Frankenweenie (Frankenweenie)

Dizem por aí que Tim Burton não produz um bom filme desde 2007, quando dirigiu o musical Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet, longa que recebeu boas críticas mas não empolgou tanto o público nas bilheterias. De fato, as produções que se seguiram não foram as mais felizes para o cineasta. Alice no País das Maravilhas recebeu uma enxurrada de críticas negativas (apesar de ser uma das maiores bilheterias da história – em boa parte devido ao uso do 3D), enquanto Sombras da Noite tem a pior aprovação das fitas burtonianas. Entretanto, se há um gênero cinematográfico que Burton conhece bem é a animação – o que explica o frisson do público pelo lançamento de Frankenweenie.


Frankenweenie
é baseado livremente no curta  homônimo dirigido pelo próprio Tim Burton em 1984. Originalmente filmado em live-action, o curta não teve uma recepção calorosa na época pelos estúdios Disney, que produziram o projeto mas não lhe deram a devida importância. Anos depois,  Burton traz de volta às telas a história de um garoto que perde seu cão Sparky em um trágico atropelamento. Inconsolado com a perda do melhor amigo, o garoto tenta ressuscitar seu cão através de experimentos científicos, motivados pelas aulas de ciência do colégio.

Rodado em stop-motion e totalmente em 3D, Frankenweenie é, talvez, o filme que melhor traduza o universo de Tim Burton até aqui. Há inúmeras referências ao universo burtoniano, a começar pelos personagens do longa, que são definições quase explícitas dos rascunhos do diretor. Um deles, por exemplo, foi retirado de seu livro de poemas O Triste Fim do Pequeno Menino Ostra. A fotografia em preto e branco também remete aos filmes de terror B que Tim Burton tanto admirava quando criança. E quem não pensou em Vincent Price quando viu a cara do professor de ciências do garoto Victor?

O roteiro foi adaptado sem perder a essência do original, com uma estrutura clara e concisa – a história ora comove, ora faz rir, ora faz chorar, ora dá medo (quebrando a cara de muitos que acreditavam que Burton não seria capaz de segurar quase 1 hora e meia de animação a partir de um curta com cerca de 30 minutos). Além dos personagens já conhecidos, novos tipos são introduzidos, com tramas que agregam à linha narrativa principal, tornando-a muito mais envolvente.

Frankenweenie é um dos retratos mais fiéis da obra burtoniana. Além disso, este retrato tem qualidade cinematográfica indiscutível, mostrando que o cineasta ainda está em boa forma – e é por isso que pode se dar ao luxo de realizar o projeto que quiser, sem medo de represálias. O que vai ser daqui pra frente, não se sabe. Mas Frankenweenie é, de longe, um dos melhores filmes de seu idealizador até aqui – além de se sobressair, individualmente, como uma grande animação.

Diário de um Jornalista Bêbado (The Rum Diary)

O jornalista norte-americano Hunter S. Thompson, que se suicidou com um tiro de espingarda em fevereiro de 2005, aos 67 anos, escreveu seu romance The Rum Diary durante a década de 1960, com seus vinte e tantos anos. Entretanto, o livro só foi publicado em 1998, ano em que – coincidentemente ou não – seu livro Fear And Loathing in Las Vegas foi adaptado para o cinema pelo “surrealista” Terry Gilliam (do mais recente O Mundo Imaginário do Doutor Parnassus).

Os livros possuem algumas características em comum. Primeiro, acompanham algum jornalista jogado em uma região desconhecida e que passa por situações regradas aos mais diferentes tipos de drogas (lícitas e ilícitas). Segundo, o jornalista em questão é o alter-ego do próprio Thompson, notório consumidor de drogas e bebidas e criador do estilo de jornalismo gonzo (estilo no qual não há uma distinção clara entre ficção e não-ficção, levando muitas vezes o autor a participar da história como sujeito da narrativa).

No entanto, enquanto em Fear And Loathing… o alter-ego de Thompson já está em sua fase mais absurda (quando o autor usava e abusava das mais diversas substâncias químicas), The Rum Diary apresenta o jornalista em sua primeira fase, ainda no início de carreira – um escritor ainda como um mero coadjuvante, por vezes em tom até mesmo romanesco, como o próprio Thompson se assumiu.

Bom, tudo isso é impontante dizer antes de falar sobre Diário de um Jornalista Bêbado, adaptação cinematográfica de The Rum Diary, que estreou no país nesta semana. Na trama, Paul Kemp é um jornalista que vai trabalhar em um jornal à beira da falência em Porto Rico. Kemp, um alcoólatra inveterado, passa por divertidas situações ao lado de seus amigos – tão loucos quanto ele – e se apaixona por Chenault, namorada de um colega de profissão renegado, envolvido em um esquema de grilagem da terra. O protagonista é vivido pelo multifacetado Johnny Depp, que também encarnou o personagem principal em Medo e Delírio – título em português da adaptação de Terry Gilliam – e foi amigo pessoal de Thompson. Depp inclusive insistia para que a obra de Thompson fosse levada para o cinema e está entre um dos produtores do longa.

Diário de um Jornalista Bêbado não alcançou o sucesso esperado. A produção, que custou cerca de 45 milhões de dólares, faturou pouco mais de 13 milhões nos EUA. Depp foi duramente criticado ao dizer que o público não estaria acostumado a filmes inteligentes como este e não se importava com os números, pois o longa se tornaria um clássico daqui há alguns anos. A baixa popularidade prejudicou até mesmo a distribuição do projeto: originalmente lançado nos EUA em 28 de outubro de 2011, o filme só chegou agora aos cinemas nacionais. Entretanto, a fita está muito longe de ser o fiasco que dizem.

O filme é muito bem ambientado em um Porto Rico cheio de cores, alegre e descontraído, retratando muito bem o período (a história se passa na década de 1950), com seus habitantes e cultura locais, justamente na época em que a nação lutava por sua independência diante dos EUA, num país marcado por grandes desigualdades sociais (a cena em que um ricaço esnobe expulsa um grupo de nativos de sua “praia particular” é exemplo disso). Já a trilha sonora, característica e muito bem executada, foi uma das pré-indicadas para o Oscar 2012 – embora não tenha ficado entre as finalistas. No quesito atuações, vale destacar Depp, que parece muito à vontade com sua personagem. Não muito exagerado, Depp consegue segurar consideravelmente suas caras e bocas – elas estão lá, mas muito menos que em outros trabalhos. Destaque também para Amber Heard (sensualíssima no papel de Chenault), Richard Jenkins (como o chefe do jornal onde Kemp trabalha) e, chamando os olhares para si a cada aparição, Michael Rispoli, como Bob Sala (um dos amigos bizarros de Kemp).

Entretanto, o que mais se pode relevar em Diário… é sua direção. Bruce Robinson conseguiu criar um produto simpático – e este é o melhor adjetivo para o longa. Durante quase duas hora de projeção, Bruce não arrisca tanto na comédia física (na verdade, mostra-se bastante intimidado em relação a isso), mas cria cenas de pastelão divertidas avulsas. Embora não haja um roteiro com estrutura rígida, como se sem rumo (o que deixa a sensação de altos e baixos a todo instante), o filme é simpático justamente por não ser pretensioso.

Talvez a experiência Medo e Delírio tenha deixado o público com um pé atrás quanto a Diário de um Jornalista Bêbado. O filme de Gilliam, para muitos, é uma das piores obras cinematográficas de todos os tempos. Para outros, é considerado um clássico. Talvez Depp esteja certo: daqui há alguns anos, Diário… pode se tornar um daqueles filmes cults que são vendidos a preços exorbitantes a colecionadores fanáticos. Ele já tem um ponto que o ajuda: não é um blockbuster. Apesar do texto à deriva, o longa é um bom programa que pode ser consumido sem moderação.

A Mulher de Preto (The Woman in Black)

A Mulher de Preto conta a história de Arthur Kipps, um jovem advogado e pai viúvo, desestabilizado emocionalmente desde a morte de sua esposa, que viaja para uma cidade do interior da Inglaterra para cuidar dos papéis de um cliente falecido recentemente, dono de uma mansão. Lá, ele descobre que há o espírito de uma mulher que toda vez que é visto causa a morte trágica de uma criança da cidade. Mais tarde, Arthur descobre que o espírito apenas deseja vingança por conta da morte de seu filho, cujo corpo nunca fora encontrado.

O filme tem todos os elementos próprios deste tipo de película. Vamos lá: homem da cidade que não acredita nas crendices de pessoas simples do campo, confere; atmosfera sinistra, confere; história envolvendo o sobrenatural, confere; cenário do interior de uma Inglaterra no início do século XX, confere. Entretanto, nem mesmo estes elementos são capazes de impedir que A Mulher de Preto deslize e se torne uma quase furada.

A princípio, já somos apresentados claramente a uma falha na escolha do ator principal. Apesar do roteiro destacar a juventude de Kepps, Daniel Radcliffe é absolutamente muito jovem para o papel – além do fato de Radcliffe ainda estar muito vivo na memória dos fãs como o bruxinho Harry Potter, personagem principal de uma das maiores franquias do cinema. Radcliffe faz um tremendo esforço para o papel que, definitivamente, não foi feito para ele. Afinal, Daniel em nada se parece com um viúvo que tem um filho de cinco anos. A sensação é a de que estamos em uma montagem de teatro escolar, onde crianças e adolescentes fazem personagens adultos. Além disso, o rosto assustado de Radcliffe a todo instante é irritante – e essa foi a única expressão que o ator conseguiu fazer durante todo o filme.

Depois, o filme tropeça – e muito – no roteiro. A história em si tem um grande potencial, pois é um legítimo conto de fantasmas. O que acontece é que ela não decola: as sequências são longas e cansativas, com pouquíssimos sustos. sustos. Alem disso, a lógica com que Kepps descobre o “grande” mistério do fantasma é, sob certo aspecto, duvidosa (confesso que ri com a facilidade com que o advogado encontra o corpo do filho do fantasma), o que faz com que o filme caminhe para um final bem diferente daquilo que se espera – e que não deixa de ser decepcionante para o espectador.

Mas tudo isso pode ser, talvez, creditado à falta de uma direção madura: percebe-se que o diretor James Watkins não teve pulso forte para conduzir sua obra e não aproveitou o potencial da trama. Parece que não é apenas uma história sobre fantasmas. A direção, ao que tudo indica, também é difícil de enxergar.

Rimbaud – A Vida Dupla de um Rebelde

Não é exagero algum dizer que Arthur Rimbaud tenha sido um dos maiores nomes da poesia moderna. Afinal, aos 16 anos, Rimbaud demonstrava um talento para a arte que já sinalizava que sua obra seria revolucionária.

Edmund White apresenta o artista no livro Rimbaud – A Vida Dupla de um Rebelde. Trata-se de um ensaio sobre a vida do garoto desde sua infância em Charleville, na França, sob os cuidados da mãe dominadora, até seus últimos dias vagando pela África.

01O ensaio, no entanto, é preciso ao acompanhar Rimbaud em sua conturbada relação com Paul Verlaine, poeta que financiara a obra de Rimbaud durante sua adolescência. Paul, já célebre no meio parisiense, abandonou amigos, destruiu seu casamento e rumou ao desconhecido ao lado do jovem artista. Anos mais tarde, Verlaine seria preso graças a Arthur, que daria as costas para o companheiro – e, principalmente, para a sua própria obra, partindo para uma vida de aventuras no continente africano.

Rimbaud – A Vida Dupla de um Rebelde não é o primeiro ensaio biográfico de Edmund White, que já escreveu também as biografias de Jean Genet e Marcel Proust. Homossexual, Edmund questiona se o exemplo satânico de Rimbaud não teria influenciado o seu próprio comportamento deplorável quando jovem. Como tantos do século XX, White fora fascinado pela obra de Rimbaud. Também não seria diferente: em apenas cerca de quatro anos de produção literária, Rimbaud forçou um estilo que se tornou único. Ainda hoje, há inúmeras referências a sua obra na literatura, nas artes plásticas e na música. O menino com cara de anjo (com seus olhos azuis, traços femininos e delicados e cabelos louros) foi a voz de uma geração, sendo iluminado por sua própria genialidade – e também sua loucura.

Rimbaud é considerado o fundador da poesia moderna – e também um grande enigma na história da literatura. Por não ter sido reconhecido como desejara, o precoce poeta rejeitou toda sua obra aos 20 anos. Com Rimbaud – A Vida Dupla de um Rebelde, Edmund White consegue um feito notável: traduzir de forma brilhante um retrato sensível de um artista incomum, que revolucionou sua época e que renegou sua própria criação.

Arthur Rimbaud sem dúvida não se parecia com o diabo. Com um anjo decaído, talvez, com seus cabelos densos, indomados, que ele deixava crescer até os ombros quando tinha dezesseis anos, e seus olhos azul-celeste que se tornavam quase brancos nas fotografias da época, seus traços delicados e sua boca determinada, séria. Verlaine o chamava de “um anjo no exílio”. A ligeira assimetria na cavidade central acima do lábio superior é uma dessas falhas intrigantes num rosto quanto ao mais tão perfeito que faz o observador prender a respiração. Acho que é o mesmo que acontece com o jeito tímido-infantil-culpado de James Dean quando baixa a cabeça e levanta o olhar para nós através das sobrancelhas, com um sorriso. Verlaine mais tarde falaria da “luz cruel dos olhos azuis” de Rimbaud e da “boca forte, vermelha, com sua dobra amarga – misticismo e sensualidade em alto grau”.

Rimbaud – A Vida Dupla de um Rebelde
Edmund White (tradução de Marcos Bagno)
Companhia das Letras, 2010, 188 páginas.

O Triste Fim do Pequeno Menino Ostra e Outras Histórias

Há algumas semanas, postei aqui no site uma matéria sobre o cineasta Tim Burton e suas incríveis histórias que encantam os apaixonados pelo cinema. Na ocasião, entretanto, ainda não tinha lido O Triste Fim do Pequeno Menino Ostra e Outras Histórias, uma reunião de pequenos poemas escritor pelo artista que descrevem bem um pouco da personalidade imaginária do autor.

Ao longo de pouco mais de 120 páginas, Tim Burton nos revela um pouco de seu mundo. Philippe Barcinski apresenta a obra com a seguinte declaração:

A mente de Burton é um universo à parte. E este livro parece ser sua melhor radiografia.”

A verdade é que este livro nos apresenta algumas características que são primordiais na obra do diretor, como a melancolia (presente em Edward Mãos de Tesoura), a fantasia e imaginação (marcantes em Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas), o ambiente gótico (explorado em A Noiva Cadáver), entre outros. É isso que o leitor vai encontrar nesse livro, que retrata bem a mente insana do cineasta como nenhum outro filme seu poderia fazer. O leitor vai ser apresentado a personagens que beiram o grotesco, o bizarrismo e também a inumanidade.

A leitura é obrigatória para os amantes do trabalho de Burton – e mesmo para aqueles que não a conhecem. Os 23 poemas escritos apresentam a ambiguidade tão comum à obra de Tim: ao mesmo tempo que é triste, é também engraçado. Os poemas tratam as relações afetivas e também os conflitos psicológicos de cada um de seus personagens. São figuras infantis bastante distintas que, na maior parte das vezes, são incompreendidas e lutam para encontrar seu lugar em um mundo cada vez mais cruel. Os heróis para Burton são infelizes, decadentes e sem esperança – expondo um lado mais sombrio que existe em cada um de nós.

Para completar, o livro é recheado de ilustrações criadas pelo próprio autor. Os desenhos são facilmente identificados, pois a forma tão peculiar de Burton já é bastante conhecida em seus filmes. Vale também destacar a excelente tradução de Márcio Suzuki, que conseguiu preservar as características do texto original, como as figuras de linguagem, as métricas e também o jogo de palavras.

Dia desses no parque
Vi uma moça de raro encanto.
Tinha tantos, tantos olhos
Que, confesso, fiquei meio tonto.

A sua beleza não era pouca
(Aliás, que tremenda gatinha!),
Quando notei que tinha boca,
Engatamos uma conversinha.

Falamos sobre ecologia,
Sobre suas aulas de poesia,
Sobre os óculos que usaria
Se um dia tivesse miopia.

Mas, de tudo, o que eu mais adoro
É seu olhar diversificado.
Se entretanto ela cai no choro,
Não tem quem não fique molhado.

(“A menina de muitos olhos”)

O Triste Fim do Pequeno Menino Ostra e Outras Histórias
Tim Burton (tradução de Márcio Suzuki)
Editora Girafinha, 2010, 123 páginas.

Cisne Negro (Black Swan)

Quando li a sinopse de Cisne Negro, confesso que não me interessei imediatamente. Achei-o apenas mais um drama como tantos outros, que tentam prender a atenção do telespectador com histórias clichês sobre artistas que enfrentam uma má fase em sua carreira e buscam superação. A única coisa que me entusiasmou foi o fato do filme ter Natalie Portman como protagonista – pois além de acha-la talentosa, considero-a uma das mulheres mais bonitas do cinema. Entretanto, minhas expectativas foram superadas logo nas cenas iniciais da bela obra de Darren Aronofsky.

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Não se trata apenas de um filme qualquer: é um dos melhores dramas psicológicos da década. O longa conta a história de Nina, uma dançarina cuja marca é a perfeição. Após anos atuando em pequenos papéis, ela tem a grande chance de sua carreira ao ser escolhida para protagonizar o clássico O lago dos cisnes. Nina é a artista ideal para o papel de Cisne Branco: é doce, meiga, delicada; por outro lado, mesmo com toda sua técnica perfeita, ela é incapaz de interpretar com desenvoltura o Cisne Negro, que exige uma postura sensual, maligna, perversa, completamente oposta à sua personalidade.

O foco da narrativa persegue a trajetória de Nina ao compor essa personagem. Até então, tudo bem. É um percurso pelo qual muitos atores passam e também um tema já abordado outras vezes no cinema. Para recriar o Cisne Negro, ela tem de lutar contra forças que nunca havia enfrentado antes, como a pressão da mãe protetora ou o assédio de seu instrutor. Mas, principalmente, ela tem de enfrentar uma força maior: ela mesma. À medida que ela vence esses desafios, ela começa a encontrar os verdadeiros passos para sua dança. Ou seja, a superação na carreira só chega quando Nina consegue superar seus traumas pessoais, em uma guerra contra si mesma que é, por muitas vezes, dolorosa e sofrida.

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Nina é obcecada pela perfeição, pela técnica, pela ambição de ser uma protagonista, que é incapaz de perceber os limites que separam sonho e realidade – mudança constante no filme. E Natalie Portman não ganhou o Oscar de melhor atriz à toa. A transformação pela qual sua personagem passa no decorrer da trama (em curtos espaços de tempo) é absorvida e transmitida de forma tocante pela jovem atriz. É possível sentir cada dor, cada gota de sangue, cada suor que é derramado por Nina durante sua jornada. É como se Natalie também tivesse de superar suas próprias dúvidas e incertezas para compor esta que, ao que tudo indica, é a personagem de sua vida.

Destaque também para as atuações de Vincent Cassel (como o exigente coreógrafo de balé) e Barbara Hershey, que brilhou como a mãe de Nina, uma bailarina frustrada por ter de abandonar sua carreira para cuidar da filha. Inesperadamente, temos também uma Winona Ryder caótica, interpretando a veterana dançarina Beth, que também se torna uma das inimigas de Nina em seus pesadelos mais macabros. A trilha sonora é outro ponto forte, sendo indispensável para a caracterização da história.

Drama psicológico que surpreende e seduz ao mesmo tempo, Cisne Negro é mais do que uma simples lição sobre as dificuldades da vida e suas superações. Alguns o consideram até mesmo um thriller, pois a forma como a história caminha ao longo da película é assustadora. Com atuações brilhantes e direção impecável, Cisne Negro é uma metáfora sobre a condição do artista moderno e sua ambição pelo reconhecimento e, principalmente, pela perfeição, que pode levar a cada um de nós a descobrir sentimentos (e um outro lado de si) que podem nos surpreender.

Seja Bem Vindo!

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Resolvi criar este novo endereço, abandonar o codinome “Paralyzed” – que me acompanhou durante um bom tempo – e ser, agora, simplesmente Davi Gonçalves.

Portanto, agora você vai poder conferir todos os meus textos, informações e comentários através deste canal. Para quem for seguir, agradeço desde já. Caso goste, não deixe de recomendar e deixar sua opinião registrada – mesmo se não gostar, seu comentário será sempre importante.

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Davi Gonçalves