“Expresso do Amanhã”: Blockbuster Critica Divisão de Classes Sociais

Baseada em uma HQ francesa (Le Transperceneige), a trama de Expresso do Amanhã se passa em um cenário apocalíptico dominado por uma nova era glacial (gerada após um experimento fracassado que visava interromper o aquecimento global), onde os poucos e últimos humanos sobreviventes se refugiam a bordo de um trem que vive em constante movimento ao redor da Terra. Comandada pelo milionário Wilford (Ed Harris), esta locomotiva é totalmente autossustentável e possui uma divisão de classes: nos últimos vagões, se amontoam os menos favorecidos, que vivem há anos em condições precárias; enquanto mais à frente outros desfilam seus luxos e privilégios. Insatisfeita com a situação e liderada por Curtis (Chris Evans), a galera do fundão arquiteta uma rebelião para tomar o vagão dianteiro e, assim, assumir o controle da grande máquina.

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Dirigido de forma competente por Joon-ho Bong (que também assina o inteligente roteiro em parceria com Kelly Masterson), Expresso do Amanhã é um filme que funciona em duas pontas. Na primeira, o longa acerta como blockbuster – e aí se destacam elementos técnicos, como figurino, maquiagem, direção de arte e efeitos especiais (que apesar de não serem tão refinados, cumprem bem sua função dentro da proposta). Se sobressai, no entanto, a ótima fotografia: ela é imprescindível para fazer com que o espectador abrace a história – desde os cenários mais decadentes e sombrios dos últimos compartimentos até à exuberância das cabines a frente, repletas de cores e luzes. É importante ainda elogiar o bom trabalho do elenco estelar: Chris Evans mostra um carisma irradiante na tela (mostrando que é muito mais do que o corpo bonito do Capitão América) e segura a tarefa de ser o protagonista. Dentre os coadjuvantes, menção especial a Octavia Spencer, Jamie Bell, John Hurt e a sempre eficiente Tilda Swinton – em uma composição grotesca e quase irreconhecível.

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Mas não se engane: Expresso da Amanhã está longe de ser apenas um blockbuster tradicional – e é nessa segunda ponta onde o filme ganha seu devido valor. Com um argumento muito bem desenvolvido e um roteiro com reviravoltas interessantes, Expresso do Amanhã é uma produção excessivamente crítica, enquanto utiliza sua narrativa para falar sobre os abismos existentes entre as classes sociais. O cineasta consegue explorar os conflitos humanos decorrentes dessas diferenças – e os vagões aqui são meras alegorias que, infelizmente, escancaram uma triste realidade em nosso mundo contemporâneo. Oscilando cenas mais reflexivas e outras com violência gráfica mais expressiva (mas nunca desnecessárias ou gratuitas), Expresso do Amanhã é instigante do início ao fim e, apesar de sua duração, consegue ser indispensável e merecer seu devido destaque dentro de seu gênero.

“Jurassic World” Sobrevive Sem Spielberg no Comando

Eu, particularmente, tenho certa cisma com Jurassic Park – O Parque dos Dinossauros. Em outras ocasiões, já critiquei os milhões gastos em computação gráfica para criar apenas cerca de 15 minutos de dinossauros na tela, nos fazendo engolir mais de duas horas de um roteiro questionável. Mas tenho que admitir que Jurassic Park foi um filme sem precedentes, um marco do gênero “pipoca” – como boa parte (e provavelmente a melhor) da obra de Steven Spielberg. Lançado há mais de vinte anos, é esse grande sucesso de bilheteria que serve de impulso ao novo filme da franquia: Jurassic World – O Mundo dos Dinossauros.

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A premissa básica de Jurassic World é a mesma do primeiro, de 1993. Poderíamos até ser bonzinhos e dizer que se trata de uma “homenagem” ou mesmo uma referência livre à fita de Spielberg, porém Jurassic World não chega a ser isso. Na verdade, esse longa recria praticamente todos os passos de seu antecessor – e isso não chega a ser necessariamente ruim. A trama acontece dentro de um novo parque temático, na Costa Rica, onde dinossauros ganham vida através das maravilhas da ciência moderna. Tudo vai bem até que o mais temido entre eles (e que foi modificado geneticamente) escapa de seu abrigo e causa o terror entre os visitantes. Agora, vamos analisar os itens utilizados na história: um par de crianças que se perde na ilha, tem sim; tensão romântica entre dois protagonistas, confere; cientistas que adoram brincar de deuses, certo; vilão infiltrado na equipe principal, beleza. Então, fica a questão: por que retomar a franquia? E mais: esse novo filme vale a pena?

Vou responder ao primeiro questionamento: a ideia de trazer novamente este universo aos cinemas não é recente e, em minha opinião, há duas razões para isso. Primeira delas, romântica: apresentar ao público de hoje toda a magnitude do projeto. Eu confesso não ser o maior fã da saga, mas tenho que admitir que ela é ótima, sim. Eu torço o nariz para blockbuster mas assumo que eles estão aí para entreter o público e quando isso acontece eu realmente saio satisfeito do cinema – e foi exatamente assim que me senti após a sessão de Jurassic World. Definitivamente, o filme cumpre sua promessa e ponto. Segunda razão, esta mais realista: faturar! Simples assim – do contrário nada justificaria uma produção como esta tão pouco tempo após o original ser relançado em 3D.

01Agora, vem a segunda pergunta: Jurassic World merece ser conferido? Serei enfático: sim. Não vou tentar comparar muito as duas fitas. Jurassic Park foi um marco em sua época, um divisor de águas em Hollywood, título obrigatório independente do tipo de cinema que você curta. Perto dele, Jurassic World, o novo, é uma mera cópia quase, mas que se destaca por ser tão empolgante quanto o primeiro. Se a obra de Spielberg conquistou pela originalidade, pela novidade do projeto, Jurassic World deve ser elogiado pelo seu valor como blockbuster atual. O cineasta Colin Trevorrow (que substitui Spielberg, que agora assina apenas a produção executiva) faz um apanhado de tudo o que Steven fez lá atrás, deu uma potencializada no material e criou um filme eletrizante, que durante 120 minutos não faz você desgrudar o olho da tela. Os saudosistas podem (e vão) se desesperar, mas Jurassic World é bom. É repleto de ação, tem piadas que rendem boas risadas e agrada todo mundo.

Há quem diga que Jurassic World não tem o charme, magia e emoção que o longa de Spielberg. De fato, o filme não é isento de pequenos defeitos, como o desenvolvimento de certos personagens (o vilão, por exemplo, é quase o mesmo da novela Mil e Uma Noites), a narrativa que não foge dos clichês e soluções fáceis e até os efeitos especiais, que não são excepcionais (Spielberg fez muito, mas muito melhor há duas décadas atrás, em uma época em que os recursos eram menos acessíveis e sofisticados – os dinossauros do cineasta veterano são muito mais reais e assustadores). O roteiro ainda tenta propor alguma reflexão, novamente na apostando na velha tese que discute os limites da ciência e a ganância do ser humano, mas é superficial nesta empreitada. Mas se você não quiser esquentar a cabeça e estiver procurando um filme para toda a família, que seja capaz de entreter e divertir, vá por mim e adentre este fantástico mundo dos dinossauros.

Encurralado

4Lá no começo da década de 70, o cinema começava a passar por uma transformação. Nessa época, surgiam alguns diretores que influenciariam todas as gerações seguintes (inclusive a nossa) e reinventariam o conceito de cinema, popularizando a arte e criando o gênero “pipoca” (aquele tipo de cinema voltado para toda a família). Dentre os principais expoentes dessa geração (conhecida como “Nova Hollywood”), um dos nomes mais cultuados é o de Steven Spielberg que, em 1971, lançou o suspense Encurralado – uma produção que, apesar de não ter a mesma magnitude de seus grandes clássicos lançados posteriormente, já lançava os holofotes sobre o jovem cineasta.

Eu disse que Encurralado não tem a mesma magnitude de outras obras de Spielberg? Quanta injustiça! Encurralado é, talvez, um dos melhores exemplos da obra do diretor, reunindo tudo aquilo que Spielberg faria em sua vasta carreira. Adaptado de um conto, Encurralado foi o primeiro longa do diretor, feito diretamente para a TV (foi lançado para um programa semanal da ABC). Na época, o jovem e até então desconhecido Spielberg conseguiu carta branca do canal para produzir o telefilme com um prazo de 10 dias (há a lenda de que Spielberg teria estourado o cronograma em 3 dias e outras maluquices…) e, contrariando todas as expectativas de frustração, Spielberg entrega uma das melhores histórias de perseguição do cinema – e um dos filmes mais influentes de sua carreira.

A história é simples: David é um pai de família que está dirigindo em uma rodovia rumo a uma reunião de negócios. Pouco se sabe a respeito do nosso protagonista. No meio da viagem na região desértica estadunidense (recheada de longas e retas estradas e paredões), ele ultrapassa um caminhão-tanque enferrujado, que a partir de então passa a persegui-lo durante todo o caminho. Esta aí uma das melhores qualidades de Spielberg: tornar crível o fato mais improvável. Afinal, os 90 minutos de filme não passam disso: perseguição. Encurralado sequer é uma produção recheada de diálogos (o que quebra o gelo é o duvidoso artifício de expor os pensamentos do protagonista em alto som) – mas isso não o torna um filme ruim ou mesmo cansativo.

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Encurralado não possui cenas elaboradas de perseguição (alguém aí falou em Velozes e Furiosos?), nem uma trilha sonora arrebatadora ou mesmo diálogos marcantes. No entanto, há um excelente trabalho de edição e de cortes, que criam uma tensão atordoante. A sensação de perseguição é feita através de várias sequências de takes que fazem o espectador por a língua para fora (literalmente, claro). Com esses artifícios, Spielberg consegue fazer o inacreditável: tornar o caminhão o grande vilão da história, transformando-o em um monstro de proporções gigantescas – ocultando a identidade de seu  motorista durante todo o filme, o que aumenta ainda mais a tensão. Ou seja, o grande  pedaço de metal enferrujado ganha vida própria, causando medo e pavor no protagonista e em toda a platéia.

O fato de não mostrar o condutor do veículo durante todo o evento torna Encurralado ainda mais intrigante, assim como toda sua narrativa. É um dos artifícios que Spielberg utiliza para manipular a emoção do espectador de forma simples e direta. Spielberg (que mais tarde ficaria famoso com seus blockbusters) consegue mexer com o espectador sem fazer muito esforço, em um longa que não te deixa desgrudar os olhos da tela. Com um final espetacular (que não vou contar aqui, ok?), Encurralado é um ótimo filme para os padrões Spielberg – e uma boa esperança para o cinema da década de 70.

“Jurassic Park” em 3D: Nostalgia em Tela Grande

Convenhamos: você que nasceu entre as décadas de 80 e 90, em algum momento de sua vida, já assistiu e caiu de graças por algum filme do mestre Steven Spielberg. Deixe-me explicar: Spielberg é a mente brilhante à frente de clássicos como TubarãoContatos Imediatos do Terceiro GrauE.T. – O ExtraterrestreOs GooniesDe Volta Para o Futuro… Para ou continua? Continua? A saga Indiana JonesA Lista de SchindlerImpério do SolA Cor Púrpura… Melhor parar porque eu não quero me cansar. Mas o fato é que Spielberg é um dos maiores – talvez o maior – diretor norte-americano em atividade (ao menos, um dos mais elogiados de todos os tempos). E nos próximos dias, teremos o relançamento em 3D de um de seus trabalhos mais populares: Jurassic Park.

jurassicparkPara você entender: eu (particularmente eu, Davi Gonçalves) nunca fui um fã de Spielberg – e aqui é uma simples questão pessoal, pois eu tenho uma predileção especial por outros gêneros de cinema. Mas é impossível ser indiferente à significativa contribuição de Spielberg para a sétima arte. Steven é um artista que revolucionou a maneira de se fazer cinema e se tornou o mestre do gênero “pipoca” (aquele filme feito para toda a família, do garotinho de oito anos ao garotão de oitenta). Não à toa, seus longas foram uma sensação nas décadas de 70 e, principalmente, 80, quando produziu boa parte de seus melhores trabalhos.

Jurassic Park é um pouco mais recente – foi lançado originalmente em 1993 – e rapidamente se tornou um sucesso estrondoso. A história se passa em um parque fictício construído por um milionário, cujas maiores atrações são diversas espécies de dinossauros (extintas há milhões de anos), recriadas em laboratórios graças a um inseto fossilizado da época. A experiência se torna perigosa à medida que o experimento sai do controle da segurança do parque, fazendo com que o local se torne uma ameaça às pessoas que ali se encontram.

parqueSim, amigos: é uma história totalmente fantasiosa, facilmente improvável – mas caiu no gosto do público, se tornando uma febre entre o nos anos 90. O filme teve bons números nas bilheterias, criou uma porrada de produtos que eram disputados aos tapas nas lojas (aqui no Brasil, por exemplo, quem não lembra do álbum de figurinhas do chocolate Surpresa? Ohhh ❤ ) e ainda ganhou duas sequências (menos badaladas, diga-se de passagem). O sucesso foi tão grande que é impossível não associa-lo à figura de Spielberg, que comprovava (mais uma vez) seu talento para criar blockbusters capazes de alavancar os lucros dos estúdios.

Claro, nem tudo é tão bom quanto parece: enquanto o público idolatrava Spielberg, a crítica, em boa parte, caiu matando o diretor. Tem muita gente que ainda torce o nariz para este filme, alegando que os milhões de dólares gastos  em tecnologia de última geração não compensaram o péssimo roteiro. De fato, há de se concordar que, com tanta grana, poderíamos ter um pouco mais de “dinossauro” na tela (vamos assumir que o espectador tem de engolir duas horas de filme para assistir pouco mais de 15 – quinze! – minutos de dinossauro). Tem críticos que sugerem ainda que o roteiro é clichê, que a história é piegas, que as atuações beiram à canastrice e bla bla bla – dizendo que Jurassic Park está muito abaixo dos grandes trabalhos de Spielberg, como A Lista de Schindler, lançado logo em seguida e que é, de longe, sua melhor obra.

jurassicparkOkay, não vou deixar minha opinião aqui porque, como já mencionei, não é um estilo que me agrada. Daí você pode se perguntar “então você não vai assistir este filme no cinema?” e eu te respondo “SIM, irei com certeza”. A razão é simples: este é um longa que você DEVE assistir. E ponto. É um blockbuster? SIM. É clichê? SIM. Mas é inovador, é uma obra-prima do cinema, responsável por revitalizar a onda de filmes na década de 90 – tornando-se um clássico instantâneo. E para você, que tanto assistiu Jurassik Park nas tardes de Temperatura Máxima cof cof, é uma excelente oportunidade de ter alguns momentos nostálgicos de pura fantasia e adrenalina – tudo isso em 3D.

Pééééraaaaaa! Eu disse 3D?

Ahhh nem faz diferença. Tem filmes que, por si só, já valem todo o ingresso…

 

PS.: quem acha que Jurassic Park 3D é foi uma tentativa descarada de lucrar ainda mais nas bilheterias apostando no fator “terceira dimensão” (que eleva o preço do ingresso, pelo menos, ao dobro da sessão convencional), assim como fizeram com outros grandes sucessos, como Titanic?

todomundoPois é… E me vem com a desculpa de comemorar 20 anos de lançamento? Ah vá… Agora é só esperar para saber qual será o próximo super clássico que será relançado para que nós, cinéfilos, possamos encher as salas de cinemas pelo mundo afora.