Belle e Sebastian (Belle et Sébastien)

Em uma vila nos Alpes Franceses, em 1943, um garoto de seis anos chamado Sebastian vive solitário, com a esperança de um dia reencontrar sua mãe. Ele não frequenta o colégio e ajuda a jovem Angelina e o rabugento César, que cuidam do menino, em pequenas tarefas diárias, como apascentar os animais do rebanho. Em meio ao terror da ocupação nazista naquela região durante a Segunda Guerra Mundial, Sebastian encontra nas montanhas um cão selvagem, com quem irá estabelecer fortes laços de amizade. No entanto, o cão é acusado injustamente de atacar os animais dos pastores da região e Sebastian terá de proteger seu amigo das mãos dos demais moradores. Esta é a premissa do comovente Belle e Sebastian.

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Sebastian é um excluído não pelas demais crianças, mas por si mesmo. Sua frustração é nunca ter conhecido sua mãe e viver na constante promessa de César de que um dia ela virá. Bell, por sua vez, é um cão maltratado (evidentemente), que tenta cuidar de si mesmo. Ambos os personagens vivem em um ambiente hostil – e talvez a necessidade um do outro é que torna o vínculo entre os dois tão forte. A cena do primeiro encontro entre eles é crucial para exemplificar isso: se no início ambos são inseguros e demonstram medo um do outro, um simples ato de bondade entre eles é capaz de torna-los próximos. Mais tarde, a sequência em que estão se banhando no rio é intensamente bela, representando a nova vida que ambos terão pela frente.

A fotografia da produção é, no mínimo, exuberante e o espectador é quase transportado àquela época. As locações são primorosas e os ótimos planos da câmera de Vanier conseguem captar a beleza de cada ponto da região através de suas lentes. Da mesma forma, a doce trilha sonora (por vezes um pouco “melosa” demais) contribui para o andamento da narrativa, sendo indispensável em todos os momentos em que está inserida na trama. Quanto às atuações, poucos destaques – com exceção de Félix Bossuet, simplesmente uma fofura de criança na pele do pequeno Sebastian, transmitindo todas as nuances de sua personagem e com uma ótima interação com o animal.

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Bell e Sebastian é inspirado em um dos maiores clássicos da literatura europeia, o livro de Cécile Aubry, que já foi adaptado para a TV na década de 60 e também virou animação japonesa em 1981. Com muita sensibilidade, a trama ainda abre espaço para outros personagens, com dramas menores, mas ainda assim interessantes (como o médico que arrisca sua vida para ajudar judeus a cruzarem a fronteira, um homem defrontando seu passado ou o militar alemão que tenta mostrar seu “lado humano” e ser perdoado). Mas não tem jeito: em um cenário como este, é a amizade entre o cão e a criança que acaba se sobressaindo e emocionando a plateia.

Franz Ferdinand no Brasil: Turnê do Ótimo “Right Thoughts, Right Words, Right Action”

E o quarteto escocês Franz Ferdinand desembarca mais uma vez no Brasil entre o final de setembro e início de outubro para a turnê de promoção de seu último álbum (o ótimo Right Thoughts, Right Words, Right Action) lançado em 2013 e promete agitar a galera das cidades de São Paulo e Rio de Janeiro.

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Uma das maiores revelações no cenário musical do início dos anos 2000, a banda formada em Glasgow, na Escócia, despontou para o mundo com seu debut, o disco homônimo lançado em 2004 e que fez o grupo faturar o Mercury Prize daquele ano (o prêmio anual concedido ao melhor álbum do Reino Unido e Irlanda), desbancando artistas como Joss Stone, Keane e Amy Winehouse. Eleito também um dos melhores registros dos anos 2000 pela revista Rolling Stone, Franz Ferdinand trazia ainda sucessos como Take me OutThis FireMichael – a primeira, inclusive, uma das canções mais relevantes da carreira dos caras.

Liderada pelo vocalista Alex Kapranos, a Franz Ferdinand é claramente inspirada na banda novaiorquina Talking Heads, que fez muito sucesso no mercado fonográfico da metade da década de 70 até o início dos anos 90. Alem dela, a Franz Ferdinand também busca no cenário indie rock atual boa influência para suas canções agitadas e ritmos dançantes. Right Thoughts, Right Words, Right Action é o quarto registro de estúdio do grupo. Muito bem recebido pela crítica, o álbum ganhou até o momento seis singles, entre eles as ótimas faixas Love IlluminationBulletRight ActionEvil Eye – este último que foi premiado com um clipe repleto de referências a filmes B de terror (que certamente fariam Sam Raimi, George Romero e Robert Rodriguez aplaudir os caras de pé…).

A primeira apresentação acontece em São Paulo, no dia 30 de setembro, no Espaço das Américas – enquanto a segunda performance será em 02 de outubro, no Rio de Janeiro, no Vivo Rio.

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FRANZ FERDINAND [SÃO PAULO]
Espaço das Américas – Rua Tagipurú, 795, Barra Funda – São Paulo/SP

Data: 30 de setembro
Ingressos: Pista Comum R$ 200,00 e Pista Premium R$ 340,00 (aceita meia-entrada mediante apresentação de documento)
Classificação: 16 anos
Abertura dos portões: 20h
Início dos shows:  21h

 

FRANZ FERDINAND [RIO DE JANEIRO]
Vivo Rio – Avenida Infante Dom Henrique, 85, Parque do Flamengo – Rio de Janeiro/RJ

Data: 02 de outubro
Ingressos: Pista, Frisa ou Balcão R$ 360,00; Camarote B R$ 380,00 e Camarote A R$ 600,00 (aceita meia-entrada mediante apresentação de documento)
Classificação: 16 anos (menores de 15 apenas acompanhado dos pais ou responsável legal)
Início dos shows:  22h

Frenesi (Frenzy)

Londres, década de 70. Uma série de crimes inquieta a polícia local: mulheres são estupradas e assassinadas por um maníaco sexual que as asfixia com uma gravata. Após o assassinato de sua ex-esposa, o fracassado Richard Blaney passa a ser o principal suspeito dos crimes. Preso injustamente, sua missão agora é provar sua inocência e incriminar o verdadeiro culpado.

01Esta é a sinopse de Frenesi, o penúltimo filme de Alfred Hitchcock, lançado em 1972 – após uma sequencia de películas que dividiram o público e a crítica (na ordem, Marnie, Confissões de Uma Ladra; Cortina Rasgada; e Topázio – este último amargando duras críticas e considerado por muitos o seu trabalho mais irregular). Não que estes títulos sejam ruins; de fato, há de se admitir que todos eles são superiores a muita coisa produzida na época. Mas faltava certa dose da identidade do cineasta. Talvez por essa razão, Frenesi foi recebido como o retorno de Hitchcock ao gênero que o consagrou. Frenesi também marca seu retorno a Inglaterra, sua terra natal (aliás, o longa já se inicia com uma ótima tomada aérea de Londres por cima do rio, aterrissando no mercado da cidade). O tema, por sua vez, já foi amplamente explorado por Hitchcock: um homem acusado de um crime que não cometeu.

Frenesi é, de longe, o filme mais violento da carreira de Hitchcock. Muito mais cru do que em seus trabalhos anteriores, a violência em Frenesi é mais explicita. A sequência do assassinato (e estupro) de Brenda Blaney, para a época, poderia ser comparada a qualquer cena de pancadaria tarantinesca hoje. Há, além disso, inúmeras cenas de nudez, que o diretor filma com bastante destreza, mas não chega necessariamente a “chocar” (já que o espectador entende que a nudez é importante dentro daquele contexto). Frenesi também apresenta um roteiro muito bem humorado – aliás, o humor quase se mistura ao suspense devido aos inúmeros percalços pelos quais seus personagens passam. O humor aqui trafega por vários tipos, do mais “bobo” (as comidas intragáveis que o inspetor de polícia é obrigado a provar para agradar a esposa) ao mais ácido (um corpo boiando no Tâmisa enquanto um político londrino discursa sobre a limpeza do rio).

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Curiosamente, o roteiro aposta em algo inusitado: diferente dos suspenses tradicionais (onde o culpado só é revelado geralmente ao final da trama), Frenesi apresenta o criminoso antes da metade da projeção – mas nem por isso o filme perde interesse. Pelo contrário: o público anseia pelo desfecho da história, torcendo para que o verdadeiro assassino pague por seus crimes. Isso é reflexo do excelente trabalho de direção de Hitchcock, que consegue despertar a simpatia do público por um protagonista que sequer é muito simpático – interpretado por Jon Finch (que um ano antes estrelou o polêmico Macbeth, de Roman Polanski). A condução do diretor é primordial para que, mesmo não caindo de amores por Richard (um sujeitinho medíocre), o público torça para que ele prove sua inocência e se vingue de Robert Rusk, o comerciante vivido por Barry Foster (um tipo detestável já nas cenas iniciais, com todo seu ar de “amigão, camarada” que soa, de cara, falso e forçado).

Recorrendo a inúmeros de seus próprios clichês, Hitchcock entrega um filme claramente mais popular (a começar pela trilha sonora de Ron Goodwin, muito mais comercial do que qualquer coisa já feita por Bernard Herrman, velho companheiro de Alfred). Talvez isso tenha sido culpa dos próprios estúdios, que participavam efetivamente da produção do longa e, de certa maneira, “engessavam” a criatividade do artista (algo do qual o diretor reclamou algumas vezes). É notória a impressão de que Frenesi é uma espécie de apanhado geral de ideias e recursos já vistos incansavelmente na filmografia do cineasta. Frenesi aposta em algumas velhas receitas batidas para criar um filme que, apesar de não inovar, funciona bem para o seu propósito, se tornando indispensável para os fãs do cinema hitchcockiano.

Amantes Eternos (Only Lovers Left Alive)

01Histórias vampirescas parecem ter saturado o público. Desde a adaptação da série de livros de Stephenie Meyer (a saga Crepúsculo, produto com ótimo apelo lucrativo e popular, mas qualidade duvidosa), a cultura pop tem rejeitado as tramas que envolvam estes seres soturnos. Por esta razão, é sempre um alívio receber um filme com esta temática das mãos de um cineasta competente como Jim Jarmusch – que faz com que Amantes Eternos seja uma agradável surpresa para os admiradores do gênero.

A trama de Amantes Eternos acompanha a solitária existência de um casal de vampiros, Adam e Eve, juntos há vários séculos e que, por algum motivo, vivem os dias atuais distantes um do outro – mas regularmente se comunicando pela internet, trocando juras de amor e relembrando os velhos tempos em que viviam o ápice de suas vidas (oi?). Os amantes decidem se reencontrar, porém os conflitos começam a surgir quando Eva, irmã mais nova de Eve, aparece na casa de Adam e questiona os atuais hábitos do casal mórbido.

Amantes Eternos é um filme que aprofunda sua narrativa na intimidade do casal de protagonistas, dando um tom infinitamente mais humano aos dois seres. Apesar de terem características semelhantes às outras criaturas já vistas no cinema (a melancolia, a sede por sangue, o estado de morbidez constante, o apreço pela escuridão), essas personagens são desenvolvidas sob uma perspectiva romântica idealizada. Ambos são indivíduos lendários, sim, mas não estão inseridos nem no passado nem no presente: eles não se situam em tempo algum – apesar de, eventualmente, tentar se encaixar na sociedade atual. O único contato com o presente são eles mesmos – a companhia um do outro, que tanto amam e tanto prezam.

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Eles sentem prazer em estar juntos e se complementam: enquanto Adam é o tipo nostálgico, que glorifica os tempos de outrora e despreza os dias atuais, vivendo em uma monotonia interminável, Eve argumenta haver esperança na humanidade – mesmo que ela viva um constante vazio existencial (este, por sua vez, só preenchido ao lado do amado). Na verdade, ambos reconhecem que a humanidade hoje não é a mesma e talvez isso os faça se sentir tão deslocados. Uma boa amostra disso é o fato de que, diferente do que vemos em outros filmes do gênero, os vampiros aqui não saem atacando humanos por aí e sugando seu sangue. Adam compra “sangue puro” de um hospital, pois a comida hoje estaria “contaminada” (inclusive, uma personagem chega a passar mal após ingerir sangue humano comum). Mas entre o casal há um equilíbrio – e esse equilíbrio é constante, como um yin-yang (sugerido até mesmo pelo figurino e maquiagem dos dois). É aqui que o cineasta exprime uma verdadeira ode ao ideal romântico: o amor é imortal, é cúmplice, não é passageiro, sobrevive a tudo.

O casal de protagonistas é, no mínimo, sensacional. Tom Hiddleston, na pele de Adam, consegue transmitir todo o estado de espírito de sua personagem (melancólico, triste e muito mais introspectivo, com certo desprezo por sua existência e sua atual condição), assim como Tilda Swinton,  a escolha perfeita para o papel. Muito contribui para suas atuações a boa caracterização e maquiagem, que deixam os atores com um visual gótico, pálido e lânguido (em estilo quase pós-punk, com seus cabelos desarrumados, seus óculos escuros e figurino intimista). A direção de arte também é louvável, tornando o filme rico visualmente, mas sem comprometer sua estética. Prova disso é o acúmulo de objetos na casa de Adam, que faz uma alusão direta ao grande conhecimento histórico que o sujeito acumulou durante os anos – mesclando artefatos antigos com objetos mais atuais. Rodado em uma cenário que remete à uma Detroit em decadência (referência explícita à própria decadência cultural que Adam tanto lamenta), a falta de iluminação da película – o longa se passa praticamente todo à noite – faz com que a fotografia pareça granulada, o que aumenta o apelo estético do filme.

Apesar do ritmo lento ao longo de mais de duas horas, Amantes Eternos ainda conta com uma belíssima trilha sonora, que honra outros títulos do diretor e percorre várias vertentes, como o blues, o rock de garagem e até mesmo a música árabe, abusando de guitarras distorcidas que favorecem a atmosfera criada pelo cineasta. Jarmusch, que também assina o roteiro, acerta em cheio ao apostar em inúmeras metáforas para recriar o drama de suas personagens que, apesar de viverem o presente, parecem a todo o momento estar presos no tempo, tendo como única válvula de escape a companhia e cumplicidade um do outro. Amantes Eternos é um filme com estética primorosa, uma narrativa densa e uma plasticidade poderosa, que foge do apelo popular e discursa sobre a beleza do amor – romântico e idealizado.

As Vantagens de Ser Invisível (The Perks of Being a Wallflower)

Charlie é um adolescente cuja vida é marcada por inúmeros traumas: o suicídio do melhor – e, aparentemente, único – amigo; o acidente de carro que matou sua tia no dia do aniversário do garoto; e o abuso sexual que sofrera quando criança. Após se recuperar de uma depressão (que o deixara com fortes tendências suicidas), Charlie retorna ao colégio – agora como calouro do ensino médio – e tem a difícil tarefa de se socializar com os demais. Não demora muito para que Charlie caia de amores pelos irmãos Sam e Patrick – dois alunos tão deslocados quanto ele (Sam, uma veterana que coleciona relacionamentos fracassados com caras mais velhos; Patrick, um jovem homossexual cujo namorado enrustido o esnoba na escola). Aos poucos, a amizade inesperada deste trio toma forma e Charlie tem a possibilidade de explorar as mais diversas fases de sua adolescência (incluindo o uso de drogas, a descoberta da sexualidade e do primeiro amor e a formação de uma identidade musical), enquanto escreve suas experiências em uma série de cartas para uma pessoa anônima.

As Vantagens de Ser Invisível é um dos raros casos de filmes que se tornam clássico instantâneo. Em seu debut na direção de longas-metragens, Stephen Chbosky (que assina também o roteiro adaptado do livro que ele mesmo escreveu) abandona qualquer recurso muito sofisticado (até mesmo porque a produção pouco exige isso) e aposta na simplicidade de um roteiro muito bem escrito que trata suas personagens com delicadeza, valorizando cada momento vivido por elas. Eles não são julgados: apenas estão lá para viver seus dramas e tentar superar essa fase tão difícil na vida – ainda que estejam inseguros com tudo aquilo que o futuro lhes reserva. Para quem leu o livro (um dos best-sellers em seu ano de publicação), é nítido que a essência da história escrita foi transportada sem dificuldades para a tela, o que ajuda o filme a manter a mesma força do material que o originou.

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Parte desta força está centrada também na atuação de um elenco inspirado – e inspirador. Logan Lerman, como Charlie, é encantador nas inúmeras oscilações emocionais de sua personagem – o que, de certa forma, faz com que qualquer um se identifique com ele (mesmo aqueles que já passaram há muito tempo essa fase da vida). Ezra Miller, que um ano antes foi amplamente elogiado por seu trabalho em Precisamos Falar Sobre o Kevin, hipnotiza a cada aparição, com toda sua energia em cena. Apesar de ficar meio de lado na narrativa em alguns instantes, seu Patrick é uma das mais gratas surpresas no filme – aliás, Logan e Ezra, juntos, são excelentes em suas sequências. Já Emma Watson (cuja primeira aparição não poderia ser mais “mágica”) se desvencilha de qualquer resíduo do papel que a consagrou, a bruxinha Hermione da saga Harry Potter. Sem dúvida, Emma é a escolha certa para viver essa garota tão complexa quanto os dramas que a acompanham.

As Vantagens de Ser Invisível deixa de lado os convencionais efeitos especiais e explorações gratuitas, construindo sua narrativa através dos ricos diálogos que dão ao espectador a oportunidade de se colocar no lugar desses personagens. Sem soar pretensioso, o diretor insere frases de efeito, como “Nós aceitamos o amor que acreditamos merecer” ou “Nós somos infinito” – duas principais expressões que tomam conta de boa parte do filme, acompanhado de uma bela trilha sonora, que abusa de referências aos anos 80 e 90. Temos New Order, Sonic Youth, The Smiths, David Bowie – este último cuja canção “Heroes” aparece em dois momentos do longa. As Vantagens de Ser Invisível fica longe das tramas clichês sobre a adolescência, concentrando sua essência nas histórias de amor, amizade, descobertas, expectativas pelas quais, inevitavelmente, todos nós passamos. Com isso, As Vantagens de Ser Invisível consegue ser tão emocionante e vibrante quanto uma paixão.

Apenas Uma Chance (One Chance)

Histórias de superação costumam comover. Trata-se de um recurso batido na ficção, mas que pode render algumas boas surpresas – como é o caso de Apenas Uma Chance, novo filme dirigido por David Frankel (de O Diabo Veste Prada e Marley e Eu), que conta a incrível jornada de Paul Potts rumo à realização de seu sonho e seu consequente estrelato em 2007, quando se tornou o primeiro vencedor do programa Britain’s Got Talent.

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Paul teve um único desejo durante toda sua vida: ser um cantor de ópera. Quando pequeno, o galês cantava no coral da igreja local e se destacava facilmente dos outros garotos – mas sofria também com alguns problemas de saúde que o impediam de investir mais na profissão. Acabou se tornando um vendedor de celulares na loja de um amigo de infância, mas sempre mantendo a chama de seu sonho acesa. Ainda adulto, era constantemente agredido física e verbalmente por antigos “parceiros” do colégio – o que lhe rendeu um dente quebrado, deixando sua fisionomia ainda mais “prejudicada” e, consequentemente, sua autoestima. Além disso, Paul não recebia o devido incentivo do pai – fazendo com que o jovem se sentisse um peixe fora d’água dentro da própria família. Após uma temporada estudando ópera na Itália (período no qual se apresentou diretamente para o tenor Luciano Pavarotti), entre altos e (muitos) baixos, Paul tem a possibilidade de realizar seu sonho, ao emocionar milhares de pessoas com sua apresentação da ária “Nessun Dorma”, de Puccini, na primeira edição de um programa que se tornaria uma febre mundial.

Ainda que o diretor recorra a alguns inevitáveis clichês para contar essa história real, Apenas Uma Chance é um filme redondo, onde tudo está em seu devido lugar. O roteiro tem de tudo um pouco: humor, drama, romance, música – mas todos estes elementos são utilizados na medida certa. Vivendo o protagonista, James Corden tem uma excelente atuação: o ator (que está confirmado no elenco do aguardado musical Into The Woods) oscila bem as cargas dramáticas e cômicas de sua personagem e forma uma dupla “fofa” com Alexandra Roach, na pele de Julz – paquera de internet que mais tarde se tornaria o grande amor da vida de Paul. Outras boas atuações ficam por conta de Julie Waters e Colm Meaney, os pais do artista – ela, a mãe que sempre esteve ao lado do filho; ele, o pai que nunca apoiou e achava que o garoto deveria ter uma profissão “séria”.

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Apenas Uma Chance (ironicamente ou não, produzido por Simon Cowell – jurado da atração que consagrou Paul) é uma cinebiografia cujo maior êxito está em transcrever tanto as conquistas quanto os fracassos de seu protagonista de forma equilibrada – o que, de certa maneira, ajuda o telespectador a se sensibilizar com a história e se aproximar dos dramas de seus personagens. Na cena em que Paul tem um péssimo êxito ao se apresentar para Pavarotti, por exemplo, o público sente aquele aperto no peito ao observar o cantor derrotado em cima do palco – mas também brota um sorriso no rosto de cada um ao ver Paul se desvencilhando das dificuldades que tanto o rodeiam, como o desprezo de alguns, os problemas de saúde, o bullying, a desmotivação do pai e, principalmente, sua própria insegurança e baixa estima. Ao final, é difícil segurar o choro ao ver o artista tendo seu momento de glória. Apesar de soar em alguns momentos como um dramalhão, Apenas Uma Chance é um filme que consegue emocionar sem forçar a barra, nos dando a certeza de que todo e qualquer sonho pode se tornar realidade, ainda que tardiamente.

Bistrô Romantique (Brasserie Romantiek)

01É dia dos namorados – e o bistrô Romantique prepara um jantar com cardápio exclusivo apenas para casais. Comandado pelos irmãos Ângelo e Pascaline (o primeiro, o chefe de cozinha; a segunda cuida das demais tarefas), o aconchegante estabelecimento abre suas portas nesta noite especial para o público mais variado – e conforme os pratos são servidos, ficamos conhecendo um pouco mais dos dramas e histórias de alguns de seus clientes.

Bistrô Romantique, filme de estreia do cineasta belga Joël Vanhoebrouck, se passa em um curto período de tempo (da abertura do restaurante até seu fechamento). Dividido em capítulos (que são apresentados conforme o cardápio avança), o longa convida o espectador a refletir sobre, praticamente, todas as fases de um relacionamento – da magia do primeiro encontro ao desgaste inevitável de uma relação com o passar dos anos – , sob os ângulos de personagens distintos. No entanto, a divisão em capítulos não é utilizada aqui para a desconstrução de um fio dramático especifico, mas serve para dar uma espécie de pausa no ritmo da narrativa – talvez justamente para propiciar ao espectador um tempo para refletir sobre aquilo que vê em cena.

A direção de Vanhoebrouck, para um estreante, é firme e concisa. O cineasta conduz bem suas personagens ao longo do filme, intercalando propositalmente as histórias – o que enriquece as reflexões sobre os diversos dramas, além de tirar o foco dos personagens no exato momento em que eles já podem cansar o espectador. Por sua vez, o aconchego do restaurante fica efetivamente acentuado com a boa fotografia, quase em tom sépia (um resultado do excelente cuidado cenográfico e de iluminação) e também pelo bom trabalho de câmera, que ora opta por movimentos mais extensos, ora aposta em closes que aumentam a sensação de intimidade sugerida pela trama.

É possível se sensibilizar com os diversos dramas de cada um dos protagonistas – digo “protagonistas” porque cada um vive sua história, seu momento, isoladamente – , seja a mulher que abandonou seus sonhos por conta da família, a suicida que foi abandonada pelo marido, o esquizofrênico romântico ou o casal em crise familiar. A única escorregada fica com alguns personagens “orelhas” (que apenas populam o ambiente e não trazem nenhuma contribuição significativa ao andamento da história), que acabam soando deveras alegóricos, como o casal homossexual, os namorados em começo de relação ou o homem mais velho que tenta impressionar uma mulher mais jovem – e se aproveita de determinada situação para sair sem pagar.

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Bistrô Romantique oscila bem o drama e a comédia – com uma leve propensão para o primeiro. Seja como for, trata-se de um curioso caso de cinema que, com uma ideia simples, porém bem executada, se torna um bom entretenimento – além de produzir debates que podem render muito mais do que uma boa refeição. Com um cardápio variado de personagens (e suas respectivas histórias), Bistrô Romantique peca, talvez, no desfecho de sua protagonista – previsível e moralista, mas que não deixa de conotar certo descontentamento com a vida ao abrirmos mãos de nossa felicidade em detrimento de nossas responsabilidades – o que muitas vezes é uma realidade (como se deixássemos de comer algo “prazeroso” porque é prejudicial a nossa saúde, por exemplo). Mas isso não estraga ou diminui Bistrô Romantique – um filme que pode ser degustado sem preocupação, pois além de delicioso faz muito bem.

O Casamento do Meu Melhor Amigo (My Best Friend’s Wedding)

01É curioso o fato de que após 1990, com Uma Linda Mulher (seu primeiro grande sucesso e filme pelo qual levou sua primeira indicação ao Oscar), Julia Roberts tenha se dedicado a produções menos significativas. Claro que seus trabalhos durante os sete anos seguintes aproveitavam o nome da então “queridinha hollywoodiana” e até alcançaram certa notoriedade (como Tudo Por Amor, Dormindo com o Inimigo ou O Dossiê Pelicano). Mas foi apenas com O Casamento do Meu Melhor Amigo (1997) que Julia voltou aos holofotes hollywoodianos, protagonizando uma história que é quase uma unanimidade para os fãs do gênero que a consagrou.

Roberts interpreta Julliane, uma crítica gastronômica independente e com uma extensa lista de relacionamentos mal sucedidos – entre eles, uma paixão ardente com Michael (Dermot Mulroney), com quem esteve junto por cerca de um mês e, por medo ou sei lá o quê, terminou repentinamente, deixando o rapaz inconsolável. Apesar disso, Julliane e Michael continuaram a amizade e cumplicidade – na verdade, enquanto Michael colocava a amiga em um pedestal quase inalcançável, Julliane seguia sua vida normalmente, pulando de um relacionamento fracassado a outro. Até o dia em que Julliane recebe uma ligação inesperada: Michael vai se casar… com outra. É nesse momento que Julliane descobre que ainda ama o rapaz e, mesmo sendo convidada para ser a madrinha do casório, a bela não vai poupar esforços para separar o casal e recuperar seu grande amor.

O Casamento do Meu Melhor Amigo começa com um número musical açucarado e que pode até nos dar uma falsa pista do que está por vir. Afinal, apesar de ser uma comédia romântica, O Casamento de Meu Melhor Amigo flerta muito mais com a “comédia” do que com o romance. Não que não haja boas sequencias para fazer os casais suspirarem, mas o timming do diretor australiano P. J. Hogan para o humor é muito claro. Hogan não se intimida a apostar, inclusive, nos clichês mais prováveis da comédia pastelão (como nos inúmeros tombos que Julliane sofre ao longo da trama ou no excesso de caricatura da personagem de Diaz, por exemplo). As piadas estão bem inseridas no decorrer da história – o que é um ponto favorável do roteiro de Ronald Bass (o mesmo de Lado a Lado, Quando um Homem Ama Uma Mulher e Rain Man), que dosa bem o humor e o romance da narrativa. A inesquecível cena em que o amigo gay de Julliane canta I Say a Little Prayer no restaurante lotado (contagiando a todos no local) é tão deliciosa quanto Mulroney sussurrando The Way You Look Tonight ao pé do ouvido de Roberts – o que deixa claro que apesar do evidente apelo cômico da história, o romance também ganha espaço no filme.

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Com uma atuação excelente, Julia faz o tipo atrapalhado e quase psicótico daquela que sofre uma clara dor de cotovelo. A atriz é um charme e oscila bem as inúmeras transformações de sua personagem, surpreendendo aqueles que costumam desprezar sua atuação. Dermot Mulroney é suficientemente sóbrio no papel do “mocinho” que nunca esqueceu a “mocinha”. Fica-se o destaque no elenco para Cameron Diaz (que até então só havia mostrado suas curvas em O Máskara, três anos antes), divertidíssima como a noiva insegura de Michael e Rupert Everett, que faz George, o amigo homossexual que protagoniza boas cenas na trama (aliás, o mesmo Rupert que é assumidamente homossexual e confessou que perdeu inúmeros papéis no cinema em decorrência disso – uma lástima).

O final de O Casamento do Meu Melhor Amigo nos deixa com uma ponta de tristeza, afinal ele foge completamente do happy ending que esperamos de um filme do gênero. A despedida entre os dois amigos, apenas com uma troca de olhares e um abraço, dá aquele nó na garganta – porque, apesar de recorrer a métodos pouco louváveis, Julliane aparentemente ama o rapaz. Mas amar é também abrir mão de certas coisas para que a outra pessoa possa ser feliz, certo? O Casamento do Meu Melhor Amigo se firma como um dos melhores trabalhos de Julia em anos e também uma comédia romântica memorável. Tecnicamente bem feito, é o tipo de filme que não importa quantas vezes você já assistiu: se você gostou, vai sempre parar para assistir novamente. Até porque já não se fazem mais filmes como este…

Um Lugar Chamado Notting Hill

Houve quem considerasse Um Lugar Chamado Notting Hill uma das melhores comédias românticas em anos. De fato, o filme lançado em 1999 conquistou o público e a crítica – o que é um caso, no mínimo, curioso, uma vez que Um Lugar Chamado Notting Hill é um produto recheado de clichês e não traz nenhuma inovação ao gênero que consagrou seus protagonistas.

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Sim, Um Lugar Chamado Notting Hill é repleto de clichês – começando por sua trama que acompanha o relacionamento amoroso entre duas pessoas de mundos completamente distintos: ele, o pacato dono de uma livraria especializada em publicações sobre viagens que vive no tranquilo bairro londrino de Notting Hill; ela, uma famosa atriz de cinema, envolvida em inúmeros escândalos e que faturou 15 milhões por seu último filme – o mesmo valor que Julia Roberts teria recebido para protagonizar esta produção. Ambos se conhecem no fortuito dia em que Anna casualmente visita o estabelecimento de Will – e a partir daí, entre encontros e desencontros, os dois iniciam um relacionamento terno e que mudaria para sempre a vida dos amantes.

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Mas os clichês não param por aí. Tudo em Um Lugar Chamado Notting Hill nos dá a sensação de dejavú. É inevitável já no encontro do casal no início do longa – afinal, quer coisa mais comum do que o cara que derruba o suco na roupa da menina? Praticamente só perde para o garoto que derruba os livros da mocinha no chão e ocorre a fatídica troca de olhares… Talvez isso se deve ao fato de que o roteiro de Um Lugar Chamado Notting Hill foi escrito por Richard Curtis – famoso roteirista do gênero, com outro grande sucesso no currículo: o elogiado Quatro Casamentos e um Funeral. Na verdade, se analisarmos com certa atenção, há muitas coisas em comum entre os dois argumentos, inclusive alguns personagens – como o grupo de amigos do mocinho ou a mulher com cabelo esquisito. Richard parece até mesmo ter “reciclado” algumas cenas (como a sequencia em que o mocinho recebe uma carona dos amigos no carro cheio de gente ou quando reúne o grupo para pedir conselhos). Até mesmo o personagem de Hugh Grant em Um Lugar Chamado Notting Hill poderia soar como o “alguns anos mais tarde…” de seu papel em Quatro Casamentos e um Funeral – tudo funcionaria muito bem e se encaixaria perfeitamente.

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Mas mesmo assim, Um Lugar Chamado Notting Hill é um filme que tem um charme muito particular. Talvez isso se dê pelo mesmo roteiro que, apesar de conter algumas falhas, é bem inteligente ao saber dosar tanto humor quanto romantismo. As piadas são estrategicamente bem inseridas ao longo da trama e se revezam com as boas cenas românticas, com ótimos diálogos. Da mesma forma, o desenvolvimento das personagens também é coeso: ambos, apesar de tudo, são totalmente críveis e humanos – uma ótima sacada aqui foi retratar a estrela como uma pessoa comum (“Eu sou apenas uma garota parada em frente a um homem, pedindo a ele que a ame”, diz Anna em certo momento). A direção de Roger Mitchell, no entanto, se apresenta bastante oscilante – com momentos muito lentos (que podem cansar o espectador) e outros de ritmo frenético – mas nada que atrapalhe o bom desempenho do elenco.

Hugh é cativante, mesmo fazendo um tipo já manjado em comédias românticas. Julia Roberts, por sua vez, apresenta uma ótima atuação, fazendo uma personagem que, ao que parece, foi inspirada em si mesma – afinal, assim como Anna, Julia também sofreu bastante com os tabloides sensacionalistas ao redor do mundo. Seu sorriso em cena orna suavemente com a música tema de abertura: She, na voz de Elvis Costello (completando a trilha sonora). A química entre Hugh e Roberts é fundamental para a história, fazendo com que o espectador torça pelo happy ending entre os dois. Outro destaque fica ainda por conta de Rhys Ifans, o amigo sem noção de Will, que protagoniza divertidas cenas ao longo das duas horas de exibição.

O desfecho, previsível, é provavelmente o ápice de todos os clichês aos quais o filme recorre. No entanto, Um Lugar Chamado Notting Hill é uma comédia romântica infinitamente superior a outros produtos do gênero. Cumprindo muito bem sua proposta, é uma produção bem feita, cuidadosamente bem executada, com um ótimo design e uma fotografia ímpar – o que não seria muito diferente tratando-se um longa rodado no charmoso bairro de Notting Hill. Longe de ser impecável, Um Lugar Chamado Notting Hill é equilibrado e inteligente, e mesmo suas deficiências tornam o filme um entretenimento excepcional – algo difícil de se encontrar no cinema hoje em dia.

Os Queridinhos da América (America’s Sweethearts)

01Ah, o mundo das celebridades… Não é muito curioso o fato de que este universo cheio de peculiaridades tenha interessado o diretor Joe Roth. Apesar de sua obra como cineasta ser relativamente modesta, é como produtor que Roth se destaca: entre seus últimos sucessos, estão a versão burtoniana de Alice no País das Maravilhas, Encontro Explosivo (com Cruise e Cameron) e o mais recente Malévola. Ou seja, “celebridades” é um assunto que Roth pode discutir com bastante propriedade porque efetivamente o conhece. No entanto, seu trabalho mais significativo como cineasta não alcançou o esperado sucesso de crítica que propunha, apesar de ter tido um bom desempenho nas bilheterias.

Os Queridinhos da América é um daqueles filmes que tinha tudo para ser um sucesso antes mesmo de seu lançamento. Afinal, o elenco selecionado era uma reunião dos maiores astros hollywoodianos na época. A começar, pela estrela maior: Julia Roberts, que acabara de receber o primeiro Oscar da carreira por sua atuação em Erin Brockovich – Uma Mulher de Talento. Naquele momento, a simples menção do nome de Julia já era o suficiente para que um projeto fosse adiante – não à toa, o nome da atriz é o primeiro a se ver na tela, apesar de sua personagem ser praticamente uma secundária. Depois, há Catherine Zeta-Jones, sempre linda, um ano antes de coestrelar Chicago – pelo qual faturou o Oscar de melhor coadjuvante. O time masculino, por sua vez, conta com os simpáticos John Cusack e Billy Crystal – este último um dos principais apresentadores da cerimônia do Oscar e que também assina a produção e o roteiro do longa.

A premissa de Os Queridinhos da América é abordar o mundo das celebridades. O filme começa com uma espécie de reportagem que explica o porquê Gwen Harrison e Eddie Thomas (Catherine e Cusack, respectivamente) formam o casal mais famoso – e rentável – de Hollywood. Eles são jovens, bonitos, possuem uma ótima química na telona e seus trabalhos são campeões de bilheteria. Mas há um problema: Gwen, que se apaixonara por um ator espanhol, quer o divórcio imediato, enquanto Eddie se recupera da separação em um retiro espiritual. Se juntos o casal é imbatível, separados eles vão de mal a pior: o último filme de Gwen, por exemplo, foi um fiasco e a bela é constantemente massacrada pela crítica, enquanto Eddie apresenta um quadro psiquiátrico deplorável. É aí que surge Lee Philips (Billy Crystal), um experiente assessor de imprensa e produtor que tem a missão de mostrar à mídia que Gwen e Eddie estão ainda vivendo harmoniosamente para, assim, divulgar o novo filme do casal.

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A proposta, ao que tudo indica, é flagrar o que se passa nos bastidores da indústria cinematográfica, mas é um fato que Os Queridinhos da América acaba se mostrando muito mais uma comédia romântica. E mesmo como comédia romântica, o longa parece não funcionar. Apesar de possuir alguns momentos divertidos, o roteiro de Crystal não tem criatividade, além da ausência de piadas inteligentes que justifiquem o gênero. Isso fica mais evidente com a direção insegura de Joe Roth, que não possui o menor timing – nem como comédia nem como romance. Como resultado, o filme fica totalmente perdido: o romance entre Eddie e Kiki (assistente e irmã de Gwen) não convence, as tiradas são forçadas e algumas cenas são vergonhosas. E, contrariando as expectativas, nem mesmo o elenco estelar consegue salvar: Julia é apática, sem graça; Billy apenas refaz seu tipo clássico e Cusack é irritantemente extravagante. Salva-se aqui Catherine que, mesmo excessivamente caricata, é hilária na pele da atriz cheia de excentricidades.

No fim, com um design de produção conveniente com a proposta do filme e uma trilha sonora que até consegue dar um charme ao tentar alavancar o estilo cômico da trama, Os Queridinhos da América é até “agradável”. Não fará você suspirar com uma bela história de amor, não fará você se contorcer com piadas bem feitas e muito menos irá propor algum tipo de discussão sobre os bastidores do mundo das celebridades – mas vai cair como uma luva se você estiver procurando uma trama leve, sem compromisso. Com um imenso potencial, Os Queridinhos da América é um exemplo perfeito de como uma direção frouxa e um argumento fraco são capazes de estragar uma produção – mesmo com um elenco queridinho pelo público.