A Hollywood Desfigurada de David Cronenberg em “Mapas Para as Estrelas”

Não sou um profundo conhecedor do cinema de David Cronenberg. Para ser bastante honesto, meu único contato com sua obra foi em Cosmópolis, um filme enfadonho, cansativo, sem pé nem cabeça e que me irritou profundamente. Exatamente por isso (e por não ter conhecimento de sua filmografia), a única coisa que me chamou a atenção em Mapas Para as Estrelas é a presença de Julianne Moore – atriz por quem nutro uma admiração ímpar. Mas, confundindo minhas expectativas, me deparei com uma fita bastante singular e que, dentro de sua proposta, me agradou e me fez rever meus conceitos sobre o diretor.

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Tudo bem, Mapas Para as Estrelas não é um primor cinematográfico – tampouco é a obra-prima de seu idealizador, pelo que tenho reparado nas críticas que busquei. Pelo contrário: tem alguns que o consideram até mesmo um filme “fraco” na carreira de Cronenberg. Na trama, somos transportados a uma Hollywood quase surreal (para alguns, “nua e crua” – aliás, vi esses adjetivos em quase todos os textos que li sobre a obra, mas acredito que esteja bastante longe disto), onde somos apresentados a alguns personagens icônicos: temos o ator mirim em ascensão que está voltando da reabilitação; uma atriz de meia idade em decadência, cuja carreira sobrevive apenas de glórias passadas e escândalos atuais; um psicólogo que fez fortuna com livros de autoajuda e sua esposa, que passa a maior parte do tempo cuidando da carreira do filho; um motorista de limusine que tenta a sorte como ator; e, ligando todos estes tipos, uma jovem distante de todo este universo, que chega a Los Angeles trazendo nas malas um mistério que pode afetar a vida de todos.

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As tramas destes personagens se desenvolvem em meio a histórias de sexo, fantasmas, loucura – em uma mistura frenética e inusitada que cai como uma luva para a Hollywood tão decadente de Cronenberg. Sua visão do mundo das celebridades é avassaladora, mostrando toda perversão e crueldade de uma realidade que é desconhecida para muitos. O cineasta não economiza no choque: é como se qualquer situação, por mais comum que seja, tome proporções gigantescas. O excesso é simplesmente natural, já faz parte da vida de cada um dos personagens, que vivem em um eterno clima de tensão e círculo vicioso: todos se conhecem e possuem, a seu modo, os mesmos problemas – até, obviamente, a chegada de Agatha, a garota misteriosa a quem nos referimos anteriormente. É essa abordagem que Cronenberg utiliza para fazer sua crítica a Hollywood – ainda que exagerada, irônica e disforme.

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A atuação do elenco em Mapas Para as Estrelas é, no mínimo, extraordinária. Já de cara, digo: Julianne Moore toma o filme para si. Por mais que os demais se esforcem, é Julianne que atrai os holofotes a cada aparição. Arrisco dizer que esta seja sua melhor performance em anos e, se ela já ganhou o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes, é quase certo que role uma indicação ao Oscar na mesma categoria – ou, pelo menos, é o mais esperado. Moore consegue ser atordoante em cena e mesmo fazendo um tipo arrogante, o espectador é capaz de torcer por ela (sua personagem é uma atriz que não consegue lidar muito bem com a idade e com os fantasmas do passado, que inclui a morte da mãe em um incêndio). Mia Wasikowska há muito se desvencilhou de sua apática Alice burtoniana e já pode ser considerada uma das melhores intérpretes de sua geração – não fosse por Julianne, certamente seria a melhor em cena. Mia cresce gradualmente no decorrer da fita, sendo a responsável pelo grande clímax da história e pelo desfecho lírico. Outro destaque fica com Evan Bird, que agarrou bem a responsabilidade de viver uma celebridade adolescente em crise, com todas suas irritações causadas, sobretudo, pela privação com a qual é forçado a viver.

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Com uma trilha sonora confusa e atordoante, montagem vaga em certos momentos e fotografia pontual, Mapas Para as Estrelas é um filme onde se consegue ver o desejo do diretor em chocar o público e pronto. O mundo nefasto das celebridades é visto aqui sob uma ótica que preza pela “estranheza”, pelo “anormal”. pelo “repulsivo”. Mapas Para as Estrelas não é uma pérola do cinema, mas perturba, incomoda, constrange, enoja e é indigesto mesmo horas depois que o assistimos. E se este era o objetivo de Cronenberg, não nos resta nada mais a não ser aceitarmos todo o surrealismo de suas ideias – e de seu universo deformado.

Como o Cinema Francês Deu um Tapa em Hollywood Com “A Bela e a Fera”

Desde 2010, com o sucesso épico do burtoniano Alice no País das Maravilhas, o cinema não parou mais de produzir novas versões (especialmente em live action) de alguns clássicos infantis. De lá para cá, podemos citar a trama dos irmãos João e Maria (João e Maria: Caçadores de Bruxas, 2013), a história da sofrida Branca de Neve (que ganhou os filmes Branca de Neve e o Caçador e Espelho, Espelho Meu, lançados quase simultaneamente, em 2012), as aventuras de João e seu pé de feijão mágico (com Jack, o Caçador de Gigantes, de 2013) e as maldades da madrasta de Cinderela (no mais recente Malévola, de 2014). No entanto, com exceção deste último, todas essas versões (que em geral faturaram em bilheteria) não receberam críticas muito amistosas – e dessa forma, a releitura francesa para A Bela e a Fera veio como um tapa certeiro na cara de Hollywood.

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Neste novo filme (baseado no original que, pouca gente sabe, é francês – escrito no século XVIII por Gabrielle-Suzanne Barbot de Villeneuve), Bela é uma dos seis filhos de um próspero comerciante que, de uma hora para outra, perde toda sua fortuna por conta de um desastre marítimo. A família se vê obrigada a mudar para uma casa menor, longe da agitação da cidade grande, onde vivem modestamente apesar dos constantes protestos das irmãs mesquinhas de Bela. O pai, em uma tentativa de alavancar os negócios da família, se perde em uma tempestade e vai parar em um castelo, onde se torna refém de um terrível monstro após “roubar” uma rosa para sua filha mais querida – obviamente, Bela. Quando o pai retorna à casa da família apenas para se despedir dos filhos, Bela decide se oferecer como prisioneira no lugar do pai – e daí pra frente é tudo aquilo que já conhecemos, inclusive de grandes produções norte-americanas (pois a história caminha para um desfecho hollywoodiano).

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A direção fica por conta do competente Christophe Gans, do elogiado O Pacto dos Lobos, de 2001. Christophe (que também assina o roteiro) apresenta um trabalho bastante equilibrado e homogêneo, sem altos ou baixos que mereçam ser comentados – com exceção, talvez, do tom fabular que em determinados momentos são exagerados, mas que não comprometem o resultado final. A trama é envolvente e a narrativa se desdobra muito bem no decorrer de suas quase duas horas. Contribui muito para o filme os excelentes aspectos técnicos, com um destaque evidente para a direção de arte e fotografia, que é um primor à parte (e, olha, não fosse por ser uma produção francesa – e Hollywood esnoba o que é bom – poderia facilmente receber uma indicação ao Oscar). Tudo é muito bem estruturado em cena, o que favorece os ótimos planos que Gans capta com suas câmeras. Neste universo, misturam-se ainda os ótimos figurinos, cenários (magníficos e quase todos digitais, o que pode atrair o público mirim) e maquiagens à inspirada trilha sonora que acentua toda a dramaticidade do projeto – alem de efeitos especiais que dão o ar de “superprodução” que paira sobre toda a fita. Em suma, é tudo muito próximo a qualquer grande cinema de Hollywood.

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Menos carismáticos, porem, parecem estar nosso casal de protagonistas, vividos por Léa Seydoux e Vincent Cassel (este último que foi parceiro do diretor em O Pacto dos Lobos). Faltou certa química entre os dois – apesar de que, individualmente, eles até são interessantes e fazem bem suas funções na película. Léa, a nova “queridinha” do cinema francês (principalmente após o polêmico Azul é a Cor Mais Quente) está encantadora na frente das telas – apesar da estranha sensação que tenho de que ela sempre tem a mesma expressão. Já o veterano Cassel é competente e mostra boa forma para um quase cinquentão (alem de estar muito bem caracterizado como Fera), apesar de sua personagem tentar conquistar a mocinha quase através da força e obrigação. Os demais nomes do elenco cumprem bem a proposta exigida – inclusive as criaturas “fofas” que Bela encontra no castelo (uma tentativa clara de suprir a falta dos simpáticos personagens mágicos da versão Disney).

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De forma geral, este A Bela e a Fera não é uma obra prima – e está muito longe de ser. Mas é um filme que funciona bem para o seu propósito, surpreendendo por se igualar a qualquer superprodução norte-americana do gênero. Se compararmos esta refilmagem com as outras que citamos no início (ou mesmo outras que deixamos de lado), chegaremos ao fatídico fato de que ela não perde em nenhum aspecto. Pelo contrário: A Bela e a Fera demonstra a total maturidade que só o cinema francês possui, com seu texto muito bem escrito, seu trabalho técnico impecável e, claro, aquela identidade única. Pode-se até dizer que este A Bela e a Fera foge um pouco do “padrão francês de fazer filme” (geralmente, uma proposta marcada pela sensualidade, erotismo, drama) e escorrega ali e aqui no tom – e eu posso até concordar, mas de forma positiva. A Bela e a Fera de Christophe Gans não é uma típica produção francesa, mas acerta em cheio ao tentar fazer cinema como Hollywood achava que só ela sabia fazer.

Hollywood está caladinha…

Oscar 2012: Resumão

A 84ª edição do Oscar foi celebrada neste domingo (26) no Hollywood & Highland Center, em Los Angeles e, como nas edições anteriores, a noite foi marcada por muito glamour, requinte e sofisticação. E, obviamente, muitos comentários a respeito dos vencedores da premiação. Enquanto algumas pessoas torciam o nariz para os premiados, outras aplaudiam as escolhas da Academia e criavam justificativas para os prêmios de seus indicados favoritos. E – como também foi feito no ano passado – vamos dar uma repassada nos melhores momentos da festa mais importante do cinema.

Na foto, o Kodak Theatre, que serviu de palco para a maior premiação do cinema mundial.

Quem abriu a noite foi Morgan Freeman, seguido por Billy Crystal – o veterano apresentador do Oscar – que, pra variar, fez sua famosa paródia dos principais filmes. Aliás, foi revigorante ver Billy de volta à apresentação do Oscar depois do fiasco de 2011, onde Anne Hathaway e James Franco protagonizaram uma das piores performances de todos os tempos da Academia.

Tom Hanks subiu ao palco para apresentar o primeiro premio da noite e entregou o Oscar de melhor fotografia para A Invenção de Hugo Cabret, que também faturou o Oscar de melhor direção de arte. Já as musas Cameron Diaz e Jennifer Lopez apresentaram o prêmio de melhor figurino e melhor maquiagem, que ficaram, respectivamente, com o mudo O Artista e A Dama de Ferro.

Lindas, Jennifer Lopez e Cameron Diaz não pouparam caras e bocas para apresentar os prêmios de melhor figurino e melhor maquiagem.

Sandra Bullock entregou o prêmio de melhor filme em língua estrangeira ao iraniano A Separação. Cristian Bale, que no ano anterior ganhou o prêmio de melhor ator coadjuvante em O Vencedor, entregou a Octavia Spencer o prêmio de melhor atriz coadjuvante por sua atuação em Histórias Cruzadas. Aplaudida de pé, Octavia claramente mostrava sua emoção ao receber a estatueta.

Visivelmente emocionada, Octavia faturou o Oscar de melhor atriz coadjuvante.

Millenium – Os Homens Que Não Amavam as Mulheres levou seu único prêmio da noite, com o Oscar de melhor montagem, o que não deixou de ser uma surpresa para o público. Os prêmios técnicos de som (melhor edição e mixagem) ficaram com A Invenção de Hugo Cabret – o que foi merecido, devido à qualidade técnica da obra de Scorsese.

Uma das apresentações da noite ficou por conta do Cirque Du Soleil, que trouxe ao palco um pouco da magia de ir ao cinema e de apreciar essa arte. Gore Verbinski, que dirigiu os três primeiros filmes da saga Piratas do Caribe, conseguiu uma estatueta com o prêmio de melhor animação para Rango (obviamente, não deixou de agradecer seu Johnny Depp impecável na dublagem do personagem título).

“Rango” faturou a estatueta de melhor animação. Nada de Tintin.

Ben Stiller e Emma Stone (a atual namorada de Andrew Garfield, estonteante em seu lindo vestido vermelho – e muito mais alta do que de costume) entregaram o Oscar de efeitos visuais para A Invenção de Hugo Cabret. Já o prêmio de melhor ator coadjuvante ficou para Christopher Plummer – aos 82 anos de idade, se tornando, assim, o ator mais velho a ganhar um Oscar. Se muita gente adorou a vitória de Plummer, houve quem preferisse Max Von Sidow por sua atuação em Tão Forte e Tão Perto.

“O Andrew é um cara de sorte…” – único pensamento ao ver a Emma Stone, certo?

Ludovic Bource ganhou o Oscar de melhor trilha sonora original por O Artista (trilha sonora que, em se tratando de cinema mudo, é essencial), enquanto o prêmio de melhor canção original ficou com Mano or Muppet, de Os Muppets – contrariando os fãs brasileiros que torciam por Carlinhos Brown e Sergio Mendes com sua Real In Rio, da animação Rio.

A linda Angelina Jolie (cujas pernas à mostra se tornaram um dos principais assuntos nas redes sociais) entregou o prêmio de melhor roteiro adaptado para os roteiristas de Os Descendentes, o mais provável da noite. A esposa de Brad Pitt também entregou a estatueta de melhor roteiro original para o ausente Woody Allen, por sua maior bilheteria, Meia Noite em Paris. Woody, um dos queridinhos da Academia, no entanto, perdeu o prêmio de melhor diretor para o francês Michel Hazanavicius, que recebeu das mãos de Michael Douglas a estatueta por seu trabalho em O Artista.

Repare na fenda do vestido – se você conseguir. Sem mais comentários.

Ao som de What a Wonderful World, uma homenagem foi feita a alguns nomes famosos do cinema como Elizabeth Taylor, Whitney Houston e Steve Jobs, que nos deixaram recentemente. A bela Natalie Portman, vencedora do Oscar de melhor atriz em 2011 por sua atuação em Cisne Negro, entregou o prêmio de melhor ator para Jean Dujardin, por seu personagem em O Artista. O vencedor do Oscar de melhor ator em 2011, Colin Firth, não poupou palavras para elogiar as indicadas à melhor atriz, mas quem levou a melhor foi Meryl Streep, que conquistou seu terceiro prêmio – ao longo de dezessete indicações durante sua carreira, um recorde na Academia – com sua personagem em A Dama de Ferro.

Meryl Streep e Jean Dujardin, as melhores atuações do ano.

Já prêmio mais importante da noite, melhor filme, ficou para o mais provável O Artista, desbancando Scorsese com sua declaração de amor pessoal ao cinema e Terrence Malick com sua obra-prima A Árvore da Vida – único filme que foi ovacionado durante as indicações. O Artista, que parece ter agradado também o público brasileiro, é o primeira produção em língua não-inglesa a ganhar este prêmio e o primeiro filme mudo a ganhar o Oscar em 83 anos de premiação.

“O Artista” empata com “A Invenção de Hugo Cabret”, levando 5 estatuetas e desbanca as obras de Martin Scorsese, Woody Allen e Terrence Malick.


INJUSTIÇADOS?
Se teve gente que ficou feliz com as premiações, houve quem as contestasse – assim como o foram com as indicações. A Invenção de Hugo Cabret e O Artista ganharam 5 Oscars cada um. Enquanto o primeiro faturou em prêmios técnicos, o segundo faturou as principais categorias (como melhor ator, melhor diretor e melhor filme). Houve também quem questionasse a não premiação de A Árvore da Vida para melhor filme, George Clooney por sua atuação em Os Descendentes ou mesmo Gleen Close ou Viola Davis para melhor atriz. Já o Brasil – contra um único concorrente em melhor canção original, com Real in Rio, do filme Rio – mais uma vez deixa o Oscar escapar de suas mãos.

George Clooney, em “Os Descendentes”; Gleen Close (irreconhecíve) em “Albert Nobbs”; e Brad Pitt em “A Árvore da Vida”: afinal, mereciam ou não?

Também questionou-se muito algumas indicações que não foram feitas. Leonardo DiCaprio, por exemplo, era um dos favoritos para melhor ator por seu John Edgar no filme de Clint Eastwood (que também ficou de fora das indicações para melhor direção). Já Sandra Bullock e Charlize Theron poderiam concorrer ao prêmio de melhor atriz, por seus belos personagens em Tão Perto e Tão Longe e Jovens Adultos. O polêmico Roman Polanski ficou de fora com seu filme Carnage, assim como Jodie Foster, que teve para muitos uma das melhores atuações de sua carreira. Já o filme de Steven Spielberg, As Aventuras de Tintim: O Segredo do Licorne e o badaladíssimo Rio foram ignorados para as indicações de melhor animação.

Leonardo DiCaprio, em “J. Edgar”; Sandra Bullock em “Tão Forte e Tão Perto”; e “As Aventuras de Tintin”: teve coisa boa que ficou de fora…

PREMIADOS DA NOITE

MELHOR FOTOGRAFIA: A Invenção de Hugo Cabret
MELHOR DIREÇÃO DE ARTE: A Invenção de Hugo Cabret
MELHOR FIGURINO: O Artista
MELHOR MAQUIAGEM: A Dama de Ferro
MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA: A Separação
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Octavia Spencer (Histórias Cruzadas)
MELHOR MONTAGEM: Millenium – Os Homens Que Não Amavam as Mulheres
MELHOR EDIÇÃO DE SOM: A Invenção de Hugo Cabret
MELHOR MIXAGEM DE SOM: A Invenção de Hugo Cabret
MELHOR DOCUMENTÁRIO: Undefeated
MELHOR ANIMAÇÃO: Rango
EFEITOS VISUAIS: A Invenção de Hugo Cabret
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Christopher Plummer (Toda Forma de Amor)
MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL: O Artista
MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: Man or Muppet (Os Muppets)
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: Os Descendentes
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: Meia Noite em Paris
MELHOR CURTA-METRAGEM: The Shore
MELHOR DOCUMENTÁRIO DE CURTA-METRAGEM: Saving Face
MELHOR CURTA ANIMADO: The Fantastic Flying Books of Mister Morris Lessmore
MELHOR DIREÇÃO: Michel Hazanavicius (O Artista)
MELHOR ATOR: Jean Dujardin (O Artista)
MELHOR ATRIZ: Meryl Streep (A Dama de Ferro)
MELHOR FILME: O Artista

Uma Lanterna Sem Luz Própria

Você não tem o que fazer em uma terça-feira à noite e decide ir até o cinema. Chegando lá, você fica em dúvida sobre o quê assistir e decide pegar a próxima sessão. Eis que o filme em questão é Lanterna Verde – mais uma história de heróis fantásticos com alguma missão quase impossível. Como muita gente na fila comenta que parece ser bom, você até se interessa – ainda que sem muita empolgação. Trinta minutos depois, você sai da sala de cinema indignado. Pois é, se você conseguiu assistir Lanterna Verde por mais de meia hora, meus parabéns!

Ryan Reynolds merece um Framboesa, não?

Já entrei em debate com vários amigos sobre a questão que envolve os efeitos especiais e a maneira como muitos são utilizados pela indústria cinematográfica. Apesar da paixão de Hollywood por efeitos fantásticos e mirabolantes, milhões de dólares gastos em CG não compensam uma boa história. Um exemplo clássico, na minha opinião, é Jurassik Park – Parque dos Dinossauros (1993), de Steven Spielberg. Foram gastos milhões de dólares em tecnologia de tirar o fôlego – tudo isso para apenas cerca de 15 minutos de dinossauro na tela. Ou seja, para ver esses 15 minutos de efeitos (ótimos para a época), o telespectador é obrigado a engolir quase 2 horas de um péssimo filme (sem roteiro e com personagens sem nenhum desenvolvimento). Lanterna Verde é bem parecido – com a diferença de que os efeitos aqui beiram a catástrofe.

Não consegui assistir a mais do que meia hora de Lanterna Verde por duas razões. A primeira se deve ao fato de sentir vergonha das cenas bizarras que fui obrigado a engolir. A segunda foi que eu não parava de rir pois as cenas eram tão “vergonha alheia” que chegavam ao cúmulo do ridículo. Ainda tenho a estranha sensação de que o filme não é sério; ele deve se tratar de alguma sátira à obra original, pois não consigo crer que um estúdio tenha coragem de produzir algo deste tipo sem um propósito satírico.

Próximo destino: Sessão da Tarde.

Se você, como eu, viveu na década de 90 e assistiu aos episódios clássicos de heróis como Power Rangers, por exemplo, você vai concordar comigo: os efeitos especiais de Lanterna Verde são deprimentes. Muito foi gasto mas o resultado não agrada visualmente falando (aquela luz verde o tempo todo me irritava profundamente…). Sem a menor dúvida: muita maquete de colégio vira prédio de luxo quando colocado ao lado desse filme. Como se não bastasse, a história não empolga. O roteiro é muito fraco e os personagens são pouco convincentes – a começar pelo insosso do Ryan Reynolds que, francamente, não deveria estar fazendo cinema. No máximo, poderia ganhar uma vaga no Zorra Total. Mas o mérito de ter estragado o longa não é de um ou de outro; o mérito é pelo conjunto da obra.

A crítica caiu matando. Mas também não poderia ter sido diferente. Para se assistir Lanterna Verde é preciso ser muito alienado, porque o filme abusa da nossa inteligência do começo ao fim. Costumo usar muito a expressão “sair do nada para chegar a lugar algum”. Bom, não é o caso de Lanterna Verde. A produção saiu de um abismo pra se jogar em um precipício. E o tombo foi bonito.

O que acontece é que Hollywood está em uma fase onde tudo é motivo de adaptação – daqui uns anos, a categoria de roteiro original do Oscar vai sumir, devido à falta de bons concorrentes – e as franquias de super-heróis tem alcançado bons resultados (vide Homem-Aranha ou X-Men). E essas histórias, geralmente, precisam de bons recursos em CG para retratar com precisão suas grandes batalhas e outros momentos gloriosos. Mas é preciso, no mínimo, um bom senso para usar e abusar de tecnologia com qualidade e sensatez.

Nas bilheterias, o longa até que não vai tão mal. Afinal, são heróis e o público gosta. Os mais críticos – como eu – olharão para Lanterna Verde e sentirão saudades dos tempos em que efeitos especiais eram escassos e mal-feitos. Ao menos, havia desculpas para justificar certas coisas. Sério, prefiro assistir Power Rangers – apesar de que Lanterna Verde não tem música da dupla Sandy e Júnior, né?

A luz da lanterna se apagou.

10 Musicais Que Você Deve Assistir

Pra quem gosta de música e dramaturgia, nada melhor do que assistir a um bom musical.

No teatro ou no cinema, o gênero tem atraído a atenção de milhares de pessoas. No Brasil, temos presenciado nos últimos anos uma intensa onda de musicais invadindo os palcos brasileiros, o que tem proporcionado bons momentos de entretenimento para muitos. Atualmente, é possível assistir a bons musicais nos teatros das principais cidades do país, como São Paulo e Rio de Janeiro.

Para aqueles que não gostam de teatro – mas não abrem mão de uma boa história contada ao som de belas canções – , selecionei a seguir alguns musicais famosos nas telas de cinema. Muitos deles se tornaram clássicos – mas são poucos os que realmente os conhecem. Portanto, confira a lista e escolha o seu. Afinal, o show não pode parar.

 

1. Mary Poppins (1964)
O filme foi vencedor de 5 Oscars, incluindo melhor atriz para a fantástica Julie Andrews, que interpreta Mary, uma babá que possui poderes mágicos e transforma a vida das crianças Jane e Michael. Além das belíssimas sequências musicais, o filme critica a sociedade da época, especialmente através dos personagens Sr. Banks (um homem frio e rígido – estereótipo inglês – que sustenta sua casa) e Winifred Banks (e esposa ativista do Sr. Banks, que tenta garantir o direito de voto às mulheres). A magia e diversão, no entanto, não se perdem com isso.


2. A Noviça Rebelde (1965)
O musical A Noviça Rebelde, originalmente com o título The Sound of Music, foi bem recebido pela crítica. Originado de um musical da Broadway, a produção levou o Oscar de melhor filme no ano de 1966. A história gira em torno da governanta Maria (Julie Andrews), que vai trabalhar na casa do Capitão Von Trapp, um homem solitário, que desde a morte de sua esposa, cria os filhos com rigidez. História parecida com Mary Poppins, mas aqui Maria e Von Trapp se apaixonam – inclusive, Von Trapp termina o noivado com uma baronesa para poder se casar com Maria.


3. Chicago (2002)
Chicago misturou música e comédia na dose certa – o que lhe rendeu 6 prêmios Oscars, incluindo o de melhor filme. A história se passa na década de 1920, em uma cidade onde todos almejam o sucesso, inclusive as assassinas Roxie Hart e Velma Kelly (respectivamente, Renée Zellweger e a bela Catherine Zeta-Jones). O filme aborda a questão de se tornar uma celebridade instantânea e como isso pode levar ao ostracismo.


4. Um Violinista no Telhado (1971)
Mais um filme baseado em um musical da Broadway, Um Violinista no Telhado levou quatro Oscars. A  história se passa na Rússia, especificamente na época do Czarismo, onde um leiteiro judeu tem uma vida tranquila até que decide casar suas duas filhas mais velhas, que recusam o casamento imposto pelo pai. Uma das curiosidades em torno desta produção é que o papel do leiteiro Tevye foi cotado para nomes como Marlon Brando, Anthony Quinn e Frank Sinatra – mas quem acabou ficando com  a personagem foi Chaim Topol.


5. Cry-Baby (1990)
Mais uma comédia na lista. O musical conta a paixão entre o bad-boy Wade Walker (Johnny Depp, em um de seus primeiros papéis no cinema) e Allison Vernon-Williams, uma jovem rica criada pela avó, que considera Wade o líder de uma gangue juvenil que ameaça a paz da pequena cidade de Baltimore, nos anos 50. O filme é embalado por canções de rockabilly e rock and roll, estilos próprios da época. Assim como aconteceu com Um Violinista no Telhado, outros atores foram sugeridos para o papel do protagonista, como Tom Cruise e Jim Carrey – mas, sabiamente, o diretor John Waters escolheu Johnny Depp para o papel do jovem Cry-Baby.


6. O Fantasma da Ópera (2004)
O filme foi baseado no romance de Gaston Leroux e tem o roteiro de Andrew Lloyd Webber. Já foi adaptado para a Broadway e já passou pelo país – em uma das maiores bilheterias nacionais. O desfigurado “fantasma” (vivido por Gerard Butler) encontra em Christine a voz ideal para expressar todas as suas emoções. Entretando, o ciúme doentio do fantasma por Christine coloca em risco a vida da jovem e de Raoul, um ex-namorado de infância de Christine, que a reencontra e faz reacender a chama desta paixão.


7. New York, New York (1977)
Apesar de não ser muito badalado, este é um dos melhores filmes do diretor Martin Scorcese. O filme narra o envolvimento do músico Jimmy Doyle (0 fantástico Robert DeNiro) com a cantora Francine Evans (Liza Minnelli), que se conhecem no mesmo dia em que termina a Segunda Guerra Mundial. Enquanto buscam o sucesso, eles vivem momentos conturbados nessa relação, que é um romance e também uma parceria artística. No teatro, o musical já passou pelo país este ano e agradou ao público paulista.


8. Cantando na Chuva (1952)
O filme ocupa a primeira colocação em diversas listas de maiores musicais norte-americanos de todos os tempos. Não é pra menos: quem nunca ouviu a canção Singin’ in the Rain e não se recorda da clássica cena do astro Gene Kelly fazendo piruetas na chuva? O musical conta a história de dois astros do cinema mudo que tentam se adaptar aos novos métodos do cinema para manter a fama que conquistaram.


9. Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet (2007)
Também baseado em uma peça da Broadway, Sweeney Todd foi o filme que consagrou o diretor Tim Burton e fez com que seus colegas de Hollywood reconhecessem o talento do excêntrico artista. O musical conta a triste história de Benjamin Barker, um modesto e simples barbeiro que, após ser preso injustamente, retorna à cidade de Londres – agora como Sweeney Todd – para executar sua maligna vingança. O suspense conta com Johnny Depp no papel do medonho Benjamin. As cenas de assassinato do filme – onde litros de sangue são jorrados a cada corte de garganta – são um espetáculo à parte.


10. Evita (1996)
Evita é um clássico. Dirigido por Alan Parker e baseado na peça teatral do mestre Tim Rice, o musical conta a história de Eva Perón, uma das mais populares primeiras-damas da América. A biografia – narrada em flashback – mostra a infãncia pobre de Eva até sua ascensão como artista e seu casamento com o político Juan Perón – quando de “prostituta”, como era chamada, Eva passou a ser idolatrada e uma das figuras políticas mais influentes de toda a história da Argentina. A cena do funeral de Evita é, por si só, um espetáculo. A produção ganhou o Oscar de melhor canção original (para You Must Love Me) e o Globo de Ouro de melhor atuação de atriz em cinema (para Madonna – sim, Madonna).