. Contando a história do intenso e problemático relacionamento entre Pete Doherty (recém saído da prisão) e Carl Barât, o registro homônimo foi sucesso absoluto e a faixa Can’t Stand me Now se tornou hit obrigatório em todas as rádios mundiais.

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09. A FOREIGN SOUND – Caetano Veloso
A música brasileira merece destaque também – e nada melhor do que incluir um dos nossos mais importantes artistas: Caetano Veloso. O baiano sempre mostrou sua admiração pela música estrangeira e fez de A Foreign Sound um de seus registros mais pessoais, revisitando sucessos de grandes nomes internacionais, como Nirvana, Stevie Wonder e Elvis Presley.

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10. FRANZ FERDINAND – Franz Ferdinand
Pode não parecer, mas lá se vão 10 anos desde que a banda de rock britânico lançou seu primeiro (e homônimo) disco de estúdio, com toda sua energia frenética do início ao fim. Do pós-punk dos anos 80 ao britpop da década de 90, os rapazes do Franz Ferdinand entregaram hits de pistas como Take Me OutThis FireTell Her Tonight.

11. UNDER MY SKIN – Avril Lavigne
Ela foi considerada a “princesinha do rock” e, pegando carona no sucesso de Let Go, de 2002, Avril Lavigne lançou Under My Skin com a premissa de que este seria um trabalho mais “sombrio, maduro e profundo”. Bom, não entrando nestes méritos, Under My Skin foi um sucesso e criou hits como Don’t Tell Me e Nobody’s Home.

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12. TAMO AÍ NA ATIVIDADE – Charlie Brown Jr.
Pois é, as mortes prematuras dos integrantes Chorão e Champignon pegou muita gente de surpresa e ainda causa comoção – mas vale a pena lembrar de uma das melhores fases da banda da cidade de Santos/SP – o disco Tamo Aí na Atividade, que entre outros, faturou o Grammy Latino de Melhor Álbum de Rock Brasileiro, em 2005.

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13. HOPES AND FEARS – Keane
A banda inglesa de rock alternativo Keane despontou para o mundo com as canções melódicas de seu Hopes and Fears, seu primeiro registro de estúdio. Tom Chaplin e seus amigos são hoje um dos artistas mais queridos do novo rock britânico – e a faixa Somewhere Only We Know se tornou uma das canções mais conhecidas do quarteto.

14. MEDÚLLA – Björk
Björk abandona (quase) totalmente os instrumentos e quaisquer outros recursos musicais para construir Medúlla, um disco montado em excelentes arranjos vocais. O projeto é marcado pela montagem e colagem de vozes, alem da utilização de samplesbeatbox que o tornam um dos melhores trabalhos da cantora.

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15. ENCORE – Eminem
Nomeado no Grammy Awards na categoria de melhor álbum de rapEncore é o quinto trabalho de estúdio do rapper Eminem, que vendeu cerca de 11 milhões de cópias até o momento e estreou em primeiro lugar na Billboard 200. Just Lose It, primeiro single, foi o carro-chefe de Encore, que ainda contava com faixas como MockingbirdMosh.

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16. THREE CHEERS FOR SWEET REVENGE – My Chemical Romance
Totalmente conceitual, Three Cheers For Sweet Revenge finaliza a história contada no primeiro disco da banda, o ótimo I Brought You My Bullets, You Brought me Your Love, onde um casal é morto em um tiroteio, em meio à uma cidade atacada por vampiros. Aqui, o rapaz vai parar no purgatório e a única maneira de reencontrar sua amada é voltar à Terra e matar mil homens maus. Hits como HelenaThe Ghost of YouI’m Not Okay (I Promise) se tornaram hinos do grupo liderado por Gerard Way.

17. BREAKAWAY – Kelly Clarkson
Breakaway é um trabalho muito mais maduro na carreira da vencedora da primeira edição do American Idol. Com ótimas faixas pop, como Since U Been GoneWalk Away, o destaque inevitavelmente ficou com a canção Because of You – uma música água com açúcar que fez muito marmanjo chorar por aí…

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18. THE CHRONICLES OF LIFE AND DEATH – Good Charlotte
Lançado em duas edições diferentes (“Life” e “Death”), o terceiro disco dos norte-americanos do Good Charlotte estreou em terceiro lugar na Billboard 200 e gerou hits como I Just Wanna Live, Predictable e a música que dá título ao registro.

19. STILL NOT GETTING ANY… – Simple Plan
Há quem torça o nariz para os canadenses do Simple Plan, mas a verdade é que, em 2004, eles eram evidência e as músicas de seu segundo álbum Still Not Getting Any… estouraram nas rádios mundiais – principalmente as canções Shut Up!Crazy e as baladinhas emo Welcome To My Life e Untitled.

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20. AMERICAN IDIOT – Green Day
Se há um disco de rock que tenha realmente transformado a década, sem dúvida, é American Idiot, a obra-prima do trio Green Day. Um tapa na cara do governo norte-americano da época, American Idiot é um ópera rock sem precedentes, faturando inclusive o Grammy Award de melhor álbum de rock do ano, estreando em primeiro lugar em vários países mundo afora.

Coletânea Encerra As Atividades do My Chemical Romance (Ou Não?)

Já não é novidade para ninguém que o quinteto norte-americano My Chemical Romance encerrou suas atividades há cerca de um ano. Após quatro álbuns e pouco mais de 12 anos na estrada, a banda ganhou uma notoriedade invejável dentro do universo rock atual, envolta a muitas polêmicas e sucessos que lhe garantiram um lugar cativo no coração de milhares de fãs ao redor do mundo. Mas como tudo na indústria fonográfica pode sempre render alguma coisa (afinal, sempre há espaço para discografias rentáveis, diga-se de passagem…), nem mesmo o fim do grupo foi capaz de brecar o lançamento de May Death Never Stop You, coletânea que reúne os grandes sucessos do conjunto ao longo de sua bem sucedida carreira fonográfica.

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May Death Never Stop You alinha, seguindo a ordem cronológica, faixas dos quatro álbuns de estúdio do My Chemical Romance: I Brought You My Bullets, You Brought Me Your Love (2002), Three Cheers For Sweet Revenge (2004), The Black Parade (2006) e Danger Days – The True Lives Of The Fabulous Killjoys (2010). Alem das faixas oficiais, há ainda outras três demos, originalmente lançadas em EPs do início da carreira. A surpresa fica por conta da inédita Fake Your Death, que abre o disco, totalizando 19 faixas.

Lançada pela Reprise Records e distribuída pela Warner, May Death Never Stop You sela o fim da banda de rock alternativo. A compilação, no entanto, é um bom motivo de comemoração para os fãs do grupo liderado  por Gerard Way (um verdadeiro camaleão que durante sua carreira já esteve irreconhecível sob suas várias facetas). Os fãs mais sortudos que adquiriram o álbum na pré-venda do site oficial ainda levaram para casa um DVD com cerca de 2 horas de material inédito (inclusive um clipe perdido da faixa Blood, que encerra o álbum The Black Parade – considerado por muitos a obra-prima do conjunto), alem de outros acessórios, como uma camiseta com a frase “Thank You For The Venom” – primeira camiseta da banda e referência a uma das melhores faixas do grupo, lançada no segundo disco e desprezada na coletânea.

Lançado há pouco mais de um mês atrás, May Death Never Stop You é um material que tende a agradar aos fãs devido à abrangência de sua compilação (apesar que verdadeiros hinos da banda foram definitivamente deixados de fora, como Demolition LoversDesert Song ou I Never Told You What I Do For a Living – faixas que são queridíssimas pelos fãs mas que a grande massa desconhece, em muitos casos). Dos quatro álbuns, o que ganha destaque explícito é The Black Parade – o grande divisor da carreira da banda. O primeiro álbum, para alguns (leia-se aqui: para mim e muitos outros fãs dos primeiros tempos) o melhor trabalho, rendeu apenas duas faixas (os singles Honey, This Mirror Isn’t Big Enough For The Two Of UsVampires Will Never Hurt You).

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May Death Never Stop You funciona como coletânea e, não vou ser chato e dizer o contrário, a seleção foi compatível – reunindo realmente aquilo que marcou o My Chemical Romance ao longo desse período. Para os fãs posers, a compilação é um ótimo presente. Para os mais excêntricos, é um material que comprova definitivamente toda a transformação pela qual o grupo passou ao longo destes 12 anos de estrada – muito mais perceptível aqui, com as supostas “melhores” faixas disponíveis juntas para audição. Há quem diga ainda que tudo isso é uma jogada de marketing para garantir um futuro retorno dos caras – leve-se em consideração o título Fake Your Death, que deixou muita gente com a pulga atrás da orelha. Será que rola uma volta? Bom, por ora, o que resta aos fãs é se deliciar com o disco e relembrar com carinho os bons momentos da banda. E, claro, por que não ficar na expectativa de um retorno? Vai que…