Tiago Iorc Esbanja Alegria em “Troco Likes”

Quando surgiu com Let Yourself In, em 2008, Tiago Iorc era um jovem artista que buscava (ou não) apenas um lugar ao sol. Elogiado, o álbum de estréia rendeu-lhe ótimos singles (muitos viraram trilhas de novela, quase um “carma” para o brasiliense). A voz doce, a sonoridade pop leve e sem forçar a barra e as composições em inglês caíram no gosto do público, não apenas no Brasil, mas também no exterior – o que seria suficiente para Tiago impulsionar uma sólida carreira internacional. Mas isso, de fato, não aconteceu: Tiago fez turnês mundo afora (especialmente na Ásia), ganhou certa visibilidade mas fez no Brasil sua fanbase mais fiel, principalmente no ambiente virtual, onde Tiago é bastante querido.

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Esse pequeno panorama é interessante para que possamos entender o que Troco Likes representa na discografia de Tiago. Quarto álbum do cantor, Troco Likes é um Tiago Iorc revigorado, refletindo claramente as mudanças que o tempo lhe trouxe e que foram surgindo gradualmente no decorrer de sua curta carreira. Troco Likes, mais do que qualquer trabalho anterior (como Umbilical e Zeski, respectivamente de 2011 e 2013), é Tiago Iorc sendo Tiago Iorc, mostrando sua verdadeira faceta como artista e como ser humano. Dessa forma, Troco Likes apresenta um Tiago muito mais maduro e à vontade consigo mesmo, não apenas cantando, mas sobretudo interpretando, sentindo o que está dizendo a cada letra.

Tiago abandona quase por completo o inglês como idioma e abraça o português – o que pode sugerir que Troco Likes é uma invariável continuação de Zeski, mas não vamos pensar nisso. Todas as faixas são em sua língua nativa (exceto a bônus Till I’m Old and Gray, uma das mais gratas surpresas, apenas com voz e violão) e escancaram uma nova fase de Tiago: a felicidade. O cantor deixa de lado o tom soturno do último CD, as letras mais introspectivas e densas e aposta em uma pegada bem mais alegre. Não que as faixas mais tristonhas sejam inexistentes, como é o caso de Eu Errei, Cataflor e Liberdade ou Solidão – essas duas últimas com ótimos arranjos de cordas, acentuando bastante o clima melancólico. Apenas o disco é muito mais ensolarado, radiante, claro.

E é aí que conhecemos Tiago como ele é e para o que realmente veio. As canções aí se dividem quase em dois grupos: as mais românticas, como Amei Te Ver (de longe, a que mais nos remete ao estilo de Let Yourself In), a deliciosa De Todas as Coisas e Coisa Linda (primeira música de trabalho, uma ode ao amor e uma das melhores composições de Tiago); e as que possuem críticas sociais, como Bossa (onde Tiago já grita “Atenção: as pessoas não precisam ser iguais as outras!”) ou Sol Que Faltava, onde o intérprete cria um novo verbo (“instagramear”) para cutucar a “geração Whatsupp” e o universo das redes sociais – daí talvez se explique o curioso título Troco Likes, cuja capa nos traz um desenho de Tiago forçando um sorriso amarelo. Por sua vez, vocalmente o rapaz continua imbatível e arrisca a voz em faixas como Alexandria (que possui um refrão pegajoso, mas eficiente) e a simplesmente espetacular Mil Razões – a música mais ousada do disco, com corajosos arranjos de metais.

01Troco Likes é um dos melhores álbuns nacionais do ano até aqui. Apesar de se distanciar do estilo que o consagrou, Tiago ainda tem como ponto forte sua voz suave e os arranjos serenos e bem executados. Talvez Troco Likes esbanje tanta alegria e luz por refletir a boa fase amorosa do artista: Tiago namora há algum tempo a atriz Isabelle Drummond e frequentemente o casal é clicado por aí – e o público percebe que os dois estão super bem, obrigada. Ouvir Coisa Linda, por exemplo, é praticamente enxergar o cantor sussurrando a letra no ouvido da namorada apaixonada, pare para analisar. Pudera: afinal, Troco Likes é apaixonante.

Foo Fighters Comemora 20 Anos com “Sonic Highways”

Lá se vão 20 anos de carreira de uma das bandas de rock mais influentes dos últimos tempos: Foo Fighters. Duas décadas de sucesso e reconhecimento por parte do público e crítica tornaram o grupo um referencial para novos artistas – e, certamente por isso, vimos Sonic Highways, último registro de estúdio dos caras, despontar como um dos álbuns de rock mais aguardados do ano.

01Sonic Highways precede Wasting Light, de 2011 – trabalho que faturou o Grammy de Melhor Álbum de Rock e que foi o primeiro do Foo Fighters a alcançar o número um nos EUA, recebendo muitos elogios da crítica. Sonic Highways, apesar de não ganhar um título numérico, é totalmente trabalhado em torno do número “8” – é o oitavo disco da banda e traz apenas oito faixas (no total, o álbum tem pouco mais de quarenta minutos). Alem das obviedades, o “8” também serve como uma espécie de metáfora ao “infinito” – que é explícito na capa e na arte oficial do registro.

A faixa de abertura é Something From Nothing – um dos singles deste trabalho que possui uma das melhores melodias da banda em anos (apesar da letra parecer meio descuidada, mas ainda assim é uma ótima experiência), recheada com guitarras distorcidas. The Feast and the Famine chega em seguida, com muita rapidez que, de cara, já nos mostra que o grupo liderado por Grohl sabe fazer rock – aliás, esta é a canção que mais nos remete à linha sonora do disco anterior e onde Dave mais gasta seus dotes vocais (unânimes, diga-se de passagem). Congregation é outra boa pedida, mas que peca por sua duração (são cinco minutos de pouca inspiração musical ou nada muito novo ou grandioso) e por sua sonoridade bem próxima ao pop rock, com versos melódicos e riffs bem executados.

What Did I Go? / God As My Witness, como a própria formação do título sugere, poderia se dividir em duas partes: começa lentamente e depois explode em uma melodia mais carregada, com um guitarra e bateria em sintonia profunda – e terminando com um fade out que a deixa com um misto de nostalgia. Outside é a faixa pop, digamos – ao menos, percebe-se um maior apelo “popular” e moderno na composição, mas que é incapaz de fazer você pular (talvez pelo excesso de instrumental, que acaba cansando um pouco). In The Clear é música obrigatória, com ótimos arranjos mas que também sofre com uma letra pouco inspirada. Subterranean é uma balada que tem um ar meio obscuro que nos lembra alguma coisa feita por Ozzy Osbourne. Fechando o disco, Grohl nos delicia com I Am a River, belíssima e, de longe, a mais bem trabalhada canção, mesmo com seus sete minutos (a guitarra inicial e o desfecho são épicos).

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Sonic Highways não é um álbum totalmente excepcional e desprovido de defeitos – e o principal é a duração de algumas canções e seu toque experimental, que fizeram com que a banda perdesse um bocado de sua personalidade. No entanto, há de se admitir que é um registro conciso, redondo em sua proposta e bem equilibrado, com músicas boas mas não tudo aquilo que esperávamos de um grupo como Foo Fighters. Talvez o maior atrativo desta fase seja a série Foo Fighters: Sonic Highways, exibida pela HBO e dirigida pelo próprio Dave Grohl. São documentários que acompanham as gravações do disco ao longo das oito diferentes cidades onde as faixas foram produzidas (respectivamente, Chicago, Washington D.C., Nashville, Austin, Los Angeles, New Orleans, Seattle e Nova York) – e vem sendo bem recebida pela crítica. Talvez Sonic Highways possa não parecer neste momento uma obra grandiosa, talvez ela sobreviva ao tempo, quem sabe Dave e companhia façam coisas melhores nos próximos anos. Mas uma coisa é certa: Sonic Highways não é infinito em sua concepção.

“Hesitant Alien”: Gerard Way e o Pós-MCR

02Há pouco mais de um ano, os integrantes da My Chemical Romance anunciavam o fim da banda. A notícia não foi uma grande surpresa – afinal, os caras vinham com alguns projetos paralelos e já demonstravam sinais de que mais cedo ou mais tarde um dos grupos mais populares do início dos anos 2000 se dissiparia. Daí em diante, muitos fãs ficaram se perguntando qual seria o futuro dos membros do quinteto e, principalmente, do vocalista Gerard Way – que lançou na última semana seu debut solo Hesitant Alien, um álbum que o distancia de seu extinto projeto mas não apresenta nenhuma inovação ao rock, mas sim à sua carreira.

Okay, o talento de Gerard Way como “cantor” pode ser questionado. Eu mesmo, fã inveterado da banda, já duvidei de seus dotes vocais em diversas ocasiões – especialmente em sua performance no disco The Black Parade (na minha opinião, o pior trabalho do grupo – o que contraria boa parte dos fãs). É um fato incontestável que Way nunca foi um grande intérprete – mas possuía presença no palco, fazia estripulias, agitava a galera e isso garantiu seu lugar ao sol. Talvez fosse o estilo do MCR que o impedisse de mostrar sua verdadeira faceta – feito que Way escancara em Hesitant Alien.

Hesitant Alien não provoca nada muito novo, é verdade, mas ainda é um disco muito acima da média – prova disso são as belas críticas que vem recebendo da imprensa (e todas muito bem merecidas). Deixando de lado o velho pop-rock e rock alternativo que marcaram sua carreira na extinta MCR, Gerard faz um retorno às décadas passadas, se lançando no britpop (de Jarvis Cocker ou Damon Albarn) dos anos 90, no pós-punk quebrado de 80 e, principalmente, no glam-rock de 70 (um gostinho de David Bowie). Essa mistura de gêneros contribui para criar uma sonoridade que remete nossos ouvidos a estilos quase alternativos – é possível fechar os olhos e enxergar uma banda dos anos 80 fazendo som na garagem de casa.

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O disco abre de maneira categórica com a excepcional Bureau, engrandecida com uma guitarra generosa que torna a faixa uma ótima pedida. Segue-se com Action CatNo Shows – ambas já liberadas anteriormente (No Shows inclusive já ganhou videoclipe). Enquanto a primeira dividiu os fãs (pois não se via nada novo à primeira audição), a segunda tem o estilo “garagem” muito mais perceptível, seja pelo destaque das guitarras distorcidas como pelos vocais propositalmente mais baixos que o instrumental. BrotherDrugstore Perfume são claramente inspiradas no britpop que mencionamos acima e possuem ótimas melodias – Drugstore Perfume, por exemplo, pode ser comparável à qualquer pérola do Oasis em sua fase áurea. Já Zero Zero (cuja introdução lembra Blur de imediato) e Juarez são as canções mais barulhentas do álbum, sendo que esta última é a que mais pode remeter ao velho som do MCR, mas bem vagamente. How’s It Going To Be, particularmente, é a minha música preferida devido, sobretudo, à sua instrumentação que é deliciosa. Outras faixas como MillionsGet The Gang TogetherMaya The Psychic completam este registro e são tão boas isoladamente quanto inseridas dentro da proposta de Way para seu debut.

De forma geral e se ouvido com certa atenção, Hesitant Alien tem um tema “maior” que é ligado em temas menores através das onze faixas de um registro curto mas que não deixa a desejar. Way não renega seu passado “negro” em nenhum momento de Hesitant Alien, afinal a pegada punk de seu antigo projeto ainda está ali. Mas Gerard dá seu toque especial e particular a um trabalho que traz novos elementos à sua carreira, o que é capaz de cativar novos ouvintes que antes torciam o nariz para suas composições. Conceitualmente, Hesitant Alien possui méritos inquestionáveis, assim como tecnicamente – o disco foi produzido por Doug McKean, antigo companheiro de Rob Cavallo (um velho conhecido dos fãs de MCR). Hesitant Alien ainda tem a grande sorte de ser um álbum que funciona isolado (cada música por si é um “mini-drama” à parte) e em sua totalidade, equilibrado do início ao fim. Se por um lado Gerard Way não faz nada muito excepcional para a música como um todo, por outro lado dá um salto considerável em sua carreira como compositor, intérprete e arranjador. Não se pode dizer que Hesitant Alien é melhor do que qualquer coisa já lançada pelo My Chemical Romance – mas também para que comparar? Hesitant Alien, para um disco de estréia de um ex-vocalista de banda famosa, já tem sua luz própria – e, para seu idealizador, é uma boa oportunidade de se desvencilhar daquilo que o consagrou.

Linkin Park Retorna Timidamente Às Origens Com o Ótimo “The Hunting Party”

Pode parecer que não, mas The Hunting Party é apenas o sexto álbum de estúdio da banda Linkin Park. Digo isso porque Hybrid Theory, o primeiro e aclamado registro do sexteto californiano, foi lançado no ano de 2000 – apresentando à indústria fonográfica um dos artistas mais influentes de todos os tempos. Três anos depois, Linkin Park lançava mais um disco clássico: Meteora, contendo os maiores hits – para muitos, hinos – do grupo (FaintSomewhere I BelongFrom The InsideNumb, citando apenas os mais conhecidos). Desde então, Mike, Chester e companhia não lançavam nada tão grandioso (com exceção de algumas faixas avulsas lançadas nos álbuns seguintes, mas que no conjunto de seus respectivos trabalhos não tinham tanta significância). E eis que surge The Hunting Party.

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Não que o Linkin Park pós Meteora fosse ruim. Era apenas diferente – muito diferente. Deixou-se o nu-metal e alternativo e as influências do hip-hop dos primeiros anos e apostou-se em canções mais mornas e carregadas de elementos eletrônicos, o que decepcionou boa parcela dos fãs. Apesar disso, os álbuns foram bem recebidos, estreando em primeiro lugar em vários países e tendo ótimas vendagens. Mas faltava algo. Faltava ainda aquela identidade que parecia estar meio perdida e que agora parece ter retornado com The Hunting Party, ainda que timidamente.

The Hunting Party abre com a ótima Keys To The Kingdom, onde o vocalista Chester (com voz gritante e distorcida) assume: “Eu sou minha própria vítima: eu acabo com tudo que vejo lutando na futilidade”. Já aí a banda entrega tudo o que está por vir: batidas incontroláveis, guitarras pesadas e os inconfundíveis berros de Chester – em boa fase para seus quase 40 anos. Segue-se com All For Nothing, parceria com Page Hamilton (vocalista do Helmet) e uma das melhores canções da carreira dos caras – a que mais traz a sonoridade do Linkin Park dos primeiros trabalhos. Alem do excelente instrumental e do vocal de Mike Shinoda (que é muito bem explorado aqui), a faixa é praticamente um “dedo no meio” que o grupo escancara para os críticos.

Guilt All The Same também é um ótimo momento em The Hunting Party. Com uma introdução de 1 minuto e meio, a música tem um ar dark e possui a melhor letra dessa demanda, encabeçada pelo refrão com a frase “Você são todos culpados da mesma forma, doentes demais para se envergonhar! Vocês querem apontar o dedo, mas não há mais ninguém para culpar”. Vale lembrar que Guilt All The Same foi escolhida como primeiro single – um presente para os fãs. Quebra-se o ritmo alucinante com a instrumental The Summoning, que abre caminho para War – música com fortes influências do mais autêntico punk. É impossível ouvir War e não imaginar uma banda de punk rock quebrando tudo com seus berros intermináveis e a platéia indo ao delírio. É praticamente um “Vocês queriam rock de verdade? Então está aí…”. Em seguida, temos Wasterlands, mais uma faixa com a pegada dos primeiros discos – tem Chester e Shinoda dividindo as atenções e fazendo ótimos vocais, alem de uma batida hip-hop meio quebrada com ótimos riffs de guitarra.

01Until It’s Gone começa com um sintetizador no melhor estilo Numb e tem ares épicos com seu forte cenário orquestral – uma balada para dar aquela acalmada. Daron Malakian, guitarrista do System of a Down, empresta seu talento na faixa Rebellion – e talvez por essa razão a canção parece ter saído do álbum ToxicityMark The Graves peca um pouco com sua longa introdução e, apesar de não ser ruim, se perde com seus altos e baixos e dá uma segurada nos ânimos mais afoitos. Drawbar é mais uma instrumental que põe o pé totalmente no breque, abrindo caminho para mais uma baladinha, Final Masquerade. Com os mesmos ares de grandeza de Until It’s Gone, tem grandes chances de virar single, representando uma espécie de “momento descanso”. Para finalizar, A Line In The Sand, canção mais longa deste trabalho, começa na mesma zona de relaxamento de Final Masquerade, e tem vários momentos de oscilação, mas não representa nada muito grandioso.

The Hunting Party é, provavelmente, o melhor registro do grupo desde Meteora. Para os fãs que sonhavam com um retorno às origens – mas que, devido aos discos anteriores, não tinham muita esperança – The Hunting Party vem como ótima surpresa, sendo um álbum que pode até não agradar completamente mas não decepciona em nada. Com uma ótima produção, The Hunting Party vai na contramão das tendências musicais da indústria – em entrevista à revista Kerrang, o líder da banda, Mike Shinoda, disse que o disco vinha “como uma resposta ao mercado da música atual”. Sobre isso, Mike foi categórico:

Eu li um post em um blog no ano passado sobre como a música é uma droga hoje em dia, e eu concordo. Há bandas como Arcade Fire e Mumford & Sons, que são legais se você gosta desse estilo, mas aí existem outras centenas de bandas tentando imitar essas duas.

Pois é, faz sentido. É um fato que atualmente tudo parece igual. Portanto, receber uma produção como The Hunting Party a essa altura (de uma banda que está em plena atividade e melhor do que nunca) é sempre um bom e refrescante alívio.

“Ghost Stories”: Coldplay Longe das Origens e Perto do Coração

A banda de rock britânica Coldplay pegou muita gente de surpresa quando anunciou, em março, o lançamento de seu sexto registro de estúdio, Ghost Stories, sucessor do questionável Mylo Xyloto, de 2011. Questionável porque Mylo Xyloto era um disco conceitual e experimental que, apesar das críticas mistas, não agradou totalmente aos fãs dos rapazes – que clamavam por uma volta do Coldplay às antigas e melancólicas composições de sucesso que consagraram o grupo  e não ao estilo “colorido” e animado (quase infantil) de MXGhost Stories chega as lojas ainda este mês, mas já foi disponibilizado no iTunes Radio – e, já à primeira audição, escancara as diferenças com o álbum que o antecedeu.

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Contando com a participação de vários produtores (como do DJ Avicii, Paul Epworth e Timbaland – este último que já trabalhou com Justin Timberlake, Madonna, Rihanna e 50 Cent, entre outros vários artistas de sucesso), Ghost Stories é um disco que, ao longo de suas nove faixas, mostra que o grupo liderado por Chris Martin parece não se arriscar muito. No entanto, a busca por novas sonoridades (principalmente eletrônicas) está presente no álbum, revelando um trabalho que, ainda que esteja distante daquilo que a banda fazia nos primeiros anos é capaz de agradar.

Ghost Stories abre com Always in My Head – com sua introdução sublime e seu refrão cativante, onde Chris declara que “você está sempre em minha cabeça”, ao som de uma guitarra deliciosa. De longe, uma das melhores músicas do disco. Em seguida, Magic (primeiro single já lançado anteriormente) sugere que não há nada mais mágico do que estar ao lado de quem se ama. A baladinha simplista não é nada próximo aos grandes sucessos de outrora, mas é totalmente amigável – e, ao vivo, com Chris ao piano, certamente ficará ainda melhor. Ink é outra baladinha experimental, que talvez executada por uma banda menor não teria a mesma felicidade e eficiência. Sem muita grandeza, é uma daquelas canções que cairiam bem em qualquer trilha sonora.

True Love vem carregada de elementos eletrônicos, que a deixa com um ar meio acústico, apesar dos belos arranjos de cordas e da guitarra que segura a música ao longo de sua execução. Midnight tem uma falsa pretensão melancólica e, apesar de não ser uma obra-prima, é a faixa cuja letra mais se aproxima das composições antigas do grupo. Nada alem disso. A canção tem uma pegada eletrônica bem minimalista, acentuada pelo uso explícito do autotune na voz de Chris – tornando-a quase experimental. Another’s Arms segue a mesma linha eletrônica-experimental de Midnight – mas menos minimalista (talvez pelos belos arranjos vocais femininos). Oceans é a música mais acústica do álbum, apesar de crescer ao longo de seus mais de cinco minutos – exceto por seu final sintetizado e, particularmente, desnecessário. Em seguida, A Sky Full of Stars, a aguardada composição produzida por Avicii, se traduz no momento mais dançante do trabalho até aqui, mesclando a agitação “disco” com o acústico de um violão que dá todo o ritmo – faltou apenas a Nicki Minaj fazendo um feat. para completar a situação (só que nunca). Fechando Ghost Stories, temos a bela introdução ao piano de O (sim, apenas “o”) – talvez a faixa que mais lembre a melancolia do Coldplay de Parachutes – um belo momento que encerra bem o disco.

02Ghost Stories é um grande ponto de interrogação na cabeça dos fãs da banda. Não é o disco que se esperava, porém é um trabalho bom que, ainda que um pouco engessado, absorve bem as novas experiências que o quarteto adquiriu ao longo de quase 20 anos de estrada. O que se percebe é que aos poucos o grupo britânico vem apresentando um novo conteúdo, distanciando-se de suas origens, mas sem perder por completo a essência que os fãs tanto amam. O maior distanciamento, à primeira audição, fica nas letras, pois Chris nunca esteve tão amante como aqui – o álbum é carregado de letras com frases clichês e talvez piegas, como “eu não quero ninguém mais alem de você”, “eu penso em você” ou (o ápice do amor romântico) “diga que me ama ou minta” – frases que em composições pop seriam amplamente satirizadas. Talvez seja reflexo do fim (surpresa!) do casamento entre Chris Martin e a atriz Gwyneth Paltrow – como dizem, até mesmo um pé na bunda serve para alguma coisa. Talvez seja o interesse repentino de Chris na boyband britânica One Direction e, especialmente, em seu frontman Harry Styles (amplamente elogiado pelo cantor de clássicos como YellowClocksTroubleFix YouThe Scientist e uma porrada de músicas boas). Fato é que Ghost Stories não traz uma inovação total ao som da banda, mas mostra que o Coldplay está em boa forma – suficiente para criar um projeto pensado, conceitual e focado na experimentação, capaz ainda de atingir o coração da crítica e do público.

Coletânea Encerra As Atividades do My Chemical Romance (Ou Não?)

Já não é novidade para ninguém que o quinteto norte-americano My Chemical Romance encerrou suas atividades há cerca de um ano. Após quatro álbuns e pouco mais de 12 anos na estrada, a banda ganhou uma notoriedade invejável dentro do universo rock atual, envolta a muitas polêmicas e sucessos que lhe garantiram um lugar cativo no coração de milhares de fãs ao redor do mundo. Mas como tudo na indústria fonográfica pode sempre render alguma coisa (afinal, sempre há espaço para discografias rentáveis, diga-se de passagem…), nem mesmo o fim do grupo foi capaz de brecar o lançamento de May Death Never Stop You, coletânea que reúne os grandes sucessos do conjunto ao longo de sua bem sucedida carreira fonográfica.

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May Death Never Stop You alinha, seguindo a ordem cronológica, faixas dos quatro álbuns de estúdio do My Chemical Romance: I Brought You My Bullets, You Brought Me Your Love (2002), Three Cheers For Sweet Revenge (2004), The Black Parade (2006) e Danger Days – The True Lives Of The Fabulous Killjoys (2010). Alem das faixas oficiais, há ainda outras três demos, originalmente lançadas em EPs do início da carreira. A surpresa fica por conta da inédita Fake Your Death, que abre o disco, totalizando 19 faixas.

Lançada pela Reprise Records e distribuída pela Warner, May Death Never Stop You sela o fim da banda de rock alternativo. A compilação, no entanto, é um bom motivo de comemoração para os fãs do grupo liderado  por Gerard Way (um verdadeiro camaleão que durante sua carreira já esteve irreconhecível sob suas várias facetas). Os fãs mais sortudos que adquiriram o álbum na pré-venda do site oficial ainda levaram para casa um DVD com cerca de 2 horas de material inédito (inclusive um clipe perdido da faixa Blood, que encerra o álbum The Black Parade – considerado por muitos a obra-prima do conjunto), alem de outros acessórios, como uma camiseta com a frase “Thank You For The Venom” – primeira camiseta da banda e referência a uma das melhores faixas do grupo, lançada no segundo disco e desprezada na coletânea.

Lançado há pouco mais de um mês atrás, May Death Never Stop You é um material que tende a agradar aos fãs devido à abrangência de sua compilação (apesar que verdadeiros hinos da banda foram definitivamente deixados de fora, como Demolition LoversDesert Song ou I Never Told You What I Do For a Living – faixas que são queridíssimas pelos fãs mas que a grande massa desconhece, em muitos casos). Dos quatro álbuns, o que ganha destaque explícito é The Black Parade – o grande divisor da carreira da banda. O primeiro álbum, para alguns (leia-se aqui: para mim e muitos outros fãs dos primeiros tempos) o melhor trabalho, rendeu apenas duas faixas (os singles Honey, This Mirror Isn’t Big Enough For The Two Of UsVampires Will Never Hurt You).

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May Death Never Stop You funciona como coletânea e, não vou ser chato e dizer o contrário, a seleção foi compatível – reunindo realmente aquilo que marcou o My Chemical Romance ao longo desse período. Para os fãs posers, a compilação é um ótimo presente. Para os mais excêntricos, é um material que comprova definitivamente toda a transformação pela qual o grupo passou ao longo destes 12 anos de estrada – muito mais perceptível aqui, com as supostas “melhores” faixas disponíveis juntas para audição. Há quem diga ainda que tudo isso é uma jogada de marketing para garantir um futuro retorno dos caras – leve-se em consideração o título Fake Your Death, que deixou muita gente com a pulga atrás da orelha. Será que rola uma volta? Bom, por ora, o que resta aos fãs é se deliciar com o disco e relembrar com carinho os bons momentos da banda. E, claro, por que não ficar na expectativa de um retorno? Vai que…

The Used e a Vitória Sobre Seus Inimigos Imaginários e Reais

Toda vez que alguma banda que eu curto (ou um artista que mereça ser comentado) lança um novo álbum, faço questão de fazer minha crítica sobre o novo trabalho. Assim, estava ansioso para vir aqui e falar sobre Imaginary Enemy, o 6º registro do agora quarteto norte-americano The Used que, desde 2001, vem sendo um dos meus artistas preferidos por diversas razões. Longe dos estúdios desde 2012, com o suficiente Vulnerable, a banda de Utah traz ao público um álbum conceitual, denso e equilibrado, representando provavelmente um dos melhores momentos do grupo nos últimos anos.

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Imaginary Enemy começa com força total com a batida enérgica de Revolution. A música abre em off com a frase Todas as revoluções são impossíveis até que elas aconteçam; então, elas se tornam inevitáveis.”, entregando muito do propósito do álbum. Com vocais potentes de Bert McCracken, Revolution é uma das mais gratas surpresas da banda em anos. Em seguida, temos Cry, carro chefe do disco – que até já ganhou clipe. Com a ótima performance de Jeph Howard no baixo, a música serve, porém, apenas como canção para se postar nas redes sociais como indireta a algum ex, sendo uma das mais dispensáveis do álbum.

Após um início agitado, temos El-Oh-Vee-El, onde a banda faz uma espécie de crítica ao sistema capitalista que rege a nação mundial, soltando aos quatro ventos que “tudo o que precisamos é L-O-V-E”. A música, que começa de forma bem morna, acaba crescendo ao longo de sua execução e possui uma bela melodia, carregada com a guitarra já conhecida do excelente Quinn Allman. Segue-se com A Song To Stifle Imperial Progression (A Work in Progress), ótima faixa que possui, de longe, uma das melhores letras do disco. Enquanto pede a benção de Deus aos EUA, a banda também afirma que “ao declarar guerra ao terror, você declara guerra a si mesmo. Em seguida, Generation Throwaway abre com seu refrão recheado de vozes declarando que “tudo fica bem quando eu não tenho medo da glória, um verdadeiro hino que me lembra, vagamente, alguma coisa que o trio Green Day fez em seu elogiado American Idiot.

Make Believe é mais um hino que tende a agradar os novos fãs – um ótimo momento com um belíssimo refrão. Com sua batida leve e que melhor representa o lado “bonzinho” dos caras, temos Evolution, precedendo a faixa título, Imaginary Enemy. Longe de ser a melhor música do conjunto, a canção tem uma batida dançante e rápida, lembrando um pouco o estilo de seus amigos do Panic! At The Disco em seu primeiro trabalho (exceto pelos vocais de Bert), mas muito menos cru. Kenna Song, com sua bateria eletrônica, é mais uma das faixas ao estilo “bom moço” da banda. Fechando o álbum, temos Force Without Violence (com sua excelente letra e que representa bem o contexto de todo o projeto) e, finalmente, Overdose, a faixa “fofa” que pode facilmente ser utilizada na trilha sonora de algum filme teen.

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Produzido por John Feldman, Imaginary Enemy é, de longe, o registro mais “completo” da banda até hoje. Depois de uma sequência de álbuns bons mas sem muita alma e mornos o suficiente para serem facilmente desprezados(ArtworkVulnerable), o grupo consegue criar seu American Idiot particular, inserindo letras de impacto dentro de um estilo que aos poucos Bert e seus companheiros vem lutando para impor a seus fãs – uma vez que, vamos admitir, eles dificilmente voltarão a fazer algo musicalmente grandioso quanto A Box Full of Sharp ObjectsMaybe Memories ou Poetic Tragedy. É um fato que os rapazes sempre flertaram com um lado mais “mamão com açúcar” – vide composições como Blue and YellowI Caught Fire ou Buried Myself Alive, hinos que consagraram a banda e a tornaram tão querida entre seus fãs.

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Mas é um fato também que muita coisa mudou de 2001 para cá e a banda amadureceu. Recentemente, o vocalista Bert (conhecido por suas extravagâncias do início de carreira) assumiu viver uma vida mais “limpa”, longe do álcool e das drogas. Isso refletiu em uma mudança explícita em sua voz e também no comportamento dos rapazes em seus shows. Imaginary Enemy é um registro honesto de um artista que nunca se preocupou tanto em permanecer no mainstream, mas sim em fazer um som que considere bom – isso tanto é verdade que o instrumental continua impecável: enquanto Bert não faça as mesmas firulas dos anos iniciais (mas segurando o suficiente o vocal sem desafinar, como muitos vocalistas por aí…), Jeph segue com seu contrabaixo impecável, enquanto Quinn sozinho é capaz de tocar quantas guitarras quiser sem fazer muito esforço. Ainda que muitos fãs clamem por uma volta aos velhos tempos, Imaginary Enemy é uma prova de que a banda mesmo mudando ainda se renova. Apesar da segunda metade do álbum não ter a mesma força que a primeira parte, Imaginary Enemy se sobressai como o melhor disco do grupo em anos – uma contundente resposta às críticas, uma surpresa agradável aos fãs e o melhor exemplo da vitória da banda sobre todos os seus inimigos imaginários e reais.

P!ATD: Mais Disco Do Que Nunca

Que atire a primeira pedra quem nunca criticou um artista por, ao longo da carreira, mudar seu estilo, sonoridade ou ideais… É algo que chega a ser um tanto quanto ambíguo – afinal, se por um lado reclamamos das mudanças, por outro lado também nos entediamos com a mesmice de muitos artistas por aí. A banda norte-americana Panic! At The Disco é um ótimo exemplo disto. Desde sua estréia com A Fever You Can’t Sweat Out, de 2005, até o recentemente lançado Too Weird To Live, Too Rare To Die!, o quarto registro do grupo em estúdio, as mudanças musicais saltam aos ouvidos do público.

panic
Verdade seja dita: independente de qualquer coisa que tenha feito, a banda sabe como fazer. Já declarei em outras ocasiões que o P!ATD é um dos melhores grupos da atualidade, criando álbuns excepcionais em um tempo de carreira relativamente curto. De todos os CDs, particularmente acho que o mais “fraco” seja Vices & Virtues, terceiro trabalho dos garotos (apesar de conter ótimas músicas). Essa minha opinião só é mantida pelo fato de que Vices & Virtues seja, talvez, o disco menos “uníssono” da banda. Esse é, sob certo aspecto, um reflexo dos anseios da indústria fonográfica que atira para todos os lados, tentando fidelizar os antigos fãs e conquistar novos admiradores – tiro que nem sempre atinge o alvo desejado.

Too Weird To Live, Too Rare to Die (lançado no último dia 08) é, como poderia dizer, uma continuação definitiva, porém melhorada, de Vices & Virtues. Não, não é bem essa a melhor definição… Digamos que o quarto álbum seja, assim como o terceiro, uma tentativa de expandir seus horizontes sem tirar totalmente o pé de sua essência. Com isso, o P!ATD consegue criar um trabalho para o qual a crítica tende a tecer elogios enquanto os fãs mais conservadores tendem a detestar – apesar de toda a qualidade inegável do disco.

A primeira música (e primeiro single) é This is Gospel, cuja batida me remete – não sei por qual razão – a New Perspective. Com um contrabaixo generoso, a música apresenta um refrão pegajoso, embalado pela declaração “Esta é a batida do meu coração!”. Serve como single mas, particularmente, não achei grande coisa. Em seguida, a banda surpreende apresentando o segundo single Miss Jackson que, com sua batida hip-hop implacável (uma evolução explícita da criatividade do grupo) conta a história de um casal de bêbados brigando em um estacionamento antes de serem presos.

Em seguida, temos Vegas Light – para mim, a melhor das melhores música do álbum. Com uma introdução que remete a programas infantis de segunda, a música é daquelas que faz você se mexer, dançar e cantar junto. Deus ajude para que ela ganhe um clipe à sua altura, porque olha… sou suspeito para falar. Daí temos uma quebra no ritmo alucinante e ouvimos Girl That You Love, recheada de elementos eletrônicos (da bateria à voz do vocalista) e com cara de trilha de seriado (da onde eu tirei isso?). Provavelmente, Girl That You Love é apenas uma pausa para você respirar e recarregar as energias para Nicotine – que se não fosse pela performance de Brendon poderia muito bem ser tocada em alguma balada da cidade. Mas quer saber? É uma canção deliciosa!

Girls / Girls / Boys vem logo em seguida e, apesar de não permitir muita eloquência, também é uma ótima baladinha rock para dançar coladinho. Aliás, a música é o terceiro single do álbum e ganhou um clipe minimalista, com Brendon performando num fundo preto e completamente nu (não se empolgue…). Daí chegamos a um dos melhores momentos: a canção Casual Affair, que apresenta o lado mais obscuro do disco, com uma bateria agressiva e muito elementos eletrônicos. Far Young To Die também chega com uma boa ajuda eletrônica e cresce claramente ao longo de sua execução. Que tal dançar mais um pouco? Só botar Collar Full e aproveitar o ritmo agitado de sua batida e seu refrão “fofo”. O álbum se encerra com The End of All Things, música com um incrível potencial e a mais experimental de todas (taí um adjetivo ótimo para representar a banda) e que seria a melhor faixa se não pecasse pelo excesso e fosse mais simples.

Too Weird to Live, Too Rare to Die! é um disco que se revela logo de cara. No geral, é um trabalho incrivelmente mais dançante (ainda que tenha seus momentos mais calmos) e o mais eletrônico da carreira da banda. Mesmo nas faixas menos agitadas, Brendon e companhia sabem como explorar as batidas eletrônicas e o uso de sintetizadores (quem foi que disse elementos eletrônicos só servem para fazer dançar?). Ainda que boa parte dos fãs possam torcer o nariz para o álbum, o fato é que o grupo dificilmente voltará a fazer algo como A Fever You Can’t Sweat Out (com todas suas referências burlescas e erotizadas) ou Pretty. Odd (com sua elegância clássica explícita). Como resultado final, a banda não deixou de ser a boa e velha Panic! At The Disco que todos nós conhecemos. Simplesmente ela está hoje muito mais “disco” do que nunca.

Keane: Dez (?) Anos em Coletânea “Colorida”

Há algumas bandas que, por mais que se queira, é impossível não gostar. Por mais que se tente achar algum defeito, alguma brecha, algum “porém”, você acaba desistindo e se entregando ao talento indubitável do artista; aquele tipo de banda que ainda que não seja sua preferida, você reconhece que é boa e faz coisas de qualidade. Este é o sentimento que eu nutro pelos garotos do grupo inglês Keane, que está prestes a lançar (em 11 de novembro de 2013, conforme anunciado em seu site) um álbum compilatório para celebrar os dez anos de carreira do quarteto (ou melhor, de seu primeiro single comercial, Everybody’s Changing, de 2003 – já que a banda existe desde 1995).

keaneAgora, here we go: liderada pelo vocalista Tom Chaplin, o Keane se destacou no cenário musical a partir de 2003, pouco antes do seu bem sucedido álbum de estréia, Hopes And Fears. Desde então, o grupo (que mescla um estilo entre o rock alternativo britânico, indie e algumas pinceladas de new wave – veja vocês…) tem estado em evidência e conquistado uma legião de fãs ao redor do mundo, com suas explícitas influências em artistas como U2, A-ha, R.E.M., The Smiths e outros, em maior ou menor proporção, mas que contribuíram para formar a identidade musical do conjunto.

Com quatro álbuns nas costas (o último, Strangeland, foi lançado em 2012), eis que a banda tem uma ideia: lançar uma coletânia com os maiores hits de sua carreira. O resultado disso será a compilação The Best Of Keane, já na pré-venda no site oficial dos rapazes e com diversas edições (simples, edição de luxo com DVD, livro e o caralho a quatro outros atrativos – o que se traduz em uma ótima fonte de receita extraída dos fãs alucinados).

bestA playlist será recheada com canções como Perfect SymmetrySovereign Light Café e ai! morri Somewhere Only We Know, entre outros grandes sucessos – além de algumas faixas inéditas preparadas para o álbum, como Won’t Be Broken e a já liberada Higher Than The Sun – que ganhou um ótimo clipe na última semana. No vídeo, é retratado a trajetória da banda em uma espécie de animação, que acompanha as fases vividas pelos garotos e os álbuns de sua carreira. Dirigido por Chris Boyle, o vídeo caiu bem para a canção que, musicalmente, é reflexo de tudo o que a banda fez durante esses anos na estrada.


Olha, seria um pouco de hipocrisia falar que eu não estou aguardando ansiosamente pela coletânea – afinal, o som do grupo é delicioso de se ouvir, além dos hits que são muito bons e, unidos todos os melhores então…! Era tudo o que os fãs (e os nem tão fãs, mas admiradores) esperavam. E, é claro, a banda também né? Afinal, faturar um extra sem fazer coisa muito nova é sempre um bom negócio… #maldade