Como Não Perder Essa Mulher (Don Jon)

É interessante olhar para Joseph Gordon-Levitt e acompanhar sua trajetória no cinema. Em poucos anos de trabalho, o ator conseguiu criar uma carreira em ascensão – de adolescente desengonçado a quase galã hollywoodiano, se tornando um dos atores mais prestigiados e promissores de sua geração. Portanto, é com muita empolgação que o público recebeu na última semana o filme Como Não Perder Essa Mulher – primeiro trabalho do artista atuando como ator, roteirista e diretor.

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Gordon sempre foi um ator diferente dos demais, buscando constantemente sair de sua zona de conforto com projetos distintos e desafiadores. No entanto, dividindo as críticas, Como Não Perder Essa Mulher parece ser um passo um pouco precipitado na carreira do excelente ator – que optou por um tema com potencial para uma ótima história, mas que ficou limitado a um roteiro fraco. Na trama, Gordon é Jon – um tipo jovem tão comum nas grandes metrópoles. Ele é bonito, gosta de malhar, não é muito inteligente, mas é elegante e tem boa conversa – e isso facilita muito seu envolvimento com as mulheres. Jon também tem um bom apartamento, carro, divide seu tempo entre a família e o trabalho de barman, além de frequentar a igreja ao menos uma vez na semana para confessar seus pecados. Até aí, tudo beleza. Mas já no início da narrativa, Jon se revela: é viciado em pornografia. Passa horas de seu dia consumindo filmes “adultos”, fotos sensuais e qualquer produto de caráter erótico – assumindo até mesmo sentir mais prazer com a pornografia do que com o próprio ato sexual.

Há alguns anos, Steve McQueen abordou uma temática parecida no polêmico Shame, onde um homem comum também não tem controle sobre seus impulsos sexuais. O que difere basicamente ambos os personagens é que Jon é viciado não no ato em si (apesar de curtir fazer sexo com mulheres) – mas na pornografia como produto. Não consegue sentir na cama o mesmo prazer que sente ao se masturbar vendo um vídeo na internet (afinal, não é toda pessoa que está disposta a fazer na vida real o que se vê em vídeos pornográficos, convenhamos…). Talvez é esse descontrole de Jon que o leve a procurar a mulher perfeita, ideal, disposta a fazer tudo aquilo que vê nas cenas – até encontrar Barbara (personagem de Scarlett Johansson), por quem se apaixona e passa a viver uma vida de submissão passiva.

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É aí que o filme começa a declinar. Diretamente, porque não parece rolar muita química entre o casal. Joseph é até simpático, mas Scarlett não convenceu. Sua personagem é insuportável e a relação entre os dois é um porre. A situação complica ainda mais quando Barbara descobre o vício de Jon. Mas nada supera o encontro totalmente desnecessário de Jon com Esther (vivida por Julianne Moore). No início, Esther é quase vista como uma psicótica carente por atenção, mas logo é revelado que Esther era uma mulher casada que perdera recentemente esposo e filho.

O filme tem uma boa proposta . Joseph parece ter tido uma boa intenção – mas, bem, de boas intenções o inferno está cheio. A trama não se desenrola – e o que se vê é uma sucessão de cenas repetidas que caem nos clichês do gênero, deixando-a excessivamente maçante em sua segunda parte. Os atores estão ligados no automático – com exceção de Scarlett que fez um dos piores tipos de sua carreira, distanciando-se completamente do ideal nota “10” que Jon tanto almejava. Não sei se a ideia foi proposital, mas sua personagem fútil soava artificial e estereotipada.

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Mas Johansson não faz o único tipo fútil da trama. Todos ali são: os amigos de Jon que avaliam as mulheres na boate, a adolescente que não desgruda do celular, as mulheres das baladas que vão para a cama na primeira noite e, principalmente o próprio personagem título – que tem verdadeira obsessão por seu corpo, indo regularmente à academia e aproveitando os momentos de exercício para rezar as penitências como forma de absolvição de seus pecados ou mesmo sua irritação no trânsito. Homens, talvez, possam até se identificar com o personagem; mulheres, assistirão a Como Não Perder Esta Mulher e talvez se incomodem com a forma como a figura feminina é exposta tão descaradamente – reflexo de nossa própria geração, que valoriza corpos e não mentes, que enchem academias no verão e deixam bibliotecas vazias, que dão ibope para baladeiros que gastam fortunas em uma noite enquanto pessoas passam fome diante de nossos olhos. Joseph tinha tudo nas mãos para criar um ótimo estudo sobre o vício da pornografia, ou mesmo abordar uma crítica à sociedade midiática e obcecada pela imagem – mas talvez sua pouca experiência tenha tornado Como Não Perder Essa Mulher um filme raso, superficial e uma total perda de tempo.

Carrie, A Estranha (Carrie)

Fazer um remake sempre é arriscado, especialmente quando se trata de uma produção que tenha marcado um gênero ou uma época. Imagine, hoje, algum corajoso tentar refilmar um terror psicológico como O Bebê de Rosemary ou um clássico instantâneo como O Poderoso Chefão. O risco já começa porque os fãs das obras originais de cara tendem a torcer o nariz para as novas produções. Depois ainda há sempre aquela expectativa quanto à refilmagem (será melhor do que a original?) que acaba frustrando muita gente. É mais ou menos dessa forma que o remake de Carrie, A Estranha foi recebido – e, para deixar os fãs do texto de Stephen King irritados, a versão de 2013 parece não ter decolado.

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Convenhamos: Carrie, A Estranha, original de 1976, dirigido por Brian de Palma, é uma obra única. Ainda com suas deficiências, é um filme que ou você assistiu ou sabe do que se trata porque já ouviu falar. Baseado na história de Stephen King, o longa retrata a adolescência de Carrie White, uma garota tímida e perturbada que vive sob os cuidados e vigilância da mãe – uma fanática religiosa que encara qualquer ato de promiscuidade (ou muito menos do que isso) uma afronta aos preceitos bíblicos que em acredita cegamente. A criação da mãe influencia o comportamento de Carrie no colégio, onde a garota é constantemente humilhada pelos demais alunos. Ao longo da trama, no entanto, Carrie descobre que possui poderes telecinéticos (permitindo-lhe movimentar  objetos apenas com a força do pensamento) e utiliza suas novas habilidades para se vingar daqueles que tanto a desprezaram.

Excetuando uma ou outra cena, o remake de 2013 é bem fiel à obra de 1976. Tem lá suas novas incursões (nessa versão, por exemplo, a diretora Kimberly Peirce opta por iniciar a trama com o nascimento perturbador de Carrie), mas no geral o filme segue a mesma linha narrativa da versão original. Ainda assim, a refilmagem é infinitamente inferior à obra de Brian de Palma. O principal erro de Kimberly – que dirigiu Meninos Não Choram – foi o uso demasiado de efeitos especiais, em minha opinião. A tentativa foi dar ênfase aos poderes telecinéticos de Carrie, obviamente; mas o exagero fica evidente e tornam algumas cenas bizarras ou desnecessárias. A sequencia em que Carrie levita sua mãe e a lança sobre o chão é um momento de profundo desgosto – confesso que ri em diversos momentos tamanha a bizarrice das situações. Brian, na versão original, demonstra os poderes de Carrie de maneira sutil e equilibrada. Isso contribui para que a primeira versão soe muito mais assustadora do que a atual.

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Outro erro é a continuidade do roteiro. Ele se perde em alguns momentos ou soam totalmente previsíveis e com pouca lógica. Exemplo claro: em  pleno século XXI (mais uma diferença em relação ao filme de Brian), Carrie é uma garota que não sabe o que é menstruação – mas utiliza o Google para pesquisar sobre poderes telecinéticos. Lógica? Nenhuma. Outro ponto que não ajuda é a própria protagonista que – sinto dizer, pois adoro o trabalho de Chloë Grace Moretz – simplesmente não foi uma boa escolha. Chloë faz caras e bocas, olhares exagerados – enfim, está muito longe de viver sua personagem, como o fez Sissy Spacek (que inclusive foi indicada ao Oscar de melhor atriz naquela ocasião). Até mesmo Julianne Moore está ligada no automático – em um visível desperdício de talento.

Para deixar a situação ainda mais desfavorável, a fotografia do projeto não ajuda. O cenário pouco sombrio não cria uma atmosfera propícia para sustos no espectador, assim como a trilha sonora que arrisca umas canções mais recentes e soam totalmente artificiais (a música dos créditos, por exemplo, é de dar pena…). Sendo assim, Carrie, A Estranha, de 2013, é um filme que perde por uma razão maior: no processo de adaptação da história para os dias atuais, algumas mudanças seriam inevitáveis. O problema é que essas mudanças não ajudam a melhorar a trama – o que deixa os fãs antigos frustrados e não permite que o novo público possa apreciar a história. Kimberly perde a chance de consolidar seu estilo para criar simplesmente um filme mediano, que não assusta e muito menos convence.

Jovem e Bela (Jeune et Jolie)

Jovem e Bela, do diretor francês François Ozon (de Dentro da Casa e 8 Mulheres), estreou há algumas semanas no circuito nacional. Já apelidado por alguns de “Bruna Surfistinha Francês”, o filme retrata um tema recorrente no cinema: a prostituição. No entanto, não se engane: Jovem e Bela não é um produto descartável, mas tampouco indispensável.

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Protagonizada pela irresistivelmente bela Marine Vacth, a história gira em torno de Isabelle, uma garota de 17 anos que após perder a virgindade com um namoradinho de verão alemão (e que a deixou claramente decepcionada), começa a se prostituir. No entanto, um fato inesperado faz com que sua família descubra a vida dupla da garota, que agora é vigiada e perde totalmente a confiança de seus pais.

Muita gente saudou Jovem e Bela como uma versão moderna de A Bela da Tarde, clássico francês dirigido por Luis Buñuel em 1967 e que tornou Catherine Deneuve símbolo sexual instantâneo. As comparações podem parecer evidentes – mas não são, se analisarmos friamente. No longa de Buñuel, somos apresentados a uma mulher que, insatisfeita no casamento, decide se aventurar na prostituição, procurando em outros homens o prazer que seu esposo não lhe proporcionava dentro de casa. Justificável? Em se tratando de cinema, sim. Aqui, a escolha da entrega a outros homens simbolizava claramente a oposição ao machismo que marcou aquele período.

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Em Jovem e Bela, Isabelle não tem nenhum motivo aparente para se prostituir. Estuda em um bom colégio, tem uma boa relação com a família, não tem falta de nada. Sua relação com os clientes é estritamente profissional – é fria, direta e pouco sentimental. Ela não parece sentir prazer em suas experiências – tampouco utiliza o dinheiro que consegue para comprar roupas de grife ou aparelhos de última tecnologia. Ao que parece, Isabelle se prostitui apenas por uma inquietude, uma curiosidade, como uma forma de transgredir seus conceitos e superar seus próprios limites.

Essa abordagem um tanto quanto “fria” faz com que o filme não trate de nenhum aspecto moral. Portanto, não há justificativas – tudo o que Isabelle faz na tela simplesmente não promove nenhum debate ou fornece resposta alguma. Isso é ressaltado ainda mais com a atuação “opaca” que Marine empresta à sua personagem. Com algumas sequencias que caem para o lado mais erótico, o real mistério e justificativa de Isabelle nunca ficam totalmente explícitos. Também contribui para isso o desenvolvimento superficial das demais personagens que, com exceção do irmão de Isabelle (com quem ela tem uma relação mais amistosa), pouco adicionam à narrativa.

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Dividido em quatro partes – e cada uma representando uma das estações do ano – , Jovem e Bela é um filme denso, com momentos bons e outros mais cansativos, que não faz julgamentos morais e muito menos dá respostas às ações de sua protagonista – respostas essas que ficam à mercê do espectador. Jovem e Bela não é a melhor obra de Ozon, mas também não deve ser descartado. Com uma bela fotografia e trilha sonora pontual, é um longa visualmente bonito, mas que não tem um propósito muito certo – e, talvez exatamente por isso, possa parecer tão perdido quanto sua protagonista.

Cine Holliúdy (Cine Holliúdy)

O cinema brasileiro tem crescido nos últimos anos. Não apenas em quantidade, mas a qualidade das produções nacionais tem impressionado muita gente que antes torcia o nariz para as produções brasileiras. Cine Holliúdy, do diretor Halder Gomes (de As Mães de Chico Xavier), chegou aos cinemas há alguns dias e, contrariando as expectativas sobre o filme, tem recebido bons elogios do público e da crítica especializada.

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A trama gira em torno da incrível jornada de Francisgleydisson (o que o clássico personagem de Miguel Falabella falaria sobre isso, hein?), que parte rumo ao desconhecido junto com sua família para realizar o sonho de abrir novamente uma sala de cinema em alguma cidade de sua região – em uma época em que o cinema é ameaçado pela chegada da TV nas pequenas cidades do Brasil, nos anos 70. É em uma pequena comunidade do interior cearense, no entanto, que o personagem tem a chance trazer de volta a magia da sétima arte – já que lá, o cinema é uma lenda para o público.

Seria demasiada injustiça atribuir uma nota baixa para Cine Holliúdy. Costumo sempre dizer que há duas formas de se avaliar um filme: como obra de arte e como entretenimento. Avaliar Cine Holliúdy como obra de arte (como produto de “cinema”, digamos) é chover no molhado: o filme é abertamente brega. Não tem grandes elementos “técnicos” que justifiquem uma boa nota. Seja no figurino, nos cenários, na trilha sonora (com nomes como Fernando Mendes e Odair José) ou mesmo na composição de suas personagens, o longa tem um tom assumidamente brega, caricato – recorrendo totalmente à cultura local para fazer piada com aquele que seria seu público alvo.

No entanto, se analisarmos Cine Holliúdy como entretenimento, chegaremos à uma conclusão fatídica: o filme funciona – e funciona bem. É uma das poucas comédias onde o espectador tem a possibilidade de não parar de rir em nenhum instante. Cine Holliúdy é um filme divertido e faz com que o espectador deixe a sala de cinema se sentindo bem. Boa parte deste mérito se deve ao protagonista da história, interpretado pelo ator Edmilson Filho – que rouba a cena a cada aparição. Com muito talento, o ator consegue criar um personagem carismático que deixa as cenas muito mais agradáveis. Aliás, Francisgleydisson é um dos poucos personagens “bons”, em uma história recheada de tipos estereotipados e atores não muito competentes (Mirian Freeland, por exemplo, carrega na voz um pouco de seu sotaque carioca).

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Com piadas que são claramente derivadas de quadros e esquetes de programas de humor do tipo A Praça é Nossa ou Zorra Total (mas muito mais melhoradas), Cine Holliúdy serve bem como passatempo e promove alguns bons momentos de risadas. Com a pretensão de ser uma homenagem à sétima arte (Dilma Roussef, veja você, disse que o filme seria nosso Cinema Paradiso – o que é um insulto à obra de Giuseppe Tornatore…), a trama se perde em alguns momentos quando sai da linha do humor e tenta dar uma carga um pouco mais “dramática”. No entanto, o longa se destaca por trazer aquele ar inocente e maroto que tanto estava faltando para nossas falidas comédias (afinal, se eu quero ver artistas de stand-ups eu vou a um show de stand-up, certo?). Para fazer rir, Cine Holliúdy cumpre seu papel, ainda que com todas as deficiências que fazem com o que filme divirta, mas não apaixone.

Gravidade (Gravity)

Concorde você ou não, Gravidade, novo trabalho de Alfonso Cuarón, é um sucesso de público e crítica. É quase unanimidade que Gravidade vai aos poucos deixando as salas de cinema ao redor do mundo se consagrando como um dos melhores filmes do ano – e um dos mais elogiados produtos do gênero.

A trama de Gravidade se passa no espaço, na órbita terrestre, onde um grupo de astronautas e cientistas trabalha na instalação de novas peças do telescópio Hubble. Entre eles, estão a doutora Ryan Stone (Sandra Bullock, de quem falaremos adiante…) e o comandante da empreitada, o “boa praça” Matt Kowalsky (George Clooney, mais simpático do que nunca). No entanto, algo inesperado acontece: uma nuvem de detritos espaciais atinge o equipamento principal, deixando Stone e Kowalsky à deriva no meio do nada – na imensidão e escuridão do espaço.

Há quem diga que Gravidade surpreende por conseguir prender a atenção do telespectador ao longo de sua uma hora e meia, ainda que seu roteiro seja bem econômico. Particularmente (e reforço o “particularmente” – já que aqui é questão de gosto mesmo…), a narrativa tem alguns momentos de marasmo, mas que não chegam necessariamente a cansar o espectador; pelo contrário, devido a sua curta duração, temos até mesmo a sensação de que tudo se passa rápido demais e que o filme poderia até mesmo ser estendido (o que Cuarón sabiamente não o fez).

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Contando uma história de sobrevivência, Gravidade é centrado totalmente em Bullock. Sua atuação é louvável: simples, direta, nada exagerada. No decorrer da trama, ficamos atordoados com sua respiração ofegante – praticamente sentindo todo seu desespero ao se ver sozinha, perdida na escuridão e longe de casa. Uma das apostas mais cotadas para o Oscar de melhor atriz no próximo ano, Sandra carrega nas costas uns 80% do filme. Claro que não sentiríamos o desespero de Ryan sem o belíssimo trabalho de câmera que Cuarón faz – utilizando-se de longos planos sem cortes, que saltam de dentro para fora dos capacetes de suas poucas personagens, o que acentua a aflição que nossos protagonistas sentem durante sua viagem.

Gravidade é puro cinema espetáculo. E para este fim, é uma produção que funciona muito bem. Ele chega já mostrando para o que veio: impressionar. Apesar dos erros com a realidade espacial (já tem gente utilizando isso para criticar o longa) e o pouco desenvolvimento dado às suas personagens (tem até uma tentativa de drama ao abordar a perda da filha de Ryan, mas que falha miseravelmente…), nada importa se você ficar de olhos abertos durante toda a sua exibição. Cuarón dá uma aula de boa utilização de efeitos visuais e fotografia/edição impecáveis, criando ótimas sequências. Com poucos diálogos, o filme ainda consegue abordar uma história de superação como poucos outros. Ryan é um típico exemplo de personagem que apesar de ter perdido tudo, ainda decide viver – o que faz de Gravidade também uma bela metáfora para os nossos dias.

Blue Jasmine (Blue Jasmine)

Ofuscado pela estreia meteórica do segundo filme da franquia Jogos Vorazes (fato que é totalmente compreensível, cá entre nós…), Blue Jasmine, o novo longa do cultuado Woody Allen, chega aos cinemas brasileiros. Após uma temporada pela Europa (filmando em locais como Paris, Roma, Barcelona e outras cidades do velho continente), o cineasta retorna ao solo norte-americano – mas não a Nova York que tanto ama e que foi consagrada em sua melhor fase.

O cenário agora é São Francisco e é para lá que a protagonista da história, a bela Jasmine, é obrigada a se mudar após perder toda a sua fortuna (tudo por, em um momento de raiva, denunciar o marido por fraudes no setor de investimentos e ver todos seus bens confiscados pelo governo, afundando-se em dívidas intermináveis). Anteriormente acostumada com uma vida repleta de luxos, agora Jasmine é forçada a procurar abrigo na modesta casa de sua irmã Ginger – irmã esta que sempre foi desprezada por Jasmine justamente por ser pouco favorecida financeiramente (além de seu duvidoso gosto para homens).

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Blue Jasmine é uma comédia de situações – e, assim sendo, a maior parte dos bons momentos da trama se desenvolvem justamente nos pequenos casos que ocorrem a Jasmine enquanto tenta se adaptar à sua nova realidade. Se antes Jasmine era a esposa de um investidor milionário que a mimava com as maiores regalias, agora Jasmine se vê trabalhando como recepcionista em um consultório dentário e sendo assediada pelo patrão. Se antes Jasmine servia jantares e festas a centenas de pessoas, agora é obrigada a aturar os sobrinhos berrando por toda a casa, enquanto assiste a irmã se relacionando com homens cujo tipo ela detesta.

Estruturando o filme com vários flashbacks (que ajudam a contar toda trajetória de Jasmine até sua decadência financeira – e por que não dizer moral?), Woody constrói uma narrativa não muito linear, que se equilibra com momentos muito bons e outros medianos. Como na maior parte dos filmes do diretor, temos uma trilha sonora deliciosa de se ouvir – Blue Moon ao piano fica irresistível. Quanto ao elenco, não se tem muito a dizer. Alec Baldwin, ligado no modo automático, é o marido picareta de Jasmine. Sally Hawkins, como a irmã medíocre de Jasmine, é tão cativante que chegamos a torcer para que ela realmente encontre um cara legal, como sua irmã sugere (e isso nos decepciona em determinado trecho da história). Mas o destaque é, inegavelmente, de Cate Blanchet. Positiva ou negativamente.

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Filmada de forma exaustiva por Allen, Cate é a típica musa do cineasta. Jasmine é uma personagem de ambiguidade sem par: ao longo da história, achamos que ela é vítima e também a culpada pelos acontecimentos; achamos a protagonista inteligente e também burra; consciente, mas por vezes confusa; mas em todos os momentos, Jasmine é neurótica (como uma verdadeira protagonista de Woody Allen). Isso exigiu de Cate uma atuação cheia de nuances – suas oscilações de estado emocional se refletem na voz, nos gestos, nas expressões de seu rosto e mesmo na postura da atriz. No entanto, a interpretação um tanto quanto “narcisista” de Cate (é visível que ela pretende roubar a cena, não dando espaço para mais ninguém) sufocam a sua personagem – ou seria o excesso de ostentação de sua imagem por parte de Allen? Blue Jasmine é algo novo na carreira do diretor: é aqui que Allen mais se delicia com sua protagonista. É Cate que ocupa todos os espaços do filme.

Apesar de não ser o seu melhor filme em anos (e nem dar sinal de que Allen voltará a fazer algo grandioso como antigamente), Woody entrega uma obra que ainda faz uma alusão ao relacionamento da elite e o proletariado. Jasmine, excêntrica e mesquinha, é a cara da classe alta que tanto enxergamos no próprio Allen – afinal, note que mesmo sem aparecer na frente das câmeras, é possível enxergar traços de Allen em sua Jasmine. Ao longo de sua carreira, Allen filmou tramas “parecidas” e “pouco inovadoras” (sob certo aspecto) – perceba: sempre os mesmos tipos de personagens, as mesmas características, as mesmas ambições, as mesmas narrativas. Dessa forma, Blue Jasmine se destaca simplesmente por ser um filme de Woody Allen com a cara de Woody Allen.

Frances Ha (Frances Ha)

Frances Ha não tem começo, nem meio, nem fim; tampouco é um filme de gênero definido (não é bem uma comédia, nem um drama, nem um romance). Mas é inegável que o longa dirigido por Noah Baumbach (de A Lula e a Baleia) tem muito a nos dizer.

A protagonista é Frances, um retrato fiel da geração de jovens do início do século XXI. Ela não é a garota mais bonita, nem a mais inteligente, muito menos a mais rica; mas, como todos de sua idade, tem aspirações e sonhos – especificamente, sua maior ambição é a de integrar o time principal de uma companhia de dança onde é assistente e sair em turnê pelo país, dando-lhe melhores condições para viver em Nova York. Mas nem tudo são flores: apesar de almejar o reconhecimento profissional, ela não possui muito talento para tal; além disso, ela já está naquela idade em que, apesar de ainda se sentir jovem, o tempo já dá indícios de que está passando rápido demais e quando menos se esperar… simplesmente passou.

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Frances, nossa heroína neste filme excessivamente nova-iorquino, foge um pouco do padrão das mulheres retratadas em Hollywood. Frances é a cara da juventude “problema” da nossa atualidade; uma personagem profunda e cheia de personalidade: positiva, bem humorada, consciente, amiga, fiel. Em certo momento, Frances confessa para Sophie, sua melhor amiga: “somos iguais a duas lésbicas juntas a muito tempo que não fazem mais sexo”. Atrapalhada, Frances em diversos momentos é como uma adolescente: vê tudo ao seu redor e sabe que precisa amadurecer, mas ao mesmo tempo tem medo dos rumos que a vida irá tomar.

Noah optou por trazer uma atmosfera “clássica” para a história – presente não apenas na escolha da fotografia em preto e branco (nos remetendo de imediato a Woody Allen em Manhattan), como também na trilha sonora, que vai do instrumental de Bach, Mozart e Georges Delerue (um dos maiores compositores da nouvelle vague) a hits que incluem Paul McCartney, The Rolling Stones e Harry Nilsson. Aliás, em uma das cenas mais deliciosas do filme, a protagonista (a irresistível Greta Gerwig, em ótima atuação) sai correndo e dançando pelas ruas nova-iorquinas embalada ao som de David Bowie e sua incrível Modern Love. Quer música mais propícia?

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Frances Ha é um retrato dos nossos tempos. É uma narrativa sobre as relações humanas no cenário urbano atual, que analisa aquela fase da vida em que você fica meio perdido entre o que quer fazer e o que deve fazer. A identificação com Frances é imediata. Frances Ha, mais do que um filme de caráter “cool”, é uma fábula contemporânea sobre crescimento e realização dos sonhos – ou mesmo a necessidade de se assumir que alguns deles deverão ser abandonados.

Pedalando Com Molière (Alceste à Bicyclette)

A improvável amizade entre dois atores, Serge e Gauthier, é o fio condutor do longa francês Pedalando Com Molière. Por que improvável? Bom, enquanto o primeiro é um ator aposentado, desiludido com o showbiz e que abandonou a agitada vida artística parisiense para viver isolado em uma ilha francesa, o segundo é o protagonista de uma série de TV de sucesso, atuando em um projeto que, apesar de não lhe exigir tanto talento, lhe traz o status de artista mais bem pago do país.

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Parceiros de longa data, Serge e Gauthier conhecem um ao outro como ninguém. Serge, que sofrera uma depressão que o obrigou a fugir dos palcos, vive tranquilo em sua solidão, longe dos holofotes. Sua paz é interrompida quando Gauthier (que agora é um astro da TV) o convida para, juntos, protagonizarem a peça O Misantropo, de Molière. Apesar da recusa inicial, Serge propõe que ambos passem alguns dias ensaiando a cena que abre a obra, revezando-se entre os papéis principais (Alceste e Philinte). Ao final dos ensaios, Serge dará a resposta sobre sua participação na produção – e é a partir deste momento que começa um jogo de poder e manipulação entre os dois amigos.

É justamente este jogo que garante praticamente toda a diversão do longa. A competitividade entre ambos (sempre tentando obter vantagem um sobre o outro) rende boas risadas, tornando Pedalando Com Molière um filme deliciosamente agradável de se assistir. Como todas as comédias de situações, as piadas do filme são extraídas de pequenas coisas (como um passeio de bicicleta ou um acidente em uma banheira de hidromassagem). Além disso, esses intérpretes possuem aspirações pessoais e artísticas diferentes (cada um deles encara a arte sob uma perspectiva) e que são bem exploradas pelo roteiro. Com ótimos diálogos entre os dois colegas (que se amam, se odeiam, se admiram, se abominam), o filme ainda apresenta alguns trechos da obra original de Molière, que são protagonizados pelos dois amigos em uma espécie de disputa artística (e pessoal, por que não?).

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Com uma bela fotografia (resultado do trabalho de Jean-Claude Larrieu), Pedalando Com Molière ainda traz as atuações competentes de Fabrice Luchini e Lambert Wilson (respectivamente, Serge e Gauthier), que estão em ótima sintonia. No entanto, o excesso de tramas paralelas e personagens não muito bem desenvolvidos (como uma atriz pornô sem nenhuma veia artística ou uma italiana em processo de divórcio) faz com que o filme desvie um pouco a atenção do espectador. Problemas de roteiro a parte, o diretor Philippe Le Guay cria uma obra que, diferente das comédias norte-americanas, não se propõe apenas a fazer rir, mas também a fazer pensar. Com um desfecho um tanto quanto “doloroso” e que pega o espectador de surpresa (devido ao tom leve e festivo da trama até então), Pedalando Com Molière é um filme que comprova que nem tudo na vida é tão belo quanto a arte.

Closer: Perto Demais (Closer)

Closer: Perto Demais foi vendido como “uma história de amor madura”. Baseada na peça teatral de Patrick Marber, talvez esta seja a melhor definição do que o filme realmente é: uma trama de amor moderna – e, como sugere o título, uma olhada muito mais próxima nas fraquezas e problemáticas das relações humanas no nosso tempo.

A narrativa segue os encontros e desencontros de quatro personagens. Dan, um jornalista fracassado, cruza casualmente com a striper Alice, recém-chega dos EUA, em meio à agitação da capital britânica. Passado um tempo, Dan conhece Ana em uma sessão fotográfica e passa a se relacionar com a artista. Também de forma casual (através da troca de identidades em um chat na internet), Ana se envolve com o médico Larry – formando uma espécie de casal “perfeito”: ambos bem sucedidos em suas profissões, é o casal que, aparentemente, vive um conto de fadas. No entanto, quando o envolvimento entre Ana e Dan é descoberto por Larry, ocorre uma espécie de troca de casais – formando o “retângulo” amoroso central.

Sim, confesso que explicando assim, tudo pode parecer um pouco confuso – mas não o é. Closer é direto, despudorado, bem resolvido – assim como suas personagens. Isso se reflete em um roteiro afiado, com diálogos abertos, marcantes e, por muitas vezes, descarados. Houve, na época de lançamento, quem classificasse o filme como imoral (apesar da ausência de cenas de sexo ou nudez). Talvez essa classificação tenha sido gerada pela forma sincera (por muitas vezes vulgar ou violenta) como as personagens se relacionam com seus pares – e até mesmo consigo mesmas.

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Closer é um desenrolar de traições, relações sexuais e relacionamentos entre os quatro personagens. Entre idas e vindas, eles se amam e se odeiam; se traem, mentem uns para os outros, exibindo personalidades por vezes amorais. Em um determinado momento, Ana joga na cara de Dan que “ele não conhece nada sobre o amor porque ele não entende compromisso”. Esse desenrolar frenético se evidencia no roteiro, por vezes, atropelado: ocorrem saltos cronológicos na narrativa (meses e até anos) que evidenciam o desequilíbrio dessas relações e tornam o filme, sob certo aspecto, circular: termina exatamente do ponto onde começou.

Quanto ao elenco, é necessário dizer: Closer é impressionante. Jude Law, um tanto apático, é o que menos causa frisson, mas faz um trabalho eficiente. Julia Roberts, mais serena do que nunca, traz uma atuação segura que se adequa bem à sua personagem, assim como Clive Owen, que faz um tipo beirando a paranoia que é o retrato de muitos homens que encontramos por aí. No entanto, é Natalie Portman quem realmente brilha (muito antes de Cisne Negro – pelo qual faturou o Oscar de Melhor Atriz). Na pele de Alice, Natalie é enigmática, sensual e controversa – arriscaria dizer, uma das melhores antagonistas femininas do cinema.

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Mike Nichols, com uma direção precisa, lança diversos planos fechados em seus atores, o que realça o sofrimento de suas protagonistas – como na cena do ensaio fotográfico de Alice. Com uma fotografia moderna, o filme tem poucas tomadas externas – o que fortalece o clima de intimidade que estaremos invadindo. A trilha sonora, que passeia de Bebel Gilberto com “Samba da Benção” à belíssima The Blower’s Daughter” de Damian Rice, acentua ainda mais o clima intimista do longa, nos deixando mais a vontade para invadir a privacidade de suas personagens.

Com uma visão pessimista em diversos momentos, Closer lança um olhar sobre a problemática dos relacionamentos humanos, nos mostrando bem de perto as fraquezas de nossa natureza. Serve para explanar as contradições das relações, expondo a impotência do homem diante daquilo que sente – e daquilo que deseja. Longe dos blockbusters norte-americanos (com suas tramas recheadas de mocinhos e vilões), Closer é um filme próximo à vida real, onde os personagens não são julgados por serem bons ou maus – ainda que você, em algum momento, possa sentir repulsa às suas ações. Diferente das histórias de amor hollywoodianas convencionais (aqui parece que não há o amor verdadeiro; apenas uma projeção que jamais será atendida), Closer tem um grande mérito: sua imprevisibilidade e, assim como o amor, é um filme onde o espectador mergulha de cabeça – sem se preocupar com o que está por vir.

De Olhos Bem Fechados (Eyes Wide Shut)

Quando lançado, em 1999, De Olhos Bem Fechados, a obra derradeira de Stanley Kubrick, dividiu opiniões. Houve quem o considerasse uma obra-prima, tamanho o esmero que Kubrick dispensou à produção; houve quem o achasse o maior fiasco da carreira do diretor. De fato, De Olhos Bem Fechados foi um fracasso de bilheteria e levantou debates intermináveis sobre a contribuição deste longa dentro da filmografia do cineasta. Bem, deixemos claro desde o início: De Olhos Bem Fechados não é ruim. Na verdade, seria um ótimo filme para qualquer idealizador – mas não para Stanley Kubrick.

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Concebido ao longo de mais de três anos, De Olhos Bem Fechados está muito longe de se igualar a outros filmes de Kubrick – o que torna praticamente impossível a tarefa de compreendê-lo sem assisti-lo mais de uma vez. A história gira em torno da dupla Bill e Alice (respectivamente, o casal da vez na época, Tom Cruise e Nicole Kidman); ele um médico respeitado, ela uma curadora de arte, que vivem uma relação aparentemente fora de qualquer suspeita. Uma noite após voltarem de uma festa, Alice revela ao esposo que já sentiu atraída por outro homem no passado e cogitou a hipótese de abandonar a família por este homem. Atordoado pela confissão da esposa, Bill sai pelas ruas de Nova York, esbarrando em uma festa dentro de uma mansão misteriosa.

O maior problema de De Olhos Bem Fechados é o ritmo lento que Kubrick confere à sua narrativa. Ao longo de mais de duas horas e meia, é impossível não se revirar na poltrona de minuto em minuto. O filme simplesmente parece não rodar. Obviamente, isso possa ser proposital, como se para um melhor desenvolvimento da trama ou a construção da personalidade de cada um de seus personagens – mas é fato que a história se mostra entediante em diversos momentos. Por sua vez, a dupla de protagonistas não colabora: Kidman (que é muito melhor que seu ex-marido, diga-se de passagem) está muito abaixo das expectativas, chegando a irritar em algumas cenas (como quando está bêbada, por exemplo); já Cruise dá um tom nada interessante a um personagem cheio de ideias vazias e sem fundamentos.

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O trabalho de arte do é louvável – assim, como a trilha sonora, que é atordoante e fica na cabeça do espectador mesmo quando não executada. No entanto, De Olhos Bem Fechados tem um ar “incompleto”, “inacabado”. O filme se perde ainda em diversos momentos: ora tende ao suspense, ora ao psicológico, ora apela para o sexual – mas em nenhum se sai tão bem. Em sua segunda metade, para completar, o foco principal passa a ser o personagem de Cruise – e envolve mortes, assassinatos e perseguições que deixam não chega a empolgar o público. De Olhos Bem Fechados, como obra de um diretor do calibre de Kubrick, é muito aquém dos seus demais trabalhos. É um filme que tenta desvendar (bem superficialmente) os conceitos da monogamia e as diferenças entre “sonhar” e “fazer”, nos permitindo algumas indagações: o simples fato de a esposa um dia pensar em abandona-lo justifica as ações de Bill ou é excessiva demais? De todas as formas, De Olhos Bem Fechados não deixa de ser necessário – principalmente aos que são fãs de Kubrick, um cineasta tão complexo quanto sua obra.