“Águas Rasas” Referencia Clássicos do Cinema

O cenário é estonteante: uma praia paradisíaca no México, com águas claras e um visual arrebatador. É para lá que a estudante Nancy viaja após perder sua mãe em decorrência de um câncer. Quando a jovem adentra o mar em sua prancha, ela esbarra em um cadáver de baleia encalhado, despertando assim a atenção de um tubarão que prontamente a ataca. Ferida e sem saída, Nancy se refugia em uma rocha no meio do oceano, iniciando uma luta desesperada por sobrevivência.

Já comentei em outras ocasiões que o terror não é um dos meus gêneros favoritos – e aqueles que se utilizam de animais como antagonistas muito menos. Simples questão de gosto. Mas isso não me impede de falar sobre Águas Rasas, novo longa do realizador espanhol Jaume Collet-Serra (de A Casa de Cera e A Órfã). Já de cara, um aviso: o filme não é nada inovador. Na realidade, Águas Rasas tem um argumento até mesmo questionável, que referencia escancaradamente dois clássicos do cinema: o próprio Tubarão, de Steven Spielberg em 1975, e Náufrago, estrelado por Tom Hanks em 2000. Entretanto, ainda que as referências sejam boas, o roteiro é fraco e não aproveita a trama. Poderíamos dividir a fita em duas partes: a primeira, destinada à apresentação de sua protagonista (algo que dura por volta da primeira meia hora de projeção e é uma sucessão de episódios que não ajudam o público a nutrir nenhuma empatia por Nancy); e a segunda, onde acompanhamos a personagem tentando sobreviver.

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Mas se o roteiro peca no desenvolvimento de uma história mais “palpável”, Águas Rasas acerta na escolha de Blake Lively. Dona de uma beleza invejável, a atriz é a personificação do “erotismo” em cena. Seja no loiro dos cabelos, nas curvas do corpo ou tentando uma ou outra palavra em espanhol, Lively é o típico padrão de beleza norte-americano. E mais do que isso: ainda que sua personagem não seja das melhores, ela consegue manter o espectador atento devido à aflição que transmite. Além disso, a fotografia de Águas Rasas é ótima e, com seus planos certeiros, valoriza bem as locações – recomendo que o filme seja assistido no cinema para que você, leitor, possa apreciar esse ponto altamente favorável da produção.

A crítica lá fora tem sido generosa com Águas Rasas (houve quem dissesse que o filme é o “Tubarão do século XXI”). Não vamos exagerar. Águas Rasas não é tudo isso, mas é uma obra competente em sua proposta de entreter – só o fato de ter uma curta duração já ajuda bastante. O longa ainda tem uma particularidade: ele está na linha tênue entre uma produção “séria” e o trash da década de 80 – logo, se você for fã deste estilo, é capaz de sair da sessão com um sorrisão no rosto.

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“Jurassic World” Sobrevive Sem Spielberg no Comando

Eu, particularmente, tenho certa cisma com Jurassic Park – O Parque dos Dinossauros. Em outras ocasiões, já critiquei os milhões gastos em computação gráfica para criar apenas cerca de 15 minutos de dinossauros na tela, nos fazendo engolir mais de duas horas de um roteiro questionável. Mas tenho que admitir que Jurassic Park foi um filme sem precedentes, um marco do gênero “pipoca” – como boa parte (e provavelmente a melhor) da obra de Steven Spielberg. Lançado há mais de vinte anos, é esse grande sucesso de bilheteria que serve de impulso ao novo filme da franquia: Jurassic World – O Mundo dos Dinossauros.

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A premissa básica de Jurassic World é a mesma do primeiro, de 1993. Poderíamos até ser bonzinhos e dizer que se trata de uma “homenagem” ou mesmo uma referência livre à fita de Spielberg, porém Jurassic World não chega a ser isso. Na verdade, esse longa recria praticamente todos os passos de seu antecessor – e isso não chega a ser necessariamente ruim. A trama acontece dentro de um novo parque temático, na Costa Rica, onde dinossauros ganham vida através das maravilhas da ciência moderna. Tudo vai bem até que o mais temido entre eles (e que foi modificado geneticamente) escapa de seu abrigo e causa o terror entre os visitantes. Agora, vamos analisar os itens utilizados na história: um par de crianças que se perde na ilha, tem sim; tensão romântica entre dois protagonistas, confere; cientistas que adoram brincar de deuses, certo; vilão infiltrado na equipe principal, beleza. Então, fica a questão: por que retomar a franquia? E mais: esse novo filme vale a pena?

Vou responder ao primeiro questionamento: a ideia de trazer novamente este universo aos cinemas não é recente e, em minha opinião, há duas razões para isso. Primeira delas, romântica: apresentar ao público de hoje toda a magnitude do projeto. Eu confesso não ser o maior fã da saga, mas tenho que admitir que ela é ótima, sim. Eu torço o nariz para blockbuster mas assumo que eles estão aí para entreter o público e quando isso acontece eu realmente saio satisfeito do cinema – e foi exatamente assim que me senti após a sessão de Jurassic World. Definitivamente, o filme cumpre sua promessa e ponto. Segunda razão, esta mais realista: faturar! Simples assim – do contrário nada justificaria uma produção como esta tão pouco tempo após o original ser relançado em 3D.

01Agora, vem a segunda pergunta: Jurassic World merece ser conferido? Serei enfático: sim. Não vou tentar comparar muito as duas fitas. Jurassic Park foi um marco em sua época, um divisor de águas em Hollywood, título obrigatório independente do tipo de cinema que você curta. Perto dele, Jurassic World, o novo, é uma mera cópia quase, mas que se destaca por ser tão empolgante quanto o primeiro. Se a obra de Spielberg conquistou pela originalidade, pela novidade do projeto, Jurassic World deve ser elogiado pelo seu valor como blockbuster atual. O cineasta Colin Trevorrow (que substitui Spielberg, que agora assina apenas a produção executiva) faz um apanhado de tudo o que Steven fez lá atrás, deu uma potencializada no material e criou um filme eletrizante, que durante 120 minutos não faz você desgrudar o olho da tela. Os saudosistas podem (e vão) se desesperar, mas Jurassic World é bom. É repleto de ação, tem piadas que rendem boas risadas e agrada todo mundo.

Há quem diga que Jurassic World não tem o charme, magia e emoção que o longa de Spielberg. De fato, o filme não é isento de pequenos defeitos, como o desenvolvimento de certos personagens (o vilão, por exemplo, é quase o mesmo da novela Mil e Uma Noites), a narrativa que não foge dos clichês e soluções fáceis e até os efeitos especiais, que não são excepcionais (Spielberg fez muito, mas muito melhor há duas décadas atrás, em uma época em que os recursos eram menos acessíveis e sofisticados – os dinossauros do cineasta veterano são muito mais reais e assustadores). O roteiro ainda tenta propor alguma reflexão, novamente na apostando na velha tese que discute os limites da ciência e a ganância do ser humano, mas é superficial nesta empreitada. Mas se você não quiser esquentar a cabeça e estiver procurando um filme para toda a família, que seja capaz de entreter e divertir, vá por mim e adentre este fantástico mundo dos dinossauros.

Encurralado

4Lá no começo da década de 70, o cinema começava a passar por uma transformação. Nessa época, surgiam alguns diretores que influenciariam todas as gerações seguintes (inclusive a nossa) e reinventariam o conceito de cinema, popularizando a arte e criando o gênero “pipoca” (aquele tipo de cinema voltado para toda a família). Dentre os principais expoentes dessa geração (conhecida como “Nova Hollywood”), um dos nomes mais cultuados é o de Steven Spielberg que, em 1971, lançou o suspense Encurralado – uma produção que, apesar de não ter a mesma magnitude de seus grandes clássicos lançados posteriormente, já lançava os holofotes sobre o jovem cineasta.

Eu disse que Encurralado não tem a mesma magnitude de outras obras de Spielberg? Quanta injustiça! Encurralado é, talvez, um dos melhores exemplos da obra do diretor, reunindo tudo aquilo que Spielberg faria em sua vasta carreira. Adaptado de um conto, Encurralado foi o primeiro longa do diretor, feito diretamente para a TV (foi lançado para um programa semanal da ABC). Na época, o jovem e até então desconhecido Spielberg conseguiu carta branca do canal para produzir o telefilme com um prazo de 10 dias (há a lenda de que Spielberg teria estourado o cronograma em 3 dias e outras maluquices…) e, contrariando todas as expectativas de frustração, Spielberg entrega uma das melhores histórias de perseguição do cinema – e um dos filmes mais influentes de sua carreira.

A história é simples: David é um pai de família que está dirigindo em uma rodovia rumo a uma reunião de negócios. Pouco se sabe a respeito do nosso protagonista. No meio da viagem na região desértica estadunidense (recheada de longas e retas estradas e paredões), ele ultrapassa um caminhão-tanque enferrujado, que a partir de então passa a persegui-lo durante todo o caminho. Esta aí uma das melhores qualidades de Spielberg: tornar crível o fato mais improvável. Afinal, os 90 minutos de filme não passam disso: perseguição. Encurralado sequer é uma produção recheada de diálogos (o que quebra o gelo é o duvidoso artifício de expor os pensamentos do protagonista em alto som) – mas isso não o torna um filme ruim ou mesmo cansativo.

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Encurralado não possui cenas elaboradas de perseguição (alguém aí falou em Velozes e Furiosos?), nem uma trilha sonora arrebatadora ou mesmo diálogos marcantes. No entanto, há um excelente trabalho de edição e de cortes, que criam uma tensão atordoante. A sensação de perseguição é feita através de várias sequências de takes que fazem o espectador por a língua para fora (literalmente, claro). Com esses artifícios, Spielberg consegue fazer o inacreditável: tornar o caminhão o grande vilão da história, transformando-o em um monstro de proporções gigantescas – ocultando a identidade de seu  motorista durante todo o filme, o que aumenta ainda mais a tensão. Ou seja, o grande  pedaço de metal enferrujado ganha vida própria, causando medo e pavor no protagonista e em toda a platéia.

O fato de não mostrar o condutor do veículo durante todo o evento torna Encurralado ainda mais intrigante, assim como toda sua narrativa. É um dos artifícios que Spielberg utiliza para manipular a emoção do espectador de forma simples e direta. Spielberg (que mais tarde ficaria famoso com seus blockbusters) consegue mexer com o espectador sem fazer muito esforço, em um longa que não te deixa desgrudar os olhos da tela. Com um final espetacular (que não vou contar aqui, ok?), Encurralado é um ótimo filme para os padrões Spielberg – e uma boa esperança para o cinema da década de 70.

“Jurassic Park” em 3D: Nostalgia em Tela Grande

Convenhamos: você que nasceu entre as décadas de 80 e 90, em algum momento de sua vida, já assistiu e caiu de graças por algum filme do mestre Steven Spielberg. Deixe-me explicar: Spielberg é a mente brilhante à frente de clássicos como TubarãoContatos Imediatos do Terceiro GrauE.T. – O ExtraterrestreOs GooniesDe Volta Para o Futuro… Para ou continua? Continua? A saga Indiana JonesA Lista de SchindlerImpério do SolA Cor Púrpura… Melhor parar porque eu não quero me cansar. Mas o fato é que Spielberg é um dos maiores – talvez o maior – diretor norte-americano em atividade (ao menos, um dos mais elogiados de todos os tempos). E nos próximos dias, teremos o relançamento em 3D de um de seus trabalhos mais populares: Jurassic Park.

jurassicparkPara você entender: eu (particularmente eu, Davi Gonçalves) nunca fui um fã de Spielberg – e aqui é uma simples questão pessoal, pois eu tenho uma predileção especial por outros gêneros de cinema. Mas é impossível ser indiferente à significativa contribuição de Spielberg para a sétima arte. Steven é um artista que revolucionou a maneira de se fazer cinema e se tornou o mestre do gênero “pipoca” (aquele filme feito para toda a família, do garotinho de oito anos ao garotão de oitenta). Não à toa, seus longas foram uma sensação nas décadas de 70 e, principalmente, 80, quando produziu boa parte de seus melhores trabalhos.

Jurassic Park é um pouco mais recente – foi lançado originalmente em 1993 – e rapidamente se tornou um sucesso estrondoso. A história se passa em um parque fictício construído por um milionário, cujas maiores atrações são diversas espécies de dinossauros (extintas há milhões de anos), recriadas em laboratórios graças a um inseto fossilizado da época. A experiência se torna perigosa à medida que o experimento sai do controle da segurança do parque, fazendo com que o local se torne uma ameaça às pessoas que ali se encontram.

parqueSim, amigos: é uma história totalmente fantasiosa, facilmente improvável – mas caiu no gosto do público, se tornando uma febre entre o nos anos 90. O filme teve bons números nas bilheterias, criou uma porrada de produtos que eram disputados aos tapas nas lojas (aqui no Brasil, por exemplo, quem não lembra do álbum de figurinhas do chocolate Surpresa? Ohhh ❤ ) e ainda ganhou duas sequências (menos badaladas, diga-se de passagem). O sucesso foi tão grande que é impossível não associa-lo à figura de Spielberg, que comprovava (mais uma vez) seu talento para criar blockbusters capazes de alavancar os lucros dos estúdios.

Claro, nem tudo é tão bom quanto parece: enquanto o público idolatrava Spielberg, a crítica, em boa parte, caiu matando o diretor. Tem muita gente que ainda torce o nariz para este filme, alegando que os milhões de dólares gastos  em tecnologia de última geração não compensaram o péssimo roteiro. De fato, há de se concordar que, com tanta grana, poderíamos ter um pouco mais de “dinossauro” na tela (vamos assumir que o espectador tem de engolir duas horas de filme para assistir pouco mais de 15 – quinze! – minutos de dinossauro). Tem críticos que sugerem ainda que o roteiro é clichê, que a história é piegas, que as atuações beiram à canastrice e bla bla bla – dizendo que Jurassic Park está muito abaixo dos grandes trabalhos de Spielberg, como A Lista de Schindler, lançado logo em seguida e que é, de longe, sua melhor obra.

jurassicparkOkay, não vou deixar minha opinião aqui porque, como já mencionei, não é um estilo que me agrada. Daí você pode se perguntar “então você não vai assistir este filme no cinema?” e eu te respondo “SIM, irei com certeza”. A razão é simples: este é um longa que você DEVE assistir. E ponto. É um blockbuster? SIM. É clichê? SIM. Mas é inovador, é uma obra-prima do cinema, responsável por revitalizar a onda de filmes na década de 90 – tornando-se um clássico instantâneo. E para você, que tanto assistiu Jurassik Park nas tardes de Temperatura Máxima cof cof, é uma excelente oportunidade de ter alguns momentos nostálgicos de pura fantasia e adrenalina – tudo isso em 3D.

Pééééraaaaaa! Eu disse 3D?

Ahhh nem faz diferença. Tem filmes que, por si só, já valem todo o ingresso…

 

PS.: quem acha que Jurassic Park 3D é foi uma tentativa descarada de lucrar ainda mais nas bilheterias apostando no fator “terceira dimensão” (que eleva o preço do ingresso, pelo menos, ao dobro da sessão convencional), assim como fizeram com outros grandes sucessos, como Titanic?

todomundoPois é… E me vem com a desculpa de comemorar 20 anos de lançamento? Ah vá… Agora é só esperar para saber qual será o próximo super clássico que será relançado para que nós, cinéfilos, possamos encher as salas de cinemas pelo mundo afora.

Grandes Diretores e Seus Maiores Fiascos

Está certo que todo cinéfilo tem aquele seu diretor preferido. Todo grande cineasta tem um jeito peculiar de filmar (e que facilmente já se torna uma marca em suas produções) e, consequentemente, todo admirador da sétima arte acaba se identificando com o estilo de um ou outro artista.

Mas, por mais que se queira admitir, todo grande diretor já errou a mão uma vez na vida. Na realidade, são poucos os cineastas que conseguem ter uma obra uniforme – todos acabam, em algum momento de sua carreira, fazendo uma produção que serve de vergonha alheia para toda a comunidade cinéfila. Por isso, decidi listar abaixo dez grandes nomes hollywoodianos que já enfiaram o pé na jaca e realizaram trabalhos de caráter, digamos, duvidoso. Não se preocupe se o seu diretor favorito estiver na lista – afinal, nem só de glórias vive um grande artista.

1. Roman Polanski – O Último Portal (1999)
Sempre polêmico, Polanski também sempre produziu filmes igualmente polêmicos, atuando nos mais variados gêneros. No entanto, O Último Portal, de 1999, é um daqueles filmes que tinha tudo para dar certo mas… não deu. O longa gira em torno de um especialista em livros raros que embarca numa viagem para a Europa para confirmar a autenticidade de um livro que, ao que tudo indica, teria sido escrito pelo próprio demônio. No entanto, a história se perde no decorrer da trama e, principalmente, deixa a desejar no desfecho maluco, tornando um dos roteiros mais desperdiçados de Polanski.

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2. Alfred Hitchcock – Valsas de Viena (1935)
Até mesmo o mestre do suspense já pisou na bola… Se por um lado Hitchcock dirigiu clássicos do cinema mundial como PsicoseUm Corpo Que CaiDique M Para Matar entre muitos outros, o cineasta também tem um ou outro filme que não honram o nome do diretor. Entre eles, um de seus trabalhos menos aclamados ainda é Valsas de Viena, de 1935, cuja história gira em torno de um rapaz forçado a abandonar a carreira na música para trabalhar em uma confeitaria.

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3. Steven Spielberg – Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (2008)
Rei do gênero pipoca nos cinemas, Steven Spielberg é o mestre por trás de produções como E.T. – O ExtraterrestreTubarãoA Lista de Schindler e mais uma porrada de filmes que marcaram a infância de muito cinéfilo aqui. Também é o homem que dirigiu a saga Indiana Jones e, por esta razão, foi frustrante para os fãs do diretor vê-lo retomar uma franquia quase vinte cinco anos após o último episódio e fazer uma continuação tão fraca como Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, cujo maior mérito foi apenas reunir parte do elenco original. Fora isso, o restante se divide entre um roteiro muito ruim e piadas tão estúpidas que beiram à canastrice.

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4. Tim Burton – Planeta dos Macacos (2001)
Com seu estilo tão peculiar, o excêntrico Tim Burton conquistou fãs ao redor do mundo com suas produções macabras e fantasiosas. Ao longo da carreira, Burton fez filmes ótimos (Peixe Grande e Suas HistóriasEd WoodEdward Mãos de Tesoura), bons (A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça, BatmanA Fantástica Fábrica de Chocolate) e ruins (Marte Ataca!Alice no País das MaravilhasSombras da Noite). No entanto, é quase unanimidade que a versão burtoniana para Planeta dos Macacos, de 2001, foi a pior produção do diretor em anos – e é considerada a maior “mancha” no currículo do cineasta.

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5. Martin Scorsese – New York, New York (1977)
Dizem que Scorsese é tão cinéfilo que houve uma época em que ele tinha assistido a todos os filmes já produzidos no cinema. Se é verdade ou não, o fato é que o diretor de Taxi DriverTouro IndomávelOs Bons Companheiros entre tantos outros clássicos cinematográficos, já dirigiu filmes muito aquém de sua real capacidade. Entre eles, o fiasco maior (devido à proporção na época de lançamento) foi o musical New York, New York, concebido pelo cineasta como uma homenagem à sua cidade natal. Alem de ter sido detonado pela crítica, foi uma das piores bilheterias da carreira de Scorsese.

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6. Gus Van Sant – Psicose (1998)
Dirigindo um estilo que mescla cultura de massa e cinema independente, Gus tem filmes que, na maior parte das vezes, a crítica ama e o público esnoba. Com sua câmera única, certamente a pior produção de Gus, ao longo de mais de vinte anos de carreira, é seu remake de Psicose, obra-prima de Hitchcock. Aliás, não se trata apenas de um longa ruim – mas também um dos piores remakes de todos os tempos.

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7. Woody Allen – Você Vai Encontrar o Homem dos Seus Sonhos (2010)
Todos concordam quando os críticos dizem que a década de 2000 foi a mais fraca da carreira de Woody Allen – que há trinta anos, lança um filme por ano. Desde então, Woody teve alguns sucessos de crítica e público como o elogiado Meia Noite em ParisVicky Cristina BarcelonaPonto Final – Match Point e também alguns fiascos como Scoop – O Grande FuroIgual a Tudo na Vida e, principalmente, Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos, de 2010, que apesar do elenco estelar (Antonio Banderas, Naomi Watts, Anthony Hopkins, entre outros) não convence e é, talvez, um dos piores filmes da carreira do cineasta.

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8. Clint Eastwood – J. Edgar (2011)
O carrancudo Clint Eastwood é uma lenda vida do cinema norte-americano. Tanto na frente das câmeras quanto na direção, Clint é um daqueles nomes que chamam público ao cinema. No entanto, o astro de Os ImperdoáveisMenina de OuroAs Pontes de Madison já dirigiu filmes bem menos badalados, como J. Edgar, de 2011. De fato, a história do homem à frente do FBI durante seus primeiros anos tem uma das piores classificações da carreira do diretor.

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9. Francis Ford Coppola – Jack (1996)
É difícil acreditar que o diretor da trilogia O Poderoso Chefão possa, em algum momento de sua vasta carreira, ter criado um filme, digamos, ruim. Mas foi isso o que aconteceu com o mestre Coppola quando, em 1996, o cineasta decidiu dirigir Robin Williams em Jack, que conta a história de um garoto que envelhece muito rápido devido uma doença rara. Apesar de ser uma comédia que muita gente admira, o fato é que, se comparado a outras obras de Coppola, o filme é um mero desperdício de talento.

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10. Ridley Scott – Prometheus (2012)
Para quem dirigiu Alien, O Oitavo PassageiroGladiadorThelma & Louise, Ridley Scott escorregou feio quando decidiu, em 2012, dirigir Prometheus. Piadinha pronta, mas realmente o longa prometeu e não cumpriu, se tornando um dos maiores fiascos do ano e um daqueles filmes que facilmente poderiam ser apagados da lista do diretor que ninguém daria por falta.

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50 Filmes que Marcaram Sua Infância – Parte IV

Pois é, tudo que é bom acaba logo! As férias de janeiro praticamente chegaram ao fim – e com ela nossa listagem dos filmes clássicos que marcaram a nossa infância – especialmente aquela galera que nasceu entre as décadas de 80 e 90. Hoje, vamos conferir os 15 últimos títulos da nossa lista (os demais vocês podem conferir nos links no final deste artigo). Mas antes disso, é legal conhecermos um pouco mais sobre as 2 sessões de filmes onde esses títulos foram incansavelmente reprisados aos longos dos anos.

A Sessão da Tarde, programa das tardes globais, é exibido desde 1974. Apesar das intermináveis críticas (na maioria relacionadas às muitas exibições de algumas produções),  a Sessão da Tarde é líder absoluto em seu horário de exibição. Já o Cinema em Casa, sessão de filmes da rival SBT, estreou em agosto de 1988, inicialmente nas noites de sextas-feiras. Três anos depois, a atração passou a ser exibida nas tardes da emissora – em diferentes horários e com várias alterações. Entre idas e vindas, o programa atualmente não está na grade da emissora do dono do baú – mas tem um lugar especial no coração de milhares de cinéfilos saudosistas.

Pois bem, vamos deixar de papo e partir de uma vez para nossas últimas produções. Veja a lista que preparamos para você:

36. Guerra nas Estrelas (série)
O mestre George Lucas – quem, definitivamente, criou o conceito “filme + pipoca” no cinema – escreveu e dirigiu a saga Star Wars, uma das maiores marcas da cultura pop de todos os tempos. O primeiro dos seis títulos da série de ficção científica foi lançado em 1977 e um sétimo episódio está previsto para os próximos anos – agora, com produção pela Walt Disney Company, conforme já comentamos aqui. Independente, Guerra nas Estrelas é um daqueles filmes de caráter “nerd” que todo mundo ama…

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37. Quero Ser Grande
Tom Hanks estrelou esse filme em uma época áurea de sua profissão. A história gira em torno de um jovem que é transformado em adulto após desejar ser grande diante de um brinquedo antigo esquecido em um parque. Quem não se recorda da clássica cena do piano gigante que atire a primeira pedra…

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38. Alligator
Uma família volta de viagem trazendo um filhote de jacaré, que é abandonado e jogado dentro da privada. Nos esgotos, ele sobrevive se alimentando de lixo radioativo e se transforma em um monstro gigante que espalha o terror nas ruas da cidade.

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39. Gremlins
Steven Spielberg foi um dos diretores que mais contribuíram para as nossas tardes. Gremlins foi um filme dirigido por Joe Danta e produzido por Spielberg, cujos astros principais são os monstrinhos endiabrados (uma mistura entre morcego e coruja) que tacam o terror (literalmente) na cidade de Kingston Falls. Apesar do filme ter todo um humor negro particular, é impossível não dar umas risadas com os bichinhos.

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40. Os Caça-Fantasmas
Com roteiro de Dan Aykroyd (que também protagoniza o filme) e Harold Ramis, o longa lançado em 1984 se tornou queridíssimo do público e ganhou, inclusive, uma sequencia cinco anos depois e duas séries animadas. É considerada até hoje como uma das melhores comédias da história – e um integrante de carteirinha das tardes globais.

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41. Os Goonies
Mais uma produção de Spielberg! Lançado em 1985, o longa traz basicamente tudo aquilo que toda criança e adolescente normais adora ver em um filme: mapa do tesouro, gigantes, piratas, perseguições e tudo aquilo que tornou Os Goonies um título obrigatório em qualquer lista desse tipo. A música tema conta ainda com a participação de Cindy Lauper. Que época, hein?

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42. Irmãos Gêmeos
Definitivamente, é difícil imaginar que o fortão e musculoso Arnold Schwarzenegger tinha o baixinho e gordinho Danny DeVito como irmão gêmeo. Mas na comédia lançada em 1988, foi exatamente isso o que aconteceu. A confusão está armada!

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43. Caravana da Coragem
Este, particularmente, era um dos meus filmes preferidos de infância. Na rabeira do sucesso que os Ewoks fizeram em um dos filmes da saga Star WarsCaravana da Coragem contava a história de um casal de irmãos que tentam salvar os pais acidentados em Endor. Que criança normal nunca teve vontade de ter um daqueles bichinhos de pelúcia fofos em casa?

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44. A Fantástica Fábrica de Chocolate
Há os que amem a versão burtoniana de 2005 – entretanto, os mais saudosistas  adoram a clássica versão de A Fantástica Fábrica de Chocolate, adaptada do livro de Roald Dahl, publicado em 1964. Gene Wilder vive o delirante Willy Wonka, dono de uma famosa fábrica de doces que faz uma promoção que levará cinco crianças de sorte para passear em sua fábrica, fechada desde que Wonka teve suas receitas roubadas por espiões.

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45. Indiana Jones (série)
Daí você junta George Lucas e Steven Spielberg e o que terá? Sim, o personagem Indiana Jones, da série escrita por Lucas e dirigida por Spielberg, que virou febre mundial desde sua estréia, no início da década de 80. Vivido por Harrison Ford, Henry Jones Junior (nome real do personagem) é um pacato professor de arqueologia  – e também um destemido aventureiro, munido de um revólver, um chapéu e um chicote, que tornaram sua marca registrada.

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46. Loucademia de Polícia
Pensa em uma comédia pastelão, onde você mistura todos os tipos mais prováveis (e improváveis), em situações bizarras e fica lá esperando um resultado. Pois a série Loucademia de Polícia (composta por nada menos do que 6 sequencias) é justamente isso. Além dos títulos na telona, a franquia ainda ganhou uma série animada e uma série de TV. Impossível não dar altas gargalhadas…

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47. Alien, o Oitavo Passageiro
Alien, filme dirigido por Ridley Scott – em um gênero que o consagrou – e lançado em 1979, foi aclamado pela crítica e se tornou um dos maiores sucessos de bilheteria do gênero ficção de todos os tempos. O título faz referência à uma criatura alienígena que mata a tripulação de uma nave espacial. Recentemente, Ridley Scott retornou ao gênero com o longa Prometheus, dividindo as críticas.

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48. A História Sem Fim
A História Sem Fim é um épico de fantasia que até hoje é referência para muita gente. O filme gira em torno do garoto Bastian que se esconde no sótão com um livro misterioso para fugir dos fatos que tornam sua realidade um fardo (como as brigas no colégio ou a recente perda de sua mãe). Entretanto, a leitura do livro o transporta para um mundo de fantasia habitado por seres especiais, como dragões, elfos e outras figuras fantásticas.

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49. Karatê Kid
Lançado em 1984, Karatê Kid conta a história de um jovem lutador que deseja aprender a arte do karatê e convence um experiente mestre a lhe ensinar a luta. Entretanto, os exercícios vão além e acabam se tornando importantes lições de vida. O filme foi um grande sucesso de público e crítica e continua popular até hoje.

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50. De Volta Para o Futuro
Um dos maiores sucessos da Sessão da Tarde, De Volta Para o Futuro ganhou uma legião de fãs. O filme conta a história do adolescente Marty que, acidentalmente, viaja no tempo 30 anos atrás. Na viagem, ele conhece seus futuros pais, mas sua mãe acaba se interessando pelo garoto. Com isso, Marty tem que consertar esta situação e fazer com que seus pais se apaixonem, enquanto tenta encontrar um modo de voltar para a época correta.

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Enfim, chegamos ao final selecionando 50 dos muitos filmes que marcaram a infância – e por que não a vida? – de muitos cinéfilos apaixonados. Obviamente, a lista poderia ser estendida e render mais alguns posts. Muita coisa ficou de fora, mas tenho certeza que estes textos contribuíram para você ter um momento de nostalgia e saudade de uma época tão especial para todos nós, okay?

E não esqueça: você pode conferir todos os demais títulos clicando aqui (parte 1), aqui (parte 2) e aqui também (parte 3). Ah, e claro: este e mais outros títulos super bacanas podem ser conferidos no site do CaféComWhisky.

“Lincoln”: Sobra Didatismo, Falta Emoção

Às vésperas do Oscar, chega às salas de cinema nacional Lincoln, produção norte-americana dirigida por Steven Spielberg e que lidera o maior número de indicações ao Oscar deste ano – ao todo, são 12, incluindo melhor filme, número que Spielberg só havia alcançado 20 anos atrás com seu magnífico A Lista de Schindler. Entretanto, uma pergunta fica no ar: Lincoln é realmente tudo isso ou se trata apenas de mais um caso de patriotismo norte-americano?

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Lincoln não mostra a infância do 16º presidente norte-americano até sua chegada ao poder, tampouco foca nos dramas pessoais do político. Na verdade, o longa, baseado na biografia escrita por Doris Kearns Goodwin, concentra suas forças nos quatro últimos meses de vida de Abraham Lincoln, entre janeiro e abril de 1865, quando o ex-presidente liderava um país dividido por sua mais sangrenta Guerra Civil (que ao longo de mais de quatro anos, dizimou cerca de 600 mil vidas). Com a guerra se aproximando do fim, Lincoln tinha ainda à sua frente a difícil missão de aprovar a 13ª Emenda Constitucional, que aboliria a escravidão no país.

1Justiça seja feita: Lincoln, de longe, não recebeu as indicações à toa. Se tratando de uma obra de Steven Spielberg, Lincoln tem todos os itens indispensáveis a uma produção bem sucedida. A começar pela bela fotografia e direção de arte, que recriaram a época com maestria, abusando de cenários em cores frias que contribuíram muito bem para a caracterização do período. Vale ainda mencionar a belíssima trilha sonora de John Williams – para mim, uma das melhores de sua carreira. Entretanto, estes aspectos técnicos não permitem que Lincoln seja um filme perfeito. Na verdade, não se levarmos em conta que é um filme de Steven Spielberg. Ao longo de sua carreira, Spielberg coleciona sucessos atrás de sucessos e criou uma obra muito particular. Alguns pontos marcantes do diretor faltam ao longa e isso acaba despertando certo receio nos fãs. Obviamente, Spielberg está cada vez mais maduro – e falar disso a essa altura do campeonato, de um diretor como Steven é algo que soa estranho, mas é a pura realidade.

3Acostumado a estar à frente de produções grandiosas e premiadas, Spielberg conseguiu com Lincoln o que já se esperava: muitas indicações e altos números nas bilheterias (o filme faturou apenas nos EUA mais do que o dobro do seu orçamento). Mas apesar dos números impressionantes, Lincoln é, talvez, o longa mais intimista de seu diretor. Se você espera algo com cenas de batalha espetaculares e efeitos especiais gigantescos (dá-lhe Spielberg!), sairá desapontado do cinema. Tudo isso, marca registrada do diretor, dá lugar a negociações políticas, marcadas por diálogos complexos para quem não conhece a mecânica política norte-americana, dadas quase que às escuras – e não estou fazendo referência à fotografia do filme. O longa se concentra na difícil tarefa de Lincoln em aprovar a Emenda que aboliria a escravidão no país, mas para isso o ex-presidente cria um processo de negociações não muito diferente do que temos no cenário atual (pressões, ofertas de cargos, concessões e privilégios, etc.).

2Também não espere um filme que vá te levar aos ápices das emoções ou que tenha muita profundidade a ser discutida. Os dramas pessoais de Lincoln são pouco explorados – e é nesse ponto que surge Sally Field, caracterizando a esposa de Lincoln, que perdeu um filho de febre tifoide durante o mandato do marido e é emocionalmente instável. Este é um dos poucos momentos em que se pode enxergar a figura humana de Lincoln, mas bem superficialmente. Ainda que Daniel Day-Lewis faça um excelente trabalho de caracterização (que fatalmente trará o 3º Oscar da carreira do ator), esse aspecto dramático é pouco explorado na trama, dando lugar aos conflitos políticos que tornam o filme uma bela aula de História, mas com poucos sentimentos. Daniel conseguiu recriar bem a personagem central. Cada detalhe que o ator estudou durante cerca de um ano foi transmitido em cena: a voz marcante, o jeito de andar desengonçado ou mesmo a maneira entusiasmada como contava suas histórias.

5No final, Lincoln se torna uma obra grandiosa, sim. Levando em consideração as produções que ganharam o Oscar de melhor filme nos últimos dois anos (O Discurso do ReiO Artista, respectivamente), Lincoln tem tudo para ser o grande nome da noite. Mas peca em mostrar os dramas do ex-presidente de forma tão superficial, fazendo com que o filme seja incapaz de emocionar o espectador. Mesmo ao tratar os dilemas políticos, faltou ainda um pouco daqueles discursos inspiradíssimos do político – o que certamente traria mais emoção à trama. Ao longo de quase duas horas e meia, Lincoln funciona bem no mercado norte-americano, mas por suas deficiências faz com que a produção seja excessivamente regional. Não que isso impeça os prêmios da Academia (patriota e puritana, como sempre). Lincoln impressiona como obra cinematográfica – mas o coração nunca atinge o espectador.