Adaptação de “O Pequeno Príncipe” Emociona Sem Explorar Seu Protagonista

Quando soube da adaptação de Mark Osborne (Kung Fu Panda) para O Pequeno Príncipe, confesso que tive um misto de sensações. Por um lado, fiquei deveras assustado – afinal, adaptar uma obra literária para os cinemas será sempre uma tarefa difícil, especialmente quando se trata de uma leitura unânime como o clássico de Saint-Exupéry. Por outro lado, no entanto, a empolgação tomou conta de mim – afinal, assim como a milhares de pessoas, O Pequeno Príncipe marcou realmente minha vida. Mais do que isso: O Pequeno Príncipe é muito mais do que um livro infantil: é praticamente um retorno à nossa infância. Então, o que dizer sobre este filme que acabou de estrear e já considero pacas?

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O Pequeno Príncipe não tenta apenas recriar na tela a história original como a conhecemos. Na verdade, o cineasta escreve  uma nova trama a partir, aparentemente, de sua própria experiência com o livro (experiência que é compartilhada por muitos, a bem da verdade). Nessa versão, acompanhamos uma menina (sem nome e que teria sido inspirada na filha do diretor) que desde cedo é preparada pela mãe para ser uma adulta de sucesso. Para tanto, seu dia é cuidadosamente dividido, cronometrado e ajustado para ajudá-la a ser aceita em um colégio renomado. É óbvio que, apesar das ótimas intenções, a mãe não consegue enxergar que, com tudo isso, a garota há tempos deixou de ser uma criança comum. Rejeitado pelos moradores do bairro por ser um verdadeiro sonhador, surge neste instante a figura do aviador, que narra à pequena vizinha seu encontro com um garoto especial, o nosso Pequeno Príncipe.

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Essas duas narrativas são contadas paralelamente e utilizando técnicas diferentes de animação: enquanto no plano “real” a história é recriada em CGI, o universo do principezinho é todo pontuado em stop motion (e, em ambos os casos, tudo é feito com bastante esmero e sofisticação). Para alem das duas tramas, entretanto, este O Pequeno Príncipe é ousado em dar um passo além daquilo que já conhecemos, nos apresentando uma variação do conto. Essa forma inteligente de condução do argumento é importante para fazer com que o filme funcione tanto para os que já tiveram algum contato com o livro como para aqueles que o desconhecem. O cineasta ainda é competente ao dosar os momentos de humor e drama, não sendo caricato demais nem pesado demais – e com isso, é impossível ficar indiferente a O Pequeno Príncipe e não esboçar uma lágrima aqui ou ali. Ainda com bons planos que valorizam as cores e nuances de cada personagem, O Pequeno Príncipe também acerta na trilha sonora comandada pelo experiente Hans Zimmer, que contribui muito na construção do produto final.

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Se há um “porém” nisso tudo, devo deixá-lo claro: o nosso Príncipe é um mero coadjuvante. Isto é um problema? Bem, depende de cada um. Qualquer espectador que assistir a O Pequeno Príncipe com certa atenção vai perceber que a intenção de Mark não foi reproduzir o livro como ele é, mas sim captar sua essência – e é um fato que ele conseguiu cumprir sua missão. O Pequeno Príncipe transborda sensibilidade e é interessante a crítica que a longa faz à perda da inocência em um mundo cada vez mais veloz, que clama por um crescimento “padrão” e um comportamento pré-estabelecido (“isto é certo, aquilo é errado”). Isto quer dizer que se você espera um filme fiel à trama de Exupéry, nem vá ao cinema (até porque sua obra transcenderá ao tempo e a qualquer tipo de arte). O Pequeno Príncipe é capaz de emocionar e ser marcante tanto para crianças quanto para adultos, sim – mas consegue isso ao resgatar aquilo que constitui a natureza de seu universo e não recontando sua literatura.

Sátira e Humor Inteligente Garantem Diversão em “Asterix e o Domínio dos Deuses”

Eu já disse em outras ocasiões que foi-se a época em que animação era coisa de criança. Hoje em dia, é mais provável você encontrar uma multidão de marmanjos nas filas de desenhos animados – e as produtoras apostam cada vez mais neste segmento. Astérix e o Domínio dos Deuses, nova adaptação das histórias dos heróis Astérix e Obelix, é prova irrefutável de que este gênero pode agradar a todas as idades, de forma inteligente e divertida.

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O roteiro nos transporta para os anos 50 antes de Cristo. A Gália está toda ocupada pelos romanos, com exceção de um pequeno vilarejo habitado por gauleses irredutíveis e que não cedem à pressão de Julio César. Cansado das tentativas frustradas, o governador decide inverter a estratégia, construindo um complexo de luxo (o “Domínio dos Deuses”) ao lado da aldeia gaulesa e, assim, impressiona-los e convencê-los a unirem-se a Roma. No entanto, os amigos Astérix e Obelix permanecem inflexíveis e terão que fazer de tudo para manter os romanos longe de sua comunidade.

Nono filme animado da franquia, Astérix e o Domínio dos Deuses consegue unir com competência dois ingredientes que garantem seu sucesso: o apelo infantil (responsável por sequências nonsenses e “fofas”, capazes de agradar os pequenos) e os gags de humor voltados ao público mais adulto, onde a narrativa aposta em piadas de caráter satírico para criticar a falência de algumas instituições dentro do atual cenário francês – entre elas, a estupidez e despreparo da polícia, a burocracia das leis e a hipocrisia e arrogância dos políticos contemporâneos. A sátira pode até passar despercebida para as crianças, mas é provável que os pais se deliciem com as boas sacadas cômicas.

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Infelizmente, o filme perde o fôlego em determinado momento (em que até mesmo a fotografia escura chega a incomodar), mas se recupera no desfecho – deveras infantil e fácil, mas nem por isso menor. Com bom planos que valorizam as cores e o cenário computadorizado (que inclusive pode ser conferido em terceira dimensão), Astérix e o Domínio dos Deuses nos traz ainda os carismáticos personagens dos quadrinhos criados por Albert Uderzo e René Goscinny, em uma aventura que é uma ótima opção de entretenimento para toda a família.

“Cada Um Na Sua Casa”: Animação Pop Para Criança

Os Boov’s são uma raça alienígena que invade a Terra à procura de um novo lar, já que eles estão sendo perseguidos em toda a galáxia por seus inimigos, também seres intergaláticos. Enquanto todos estão preocupados em deslocar os humanos e reorganizar suas vidas no novo planeta, o divertido Oh coloca a paz de seu povo em risco, ao enviar por engano sua localização ao rival. Enquanto tenta consertar seu erro e se redimir, Oh ajuda uma terráquea desesperada a encontrar sua mãe perdida.

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Cada um na Sua Casa é a nova produção da Dreamworks, estúdio que desde 2008 nos entrega filmes dos mais diversos níveis de qualidade (em 2014, por exemplo, a empresa esteve à frente do ótimo Como Treinar Seu Dragão 2, que chegou inclusive a faturar uma indicação ao Oscar de melhor animação – perdendo para o favoritíssimo Operação Big Hero, da Disney). Entretanto, Cada um na Sua Casa é nitidamente mais “infantilizado” do que as fitas recentes da compania, o que pode comprometer a empatia do público adulto (devemos lembrar que atualmente animação deixou de ser um mero gênero infantil e passou a ser cultuado por cinéfilos das mais diferentes idades).

Para conquistar os pimpolhos, Cada um na Sua Casa aposta em tipos fofos: os Boov’s são incrivelmente simpáticos e divertidos – até mudam de cor a cada novo sentimento ou reação. Entretanto, não me parece que este seja o perfil de personagem pela qual as crianças possam criar muito apego: okay, eles são fofinhos, engraçadinhos mas… falta alguma coisa que eu não consegui identificar bem o que é. Talvez seja por conta do roteiro que, apesar de ser bem construído em sua condução, pecou na forma como aborda a relação entre Boov’s e humanos – nunca fica muito claro como eles se relacionam, repare bem, como se algum pedaço da história estivesse fora do lugar. Mas isso não atrapalha totalmente a trama, até porque criança não se preocupa com argumentos bem desenvolvidos, mas sim o quanto aquele produto possa ser um bom entretenimento – e Cada um na Sua Casa cumpre bem essa proposta.

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A cantora Rihanna dá voz a uma das protagonistas do filme, enquanto a musa Jennifer Lopez dubla a mãe da primeira. Faltou, porém, desenvolver melhor a personagem de Rihanna – visivelmente inspirada nela mesma, nos dando a impressão de que foi criada simplesmente para ser uma versão animada da diva (a menina é até mesmo de Barbados, veja você). Jim Parsons (o superestimado ator da série The Big Bang Theory) é responsável por Oh – e todos se saem bem nessa empreitada, apesar de que, no Brasil, a maioria das salas vai, inevitavelmente, trazer versões dubladas. As duas cantoras ainda contribuem para a trilha sonora, repleta de música pop, capaz de botar a molecada para cima.

Okay, Cada um na Sua Casa não é a melhor coisa que a Dreamworks já produziu durante sua existência, tampouco traz algo necessariamente novo ao gênero. O longa funciona bem como filme voltado ao público mais jovem, até mesmo porque traz boas lições de moral – reforçando valores simples como a amizade, família e respeito ao próximo, com um visual charmoso e atraente. Entretanto, não chega a ser uma obra-prima ou um grande destaque. Cada um na Sua Casa diverte e entretém os pequenos e passa boas mensagens, mas não tem potencial para ser uma animação memorável.

“A Pequena Loja de Suicídios”: Um Musical Trágico-Cômico Inteligente

04Há muito tempo as animações deixaram de ser um gênero exclusivamente infantil. Seja pela técnica diferenciada ou mesmo pelas histórias criativas, as animações tem conquistado um público cada vez maior – de todas as idades, do garotão de oito anos ao vovô de oitenta. O francês A Pequena Loja de Suicídios, que estreia essa semana no país, tem tudo para ser o típico desenho que agrada a todos – mas especialmente aos adultos apaixonados por este tipo de cinema.

Baseada no romance homônimo de Jean Teulé, a história de A Pequena Loja de Suicídios se passa em mundo (não muito futuro) onde a depressão e a falta de esperança com a vida atingem praticamente toda a população. Nesse cenário cinzento, uma família ganha a vida vendendo artigos que auxiliam as pessoas a cometerem suicídio. No entanto, os negócios da família são ameaçados com o nascimento do filho caçula, que desde cedo demonstra ter um espírito feliz e alegre, contrastando com o restante da família que vive em completo estado de morbidez emocional. Os pais tentam a todo custo “consertar” o filho, ensinando-lhe que não há motivos para sorrir em meio a uma vida tão triste. O problema é que a felicidade do garoto aos poucos contagia não apenas a família, mas também aos moradores de toda aquela cidade – e tudo o que o garoto mais deseja é mudar aquele cenário catastrófico.

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O grande mérito de A Pequena Loja de Suicídios é tratar um tema tão delicado de forma tão sensível. Aqui, ocorre um paradoxo: a trama é contada através de números musicais – e se você despreza este gênero, fica uma dica: assista, pois vai ser muito difícil você sair do cinema sem ter gostado do longa. Da mesma forma que Tim Burton fez em A Noiva Cadáver ou O Estranho Mundo de Jack, o diretor e roteirista Patrice Leconte criou com bastante êxito uma alegoria musical que contraria tudo o que podíamos esperar de um filme com esta temática. Se em A Noiva Cadáver, por exemplo, Burton deu cor e vida ao mundo dos mortos enquanto o mundo dos vivos era frio e infeliz, Leconte canta sobre o suicídio de forma tão alegre e entusiasmada enquanto na tela pessoas pulam dos prédios e se jogam na frente de caminhões. Essa cena inicial já é, por si só, um espetáculo.

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O formato musical bem explorado fica ainda mais passível de admiração ao longo da trama. As músicas crescem no decorrer da história e ainda que o filme possua muitas cenas perturbadoras, as canções – que no início eram tristes e melancólicas – tornam-se um pouco mais otimistas. Essa mudança gradual é fruto de um roteiro muito rápido e inteligente, marcado por um humor negro que, ao contrário do que se possa esperar, não atrapalha nem incomoda. Pelo contrário: em meio à morbidez latente do início do filme, por exemplo, o que mais incomoda é o sorriso da criança recém-nascida.

Alem dos números musicais serem ótimos, os personagens são extremamente cativantes. A família principal é cômica e lembra muito os personagens daquele universo burtoniano que muita gente ama (aliás, é impossível assistir A Pequena Loja de Suicídios e não se remeter, inevitavelmente, à estética do cineasta), alem de ser muito graciosa. Outros pontos que merecem destaque no filme são a fotografia impecável e a direção de arte – que soube caracterizar muito bem todo o universo melancólico e sem esperança daquela cidade.

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Em um mundo onde a taxa de suicídios cresce exponencialmente, A Pequena Loja de Suicídios se sobressai como uma animação que, apesar de não possuir muitos requintes, possui um tema muito interessante e que deve ser debatido. Apesar do desfecho óbvio (e da enrolação para chegar a tal), é de se apreciar que uma animação utilize tanta inteligência e criatividade para abordar um tema sério e necessário. A Pequena Loja de Suicídios é um musical trágico-cômico que perturba e é capaz de gerar algum tipo de debate, porém é intensamente belo. E para os que dizem que este filme não deve ser assistido por crianças, fico apenas com uma frase que é dita ao longo da trama: a vida é sempre melhor que a morte.

Wall-e

Começo esta crítica com uma confissão arriscada: para mim, Wall-e é a melhor obra da Pixar em todos os tempos. Digo que é arriscado porque, bem, estamos falando da Pixar – empresa à frente de sucessos como a trilogia Toy Story, Up – Altas Aventuras ou Procurando Nemo. Mas tenho algumas especulações que sustentariam minha tese (ou ao menos minha modesta opinião) de que Wall-e é a obra-prima dos estúdios de John Lasseter; um verdadeiro trunfo da animação e uma das produções mais cativantes que eu já tive o imenso prazer em assistir.

04Pelo princípio: assim como em outras produções da Pixar, Wall-e possui protagonistas improváveis (a não ser que você ache comum brinquedos ou carros que falam, um rato que sonha em ser chefe de cozinha ou um peixe palhaço à procura do filho perdido). Neste caso, falamos do robozinho do título, único “habitante” de um planeta Terra bem diferente daquilo que poderíamos esperar em um filme que se passa no futuro: inóspita e repleta de lixo por todos os lados. Solitário, Wall-e passa seus dias na árdua tarefa de “limpar” a Terra (juntando todo o lixo acumulado durante gerações) enquanto coleciona objetos utilizados pelos humanos que, agora, vivem no espaço. No entanto, a rotina pacata de Wall-e muda com a chegada inesperada de Eva, uma sonda moderna e sofisticada enviada ao planeta com a missão de descobrir sinais de vida vegetal que indiquem um retorno da sustentabilidade da vida humana.

Com uma sinopse razoavelmente simples, muito pouco poderia se esperar de Wall-e. Até mesmo porque Wall-e, apesar de ser uma animação, não é feito diretamente para crianças. Há de se dizer, inclusive, que as crianças podem criar certa resistência ao filme – o que é completamente justificável. Wall-e foi feito para quem gosta de cinema. É a sétima arte em seu mais puro estado, uma experiência visual que remete o espectador aos primórdios da comédia muda (de Charles Chaplin a Buster Keaton, por exemplo), à ficção científica que tomou conta das telonas por volta da década de 70 e ao maior clichê cinematográfico de todos os gêneros: o encontro casual (e o desenrolar da relação) entre homem e mulher.

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O que torna Wall-e uma obra sublime (no mais amplo sentido da palavra) é que a experiência visual proporcionada pelo longa se estende sobre os itens anteriormente citados, mas de forma muito mais requintada. Comédia muda a começar porque Wall-e é um filme que conta sua história sem os artifícios do diálogo narrativo. Diria que, se muito, apenas um terço do filme tem diálogos falados. Toda a narrativa é contada através de suas imagens. Wall-e, por exemplo, exprime todas as suas emoções através praticamente de seus olhos (que transmitem tristeza, timidez, seu jeito desengonçado de ser e até mesmo seu interesse na humanidade). Esse mérito da produção é resultado de uma característica da Pixar com a qual já estamos habituados: a perfeição com que os estúdios trabalham sua técnica. Wall-e é simplesmente impecável do ponto de vista técnico. Isso fica evidenciado a cada momento através das belas imagens criadas pela equipe Pixar, enchendo os olhos do espectador com planos e sequências inspiradoras, formando uma fotografia ímpar. A cena do balé de Eva e Wall-e no espaço é uma daquelas sequencias cinematográficas para entrar na história – comparada às vassouras cheias de vida de Fantasia ou ao beijo inocente de A Dama e o Vagabundo.

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Em se tratando de ficção científica, Wall-e segue na contramão do roteiro que se poderia esperar do gênero. Não é apenas uma abordagem “futurista”, mas uma obra que propaga também questões ambientais (e por que não humanitárias) que vão muito alem do que muitos filmes, documentários ou obras do gênero pregam. A sátira ao consumo desenfreado, por exemplo, está presente claramente na quantidade de lixo acumulada ao longo dos anos e que o robô tenta, inutilmente, organizar. Com uma história simples, o longa passa uma mensagem muito mais direta e comovente do que muitos discursos ecológicos e humanitários por aí, até mesmo por uma razão: Wall-e é um filme otimista, há esperança de um futuro melhor. Isso fica evidenciado na forma como o robô coleciona os objetos humanos que o fascinam, como se a cada objeto, o melhor da raça humana fosse separado. É muita ternura em um único personagem.

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O encontro casual entre homem e mulher, finalmente, é ainda mais terno porque, neste caso, o casal em questão é formado por dois robôs. Isso não impede que a Pixar recrie uma fábula contemporânea (digo, futurista) sobre a solidão. Wall-e, quando encontra Eva, se apaixona de forma pura pelo robô. Na verdade, o que temos aqui é a simples história de um ser solitário que descobre o amor – e como o amor muda seu universo. É o amor em seu estado mais honesto e que produz os mais ricos sentimentos: o cuidado, o ciúme, o respeito, a confiança, o medo da perda. É uma das histórias de amor mais puras que o cinema foi capaz de produzir em anos, evidenciada pela excelência no trabalho de animação que reproduziu com esmero todos os movimentos dos personagens e deram vida a cada um deles.

O menos surpreendente, no entanto, é que, assim como boa parte dos filmes da Pixar, Wall-e é uma animação que agrada adultos, mas principalmente aqueles que amam o cinema (o que torna Wall-e a melhor produção da Pixar). Desde sua cena inicial (com a bela visão do planeta Terra acompanhada de uma belíssima trilha sonora – que é um caso a parte e mereceria um texto especial), Wall-e nasceu para emocionar e consegue isso muito bem através também de uma singela (mas encantadora) homenagem à história do cinema, com referências a grandes obras que até hoje cativam o público. Wall-e, solitário em sua humilde residência, assiste a trechos do musical Alô, Dolly!, enquanto tenta imitar os passos vistos na tela – em uma das cenas mais “fofas” que já presenciei no cinema. Wall-e é um daqueles momentos únicos, uma pérola cinematográfica inigualável e incontestável – revelando-se um dos maiores clássicos do cinema e a obra definitiva da Pixar, empresa conhecida por sua excelência e qualidade, que alcançou em Wall-e sua magnitude.

“Detona Ralph”: Rendição dos Games no Cinema?

Os fissurados por games sempre foram carentes de uma obra cinematográfica que abordasse o tema e fizesse jus a todo esse universo (que é rico, criativo e imenso). Daí que a Disney em mais uma tentativa de dominar o mundo aparece com Detona Ralph, uma animação que tem, aparentemente, a missão de ser a rendição dos games no cinema. E a proposta vai por água abaixo…

detona5Inicialmente, vou esclarecer duas situações: primeiro, eu nunca fui muito fã de games (o que não me torna necessariamente uma pessoa não indicada a escrever essa crítica, como você verá mais a frente); segundo, eu gostei de Detona Ralph. Os gamers de plantão podem me criticar, mas não achei que o longa seja esse caos que muita gente chata tem falado. Pelo contrário: dentro daquilo que se espera das produções dos estúdios Disney, Detona Ralph é uma daquelas animações que agradam como um todo – mas nunca a um grupo específico.

Basicamente: a história gira em torno de Ralph, o “vilão” de um jogo de fliperama que, cansado de ser tratado com desprezo pelos outros personagens de seu universo, tenta conquistar uma medalha em outro jogo para ser finalmente reconhecido. Acontece que sem Ralph, o game corre o risco de ser desligado e, enquanto busca sua medalha, o vilão se mete em confusões que podem colocar em risco os demais jogos do fliperama.

detona2A idéia é criativa e as referências ao universo gamer estão ali. Mas, até para um ser que não conhece tanto de game (leia-se aqui “eu”), essas referências poderiam ser muito mais bem utilizadas, especialmente em relação aos personagens dos jogos. Um exemplo de boa utilização que poderia ser levada em todo o restante do filme é uma das cenas iniciais, quando Ralph participa de uma espécie de “reunião” com outros vilões – e ali encontramos alguns personagens clássicos e nostálgicos para os que nasceram entre as décadas de 80 e 90.

Obviamente, a Disney encontrou problemas para recriar essas personagens no filme devido ao licenciamento (o que pode ser usado e como pode ser usado). Talvez isso tenha “engessado” um pouco o roteiro quanto às referências gamers e tenha deixado os viciados em jogos eletrônicos um pouco decepcionados. Por outro lado, uma boa observação se faz presente aqui: as crianças de hoje, acostumadas com games em alta definição e histórias mirabolantes, não entenderiam muito bem tais referências. Falo isso com a certeza de quem assistiu ao filme em uma sessão recheada de crianças (na maior parte entre 3 e 10 anos) e constatou que os pirralhos não estavam muito empolgados.

detona3Outra observação aqui: quem foi que disse que a história era sobre jogos eletrônicos? Não, não é essa a intenção. A narrativa é sobre um personagem de um game inventado – o universo gamer só serve de plano de fundo para o desenrolar da trama, mas o filme em si não tem essa pretensão, apesar das referências estarem presentes. Se o longa não é sobre videogames, então, cada um vai dar a sua visão especial para a história – e, se tratando da Disney, não teríamos como esperar algo muito diferente, certo? Ou seja: o choro dos fãs mais alucinados por jogos não tem uma razão muito palpável.

Daí concluímos que Detona Ralph é uma daquelas produções que funciona bem para quem quer assistir a uma animação sem muita pretensão. Os personagens são divertidos e cativantes, enquanto a história segue por um fluxo coerente que desperta o seu interesse. É divertido – mas não te fará rolar ao chão de tanto rir. Apesar das comparações óbvias com Toy Story (os personagens do fliperama ganham vida quando as máquinas são desligadas, assim como os brinquedos de Woody quando não há um humano por perto), Detona Ralph não é um clássico conto de fadas da Disney, apesar de alguns elementos que remetem a tudo aquilo que consagrou a empresa – e talvez por isso tenha afugentado certos cinéfilos e gamers.

detona6Detona Ralph é um dos indicados ao Oscar de melhor animação, concorrendo com FrankenweenieValentePiratas PiradosParaNorman. Com muita  honestidade (afinal, fui assistir ao filme sem muita empolgação), acredito que é o único que mereça tirar o prêmio de Burton (se Valente faturar esse Oscar, eu faço uma carta de próprio punho à Academia), caso Frankenweenie não ganhe – fato para o qual já estou me preparando psicologicamente. Apesar de não agradar necessariamente nenhum grupo específico, Detona Ralph funciona, principalmente, para mostrar que a Disney ainda tem culhões para criar boas animações, ainda que muitos torçam o nariz para algumas de suas obras – prova disso  são as boas críticas que tem recebido (no site Rotten Tomatoes, ele tem 86% de aprovação). Bom, não se pode agradar a todos. Ralph que o diga…

Frankenweenie: A Redenção de Burton?

Dizem por aí que Tim Burton não produz um bom filme desde 2007, quando dirigiu o musical Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet, longa que recebeu boas críticas mas não empolgou tanto o público nas bilheterias. De fato, as produções que se seguiram não foram as mais felizes para o cineasta. Alice no País das Maravilhas recebeu uma enxurrada de críticas negativas (apesar de ser uma das maiores bilheterias da história, boa parte pelo uso dos recursos em 3D, então em alta), enquanto Sombras da Noite tem a pior aprovação das fitas burtonianas. Entretanto, se há um terreno cinematográfico onde Burton sabe caminhar muito bem é nas animações – e isso explica a ansiedade dos fãs pelo lançamento de Frankenweenie, que chegou aos cinemas brasileiros nesta sexta-feira (02).


Frankenweenie
é baseado livremente no curta  homônimo dirigido pelo próprio Tim Burton em 1984. Originalmente filmado em live-action, o curta não teve uma recepção muito calorosa na época pelos estúdios Disney, que produziram o projeto mas não deram muita ênfase na sua promoção (quem duvida que a história bizarra de Burton não se encaixava muito bem nos padrões da empresa que adorava animais fofinhos e princesas puras?). Anos depois,  Burton traz de volta às telas a história de um garoto que perde seu cão Sparky em um trágico atropelamento. Inconsolado com a perda do melhor amigo, o garoto tenta trazer seu cão de volta à vida através de experimentos científicos, motivados pelas aulas de ciência do colégio.

Universo burtoniano em sua melhor definição.

A versão de 2012 foi rodada em em stop-motion e totalmente em 3D. Outra novidade aqui é que a fita foi filmada em preto e branco – vale ressaltar que o cineasta já usou desta “técnica” em um outra produção que dirigiu, o premiado Ed Wood, de 1994. Essa característica acentua o universo burtoniano, que está impregnado em todo a projeção e torna Frankenweenie o filme que talvez melhor traduza o universo de Tim Burton. A começar, é difícil rotularmos Frankenweenie dentro de algum gênero específico. Também seria difícil dizermos que se trata de um filme para crianças. É um produto para adultos que gostam de animação – e isto é um fato. Mas o que mais fica perceptível nesta nova versão de Frankenweenie é que, ao que tudo indica, Burton não quis apenas criar uma boa história, mas também homenagear toda a sua obra – e quem acaba ganhando com isso são seus fãs.


Há inúmeras referências ao universo burtoniano, começando pelos personagens do longa, que são as melhores definições dos rascunhos do diretor. Uma das personagens secundárias, por exemplo, foi retirada de seu livro de poemas O Triste Fim do Pequeno Menino Ostra. As imagens em preto e branco também realçavam o ambiente de filmes de terror B, que Tim tanto admirava quando criança. E quem não pensou em Vincent Price quando viu a cara do professor de ciências do garoto Victor?

Mesmo se este universo fosse totalmente novo, ainda assim o filme teria grandes méritos – e é por isso que é bem capaz que Burton conquiste novos fãs a partir daqui. O longa bem produzido tem um roteiro bem estruturado (coisa que não é muito comum nos trabalhos burtonianos, devo admitir), que ora comove, faz rir, faz chorar, dá medo – o que quebrou a cara de muito fã chato que dizia que Burton não conseguiria segurar quase 1 hora e meia de projeção a partir de um curta de cerca de 30 minutos. O roteiro foi “recriado” mas sem perder em nenhum momento a essência do original, apresentando novos personagens que dão o tom de animação da trama.

À esquerda, a fisionomia assustadora de Vincent Price serve de inspiração para compor o personagem M. Rzykruski; à direita, a Menina de Olhos Fitos, já conhecida dos fãs da obra de Burton.

O projeto foi bem desenvolvido nos aspectos técnicos também. Visualmente, Burton e sua equipe continuam impecáveis. Danny Elfman, parceiro de longas datas de Tim, parece que acertou a mão e criou uma trilha digna – que ficou bem apagada em Sombras da Noite, diga-se de passagem. Também deve-se comentar aqui a dublagem correta dos principais personagens, feitas por veteranos como Martin Landau, Winona Ryder, Martin Short e Catherine O’Hara – que já trabalharam com o diretor em seu tempo áureo.

Sim, admito que trata-se de uma crítica de um fã inveterado de Tim Burton. Mas quem acompanha as minhas postagens, sabe que eu tento ser imparcial – como o fui em Sombras da Noite, há alguns tempos atrás. O fato é que é impossível ficar indiferente a Frankenweenie. Muito mais do que uma simples animação (do cara que é a “cabeça” de projetos como O Estranho Mundo de JackA Noiva CadáverJames e o Pêssego Gigante), Frankenweenie é um dos retratos mais fiéis da obra burtoniana. Além disso, este retrato tem qualidade cinematográfica indiscutível, mostrando que o cineasta ainda está em forma – e é por isso que pode se dar ao luxo de fazer o projeto que quiser. O que vai ser daqui pra frente, não se sabe. Mas Frankenweenie, de longe, é um dos filmes indispensáveis para os fãs do diretor – e de todo o estranho mundo de Tim Burton.

E nada melhor que assistir um curta do cara para entendermos um pouco seu universo, certo? Então, selecionei o curta Vincent, narrado pelo próprio gênio Vincent Price, que é praticamente uma obra-prima burtoniana.

E para aqueles que curtem o universo de Tim Burton, tem outros posts aqui que podem interessar:

Mais Um Filme de Tim Burton, Apenas…
Dark Shadows: a Novela Vampiresca de Burton e Depp
Burton: Das Telonas Para as Livrarias
O Estranho Mundo de Tim Burton

Oscar 2012: Resumão

A 84ª edição do Oscar foi celebrada neste domingo (26) no Hollywood & Highland Center, em Los Angeles e, como nas edições anteriores, a noite foi marcada por muito glamour, requinte e sofisticação. E, obviamente, muitos comentários a respeito dos vencedores da premiação. Enquanto algumas pessoas torciam o nariz para os premiados, outras aplaudiam as escolhas da Academia e criavam justificativas para os prêmios de seus indicados favoritos. E – como também foi feito no ano passado – vamos dar uma repassada nos melhores momentos da festa mais importante do cinema.

Na foto, o Kodak Theatre, que serviu de palco para a maior premiação do cinema mundial.

Quem abriu a noite foi Morgan Freeman, seguido por Billy Crystal – o veterano apresentador do Oscar – que, pra variar, fez sua famosa paródia dos principais filmes. Aliás, foi revigorante ver Billy de volta à apresentação do Oscar depois do fiasco de 2011, onde Anne Hathaway e James Franco protagonizaram uma das piores performances de todos os tempos da Academia.

Tom Hanks subiu ao palco para apresentar o primeiro premio da noite e entregou o Oscar de melhor fotografia para A Invenção de Hugo Cabret, que também faturou o Oscar de melhor direção de arte. Já as musas Cameron Diaz e Jennifer Lopez apresentaram o prêmio de melhor figurino e melhor maquiagem, que ficaram, respectivamente, com o mudo O Artista e A Dama de Ferro.

Lindas, Jennifer Lopez e Cameron Diaz não pouparam caras e bocas para apresentar os prêmios de melhor figurino e melhor maquiagem.

Sandra Bullock entregou o prêmio de melhor filme em língua estrangeira ao iraniano A Separação. Cristian Bale, que no ano anterior ganhou o prêmio de melhor ator coadjuvante em O Vencedor, entregou a Octavia Spencer o prêmio de melhor atriz coadjuvante por sua atuação em Histórias Cruzadas. Aplaudida de pé, Octavia claramente mostrava sua emoção ao receber a estatueta.

Visivelmente emocionada, Octavia faturou o Oscar de melhor atriz coadjuvante.

Millenium – Os Homens Que Não Amavam as Mulheres levou seu único prêmio da noite, com o Oscar de melhor montagem, o que não deixou de ser uma surpresa para o público. Os prêmios técnicos de som (melhor edição e mixagem) ficaram com A Invenção de Hugo Cabret – o que foi merecido, devido à qualidade técnica da obra de Scorsese.

Uma das apresentações da noite ficou por conta do Cirque Du Soleil, que trouxe ao palco um pouco da magia de ir ao cinema e de apreciar essa arte. Gore Verbinski, que dirigiu os três primeiros filmes da saga Piratas do Caribe, conseguiu uma estatueta com o prêmio de melhor animação para Rango (obviamente, não deixou de agradecer seu Johnny Depp impecável na dublagem do personagem título).

“Rango” faturou a estatueta de melhor animação. Nada de Tintin.

Ben Stiller e Emma Stone (a atual namorada de Andrew Garfield, estonteante em seu lindo vestido vermelho – e muito mais alta do que de costume) entregaram o Oscar de efeitos visuais para A Invenção de Hugo Cabret. Já o prêmio de melhor ator coadjuvante ficou para Christopher Plummer – aos 82 anos de idade, se tornando, assim, o ator mais velho a ganhar um Oscar. Se muita gente adorou a vitória de Plummer, houve quem preferisse Max Von Sidow por sua atuação em Tão Forte e Tão Perto.

“O Andrew é um cara de sorte…” – único pensamento ao ver a Emma Stone, certo?

Ludovic Bource ganhou o Oscar de melhor trilha sonora original por O Artista (trilha sonora que, em se tratando de cinema mudo, é essencial), enquanto o prêmio de melhor canção original ficou com Mano or Muppet, de Os Muppets – contrariando os fãs brasileiros que torciam por Carlinhos Brown e Sergio Mendes com sua Real In Rio, da animação Rio.

A linda Angelina Jolie (cujas pernas à mostra se tornaram um dos principais assuntos nas redes sociais) entregou o prêmio de melhor roteiro adaptado para os roteiristas de Os Descendentes, o mais provável da noite. A esposa de Brad Pitt também entregou a estatueta de melhor roteiro original para o ausente Woody Allen, por sua maior bilheteria, Meia Noite em Paris. Woody, um dos queridinhos da Academia, no entanto, perdeu o prêmio de melhor diretor para o francês Michel Hazanavicius, que recebeu das mãos de Michael Douglas a estatueta por seu trabalho em O Artista.

Repare na fenda do vestido – se você conseguir. Sem mais comentários.

Ao som de What a Wonderful World, uma homenagem foi feita a alguns nomes famosos do cinema como Elizabeth Taylor, Whitney Houston e Steve Jobs, que nos deixaram recentemente. A bela Natalie Portman, vencedora do Oscar de melhor atriz em 2011 por sua atuação em Cisne Negro, entregou o prêmio de melhor ator para Jean Dujardin, por seu personagem em O Artista. O vencedor do Oscar de melhor ator em 2011, Colin Firth, não poupou palavras para elogiar as indicadas à melhor atriz, mas quem levou a melhor foi Meryl Streep, que conquistou seu terceiro prêmio – ao longo de dezessete indicações durante sua carreira, um recorde na Academia – com sua personagem em A Dama de Ferro.

Meryl Streep e Jean Dujardin, as melhores atuações do ano.

Já prêmio mais importante da noite, melhor filme, ficou para o mais provável O Artista, desbancando Scorsese com sua declaração de amor pessoal ao cinema e Terrence Malick com sua obra-prima A Árvore da Vida – único filme que foi ovacionado durante as indicações. O Artista, que parece ter agradado também o público brasileiro, é o primeira produção em língua não-inglesa a ganhar este prêmio e o primeiro filme mudo a ganhar o Oscar em 83 anos de premiação.

“O Artista” empata com “A Invenção de Hugo Cabret”, levando 5 estatuetas e desbanca as obras de Martin Scorsese, Woody Allen e Terrence Malick.


INJUSTIÇADOS?
Se teve gente que ficou feliz com as premiações, houve quem as contestasse – assim como o foram com as indicações. A Invenção de Hugo Cabret e O Artista ganharam 5 Oscars cada um. Enquanto o primeiro faturou em prêmios técnicos, o segundo faturou as principais categorias (como melhor ator, melhor diretor e melhor filme). Houve também quem questionasse a não premiação de A Árvore da Vida para melhor filme, George Clooney por sua atuação em Os Descendentes ou mesmo Gleen Close ou Viola Davis para melhor atriz. Já o Brasil – contra um único concorrente em melhor canção original, com Real in Rio, do filme Rio – mais uma vez deixa o Oscar escapar de suas mãos.

George Clooney, em “Os Descendentes”; Gleen Close (irreconhecíve) em “Albert Nobbs”; e Brad Pitt em “A Árvore da Vida”: afinal, mereciam ou não?

Também questionou-se muito algumas indicações que não foram feitas. Leonardo DiCaprio, por exemplo, era um dos favoritos para melhor ator por seu John Edgar no filme de Clint Eastwood (que também ficou de fora das indicações para melhor direção). Já Sandra Bullock e Charlize Theron poderiam concorrer ao prêmio de melhor atriz, por seus belos personagens em Tão Perto e Tão Longe e Jovens Adultos. O polêmico Roman Polanski ficou de fora com seu filme Carnage, assim como Jodie Foster, que teve para muitos uma das melhores atuações de sua carreira. Já o filme de Steven Spielberg, As Aventuras de Tintim: O Segredo do Licorne e o badaladíssimo Rio foram ignorados para as indicações de melhor animação.

Leonardo DiCaprio, em “J. Edgar”; Sandra Bullock em “Tão Forte e Tão Perto”; e “As Aventuras de Tintin”: teve coisa boa que ficou de fora…

PREMIADOS DA NOITE

MELHOR FOTOGRAFIA: A Invenção de Hugo Cabret
MELHOR DIREÇÃO DE ARTE: A Invenção de Hugo Cabret
MELHOR FIGURINO: O Artista
MELHOR MAQUIAGEM: A Dama de Ferro
MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA: A Separação
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Octavia Spencer (Histórias Cruzadas)
MELHOR MONTAGEM: Millenium – Os Homens Que Não Amavam as Mulheres
MELHOR EDIÇÃO DE SOM: A Invenção de Hugo Cabret
MELHOR MIXAGEM DE SOM: A Invenção de Hugo Cabret
MELHOR DOCUMENTÁRIO: Undefeated
MELHOR ANIMAÇÃO: Rango
EFEITOS VISUAIS: A Invenção de Hugo Cabret
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Christopher Plummer (Toda Forma de Amor)
MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL: O Artista
MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: Man or Muppet (Os Muppets)
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: Os Descendentes
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: Meia Noite em Paris
MELHOR CURTA-METRAGEM: The Shore
MELHOR DOCUMENTÁRIO DE CURTA-METRAGEM: Saving Face
MELHOR CURTA ANIMADO: The Fantastic Flying Books of Mister Morris Lessmore
MELHOR DIREÇÃO: Michel Hazanavicius (O Artista)
MELHOR ATOR: Jean Dujardin (O Artista)
MELHOR ATRIZ: Meryl Streep (A Dama de Ferro)
MELHOR FILME: O Artista

Pixar: A Fantástica Fábrica de Sonhos Americana

A fusão entre Pixar e Walt Disney rendeu uma parceria de sucesso. Enquanto a primeira empresa se encarrega de toda a produção, a segunda cuida de todos os aspectos relacionados à distribuição dos filmes. Há quem faça comparações entre os dois estúdios, o que é previsível e justificado: cada um deles, em sua determinada época, trouxe uma relevante contribuição para o cinema.

Se durante muito tempo a Disney povoou o imaginário de milhares de pessoas com suas produções mágicas e encantadoras, hoje é a Pixar quem mora no coração desta geração mais moderna – e por esta razão, a empresa recebeu o merecido titulo de “nova fábrica dos sonhos norte-americana”. Com essa perspectiva em mente, Robert Velarde apresenta sua obra “A Fábrica de Sonhos da Pixar”.

Guia dos filmes Pixar, "A Fábrica de Sonhos da Pixar" fala sobre os temas centrais da obra do estúdio.

 

Que os filmes da Pixar são divertidos e garantia de entretenimento, todo mundo concorda. O que Robert pretende com seu livro é mostrar outro lado da obra do estúdio que revolucionou a maneira de se fazer animação – e que muitas vezes é dificilmente percebido pelo público. Praticamente em todos os longas-metragens da empresa é possível identificar valores humanos que vão além da simples animação feita por computação gráfica.

A trilogia "Toy Story" trata abertamente do tema da amizade.

 

Longe de ser um livro de caráter religioso, Robert traça o perfil dos dez primeiros filmes do estúdio sob um olhar ético, baseado nas virtudes que encontramos nos ensinamentos religiosos cristãos. Temas centrais das histórias como amizade, família, coragem e outros são abordados por Robert sob uma perspectiva que nos leva a repensar e refletir sobre nossos valores mais essenciais e como podemos construir um mundo melhor tendo-os como base de nossas vidas.

Em "Up - Altas Aventuras", temos uma maravilhosa sequencia que mostra todo o amor do tímido Carl por sua esposa.

 

Muitas vezes, somos tão surpreendidos pelas histórias e pelas extraordinárias animações dos filmes que não percebemos os conceitos mais simples que podem ser absorvidos ali. E é justamente esse o intuito de Robert: levantar debates. No final de cada capítulo, há uma série de perguntas que podem ser respondidas individualmente ou em grupo – o que mostra também o direcionamento (pseudo) didático da obra.

Já em "Wall-e", o robô inocente e, por vezes, infantil se apaixona por Eva. Além disso, a questão da tecnologia nos nossos tempos também é abordada.

 

Em “Procurando Nemo” ou “Up – Altas Aventuras”, é possível levantar um debate sobre os valores humanísticos relacionados à família (seja na relação entre pai e filho ou no amor maduro de um casal apaixonado). Já na trilogia “Toy Story”, o sentimento de amizade é predominante. Em “Vida de Inseto”, o segundo filme da Pixar, encontramos nitidamente aspectos relacionados à justiça e à coragem.

Aparentemente, “A Fábrica de Sonhos da Pixar” pode parecer um livro de caráter cristão. Mas não o é. De fato, há diversas referencias a textos bíblicos – portanto, a leitura do livro acompanhada de uma Bíblia pode ajudar bastante – e relações dos temas centrais com a vida cristã. Mas, como cito, trata-se de ensinamentos da vida cristã – e não apenas da vida religiosa, protestante. Robert conduz o leitor a experimentar a sensação de que podemos ser pessoas melhores a partir do momento que refletimos sobre a vida e sobre seus verdadeiros valores. Tanto é que os primeiros dois capítulos do livro são dedicados a uma visão geral sobre os conceitos de virtude e sabedoria, assim como falam sobre dois pontos essenciais nos filmes da Pixar, a imaginação e a criatividade – que são fatores importantes dentro da vida cristã.

Leitura obrigatória, para os amantes das obras da empresa, “A Fábrica de Sonhos da Pixar” é um guia dos filmes do estúdio sob a ótica moral e ética. Mais do que um livro biográfico, é um bom material para debate que nos leva a refletir (individualmente ou em grupo) sobre os tópicos mais essenciais na vida humana, como a amizade, o amor, a justiça, fé e, sem dúvida alguma, nossa capacidade de sonhar.